Esta coisa das modas é mesmo assim... Durante muito tempo era frequente encontrar, nos transportes públicos, mulheres que costumavam trazer consigo livros que eram transportados junto ao peito, com as capas viradas para fora, mostrando a todos que tinham um enorme orgulho em ler o último de José Rodrigues dos Santos ou outro best seller que, invariavelmente, tinha muitas páginas. Para mim, que já carrego sempre muito peso, uma das condições para escolher os livros que diariamente trago comigo é exactamente, ao contrário, a sua pequena dimensão. Nem sempre é possível mas com tantos livros para ler lá vou conseguindo.
De há algum tempo para cá, essas mulheres passaram a envolver os tais livros com umas capas de tecido. Mas não são uns padrões quaisquer. As flores, as cornucópias, as pequenas bolas, tudo em tons muito suaves, são os eleitos. Percebi, entretanto, que até as livrarias vendem essas capas feitas, sobretudo (lá está!), para os livros grandes. É como se certos livros pudessem tornar-se melhores ao apresentarem-se vestidos.
O meu livro, quando o tiro de dentro da mala, embrulhado num saco de plástico, na sua nudez, como quando o trouxe da livraria, não é tão vistoso, é verdade. Ainda hoje, uma senhora que agarrava um belo exemplar, envolto numa capa de pequenas riscas verde clarinhas, o olhou como se olha um maltrapilho do alto de um fatinho Chanel. Mas, depois de eu perceber que livro era, a diferença que pudesse existir entre os dois era largamente favorável ao meu. Pode não andar vestido, é certo. Mas é tão mais bonito!