segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O meu nome não é Alexandre

O mundo do cinema de Hollywood está cheio de casos de actores que, por terem nomes estrangeiros, eram aconselhados a mudar de nome. Mas aí até se podia argumentar que seria difícil alcançar o estatuto de estrela com um nome, muitas vezes, difícil de pronunciar. Neste caso, parece que o dono da empresa terá achado que Mohamed não agradaria aos clientes. Nada melhor, portanto, do que "sugerir" o uso de um outro nome, supostamente mais francês. São situações como esta que têm tendência para acontecer cada vez mais num país onde se vai instalando um clima xenófobo que poderá tornar-se dificilmente controlável.

Ironias de um regime

Segundo ouvi hoje na rádio, a mulher de Liu Xiaobo disse que  foram os guardas prisionais que informaram o marido que era ele o vencedor do Prémio Nobel da Paz deste ano.

domingo, 10 de outubro de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Philip Larkin

High Windows


When I see a couple of kids
And guess he's fucking her and she's
Taking pills or wearing a diaphragm,
I know this is paradise

Everyone old has dreamed of all their lives--
Bonds and gestures pushed to one side
Like an outdated combine harvester,
And everyone young going down the long slide

To happiness, endlessly. I wonder if
Anyone looked at me, forty years back,
And thought, That'll be the life;
No God any more, or sweating in the dark

About hell and that, or having to hide
What you think of the priest. He
And his lot will all go down the long slide
Like free bloody birds. And immediately

Rather than words comes the thought of high windows:
The sun-comprehending glass,
And beyond it, the deep blue air, that shows
Nothing, and is nowhere, and is endless.


in Philip Larkin, Janelas Altas, Livros Cotovia, Lisboa, 2004, p. 44

sábado, 9 de outubro de 2010

O valor de uma "golden share"

A crise a preto e branco

Já foi uma loja com muito movimento. Agora, encerrada há algum tempo, por ter deixado de ser necessária, mantém na montra os retratos de alguns dos clientes que ali tiravam as fotografias para o bilhete de identidade ou outros. Provavelmente estes foram os últimos clientes e ali permanecem em jeito de homenagem. Mas agora os rostos já não são nítidos. O sol encarregou-se de apagar os pormenores e agora até as reproduções que já foram a cores ficaram esquecidas no preto e branco. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Ler é sonhar pela mão de outrém"

Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego.

Nesta escola (Secundária de Miraflores) os livros estão sempre onde menos se espera. Há brigadas que “assaltam” aulas com o propósito de lerem, há poemas que aparecem aqui e ali… Dois alunos ficaram, este ano, em primeiro lugar: um no Concurso Nacional de Leitura no Ensino Secundário e outro no Concurso Nacional “Faça lá um poema”. Para Novembro está marcada uma homenagem a José Saramago onde estará presente João Tordo, vencedor do prémio Saramago 2009. Grande parte deste dinamismo deve-se à equipa da biblioteca da escola que promove a leitura e a escrita de forma muito apelativa para os alunos.

Porque me parece um bom exemplo deixo aqui a ligação para o blogue .

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro sempre! Ou como os regimes são imperfeitos, como os dias.

Busto da República que pertenceu ao meu avô (e que agora me pertence)


Sim, eu sei. Podemos discutir imensa coisa relacionada com a República. Podemos dizer que, nestes 100 anos, foram mais os anos negativos que os positivos. Podemos dizer que os dias, meses, anos, mais recentes desta República não têm trazido grandes motivos de alegria. Podemos argumentar que os dias futuros que se avizinham não serão fáceis.
Mesmo assim a República continua a ser o sistema de governo que me parece mais equilibrado. Vejam-se, por exemplo, as ideias de Philip Pettit.

Levantem o “Embargo”

Eu e outra pessoa éramos os únicos espectadores na noite de 6.ª feira numa das salas de cinema de um centro comercial dos arredores de Lisboa. O filme era “Embargo”, de António Ferreira.
Corajoso este realizador que faz um filme baseado num conto de José Saramago onde impera o absurdo: um homem que, querendo mudar a sua vida e tendo finalmente uma arma para o fazer se vê preso, literalmente preso, ao seu automóvel, que o impede de alcançar um outro patamar na escala social. Apesar de incompreendido pelos outros personagens, ele não deixa de tentar.
Entendo este filme como uma alegoria. Querendo entrar na dinâmica do mercado capitalista, através da sua própria iniciativa, é o automóvel, um símbolo desse próprio mercado, que se constitui como o seu primeiro inimigo, criando um obstáculo intransponível.
Os locais escolhidos num qualquer subúrbio não identificável, o tempo que podia ser qualquer um, reforçam essa ideia de alegoria.
A interpretação de Filipe Costa é muito boa. A banda sonora também.
Pode não ser um grande filme. Mas merece ser visto. Está por aí nas salas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí""

Parece que não será hoje que o Brasil terá um novo presidente. A candidata apoiada pelo PT, Dilma Rousseff, terá que ir a uma segunda volta com José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira. Serão mais alguns dias de campanha, aqui tão bem analisada.

Entretanto:

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Teresa M. G. Jardim

Mulher-Sono
(com imagens de Paula Rego)

Se tivesse uma filha
mostrava-lhe como fiar
e desfiar um novelo,
para que fosse mais desconfiada
com a vida que leva.
Ensinava-lhe desde o berço
a dar utilidade a tudo: à Branca de Neve
como toalha de mesa, ao nariz do Pinóquio
para colher peras abacates, etc.
Viver seria mais simples para ela
do que tem sido para mim.

in Teresa M. G. Jardim, Jogos Radicais, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p. 27

Revolta só no futebol

Continuo a ver os funcionários públicos e todos os outros trabalhadores a sorrir, mesmo depois do anúncio das intenções do governo. Na comunicação social este, na capa d'a Bola, parece ter sido o grito de revolta mais visível desde quarta-feira (e ainda por cima apresentado pelo lado positivo), o dia em que percebemos finalmente o alcance da mensagem da ministra da educação: vamos agarrar-nos aos livros, relembrar sobretudo a aritmética. Nunca, como agora, foi tão importante saber fazer contas. E é melhor começarmos já. 2011 está quase aí.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O poeta e o louco

O homem estava sentado na mesa da esplanada. Falava sozinho, ou para si próprio, como só os que consideramos loucos podem fazer. Fernando Pessoa, no seu fato de bronze, com a perna esquerda sobre a direita, estava ali numa mesa mesmo ao lado. Ninguém lhe fazia companhia. Nenhum turista, dos que habitualmente se sentam, sem serem convidados. Neste momento estavam os dois sós.  

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"You can get a beat from a broken heart You could write the book while falling apart"



Serão cinco os concertos em Portugal, no próximo mês. A última vez que o vi foi na FNAC do Chiado. Agora lá estarei em Sintra. Os cabelos estão mais brancos e as rugas são cada vez mais. Mas a capacidade de fazer boas canções mantém-se.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando ambos os lados são certos



Parabéns, Tiago! É bom ver a rua assim...

A tradição ainda é... o que já não era

Esquina sim, esquina não, lá estão eles: os homens e as mulheres das capas pretas. Mesmo que faça muito calor, mesmo que as meias de vidro que cobrem as pernas das raparigas pareçam tão ridículas quanto a maior parte dos emblemas cosidos às capas. Desde os que dizem respeito aos concelhos (ligados por motivos vários à vida de quem a usa) até aos que transmitem conselhos a quem os lê, parece que, inclusivamente, existem regras específicas para a sua colocação.
A ligação não é directa mas, nesta altura do ano, lembramo-nos inevitavelmente das praxes que pretendem a integração no espírito académico dos chamados caloiros. Por estes dias a cena repete-se nos locais públicos das cidades onde existem universidades ou outras instituições ligadas ao ensino superior. Um grupo de jovens com os tais trajes académicos (as lojas que vendem os trajes viram, nos últimos anos, o seu negócio aumentar) mistura-se com outro grupo de jovens, "vestidos à civil". Estes, obrigados pelos primeiros, cumprem uma série de ordens mais ou menos ridículas que incluem quase sempre andar de gatas e cantar umas canções. Parece que é tradição. Nos últimos anos, após se ter tomado conhecimento da dureza de algumas praxes, (dizem que Dura Praxis, Sed Praxis) surgiram vários movimentos de contestação àquelas práticas sendo bastante conhecidas as cartas às universidades do Ministro do Ensino Superior, Mariano Gago ou os manifestos anti-praxe assinados por personalidades mediáticas do mundo da literatura ou da música. E por falar nisso: sabiam que, já no final do séc. XIX, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão assinaram um manifesto desse género?
Eu, que sempre me queixei da falta de espírito académico na Universidade que frequentei, sinto-me bastante satisfeita por ter por lá andado numa época em que estas "tradições" estavam adormecidas. E para bem dos estudantes (caloiros e não só) e dos transeuntes que se deparam com estes espectáculos nas ruas, deixem-nas adormecer novamente... 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Se conduzir... pode beber


Pode-se escolher entre rosé e branco. Mas deste vinho sem álcool não se espera que nos ajude a esquecer.

sábado, 25 de setembro de 2010

"Duma existência banal até às luzes da ribalta..."

Ao cimo das escadas aí estão eles. Munidos de máquinas fotográficas que disparam incessantemente, todos querem apanhar o melhor ângulo, antes que o elevador se ponha em marcha. Lá dentro, o guarda-freio, do lado oposto ao que ocupará quando levar o famoso veículo até ao fundo da calçada, olha na direcção dos turistas e, com o seu melhor sorriso, posa para fotografias que levarão o seu rosto até bem longe dali.

Arquitectura e Ficção

Uma conferência com um tema muito interessante e com uma designação muito bem conseguida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"...in the fullness of time"

O preço dos cigarros

- Ó amigo, não me arranja um cigarrinho? O homem interpelado parou e puxou do maço. O outro acrescentou: - Eu dou-lhe 50 cêntimos. Perante o espanto de quem, de boa vontade, lhe daria um cigarro, explicou: - Sabe, é que eu ando a ver se deixo de fumar e decidi que não compro mais tabaco e que sempre que cravar um cigarro o pagarei a este preço.
Não cheguei a saber se a transacção se fez. Mas, pela urgência na voz de quem definiu as regras, se quiser mesmo deixar de fumar, o preço terá ainda que aumentar bastante.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sinuosidade onde menos se espera

Nesta o Pai Natal não caberia. Mas ainda bem porque, se entrasse, ficaria de tal forma tonto que trocaria todos os presentes.

Alentejo, Setembro 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Uma manhã de Agosto na Torre do Tombo

Este mês de Agosto de que falo é o do ano passado. Não sei se esta estória se poderia passar agora mas há alguma probabilidade que assim seja.

Um amigo, que não é de Lisboa, pediu-me para ir à Torre do Tombo levantar umas fotocópias de um documento cujo pedido ele tinha feito.
Tudo começou por um telefonema, que tinha como objectivo saber se estava tudo pronto, feito para o balcão de fotocópias em que o senhor que atendeu me explicou que, dadas as férias de alguns funcionários, a satisfação do pedido teria que ser adiada.
Algum tempo mais tarde voltei a ligar e falei com uma senhora, muito simpática (demasiado simpática, diria eu) que, depois de me assegurar que as fotocópias estavam tiradas, me confidenciou alguns factos do seu dia-a-dia. Queixou-se de ter ficado sozinha durante o mês de Agosto e por isso ter imenso trabalho. Perguntei-lhe se estavam abertos à hora de almoço pois era essa a indicação que tinha. Respondeu: “aberto à hora de almoço? Não! Eu chego por volta das 10. Depois à hora de almoço o balcão está fechado. E à tarde fecha às 16, mas não venha mesmo a essa hora porque, como preciso de fechar a caixa, convém estar despachada 10 minutos antes”.
Uns dias mais tarde, quando tive disponibilidade, lá fui eu, logo de manhã, convencida que seria chegar lá e levantar as fotocópias, sem qualquer problema. Pois estava enganada. Cheguei por volta das 10.10. O segurança, na entrada, disse-me logo que “a Vera” ainda não tinha chegado. Às 10.30, depois de, de livro aberto à minha frente, ter passado pelas brasas, sentada num sofá muito confortável, voltei a perguntar a uma senhora, que estava sentada numa mesa à entrada de uma sala, que me confirmou que a funcionária ainda não estava.
Dez minutos depois observei algum movimento no interior da sala contígua ao tal balcão das fotocópias, que não tinha deixado de estar no meu campo de visão. Aí me dirigi, acreditando que desta é que era. Mas, por mais que visse a sombra de alguém passar de um lado para o outro, ninguém se chegou ao balcão, ignorando o meu chamamento.
Quando finalmente “a Vera” se abeirou de mim e lhe disse o que pretendia, sem que eu tivesse feito qualquer referência ao tempo de espera, perguntou-me pelo papel (verde, acho eu) que eu não tinha pois estava na posse do meu amigo, mas que já tinha confirmado, ao telefone, que não seria imprescindível. Lá lhe dei o número do pedido e ela lá foi procurar as cópias. Entretanto chegaram, quase em simultâneo, dois senhores, um deles estrangeiro. Depois de ter interrompido várias vezes a busca para me vir dizer que não estava a encontrar nada (ao que eu lhe respondia que me tinha confirmado que já estavam tiradas as fotocópias) e ter atendido uma técnica que trabalhava no local, a quem tratava apenas por doutora, e que lhe pedia clips e perguntava pela saúde e disposição; a Vera veio perguntar-me se, uma vez que não estava a encontrar o que procurava, eu me importaria que ela atendesse os senhores que, entretanto, já estavam a ficar impacientes.
Nesse momento eu não aguentei mais e expliquei-lhe que estava ali desde as 10.10 e que não iria ficar muito mais tempo mas que queria levar aquilo que tinha ido buscar. Isto fez a senhora perder mais algum tempo em justificações do género: “eu estava aqui às 10 (quando os colegas me tinham dito o contrário) mas, como estou sozinha, tive que ir aqui e ali e acolá para distribuir expediente”.
Mas, pelos vistos, resultou porque, na incursão seguinte na sala do lado, lá encontrou as cópias.
Pensava eu que o assunto ficaria resolvido. Mas ainda demorou um pouco mais. A “doutora dos clips” ainda voltou para pedir mais algum material. Entretanto, para ser possível passar o recibo, era preciso, para além do nome, o número de contribuinte que, como eu não tinha, originou mais um tempo de hesitação. Finalmente, depois de atender uns telefonemas, e de alguma dificuldade com os trocos, que teve que ir buscar a outro sítio (era o primeiro pagamento do dia) lá me deu o recibo, não sem antes me recomendar, com muita ênfase, que o papel verde teria que ser destruído, ao que eu prometi que seria feito.
E assim foi. Mais de uma hora depois, consegui finalmente sair do edifício levando na mão o envelope com as fotocópias e na minha cabeça a certeza que nunca iria conseguir esquecer a Vera.


(O nome da funcionária foi alterado)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um outro Elvis

O seu pai, o actor Anthony Perkins, gostava muito de Elvis Presley. Daí ter optado pelo nome Elvis para o seu filho. Podia ter escolhido outro nome qualquer. Gostaríamos, na mesma, de o ouvir.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Homem Invisível passou

Lembro-me dele na faculdade (ele frequentava o curso de Comunicação Social) quase sempre junto à mesa de matraquilhos. Segui muitas das coisas que fez, muito por culpa do meu gosto pelo humor (dos programas do Herman, do Inimigo Público…). Recebeu, neste dia 13, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu livro “Deixem Passar o Homem Invisível”. Ainda não li o livro, apesar de já o ter comprado, mas não é só por este escritor ser benfiquista e ter a minha idade que destaco este prémio. É que do seu primeiro romance, “E se eu gostasse muito de morrer” gostei muito, muito mesmo.
É desse romance este excerto:
“Temos frutarias na Venezuela e mercearias na África do Sul, ok, há-de haver um restaurante a servir sardinha fresca de Peniche no Alasca, muito bem, mas que é feito da saga das Descobertas?
Quero lá saber.
Conto as minhas descobertas num instante, se prometeres não rir, mas estás tu farto de saber quais são.
Navego como faz a malta toda, na Net. Mas desconheço se é normal falar-se com tanta gente esquisita, difícil de qualificar (e até perigosa) no mundo, como faço no meu quarto. Na janela cruzetina.
Há pessoas na rede que não prestam para nada, são bostas com pernas.
Outras, no entanto, não me importava de as conhecer ao vivo. Com a evolução diária dos motores de busca, encontras tudo tudo mas mesmo tudo o que te interessa, felizmente ou infelizmente.
Desde que saí de casa, de madrugada, que ando a saltar de assunto em assunto, esta coisa lembra-me aquela, a outra uma nova, a nova uma do passado, vai tudo para a misturadora, e se calhar perdi a noção do que interessa. É muito zapping e pouco timing. Já me deu para ir chatear o Bispo e agora o Camões! Triste Camões, no fim da vida de amores errados, no Tejo, no Mondego, sobre os rios que vão por Babilónia, foi zarolho em África, náufrago na China, esfomeado em Lisboa, ele viu escuro o lume das estrelas.
A verdade é que, passado e presente, tudo me perpassa pela retina, como escrevem os palermas que enviam postalinhos ilustrados das viagens, e os que revêem a vida inteira no minuto em que vão morrer.
E o futuro, deixa-o chegar, que já faltou mais.”

in Rui Cardoso Martins, E se eu gostasse muito de morrer, Publicações D. Quixote, Lisboa, 2006, p. 163-164

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Turistas madrugadores

Eram dezenas os turistas com um autocolante azul ao peito que saíam do Solar do Vinho do Porto, frente ao Jardim S. Pedro de Alcântara. Vinham contentes e conversavam animadamente entre eles. Passaram a rua para o outro lado, obedientemente atrás da guia e concentraram-se junto ao Elevador da Glória. No Solar alguém fechou a porta. As garrafas de Porto e os empregados que as manuseavam poderiam ainda repousar mais um pouco. Eram 10 horas da manhã.

domingo, 12 de setembro de 2010

"Não há nada como a juventude"

As nossas casas são, para nós, um pequeno mundo. Normalmente sentimo-nos bem e em segurança dentro delas. Mas há quem esteja preso em casa, cumprindo uma pena a que ninguém condenou.
Por motivos profissionais cruzo-me com muitas destas pessoas e por isso esta realidade é-me familiar. Mas nem mesmo assim deixo de me surpreender pela capacidade de sobrevivência na solidão, portas adentro.
Este documentário merece ser visto porque de alguma forma somos nós que ali estamos. Mas só o sentiremos daqui a alguns anos.


A estreia está marcada para dia 16 e em Lisboa estará no Cinema City Classic Alvalade.

sábado, 11 de setembro de 2010

Para os mais distraídos...

que ainda não conhecem a Marisa Monte relembra-se um tema do album de 1991, "Mais", que se chama "Diariamente" (de Nando Reis), aqui com uma animação muito engraçada:

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Resistir

Não é um grande filme. Mas não deixa de ser interessante. O instinto de agregação, presente nas famílias quando um dos seus membros se vê subitamente só e da parte de fora, é o tema que acompanhamos a partir da visão de quem quer permanecer desse outro lado. A tentativa de manter uma coesão, que quase sempre é artificial, leva a querer dissolver no todo familiar mesmo aqueles que pretendem, como Lena, resistir a essa dissolução. E não é fácil resistir quando as certezas que se possuem são tão poucas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Renata Correia Botelho

encosto a face à parede
mais triste do quarto, fiel
guardiã do sol posto.

o coração que me deixaste
é uma casa difícil de habitar.

in Resumo - a poesia em 2009, Assírio & Alvim/FNAC, Lisboa, 2010, p. 119

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Exigências

Pela manhã a rua estava praticamente deserta. Pelo chão uma enorme quantidade de folhas brancas com algo impresso. Aproximei-me e era isto:


Como não está assinado não se percebe quem é que está farto da "incompetência da República" e quer um Rei, competente, presume-se...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tom apocalíptico

Subia a rua com um ar cansado. Numa das mãos um saco com as compras do dia. No outro a bengala ajudava-o a equilibrar os passos, muito embora as vezes que a extremidade se introduzia nos espaços entre os paralelepípedos dificultassem a marcha. Presa com alfinetes à parte da frente da sua camisa, estava uma folha A4 resguardada numa capa transparente. Escritas na folha, por esta ordem, três frases: "Cuidado com as crianças!"; "Condenados à solta!"; "Isto é Portugal!".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O consolo das estatísticas

A "evolução divergente" marca, segundo Alberoni, o ritmo dos ciclos amorosos. Em Itália, a duração média da vida conjugal é, actualmente, de 15 anos. Em Portugal, há precisamente 15 anos, estava eu a celebrar o meu casamento que, ironicamente, mas tão estatisticamente validado, tem, no dia de hoje, o seu último dia. Isto de encaixar tão perfeitamente nas estatísticas não é para todos...

Os blogues também têm um dia internacional


Dado o grafismo da data, alguém resolveu indicar o dia 31 de Agosto como o Dia Internacional dos Blogues. Atendendo a esta minha pausa forçada deixei passar a efeméride (que vale o que vale) sem a referir. Faço-o agora aproveitando para saudar todos os autores dos blogues que sigo, que me seguem, a quem vou lendo e com quem vou aprendendo. É certo que me impedem de dormir um número de horas razoável. Mas o que me dão em troca é tanto...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aviso à navegação

Por motivos de ordem técnica a que não sou alheia mas que, dada a minha aselhice informática, não consigo resolver vejo-me obrigada a ficar afastada do mundo maravilhoso da www, por tempo indeterminado. Logo que os problemas que transformaram o meu computador num objecto inanimado se resolverem (e espero que isso aconteça brevemente) regressarei.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Operação adiada

A operação estava marcada há algumas semanas. A pedra na vesícula biliar iria finalmente ser retirada. No dia marcado C. apresentou-se no hospital e deu entrada a seguir ao almoço. Durante o resto do dia esteve a soro e fez todos os preparativos. No seu caso o apoio de uma auxiliar tinha que ser constante devido à sua cegueira. Para tomar duche ou apenas ir à casa de banho precisava de alguém presente. A tensão arterial reflectia o seu estado de ansiedade e, por várias vezes, teve que tomar medicamentos para a baixar. Para dormir também só com calmantes.

No dia seguinte repetiu-se tudo até às duas da tarde, hora a que foi chamada para o bloco operatório. Antes ministraram-lhe mais um medicamento para ajudar a debelar a ansiedade que a situação causava. Aguardava a anestesia mas a verdade é que já estava meio a dormir.

Depois lembra-se de estar já mais desperta. Foi nessa altura que lhe contaram o sucedido: o telefonema da médica anestesista informando que estava doente e não poderia ir trabalhar; a constatação de que não havia outro médico disponível; a impossibilidade de evitar o adiamento da intervenção. Quando estava bem acordada percebeu finalmente: o estado de ansiedade não terminaria nesse dia. O médico veio mais tarde pedir-lhe desculpas pelo sucedido. C. aceitou-as com resignação. O que poderia ela fazer?

Para a semana há mais. Os preparativos repetir-se-ão mais uma vez. E pode ser que, dessa vez, ninguém adoeça.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Hoje é o dia?



Do novo álbum, "Jasmine", de Keith Jarrett e Charlie Haden.

Confusão de nuvens

- E aquela chuva ontem!? Dizia a senhora no autocarro para um seu conhecido que tinha encontrado. Ainda me molhei bastante.

- Mas estava calor na mesma, disse ele.

- Pois. Sabe o que provocou a chuva? Foram os incêndios. Aquele fumo todo cria aquelas nuvens.

Já sabíamos que os incêndios, ao desprotegerem os solos, facilitam a acção destruidora da água, em casos de chuva intensa. Agora que eles próprios provocavam chuva… Mas olhem que seria uma óptima ideia uma vez que a resolução de um incêndio já estaria contida no próprio incêndio. E para combater a seca? O segredo seria fazer umas queimadas?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Como se faz uma tese" de Jorge Amado

Foi o que pediu a senhora à funcionária que estava ao balcão das informações da FNAC.

Esta perguntou: - tem a certeza?
- Sim, respondeu a senhora.
- Mas não é Jorge Amado, o escritor brasileiro, pois não?
- Ah, não sei…
- Nós costumamos ter é o “Como se faz uma tese” de Umberto Eco.
- Ah, deve ser isso…

Pois deve. E para se fazer uma tese também se deve saber a diferença entre Jorge Amado e Umberto Eco.

Declaração de intenções

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Duas exposições

Integradas ambas nas comemorações do Centenário da República, visitei a exposição "Viva a República", que está na Cordoaria Nacional e a exposição "Povo - People", no Museu da Electricidade.

Da primeira, que "pretende reproduzir os acontecimentos fundamentais do período da I República e do Republicanismo e relembrar os seus ideais cívicos, as suas principais realizações e os seus grandes protagonistas" lembro sobretudo a sua grande dimensão e o calor imenso que se fazia sentir no dia em que a visitei, no início de Julho. A falta de ar condicionado naquele caso é uma falha grave. Quanto à exposição pareceu-me que o objectivo é atingido mas o excesso de informação, em textos, fotografias, filmes leva-nos a um cansaço muito pouco pedagógico.

A segunda "propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO". E, confesso, foi uma boa surpresa. As obras expostas são muito interessantes e a própria organização do espaço está muito bem conseguida, havendo uma interacção muito eficaz entre o povo / público e o povo / móbil da exposição. A ver.

sábado, 21 de agosto de 2010

António Assunção


No teatro vi-o apenas uma vez. Na televisão, “Zé Gato” e “Duarte & C.A” foram séries das quais eu não perdia um episódio. Não encontrei qualquer vídeo com actuações dele mas eu gostava muito de o ver representar.

António Assunção, que nasceu em Paços de Ferreira em 29 de Agosto de 1945, faleceu em Nova Iorque a 20 de Agosto de 1998. Teria certamente ainda muito para nos dar. Mas o que nos deu deixou boas recordações.

(na foto, no papel de Tó em "Duarte & C.A.")

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Crimes inconcebíveis

Isto da educação dos filhos é mesmo assim. Há dias em que questionamos tudo por nos parecer que não conseguimos atingir os objectivos a que nos propusemos. Há outros em que parece que até estamos a chegar lá. Hoje foi isso que aconteceu.
A propósito desta notícia as minhas filhas quiseram saber porque razão alguém comete este tipo de crimes. Não foi nada fácil explicar. Percebi que a dificuldade se ligava ao facto de  estas atitudes não encaixarem no tipo de situações concebíveis para elas. É bom poder constatá-lo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

El cuerpo. El hombre.

“El hombre convive con su cuerpo, pero no lo conoce. Al menos no de un modo exhaustivo. Un hombre y su cuerpo son realidades distintas. Seguramente eso es lo que permite comprender la esencia última del dolor, que no es otra que el desgarro que produce la indiferencia del cuerpo hacia uno mismo. Un dolor de muelas, obstinado y sordo a nuestro deseo, basta para advertir semejante drama. Y seguramente también eso es lo que permite a un ser humano conservar su nombre, su dignidad, aquello que más íntimamente posee, cuando su cuerpo, en la enfermedad, la mutilación o la vejez, ya no le pertenece.

Para entender lo que es un hombre no basta con tomar nota de las partes que lo conforman. No basta con escribir: «Kurt Crüwell es la suma de sus dos piernas, su sistema límbico, su intestino, su pituitaria y sus gónadas.» Hay algo en el todo del hombre que se resiste a ser contemplado a través de la mera adición de partes que lo componen. Suponer que esas partes mantienen una vida independiente del hombre que las reúne, implica algo más que una metáfora. En el sexo, cuando el cuerpo se impone y el hombre se ve desbordado por su propia materialidad, o en el esfuerzo físico extremo, cuando los pulmones no responden a la exigencia que de ellos se espera y, por ejemplo, un corredor se derrumba antes de alcanzar la meta, tal evidencia resulta incuestionable.

De ese modo, el cuerpo lleva, hasta cierto punto, una vida independiente de la inteligencia que lo habita, y por eso filósofos y escritores, sin por ello apelar a instancias míticas o refugiarse en el oscurantismo de la religión, pueden seguir pronunciando palabras como alma o autoconciencia. Un hombre sin cuerpo puede saberse a sí mismo. Un hombre que ve su cuerpo desmembrarse, quemarse, empodrecerse, no por ello deja de ser hombre.

No es menos obvio, sin embargo, que el cuerpo, en la vida práctica, es la frontera que se levanta entre cualquier hombre y sus iguales, o entre cualquier hombre y el lugar donde su tiempo transcurre: el mundo. Porque el hombre siente y conoce el mundo, fundamentalmente, a través de su cuerpo.

Ante las agresiones del mundo, el cuerpo se protege. Un bacilo activa sus defensas; un chaparrón eriza el vello en brazos, nuca y piernas; un alimento envenenado afloja los esfínteres. Pero ¿y el horror? ¿Cómo reacciona el cuerpo de un hombre ante la presencia del horror? Grita, sí. Y hace que el corazón bombee más sangre, sí. O, por el contrario, paraliza sus músculos para no ser agredido. El espectro de respuestas que el horror genera en el cuerpo es amplísimo. El cuerpo sorprende entonces por su plasticidad. Hay cuerpos que se atenazan y cuerpos que se liberan; hay cuerpos que se arrastran y cuerpos que se elevan; hay cuerpos que interrogan y cuerpos que responden. ¿Pero puede un cuerpo dimitir de la realidad? ¿Puede un cuerpo, ante la agresión del mundo, ante la fealdad del mundo, ante el horror del mundo, sustraerse a sus funciones, negarse a seguir siendo cuerpo, suspender sus razones, abdicar de ser lo que es; esto es, abdicar de ser una máquina sensible? ¿Puede un cuerpo decir: «Basta, no quiero ir más allá, esto es demasiado para mí»? ¿Puede un cuerpo olvidarse de sí mismo?”


in Ricardo Menéndez Salmón, La ofensa, Seix Barral, Barcelona, 2007, p. 55-57.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O que sobra...

do interior deste edifício é isto:


Já deve dar para dizer aos futuros compradores ou simplesmente utilizadores do espaço que é um edifício reabilitado... É que fica sempre bem...

sábado, 14 de agosto de 2010

Ora ponha aqui, ora ponha aqui o seu pezinho...


Old men in MacDonald’s

O dia de calor convidava ao recolhimento em algum local onde o ar condicionado ajudasse a suportar a tarde. À falta de um café, como os que existiam há umas décadas, o MacDonald’s, apesar do cheiro enjoativo característico, parecia uma boa opção.

Numa das mesas quatro amigos conversavam. Nela não havia tabuleiros com os restos das refeições mas pequenas pastas de onde saíam fotografias que passavam de mão em mão. Todos queriam ver e todos faziam comentários. O dono das fotos dizia: “esta foi nos meus anos, no restaurante x” ou então: “nesta faltam 3 netos, não estavam cá.” Os outros comentavam: “ah, este é o que trabalha na televisão? “ ou “esta é tal e qual a mãe”. Nenhum empregado se atrevia a dizer-lhes que estavam a ocupar uma mesa que seria necessária para outros clientes se sentarem. Para eles só o seu grupo e as suas recordações interessavam. E elas eram tantas. Nenhum dos quatro tinha menos de 80 anos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Os lados da vida

É quando parece que só conseguimos ver o lado mais escuro da vida... que esta canção faz mais sentido.

Mudar é preciso

Fui finalmente ver a exposição. A não perder, mesmo.

Desde a mais antiga (1972) à mais recente (2010) todas as fotografias estão datadas e localizadas espacialmente. No entanto, podiam ter sido tiradas há muito, muito mais tempo, que seriam sempre aquelas fotografias.

Um fotojornalista que soube ver a realidade como só os grandes fotógrafos conseguem fazer. E que olha para elas também com o olhar de quem, como nós, as vê pela primeira vez.

É assim que vamos do Bairro da Mina, Amadora, em 1972, onde uma criança remexe o lixo, numa lixeira a céu aberto, até à única imagem que tem título – Desemprego - em 2010. Passamos pelo dia 25 Abril de 1974, em Lisboa e vemos imagens da Ponte Aérea Luanda-Lisboa em 1975. Em 1988, na Rua do Carmo, em Lisboa, uma mulher traz nos braços duas crianças e no rosto uma expressão de angústia difícil de esquecer. Dois anos depois, em 1990, no Rio Maputo, Moçambique, crianças brincam felizes. Em 1991, enquanto Mário Soares fazia campanha, na praia da Ilha de Faro, para a presidência, crianças acumulam-se num orfanato na Roménia. De 1997 são duas fotografias fantásticas de um trabalhador nos estaleiros do Douro e de um outro nas vindimas do Douro. Da bênção do gado em Vila Verde (2000) chega a foto do cartaz da exposição e de Timor, em 2006, uma criança agarrada às mãos de uma velha, talvez sua avó. A romaria de S. Bartolomeu do Mar, em Esposende (2009) é também um local de magníficas fotos.

Estas são só algumas das fotografias cheias de significado que podemos ver. E porque o texto que acompanha a exposição, da autoria do próprio, diz muito sobre o trabalho deste fotógrafo e sobre esta exposição em particular deixo-o aqui.

“Assistimos a uma revolução política que prometia resolver todos os problemas dos portugueses. Assistimos a uma revolução tecnológica que anunciava um dia-a-dia fácil e leve. Assistimos ao nascimento de vários países, ao fim do fascismo, ao fim do colonialismo, ao fim do comunismo. Estamos em pleno turbilhão do sistema capitalista. Assistimos a tudo isto e, no entanto, chegámos sempre aos mesmos resultados: gente que vive em drama, em miséria, na infelicidade. Parece que a tragédia nos persegue, parece que não conseguimos sair do mesmo sítio.

Às vezes olho para estas fotografias e penso que o tempo não passou: o país neo-realista dos anos 60 ainda existe, para lá das auto-estradas, para lá dos centros comerciais, para lá das periferias das cidades. Por vezes interrogo-me: será que continuamos no mesmo sítio?. Não sei por que é que não saímos daqui, desta pobreza, desta melancolia, desta lassidão que parece tolher-nos os movimentos, que nos impede de avançar.

Durante estes últimos 40 anos fiz milhões de fotografias. Penso que aprendi várias vezes a mesma profissão. Fotografei em vários formatos, com várias tecnologias, com as mais diversas influências. O resultado, numa aparente ironia patética, é sempre o mesmo: nestas fotografias, nas minhas fotografias, parece que o tempo parou. É uma situação paradoxal. Mas é também a história do meu trabalho: estas imagens, algumas delas chocantes, brutais, trágicas, são imagens que me acompanharam, que me transformaram naquilo que eu sou.

Não sou artista, sou fotojornalista profissional. Após vários trabalhos em jornais, revistas, agências noticiosas, televisão e internet, confronto-me com a situação estranha de me encontrar no mesmo sítio, no mesmo ponto de partida. Durante estes quarenta anos, no entanto, não andei em círculos. Acontece que agora, como no princípio, como sempre, o que me interessa são as pessoas: as suas dores, o seu quotidiano, também as suas alegrias, mesmo que a pobreza, o desemprego e a angústia, visível, fotografável, nunca desapareçam totalmente.

Gostava que estas fotografias, um relato de 40 anos, para além de mostrarem a repetição dos erros da sociedade que fomos construindo, nos mostrassem também um caminho para sairmos deste sítio onde estamos, afinal, parados há tanto tempo.”


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Herman e Manuel

Para quem, como eu, ainda considera Herman José, um humorista inigualável; e para quem, como eu, acha que Manuel Marques é espantoso nas suas imitações de figuras públicas não deve perder o vídeo do último programa “Herman 2010”, sobretudo aos minutos: 19:18, 25:08 e 29:45. Divirtam-se!

The poet in the bubble



O poeta que quase morreu afogado está novamente rodeado por um oceano. Desta vez envolve-o um aquário gigante de plástico com um interior cheio não de água mas de ar (condicionado). Chamaram-lhe Aquário da Palavra, "um espaço de leitura e tertúlia, de homenagem à lusofonia… no âmbito do Festival dos Oceanos". Lamento a sorte do poeta e a minha que, em vez de uma praça agradável, tenho um mamarracho a invadir a paisagem e música debitada através de umas colunas que, quer se queira quer não, distribuem o som até longe (espero que dentro do tal aquário não se ouça).

Mais uma vez parece-me que esta animação imposta no âmbito de eventos vários é muito, muito discutível. Durante o Verão, então, a poluição sonora e visual durante dias e dias na cidade confunde-me. A poesia portuguesa talvez me fizesse entrar num aquário. Mas neste ainda não tive qualquer vontade de o fazer.

domingo, 8 de agosto de 2010

Almoço de domingo

De um lado o rio. Do outro a grade que os separa da linha do comboio. Uma lona azul cobre a estrutura improvisada de madeira. Mesa, cadeiras, fogão, geleiras estão ali para servir o propósito de fazer uma refeição domingueira fora de casa. Há muitos anos que aqueles casais cumprem o mesmo ritual. A passagem do comboio não parece perturbá-los. A vista do rio, que ali não é particularmente limpo, parece compensar o barulho e a trepidação que acontecem a intervalos regulares. Sentados à mesa, à vista de todos, mas num momento só deles, quase íntimo, aquele é o almoço mais importante da semana.

Os livros também se pintam

Não era esta a pintura mas era a reprodução de um quadro de Menez que tinha no meu quarto, durante muitos anos, até deixar a casa dos meus pais. Nele os livros tinham também um papel fundamental. Olhar para aquele quadro era olhar para o meu quarto dentro dele.


Foto aqui.

Carteiros e Cinéfilos

A distribuição da correspondência postal, que continua a fazer-se apesar dos meios electrónicos, está agora a cargo de uma nova geração de carteiros que com os seus coletes cinza (e rabo de cavalo – pelo menos em Lisboa parece ser uma condição -) vão puxando o saco com rodas de porta em porta. Nem todos serão assim, claro, mas estes de que falo não são como o de Pablo Neruda, que precisava da ajuda do poeta para aprender a fazer versos. Bem, versos não sei. Mas, num dos dias da semana passada, dois carteiros conversavam enquanto o autocarro os levava até à estação base. O tema era um filme. Não percebi qual era. Mas seria do final dos anos 70 do século passado e seria um remake de um outro dos anos 20. A forma como se referiam ao argumento, à duração, aos efeitos especiais, e outras questões mais técnicas, dava a perceber que conheciam bem a linguagem e a temática.

Filmes com carteiros como principais personagens há alguns. Agora já podem ser analisados por quem sabe, verdadeiramente, do que está a falar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

No metro

A sua pele escura, onde sobressaíam as veias, desenhadas num relevo irregular, era de uma cor muito bela. Sentado à minha frente, eu não conseguia deixar de reparar na roupa impecavelmente engomada, nos sapatos bem engraxados, no relógio dourado, na forma como as suas mãos seguravam o boné … E no rosto: o ar de sabedoria de quem, do muito que aprendeu na sua vida já tão longa, soube reter o que era mais importante… Subitamente apeteceu-me interrompê-lo e saber o que guardava ele de tão fundamental… que lhe dava aquela aparência de harmonia, que fazia com que transmitisse essa harmonia ao seu redor. Não o fiz, no entanto. Limitei-me a olhá-lo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

As histórias dos brinquedos são as nossas histórias

Eu já sabia que iria valer a pena. Não fosse o maldito 3D e a necessidade de usar aqueles óculos e teria gostado ainda mais deste filme.

“Mãe e se, sem nós sabermos, os brinquedos na vida real forem como os do filme e ficarem vivos quando nós vamos embora?”, perguntava a M. no final. A minha resposta, a apelar para a racionalidade e a incluir exemplos mais afastados no tempo, como os das personagens criadas por Hans Christian Andersen, não me pareceu que a tivesse convencido. Pelo sim, pelo não, ela que raramente brinca com brinquedos, desde que, no computador, os cria virtualmente, resolveu que alguns brinquedos vão ficar sempre consigo e quando chegou a casa não resistiu a abrir o cesto, que há muito não era aberto, para cumprimentar velhos companheiros de brincadeiras.

Quanto ao filme vale a pena acompanhar as alegrias e o sofrimento dos brinquedos do Andy. Cada um deles tem um perfil muito definido e mesmo as novas personagens têm características muito próprias que nós conseguimos compreender pela sua história passada (sim, aqui os brinquedos também têm uma história própria).

A sua consistência que faz com que, mesmo sendo brinquedos, estejam também obrigados às contingências observadas nas personagens do mundo real leva-nos a esquecer, por vezes, que se trata de animação. E esta é, como sempre, excelente. E continuo a adorar o Sr. Cabeça de Batata.

Ver este filme é um prazer. E não venham com a desculpa que não vêem porque já são adultos. É por serem adultos que o devem ver.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de João Luís Barreto Guimarães

Poema

Quem vai do Porto para Leça ao
longo da auto-estrada (divisando
os navios sobre o porto de Leixões)
no fim da ponte à direita vira
para o centro hípico
(serpenteando a avenida tendo
por bombordo o cais)
adiante vê o forte da Senhora das Neves
alguns cem metros à frente começa
a marginal. Daí já se vê o farol
para lá dos prédios brancos -
não é difícil achar lugar para estacionar.
Toca no sexto direito. Estou
sempre por aqui. Ou senão
não venhas hoje.
Faz como te apetecer.

in João Luís Barreto Guimarães, A Parte pelo Todo, Edições Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2009, p. 43

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Já foi decretado...

este "Embargo". Agora falta só entrar em vigor. É para finais de Setembro.

Aqui fica uma canção da banda sonora original. Sim, é o fabuloso J. P. Simões.

sábado, 31 de julho de 2010

Ele certamente riria!

Na página da Lisboa Cultural no Facebook dá-se conta que "o corpo do actor e encenador" António Feio "estará em câmara ardente no Palácio Galveias, a partir das 18h30". Até agora 52 pessoas "gostam disto".

Mensagem política

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio (1954-2010)

A inevitabilidade da morte não deixa de nos surpreender.

A arte de contar estórias

Contar estórias é para todos. Mesmo os que dizem que não têm jeito, já em algum momento o fizeram ou ao deitar os filhos ou quando contam a amigos alguma peripécia acontecida. Verdadeira, inventada, lida ou sabida de cor, as estórias são inesgotáveis. Actualmente, neste nosso dia a dia apressado, já não se contam estórias à volta da lareira, pelo menos com a frequência com que se fazia. Mas o prazer de ouvir uma boa estória mantém-se. E há para todos os gostos. Desde pequenas narrativas humorísticas (o stand up comedy não deixa de se enquadrar nesta definição), até aos contos tradicionais mais longos. Nos últimos anos, entidades várias têm promovido formações neste âmbito e têm surgido grupos de pessoas interessadas na divulgação desta arte. Os Contabandistas são um desses grupos. Ouvi-los pode ser uma experiência bem interessante. 

Deixo aqui um exemplo de uma estória contada, dirigida aos mais pequenos, que, sendo muito, muito simples,  prende a atenção de todos.



Nota: resolvi utilizar a palavra estória apesar de, para muitos, ser um neologismo a evitar. Esses que me perdoem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mocidade

"Não preciso de vos contar o que é bater caminho numa embarcação descoberta. Recordo noites e dias de calma em que remámos, remámos e a canoa parecia parada como se um feitiço a mantivesse presa àquele círculo de mar. Recordo o calor, o dilúvio de aguaceiros que obrigava a baldeações para salvarmos a pele (mas ao menos enchiam o nosso barril) e dezasseis horas sem fim, de boca seca como cinza e com um remo à popa para moderar a rebentação contra o meu primeiro comando. E ainda não tinha descoberto que afinal eu era aquilo a que pode chamar-se um homem! Recordo as caras desanimadas, as figuras abatidas dos meus dois tripulantes, recordo ainda a mocidade que eu tinha e uma sensação que nunca mais voltei a sentir… de poder viver sempre, sobreviver ao mar, ao céu e aos homens; a sensação enganosa que nos arrasta às alegrias, aos perigos, ao amor, ao esforço inútil…à morte; a convicção triunfante de termos força, o calor da vida numa mão cheia de pó, aquela chama do coração que ano após ano esmorece, esfria, encolhe até se apagar de todo… e se apaga cedo, muito cedo… antes da própria vida."

in Joseph Conrad, Mocidade (Uma narrativa), Assírio & Alvim, Lisboa, p. 66-67

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Emma, Joana e Suzanne

Em relativamente pouco tempo vi três filmes, de que muito gostei, todos com a mesma temática: a insatisfação das mulheres em casamentos aparentemente bem sucedidos mas que, proporcionando-lhes bem-estar e conforto, não as preenchem deixando de fora aquilo a que se convencionou chamar o amor.

Do primeiro e, na minha opinião, o melhor dos três, já aqui falei.

O segundo, que vi esta semana, foi uma boa surpresa. Duas Mulheres, de João Mário Grilo, com a fantástica Beatriz Batarda é um filme muito bem realizado e com momentos cheios de tensão que nos leva a acompanhar uma fase da vida de uma psiquiatra que se envolve com uma modelo, colorindo os seus dias demasiado cinzentos. Mas, ao contrário do filme de Luca Guadagnino, esse envolvimento não a leva a sair da situação opressiva do seu casamento. Aliás, o seu marido, disposto a tudo para manter as aparências, “resolve” o caso mantendo-a prisioneira de uma vida que ela não deseja mas da qual não consegue sair. Destaco também a banda sonora, muito boa e os momentos iniciais do filme com imagens de uma câmara de vigilância da A5.


Quanto ao último, Partir, de Catherine Corsini, (mais uma vez com a actriz principal a brilhar – Kristin Scott Thomas num desempenho notável) é toda a vida da protagonista que é posta em causa por uma paixão que o seu marido não está disposto a deixar desenvolver-se. Mas aqui, a Suzanne não se acomoda como a Joana de “Duas Mulheres” mesmo que essa atitude lhe possa custar a liberdade.


Caso tenham oportunidade vejam.

domingo, 25 de julho de 2010

Sob os pinheiros os pensamentos são mais livres


Lagoa de Albufeira, Março 2010

2711

Agora é que vão ser elas... O Daniel Santos, do 2711, desafiou-me a fazer parte do conjunto de autores daquele blogue que acompanho sempre com prazer. Trata-se de um blogue colectivo com uma dinâmica por vezes difícil de acompanhar, tal é o ritmo da publicação. Mesmo com um ritmo menos acelerado tentarei integrar-me no grupo e estar à altura do desafio.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Uma rua

Marvão, Maio 2010

Temos mesmo que esperar pela chuva?

Há 2 meses atrás referi aqui, embora não directamente, que a conclusão das obras no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, estava para breve e que, por isso, poderíamos voltar a usar o jardim como fazíamos antes.

A verdade é que não tenho utilizado o jardim como fazia. E aqui tenho de dar o braço a torcer face aos mais cépticos. Quando as obras se iniciaram defendi que se devia dar o benefício da dúvida a quem projectava e as executava. Eu dei. Algumas coisas, nomeadamente o estado das árvores, não discuto por não ter conhecimentos suficientes para me poder pronunciar. Mas parece-me triste ver os canteiros quase despidos de plantas, onde sobressaem os tubos da rega automática que, aparentemente, não funcionam. E o problema principal: o material escolhido para o pavimento, aquele saibro que, com qualquer vento, larga um pó que continuamente se espalha por todo o lado. Confesso que, por vezes, opto por caminhar no passeio, ao sol, em vez de passar onde já sei que, provavelmente, serei envolvida por uma nuvem de pó. E a esplanada do quiosque é agora um local que frequento muito menos pela mesma razão.

Do gabinete do vereador do pelouro falam da estação do ano, que não será favorável à estabilização do pavimento, e da necessidade de chuva. Hoje, m. nagashima, o pintor que retrata, há anos, o jardim e os seus frequentadores, trocou, por um bocado, os pincéis pela mangueira e regou parte dele. Não deve ser fácil pintar naquelas circunstâncias.

Espero que a situação possa ser corrigida pelos responsáveis pela intervenção para que possamos voltar a fruir o jardim como costumávamos fazer. Estes espaços foram criados para serem vividos e não para afastar as pessoas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

No "Delito de Opinião"

Depois de mais esta referência, foi com surpresa que recebi um simpático convite do Pedro Correia, do Delito de Opinião, para escrever um texto para ser aí publicado. Apesar de lisonjeada fiquei apreensiva por não ter, à partida, ideia sobre o tema. Mas afinal eu gosto de pessoas, não é? E uma visita recente ao atelier do Sr. Acácio estava ainda presente na minha memória.

O resultado, que podem ler no post anterior, foi publicado hoje (ontem) naquele blogue que comecei a acompanhar há algum tempo e onde aprendo sempre algo de novo quando o visito.

Obrigada, Pedro. Foi uma honra.

Para lá de umas portas azuis


A fotografia da maqueta da basílica de Fátima está pendurada em lugar de destaque, bem visível para quem entra. É com orgulho que nos diz que foi ele a construí-la nos anos 50 do século passado. São dessa altura as fotografias emolduradas e penduradas em fio de nylon que o representam a si, quando sonhava em ser um grande escultor.

O amontoado de peças moldadas em gesso branco ou pintado não deixa muito espaço para os movimentos. Mas o Sr. Acácio, habituado que está ao seu estreito corredor, por entre as estantes improvisadas, move-se ali com um grande à-vontade. O ar aprumado do vestuário com que recebe os visitantes, aparentemente pouco adequado para um atelier em que se manipulam materiais que sujam, é uma prova de respeito para aqueles que entram, mas também para o trabalho que considera a sua vida. O orgulho no seu passado de artista reconhecido (“trabalhei com grandes arquitectos”) é evidente em cada referência que faz ao tempo em que não se limitava a trabalhar sozinho naquele lugar, para onde vem todos os dias, logo cedo, desde a sua casa nos subúrbios.

As peças em gesso ganham cor com as técnicas utilizadas que vão das mais clássicas às que ele próprio inventa, misturando produtos que nem sempre resultam. “Às vezes sai cada coisa…”, diz sorrindo.

Nas prateleiras, os bustos de Lenine estão lado a lado com os de Salazar. Mas Lenine tem direito a ter estatuetas que representam a totalidade da sua figura. Santo António está também lado a lado com um dos motivos mais representados: uma cabeça e tronco de mulher com uns seios bem avantajados. E depois há os animais: andorinhas, burros, peixes, rãs, cavalos, mochos. E figuras do imaginário infantil, como anões.

Os bustos da República constituem a aposta mais recente. Há que estar a par das efemérides. Mas, num absoluto sincretismo religioso, as N. Sras. de Fátima, os Santos António, as figurações de Jesus Cristo, mas também os Budas e divindades orientais estão sempre no top. Quanto aos bustos de Camões já tiveram mais saída mas mesmo assim convém tê-los sempre à mão. Parece que os turistas gostam.

“Semana em que venda duas peças já é boa”, diz. E no entanto não deixa de trabalhar. O stock acumulado não o assusta. No meio de tanta coisa há sempre espaço para mais uma. E quando o Sr. Acácio deixar de trabalhar ficará, certamente, ainda muito espaço.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Memória truncada

Com uma fachada com esta qualidade alguém acredita que no interior não havia nada que valesse a pena reabilitar?

Televisão no quarto desde o nascimento

Estava eu uma noite destas frente à televisão, de comando na mão, a passar os canais, quando apanhei algo parecido com isto:



Manifestei em voz alta a minha estranheza e logo uma das minhas filhas me explicou que era o canal para bebés. Pesquisei e percebi então que a BabyFirst TV (há também, pelo menos, a Baby TV) é um canal dirigido a menores de 3 anos (sim, leram bem, menores de 3 anos) que emite 24 horas por dia. Parece que o objectivo é ajudar os pais a interagirem com os seus bebés. Não vou colocar aqui questões, levantadas pela maior parte dos especialistas, que alertam para o facto de que bebés com tão pouca idade (aliás só a palavra bebé, seria suficiente), não devem ver televisão. E, pelos vistos, estes canais têm também a solução certa para a hora de dormir: "um programa mágico que trará ao seu ecrã imagens animadas e encantadas, que se movem delicadamente para deliciar os seus sentidos, acompanhadas pelos sons de música suave". Os móbiles (aquelas peças penduradas por cima das camas, com bonecos coloridos), que os ajudavam a adormecer, parecem estar a perder terreno para o ecrã de televisão.

Não sei se a interacção pais/filhos sairá fortalecida com o visionamento deste canal. Mas uma coisa é certa: tenham ou não bebés em casa, para adultos com problemas de insónia, programas como este fazem, certamente, milagres.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Para um piquenique topo de gama...

Através da janela

Alentejo, Maio, 2010

"This movie exists"

Não foi fácil ver este filme. Confesso que os movimentos da câmara deixaram-me um pouco tonta. Os realizadores, dois irmãos de Nova Iorque, quiseram homenagear o seu pai que amando-os, indubitavelmente, desempenhou o seu papel de uma forma muito pouco ortodoxa. Apesar da brincadeira constante e das experiências proporcionadas aos filhos é o olhar triste dos miúdos, numa cidade cinzenta, que acaba por nos acompanhar quando saímos da sala.


O título deste post corresponde à frase usada na promoção do filme, levada a cabo por um dos realizadores. A ver aqui.

domingo, 18 de julho de 2010

Solidão

Neste filme o whisky não se bebe. Ele é apenas uma palavra que se pronuncia. Da mesma forma a felicidade não se vive. Ela é apenas fingida para que outros pensem que não estamos sós. Para que nós próprios pensemos que não estamos sós.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Uma curta

imagem retirada daqui

Gosto muito de ler contos. Talvez um pouco pelas mesmas razões gosto de curtas-metragens. Desta que vi recentemente, apesar de já ter alguns anos (é de 2004), gostei bastante. É uma boa ideia alguns cinemas exibirem estas curtas-metragens antes dos filmes pois, de outra forma, certamente, não chegariam a um público tão vasto.

Por não haver vídeos disponíveis deixo apenas esta ligação. Atentem, por favor, na sinopse que é bastante elucidativa.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Colada ao sofá, frente à televisão

Era como eu estava há 25 anos atrás.



Imagem tirada daqui


Mas será que, como aparece no logotipo, a música mudou mesmo o mundo nesse dia?

Indo ele, indo ele a caminho de Queluz...

para jantar com o Presidente da República, Isaltino Morais ia hoje mais leve. Porque terei eu a sensação de que somos todos nós que estamos mais pesados?

domingo, 11 de julho de 2010

Final (2)

Holanda versus Espanha(s).

Final (1)

No dia em que Portugal e Espanha jogaram os oitavos de final vi-o vestido, da cabeça aos pés, com as cores espanholas. Passeava, frente a uma esplanada, com ar desafiador. Pela trela trazia o cão, grande e com porte também desafiador. Hoje voltei a vê-lo. Vestia da mesma forma. O chapéu, grosso demais para este calor, também estava na sua cabeça. Falava descontraidamente ao telemóvel. Não trazia o cão.

Sorriso lento