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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Presentes

Uns dias depois do Natal, no seu quarto, algumas das caixas onde vinham os brinquedos ainda estão espalhadas. Os papéis que os embrulharam também ainda estão a um canto. Os pais, os tios, os primos que os compraram naquela promoção de um hipermercado estão ainda a colocar no facebook as fotografias da emoção que se viveu quando o tio Manuel, vestido de Pai Natal, chegou pouco depois da meia-noite. Entre si, os gostos multiplicam-se e trocam-se emojis cheios de intenção. 
Esta manhã, aproveitando o sol, ele foi para a rua brincar. A única coisa que levou consigo foi uma vassoura. Montado nela era, certamente, um cavaleiro. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Presentes sem esforço

Há também esta questão dos presentes. Dantes recebiam-se e mesmo que não gostássemos das meias, da toalha de chá, do conjunto de chávenas, lá agradecíamos e ficávamos com as coisas a pensar que, em último caso, poderíamos oferecê-las no ano seguinte a uma das tias. Agora tudo o que nos dão e não serve ou de que não gostamos temos oportunidade de trocar. Já não há qualquer pudor em dizer abertamente que não é bem aquele o tom de que gostamos ou que preferimos outro autor no caso dos livros. Além disso já não são só as embalagens a denunciar onde se compraram os artigos. Há os "talões de troca" que facilitam muito. 
Mas se assim se tornam mais fáceis as trocas, de alguma forma também se desresponsabiliza quem oferece uma vez que o esforço para escolher o presente certo tende a diminuir. E o que dizer do papel que se gasta? Numa altura em que o aspecto ecológico é valorizado faz uma certa impressão que, para além do talão do multibanco e da factura (com dois papéis), haja ainda um talão de troca por cada artigo comprado.
E depois há ainda os cartões-oferta para quem não quer ter trabalho a escolher ou a pensar o que oferecer. Muitas lojas os têm. Em algumas podemos optar por diferentes modelos e é o máximo de personalização que podemos obter.
Tudo isto tem como objectivo facilitar o consumo. Mesmo assim, eu ainda tenho algumas dúvidas em relação a uns presentes que ficaram por dar...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Desabafo natalício

Mesmo não tendo uma especial ligação ao Natal, admito que estes dias têm algumas coisas positivas. Uma delas é, sem dúvida, pôr em contacto pessoas das quais, em alguns casos, só nesta altura temos notícias. Família, amigos e conhecidos, trocam entre si desejos favoráveis e optimistas, quase sempre, genuínos. 
Mas, de há uns anos para cá, deixámos de perceber se de facto quem nos envia os votos de Boas Festas está realmente a pensar em nós ou se limita a reenviar frases escritas por alguém, algures, não se sabe quando e que, só porque são engraçadas ou "cheias de significado", passam de telemóvel para telemóvel, de mural de facebook para mural de facebook, de forma absolutamente impessoal. 
Acho que começo a sentir saudades de um simples e sentido "Feliz Natal".

sábado, 21 de dezembro de 2013

A composição sobre o Natal

- Mãe, na semana passada, na escola, a professora de Português quis que fizéssemos uma composição sobre o Natal e sobre o consumismo e materialismo desta época. Todos disseram que o importante era a família e estarmos todos juntos. Mas na verdade estamos todos a pensar é nos presentes. Além de consumistas ainda somos mentirosos... E logo no Natal...

M., 13 anos

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mera antecipação ou escassez extrema?

Depois de uma aplicação da Google ter revelado que Jesus e Maria andariam algures por sobre a Suiça, sabemos agora que estariam a caminho da festa de aniversário que o Presidente da Venezuela vai dar ainda em Novembro. Sabendo das dificuldades em assegurar a presença de tão famoso aniversariante na data a que se convencionou associar o nascimento de Cristo, Nicolás Maduro, numa decisão inédita, decretou a antecipação do Natal. Resta saber o que pensam os venezuelanos da questão. Não saberá o Presidente Maduro que comemorar o aniversário antecipadamente dá azar? Ou terá ele medo que os bens essenciais, que tanta falta têm feito no país, não cheguem a Dezembro?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Já começou

Primeiro foram as montras de algumas lojas, logo seguidas por muitas outras, sedentas de darem aos seus clientes motivos para comprarem. Agora são os veículos pesados que bloqueiam as ruas para descarregarem as estruturas que suportam as iluminações. Os locais públicos fechados enchem-se de árvores de natal, cadeirões, cercas com animais de peluche articulados, crianças que querem brincar e pais das crianças que as levam a brincar e que ficam ali a olhá-las, como já não fazem nos verdadeiros parques infantis que agora estão vazios.
Parece que é isto a magia do Natal. E mesmo que canse toda esta excitação, que parece começar cada vez mais cedo, lá teremos que passar por, pelo menos, dois meses de época natalícia...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ciclos

E pronto! Este já acabou... É grande a sensação de alívio quando chega ao fim este dia. Sabemos então que, só para o ano, voltaremos a ter dias como estes. Cheios de frenesim consumista, das canções de sempre em inúmeras versões, do convívio mais ou menos forçado, dos ataques de gula incontrolável perante doces que ameaçam o nosso bem-estar, do choro contido perante a lembrança de alguém que já não está. No entanto, essa certeza da repetição, de alguma forma, reconforta-nos. É o mito do eterno retorno que mantém tudo no seu lugar e que nos dá uma sensação que, ao testemunharmos a renovação contínua de determinadas práticas (sejamos nós ou não religiosos), viveremos para sempre. Pelo menos mais um ano. Até ao próximo Natal.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um Natal ao contrário

Estende uma das mãos como qualquer outro pedinte. Estão muitas pessoas na rua e ele vai de um lado para o outro tentando convencer alguém a dar-lhe alguma coisa. Um homem chama-o e coloca na sua mão algo que eu não vejo mas que ele se apressa a guardar no saco. É um saco grande mas pouca coisa tem lá dentro. O fato vermelho debruado a branco, que veste, está-lhe um pouco largo e o gorro não assenta bem. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Desabafo

O que vale é que só teremos novamente um dia como este daqui a um ano!

Onde estavam vocês no Natal de 1984?

Ao longo deste dia ouvi várias vezes, na rádio, passarem esta canção. Também em programas de televisão ela apareceu como "a" canção de Natal, para várias pessoas. Eu lembro-me bem dela. Mas daí até destronar o Sinatra... Pelo sim, pelo não, podem ver o original, esta versão dos Clã, esta de David Fonseca, ou esta de Erlend Oye, dos Kings of Convenience:

Despedida de... (como hei-de chamar-lhes)... pré-procriadores?

Tínhamos a honeymoon. Agora temos o babymoon. Dizem os inventores da ideia que é uma despedida dos momentos a dois dirigidas aos futuros papás. Esta inclui sessões de massagens relaxantes. De acordo com a tradição cristã, há 2011 anos, um casal fez o mesmo mas o método escolhido foi a caminhada.

sábado, 24 de dezembro de 2011

É Dezembro, de certeza. Natal, hum...

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um Natal pela metade


Desde que nasceram as minhas filhas que a época natalícia lá em casa começava quando, numa das primeiras noites de Dezembro, íamos até à Baixa de Lisboa ver as iluminações de Natal. Era apenas um pretexto. Lanchar, comprar castanhas assadas e comê-las enquanto passeávamos, víamos as montras e apreciávamos os efeitos das luzes era um ritual que já fazia parte das nossas vidas.
Este ano a crise interrompeu a tradição. Devido à necessidade de contenção de despesas a Câmara Municipal de Lisboa decidiu cortar nos gastos e não há iluminações. Algumas instalações de alguns artistas nas principais praças da cidade é o que nos lembra a época. Compreendo e aprovo esta decisão. Mas não posso deixar de sentir que o Natal em Lisboa não será a mesma coisa. Para quem, como eu, tem um défice de espírito natalício sair ao final da tarde do trabalho e passear por baixo das luzes era algo que gostava de fazer e que, de alguma forma, me aproximava mais de algo a que não atribuo grande importância.
E se, por exemplo, Fernão de Magalhães, na Praça do Chile, está muito bem protegido por centenas de chapéus de chuva coloridos, já quem percorre a R. Augusta e chega ao Arco encontra umas metades de árvores vermelhas que nos demonstram que, pelo menos este ano, é difícil termos um Natal inteiro.