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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Resumo de Perdição

O teste que incide sobre a obra aproxima-se. Em cima da mesa está um resumo. No que se refere às principais personagens leio:

Simão Botelho (ama Teresa)
Teresa de Albuquerque (ama Simão)
Mariana (ama Simão)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Este é “o nosso reino”

Aqui se saúda o lapso dos responsáveis pelo Plano Nacional de Leitura.
É que o facto de se falar tanto, por estes dias, do livro e do autor, contribuirá certamente para aumentar a curiosidade com um e outro e, quem sabe, Valter Hugo Mãe ganhará novos leitores, quer entre alunos de várias idades, quer entre os pais de alunos de várias idades, incluindo aqueles que levantaram o que consideram ser um problema.
Leiam o livro! E se, em algumas páginas, o pudor for mais forte leiam-no às escondidas. Não é nada que não tenha sido feito quando em vez de “escola secundária” aquele local ainda se chamava "liceu".
A literatura portuguesa passada, presente e futura agradece.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

No top do mercado negro dos livros

Ao final do dia entrei numa livraria para comprar um livro para oferecer de presente a uma amiga. Levava três opções em mente. Só uma delas estava disponível. "O Torcicologista, Excelência", de Gonçalo M. Tavares. Foi esse que trouxe. Ao pagar, e enquanto a empregada que estava na caixa embrulhava o livro, disse-lhe que esperava que tivesse tirado o alarme para não apitar à saída o que já me aconteceu algumas vezes em várias livrarias. Respondeu-me que não. Naquele livro não põem alarme. E acrescentou: "Se fosse o último do José Rodrigues dos Santos..." 

quarta-feira, 16 de março de 2016

"O quando" da leitura

É uma autora que associo à minha maioridade. Não a que se liga à idade mas a que é reflexo de um crescimento interior. Este crescimento, feito por saltos, entre avanços e recuos, teve, no meu caso, uma fase de avanço na época em que a li. Dois dos seus livros, "Olhem para mim" e "Hotel du Lac" (comprados no mesmo dia na Feira do Livro) foram lidos entre 1989 e 1990. Há livros que não se recordam tanto pelo que são mas mais pela época em que os lemos e pelas circunstâncias vividas. Acontece isso mesmo com estes.  
Soube agora que Anita Brookner faleceu a semana passada. Em jeito de lembrança deixo uma passagem...
"... Foi então que vi o ofício de escrever como aquilo que era, e é, verdadeiramente, para mim. É a penitência que se faz pelo facto de não se ser feliz. É uma tentativa para alcançar os outros e fazer com que nos amem. É o protesto instintivo, quando se descobre que se não tem voz nos tribunais do mundo, e que ninguém falará por nós. Eu daria toda a minha produção de palavras, passada, presente e futura, em troca de um acesso mais fácil ao mundo, da permissão de dizer: «Eu magoo», «Eu odeio» ou «Eu quero». Ou «Olhem para mim», deveras. E isto nunca o desmentirei. Porque, uma vez conhecida, uma coisa não pode nunca mais ser desconhecida. Apenas poderá ser esquecida. E escrever é o inimigo do esquecimento, da irreflexão. Para o escritor não há qualquer olvido. Somente a infindável recordação."
in Anita Brookner, Olhem para mim, Editorial Teorema, 1988, pág. 95

quinta-feira, 3 de março de 2016

O dia imperfeito de Kafka...

... é uma perfeição literária.

"Estávamos talvez naquela pausa muito pequena e sossegada entre o dia e a noite em que a cabeça, sem que o esperemos, está presa ao nosso pescoço e em que tudo, sem que o notemos, está parado, porque não reparamos e depois desaparece. Em que ficamos sozinhos com o corpo arqueado, depois olhamos à nossa volta mas já não vemos nada, deixamos até de sentir a resistência do ar, mas agarramo-nos interiormente à recordação de que existem casas, a uma determinada distância, com telhados e felizmente também com chaminés bicudas através das quais entra o escuro para dentro das casas, que atravessa os sótãos até aos diferentes quartos. E é uma sorte amanhã ser um dia em que, por incrível que pareça, se conseguirá ver tudo."

"Conversa com o Bêbedo" in , Franz Kafka, Os Contos, 1.º Volume, Assírio e Alvim, 2004, págs. 339 e 340

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sucessor à altura?

Ainda na sequência do post anterior: 
Deixe lá Pedro Chagas Freitas! Quem sabe para o ano...
Depois da leitura destes trechos de um livro que podemos encomendar já autografado e cujo título, Eu Sou Deus, constitui certamente uma aproximação ao pensamento filosófico de Santo Agostinho, fiquei com a certeza de que este autor está certamente muito bem posicionado para chegar lá:
"O que mais dói é a subfelicidade (...) A subfelicidade é o piso -1 da felicidade. E não há elevador algum que te leve a subir de piso. Tens de ser tu a pegar nas tuas perninhas e a subir as escadas. Anda daí (...) Espero que estejas bem seguro nessa cadeira quando leres o que aí vem no próximo parágrafo. (...) A felicidade, quando é felicidade, é só felicidade. E tudo o que existe, quando existe felicidade, é a felicidade. Só ela e tu. Ela em ti. Ela em todo o tu." 
Excertos de um texto mais longo que me chegou via Facebook 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Depois disto só o Nobel...

Para lá do título da notícia em que um pronome demonstrativo resume todo um nome parecendo que, quem redigiu a notícia, não o queria pronunciar ficámos a saber que uma entidade que atribui uns tais Prémios Cinco Estrelas tinha elaborado um questionário e perguntado a 28 mil portugueses (ena tantos!) quem é o melhor escritor do país. Parece que uma das variáveis a ter em conta era a "qualidade da escrita". Ora, partindo do princípio que a notícia é fidedigna e que uma "amostra" de 28 mil portugueses não é uma coisa de somenos, ficamos então a saber que "José Rodrigues dos Santos é considerado pelos portugueses o melhor escritor nacional".
Mas analisando melhor a forma como o prémio funciona colocam-se várias questões: foi o próprio a candidatar-se? Havia mais concorrentes na sua categoria? Quem constituía o "comité de avaliação"? Os "testes de experimentação" consistiam exactamente em quê? Será que não houve uma troca dos "questionários de avaliação massificada" com algum dos produtos de marca registada concorrentes?...
O que me preocupa no meio disto tudo (eu que já li contracapas e algumas passagens dos seus livros - isto para não dizerem: - lá estão estas pessoas a falar mal do que não conhecem) é que um dos benefícios dados aos vencedores é "um plano de comunicação implementado pela organização do Prémio Cinco Estrelas que inclui Televisão, Imprensa, Exterior e Digital". Livra-te! Ainda mais!?  Queres ver que agora, além do próprio em cartão à porta das livrarias, vamos ter que (à semelhança dos cartões de aniversário com música) o ouvir lendo algumas passagens dos seus "romances"? Bolas! Ou melhor, estrelas!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vamos ler Vergílio

"Tenho de. O pequeno intervalo entre a minha disponibilidade e a pequena tarefa a realizar. É o meu futuro. Reduzido minúsculo. Não olhes mais longe. Agora o teu futuro é o pequeno passo que dês para fechar as janelas, para abrir as lojas. Agora a tua vida é o instante em que vives. Nada mais, nada mais, mas não te lamentes. Sê inteiro na dignidade de ti..."
 in Vergílio Ferreira, Para Sempre, Círculo de Leitores, Lisboa, 1985 , pág. 123

Por uma série de situações entre as quais este post do Luís Naves, uma definição de amor citada por um professor das minhas filhas e uma referência de Eduardo Lourenço (outro beirão, como ele) lida numa entrevista a Carlos Vaz Marques dei por mim a regressar ao Para Sempre. Terminei de o ler, pela primeira vez, no dia 5 de Setembro de 1986. É um livro marcante. Foi-o para mim. E certamente, naquela idade, não teria vivido o suficiente para compreender a dureza do confronto com o passado e a inevitabilidade do fim que naquele livro estão tão presentes. Tenho agora algum receio de o reler. Mas ele está aqui ao meu lado. Pacientemente espera pela minha coragem. 
Hoje passam 100 anos desde o nascimento de Vergílio Ferreira. É uma data que merece ser assinalada. A Isabel Mouzinho já o fez no DO. Alguns jornais nas suas versões on line também já lhe fizeram referência. E é a lê-lo que, mesmo que soframos, lhe prestamos a melhor homenagem.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Arquitectura das palavras

"A mí me gusta mucho el lenguaje simple. Hay que intentar simplificar. Yo dedico mucho más tiempo a simplificar que a escribir. Si puedo decir algo en cinco palabras en vez de en quince lo digo en cinco. Suelo citar una historia de un escritor clásico que escribió una carta muy larga a un amigo y al final puso: "Pido disculpas por esta carta tan larga; no he tenido tiempo de hacerla más corta". Ahí está la síntesis de mi metodología. Con esa simplicidad intento que mis libros sean lo más densos posible, concentrando mucho la energía y las ideas en poco espacio. Si tengo una idea que ocupa cien metros cuadrados, mi trabajo ha de ser mantener la idea pero ponerla en diez metros cuadrados, después en diez centímetros cuadrados y por último en un centímetro cuadrado. Para mí es fundamental que el lector pueda coger esa idea y desdoblarla como si desdoblara un lienzo...
... Para mí cada frase tiene que decir algo sustantivo. Escribir una frase es una responsabilidad. Creo que hay que escribir una frase solamente si tienes algo que decir."

Gonçalo M. Tavares, numa entrevista aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O livro que tem dado que falar nos últimos dias ou a biografia do cidadão imperfeito

Apesar de muito criticado por aceitar a publicação de uma biografia quando está apenas com 50 anos, a verdade é que Passos Coelho não é propriamente um caso único. Muitos o fizeram neste ponto da sua carreira, em épocas em que o seu futuro político está em vias de definição. Não há nada de excepcional na situação. E se há editoras prontas a fazê-lo é porque o mercado existe. Terá que ser o leitor a relativizar, tendo em conta as circunstâncias em que o texto é publicado, a autora, o facto de ter sido autorizado, os episódios que conta, os que são omitidos. Diz a editora na apresentação que "baseada num amplo trabalho de pesquisa, investigação e recolha de diversas opiniões e testemunhos, Sofia Aureliano escreveu uma biografia única que nos aproxima de Pedro Passos Coelho". Aproximará? E se o trabalho de pesquisa e investigação foi tão bem feito por que razão não falou com alguém próximo de Paulo Portas, ou com o próprio, para esclarecer as questões que mais celeuma levantaram? O testemunho de Secundino Cardoso do restaurante «O Comilão» poderá ser importante mas o de Diogo Feio poderia também ter sido equacionado.

 Imagem aqui

No entanto é o título escolhido que mais dúvidas me suscita. Por mais que o leia não consigo perceber a ideia que lhe está subjacente. "Somos" indica que estamos no presente. Significa isto que, nesta altura, Passos Coelho é o que escolheu ser? E como é que isso aconteceu? Como é que escolheu? Será que a biografia é assim tão clara?
E depois, numa perspectiva que é normalmente a correcta, devemos generalizar a expressão e considerar que basta escolher o que queremos ser para o sermos? E quem não consegue? É porque não tem capacidades? E que tipo de capacidades? As intelectuais, as económicas, as sociais? Ou será porque não quer com força suficiente? E o gesto de pôr a gravata tem alguma coisa a ver com tudo isto? Será uma piada a Varoufakis? A cor é uma provocação a António Costa?
Será que para responder a estas questões terei que ler o livro? Hum... Acho que vou ficar sem saber...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ler sempre

Mesmo que doa.

                               Imagem aqui                                                           Girl in Grey (1939)
                                                                Louis le Brocquy (Ireland, 1916 – 2012)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Os clássicos podem ser fixes?

Há uns dias atrás, Francisco José Viegas colocava esta questão. Não é fácil chegar a uma conclusão. Ou porque somos um país onde a qualidade e a quantidade de clássicos torna difícil a escolha, ou porque muitos portugueses, infelizmente, não conseguiriam votar tendo uma opinião fundada. Ou pelas duas coisas e outras ainda.
Curiosamente esta semana, numa fila no supermercado, deparei-me, junto às caixas, com um livro infantil que me suscitou sentimentos opostos. 

                                                     Imagem retirada daqui.

Se, por um lado, me parece que pode ser uma forma de divulgar junto das crianças algumas informações sobre escritores fundamentais do nosso país; por outro, o adjectivo usado não me convenceu. Claro que a palavra fixe pode ser utilizada como sinónimo de algo que agrada e tem qualidades positivas mas quando a ouvimos não deixamos de pensar em "porreiro". É certo que já tivemos um presidente fixe. Mas a utilização deste termo fará sentido quando falamos de escritores e das suas obras? Almeida Garrett é fixe? E Florbela Espanca será?  

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Parabéns, Sr. Joaquín Tejón

                                                                                                                  (imagem encontrada na net)

Os livros sempre tiveram, para mim, grande importância. Por isso, há muitos anos atrás, fiz uma lista dos livros que emprestei e das pessoas a quem os emprestei para não lhes perder o rasto. Infelizmente, nunca tive coragem de os pedir de volta e muitos deles nunca foram devolvidos. Entre eles estava o álbum "Toda a Mafalda".
Há muitos anos que não sei da amiga da altura a quem o emprestei. Ela certamente não conhece este blogue. Mas no dia em que se somam 50 anos desde que esta menina inocente e contestatária apareceu, pela primeira vez, nas páginas de um semanário argentino; apelo à sua devolução. Se tal não acontecer serei, certamente, uma das primeiras compradoras desta edição.
Gostaria muito de dar a ler às minhas filhas as reflexões, cheias de crítica social e de sentimentos de justiça, que Quino punha na boca da sua personagem, mesmo sabendo que, o próprio autor já o disse, Mafalda, hoje, seria diferente (esta entrevista é muito interessante).
Ao mesmo tempo não posso deixar de pensar que aquilo que me fascinava na idade que as minhas filhas têm agora, já não será tão marcante para elas. A minha ingenuidade, que encontrava eco nas palavras e atitudes da Mafalda, é difícil de repetir hoje em dia. Ou será que esta é a minha sensação, agora que essa ingenuidade se perdeu? Pelo sim, pelo não, o melhor é fazer as apresentações. Elas depois dirão.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A propósito de um livro

É quase irresistível, o apelo de uma montra cheia de livros. Invariavelmente entro na livraria e frequentemente me perco nas estantes. Gosto de folhear os livros e, quando alguma página me prende a atenção, acontece muitas vezes que o impulso de o comprar se sobrepõe à contenção que a condição financeira me obriga. Mas quase sempre penso: para quê estar a comprar livros com tantos ainda por ler nas estantes de casa. 
A realidade é que depois, em certas alturas, sabe tão bem a surpresa de olhar para essas estantes, ver um livro que comprámos e arrumámos sem ler, pegar nele e descobrir que é um livro de que passamos a gostar incondicionalmente. Nessas alturas percebemos que afinal o nosso impulso estava certo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Os livros, os tamanhos, as capas ou como cada um os veste como quer

Esta coisa das modas é mesmo assim... Durante muito tempo era frequente encontrar, nos transportes públicos, mulheres que costumavam trazer consigo livros que eram transportados junto ao peito, com as capas viradas para fora, mostrando a todos que tinham um enorme orgulho em ler o último de José Rodrigues dos Santos ou outro best seller que, invariavelmente, tinha muitas páginas. Para mim, que já carrego sempre muito peso, uma das condições para escolher os livros que diariamente trago comigo é exactamente, ao contrário, a sua pequena dimensão. Nem sempre é possível mas com tantos livros para ler lá vou conseguindo.
De há algum tempo para cá, essas mulheres passaram a envolver os tais livros com umas capas de tecido. Mas não são uns padrões quaisquer. As flores, as cornucópias, as pequenas bolas, tudo em tons muito suaves, são os eleitos. Percebi, entretanto, que até as livrarias vendem essas capas feitas, sobretudo (lá está!), para os livros grandes. É como se certos livros pudessem tornar-se melhores ao apresentarem-se vestidos.
O meu livro, quando o tiro de dentro da mala, embrulhado num saco de plástico, na sua nudez, como quando o trouxe da livraria, não é tão vistoso, é verdade. Ainda hoje, uma senhora que agarrava um belo exemplar, envolto numa capa de pequenas riscas verde clarinhas, o olhou como se olha um maltrapilho do alto de um fatinho Chanel. Mas, depois de eu perceber que livro era, a diferença que pudesse existir entre os dois era largamente favorável ao meu. Pode não andar vestido, é certo. Mas é tão mais bonito!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Bons exemplos

Tinha curiosidade. Fui a uma livraria e peguei num volume. Abri ao acaso. Página 1571. Capítulo: advérbio e sintagma adverbial. Exemplo apresentado para o advérbio de quantidade: O Cristiano Ronaldo joga muito bem. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Adrian Mole ainda na adolescência?

Há uns tempos atrás, lembrando-me da personagem Adrian Mole, perguntei numa livraria se tinham algum dos seus diários. Pensei eu que seria uma leitura divertida para as férias das minhas filhas adolescentes. Disseram-me, na altura, que só tinham os últimos livros em que Adrian é já adulto. Pois hoje encontrei um dos tais livros em reedição. Não gostei da capa. Mesmo assim, peguei nele com intenção de o comprar. Mas, entretanto, li as linhas que estavam na contracapa. As referências à música punk e às calças de bombazine fizeram-me pensar duas vezes. Será que os tormentos de um rapaz a crescer na Inglaterra dos anos 80 dirá alguma coisa aos miúdos hoje em dia? Como leitura de uma época talvez. Quanto à identificação com a personagem ficará bem longe do que acontecia há 30 anos atrás. Da próxima vez pensarei melhor. Por hoje o livro ficou na livraria.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

As letras "politicamente incorrectas"

Confesso que não sei explicar muito bem porque é que não gosto do acordo ortográfico. Muitos dizem que a resistência à sua utilização se prende com a nossa típica resistência à mudança. Poderá até ser. É mais fácil escrever como sempre o fizemos. Claro que sim. Mas até por isso, continuo a não compreender as tais regras que, em muitos locais, vemos já aplicadas. Custa-me, por exemplo, ver as minhas filhas na escola aprenderem a escrever de uma forma diferente da minha. É evolução, dirão; a língua não deve ficar estática, acrescentarão. São argumentos que fazem sentido se se tratar de uma evolução natural, nascida no interior da própria língua. Este acordo não nasceu assim e ainda não me convenceram, até agora, da sua bondade. Continuo, por isso, a defender as vogais e as consoantes que querem arredar das palavras, por decreto, situação que chega, em alguns casos, a dificultar a compreensão das frases.  
E se eu as defendo da única maneira que posso, utilizando-as, há quem o faça de forma mais aprofundada e complexa. Pedro Correia, decidiu passar à acção e deixar escritas as razões pelas quais considera este acordo uma aberração. Podemos lê-las neste livro 


que está já à venda e que será apresentado por Pedro Mexia na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 18.30, na Livraria Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa).

terça-feira, 23 de abril de 2013

Uma das razões/poemas por que gosto de Adília Lopes

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever

in , Adília Lopes, Dobra Poesia Reunida , Assírio e Alvim, 2009, pág. 395

Minimalista

A apresentação do autor, na contracapa do novo livro de Rui Zink.
Diz assim: escreve livros, dá aulas, imagina coisas.