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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Queixas a metro

Depois de descer as escadas que, nos últimos tempos, de rolantes só têm o nome; a visão que hoje de manhã se tinha, a partir do lanço que leva à plataforma da estação de metro do Cais do Sodré, era impressionante. Em 30 anos de frequência do metro de Lisboa poucas foram as vezes em que vi semelhante espectáculo e sempre por razões que se prendiam com algum acontecimento particular. Certo é que a quantidade de gente naquela plataforma era tal que parecia que só mais um iria empurrar alguém para a linha. Quem descia a escada sentia-se assustado e muitos paravam. 
Entretanto lá chegam as 3 carruagens que, a custo, levariam a maior parte dos passageiros. O condutor mal pára logo apita para apressar os que, depois do tempo que estiveram à espera, ainda hesitavam em entrar nos compartimentos apinhados. Eu própria pensei que talvez fosse melhor esperar pelo próximo mas, dada a dúvida em relação ao tempo que esperaria, lá arrisquei. Lá dentro, enquanto as pessoas se arrumavam, muitos comentavam a situação e lamentavam o estado a que chegou um transporte que já foi bom. 
Lembrei-me então que, neste dia 22 de Setembro, se comemora o dia europeu sem carros... Será que muitos dos que habitualmente andam de carro resolveram usar o transporte público? Duvido bastante. Mas, se assim foi, certamente muitos foram afugentados e pensarão: o que vale é que o dia europeu sem carros é só uma vez por ano... 
Quanto aos utilizadores que diariamente entram nas estações do metropolitano e vêem escadas que não funcionam, pessoas a mais, tempos de espera que aumentam, e ouvem os, cada vez mais frequentes, pedidos de desculpa pelos incómodos causados devido a problemas na circulação; resta-lhes apreciar a beleza de algumas das obras de arte presentes. Mais uma vez a arte nos ajuda a superar a realidade...

terça-feira, 10 de março de 2015

As liberdades semânticas

                                Foto Aqui

Esta é uma fotografia do Hotel Porto Bay Liberdade, projecto do Arq. Frederico Valsassina. Em vários locais que referem a abertura deste hotel diz-se que foi preservada a fachada original do início do século XX ou, de forma mais abrangente, que preserva a fachada dos palacetes de Lisboa do início do século XX.
Ora, se é verdade que, relativamente a esta obra, tal como a outras, a liberdade de se gostar ou não é plena, a verdade é que dizer-se que se mantém a fachada original é o mesmo que dizer que a nossa receita de Bacalhau à Brás leva beterraba e inhame. É um facto que o bacalhau está lá. Mas chamar ao prato Bacalhau à Brás...


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Publicidade, ali não, obrigada

Nas cidades, lugar por excelência da diversidade, cabe tudo. E desde que alguém se começou a dedicar à publicidade que esta está ligada àquele espaço de uma forma marcante. Dificilmente conseguimos pensar numa cidade sem os painéis, os mupis, e outros, que anunciam produtos ou acontecimentos. A eles nos fomos habituando e frequentemente nem os notamos. No entanto, muitas são as situações em que esses elementos criam verdadeira poluição visual. Na Europa há já alguns locais onde se tentou minorar os efeitos dessa realidade e agora os responsáveis de uma cidade com alguma dimensão, como Grenoble, vão tomar medidas que certamente terão grande impacto. Será um exercício interessante e cá estaremos para saber como correrá a experiência. Em cidades como Lisboa o que se perderia em verbas que chegam à câmara com a publicidade certamente não permitirá a realização de uma experiência semelhante. Mas não deixa de ser curioso imaginar certos locais sem o mobiliário urbano que suporta a publicidade. Eu já o fiz e gostei do que vi.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Três cidades na cidade

                                Imagem retirada daqui

Ainda continuo a pensar como aqui escrevi. Também sei que, em termos económicos, esta faceta de Lisboa como porto de passagem dos navios de cruzeiro é de grande importância para a APL, para muitos comerciantes, etc. A presença constante de um grande número de turistas em Lisboa, vindos em cruzeiros ou não, tem sido uma realidade que, em certos locais, altera até a forma como olhamos para a cidade. Lisboa é uma cidade cosmopolita e por isso haverá sempre lugar para os que, sendo de fora, a querem visitar. 
O grande perigo de tudo isto é começar-se a olhar para Lisboa como sendo uma cidade dirigida para os visitantes e não para os seus residentes e para os que nela têm o seu trabalho. E, de há uns tempos para cá, há algumas questões que me parece que deveriam ser melhor equacionadas. A proliferação de hotéis, hostels e outros é uma delas. A multiplicação dos veículos poluidores de duas, três ou quatro rodas que fazem visitas guiadas e que deixam pelas ruas gases e sons estridentes, é outra. Mas há mais. Os preços praticados em certos estabelecimentos, por exemplo.
Não queria que se esquecesse que Lisboa não é só nossa. Mas também é nossa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Na sombra

Ela tinha uma casa. Já era da sua mãe mas ela queria-a também para si. Tinha vivido ali toda a sua vida e, apesar de ser um pequeno apartamento no subúrbio da cidade, sempre a tinha sentido como o lugar onde queria regressar ao final de cada dia, cansada de tantas horas em pé no cabeleireiro daquele centro comercial onde nunca via a luz do dia.
Talvez por isso, do que mais gostava era do sol que lhe entrava todas as manhãs pelo quarto e que à tarde tornava a sala acolhedora.
Depois veio a construção do viaduto onde tão poucos carros passam. Levam dentro pessoas que não sabem que a sala perdeu aquele brilho dourado ao fim do dia, aquela luz suave que dava diferentes cores à parede branca.
A seguir, do outro lado, resolveram construir uma torre de escritórios. Uma torre de uma altura tal que nem se percebe, olhando para ela, quantos andares tem. Passados alguns anos essa torre continua praticamente vazia. Os poucos interessados que visitam o apartamento-modelo, com uma vista magnífica, segundo o vendedor, nem sequer olham para o prédio, que agora parece ainda mais pequeno; nem fazem a mínima ideia de tudo o que ela perdeu. 

sábado, 23 de novembro de 2013

O exemplo da "Casa Pereira"

Atendendo à realidade que conhecemos, e que nem sequer é exclusiva de nenhuma cidade em particular, percebemos que as zonas nobres das cidades sejam alvo de transformações que, no que ao comércio diz respeito, se traduz, muitas vezes, na substituição de lojas tradicionais por outras de cadeias internacionais que, obviamente, têm um poder económico incomensuravelmente maior. 
Em Lisboa, soube agora, as lojas que têm a renda média mais elevada ficam na rua Garrett, rua que, por ficar perto do meu local de trabalho, frequento bastante. É de facto uma rua especial. E talvez continue a sê-lo mesmo estando cheia de lojas de pronto-a-vestir iguais às encontradas nas outras ruas ou nos centros comerciais. 
Eu, no entanto, prefiro que não fechem estabelecimentos como o do número 38. Sinto sempre orgulho quando vejo turistas a saírem contentes com as suas compras ou apenas parados a tirar fotografias à montra; e gosto que nele não entrem só os turistas mas os clientes de há muito ou pouco tempo. 
Compreendo que resistir à pressão dos que querem comprar ou arrendar estes espaços únicos não deve ser fácil. Daí admirar essa capacidade de quem nem quer "ouvir o valor da proposta". Não serão muitas e não sabemos quanto tempo mais vão resistir mas Lisboa é mais rica com pessoas como o Sr. António Lemos.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Em nome "da ordem pública, da segurança, da saúde e dos valores culturais”

É claro que esta notícia me perturba. Mas perturba-me também pensar na quantidade de vezes que já ouvi estes argumentos como justificação para se defenderem medidas semelhantes em cidades como Lisboa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Postal ilustrado e em movimento

No seu percurso turístico, Woody Allen passou por Roma. Visitou os monumentos mais importantes; dirigiu actores italianos, uns mais conhecidos, outros menos; deu um papel a uma espanhola que fez bem de italiana; trouxe a Itália alguns actores americanos; fez uma homenagem a alguns realizadores italianos; abordou alguns temas muito actuais de forma crítica; deu-nos a conhecer algumas árias de ópera. Isto chega para fazer um bom filme? Não, nem pensar. 
Uma encomenda que uma entidade ligada ao turismo poderia ter feito. Terá sido o município de Roma a pagar tudo?
Lisboa não será tão cedo um episódio nesta série dedicada às cidades da Europa. Não que não exista interesse. Mas é que a crise torna difícil pagar um postal ilustrado e em movimento deste género.

domingo, 25 de setembro de 2011

Um programa para este dia

As iniciativas são mais que muitas. O património, de forma geral tão maltratado, está em destaque este fim de semana. Vá... ainda têm este domingo. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

As nossas ruas

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,...

Penso muitas vezes nestes versos do início de "O Sentimento dum Ocidental" quando, ao entardecer, ando nas ruas da localidade onde moro. Numa altura do dia em que tanta gente regressa a casa é estranho ver as ruas vazias. As pessoas estão lá, mas dentro dos automóveis, fechadas naquele que é o maior consumidor de espaço pessoal e público que o homem jamais inventou. Ele devora os espaços que poderiam servir para contactos e encontros. Não só as pessoas já não têm vontade de andar a pé como aquelas que efectivamente o desejam, ou não arranjam facilmente sítio onde o fazer, por os espaços estarem ocupados com carros estacionados; ou porque as ruas desertas as desencorajam.
Quando andamos a pé aprendemos a conhecer-nos entre nós quanto mais não seja de vista. O automóvel tem o efeito contrário sobre as relações humanas pois afasta os seus ocupantes do mundo exterior. Além disso esbate também a sensação do movimento no espaço, confundindo os pormenores do ambiente circundante imediato, pela velocidade. O automóvel, portanto, isola o homem do seu ambiente, bem como o afasta de contactos sociais. Permite apenas os tipos de relações mais elementares que põem muitas vezes em jogo a competição, a agressividade e os instintos de destruição.
Vários estudos demonstram que, actualmente, uma grande parte dos jovens não sabe andar a pé nas cidades. Pura e simplesmente porque não o fizeram desde pequenos. Em crianças era o carro dos pais que os transportava, mais tarde o seu. E entretanto ganharam medo pois falta-lhes a segurança de quem descobre alguns caminhos por si próprio. Os trajectos são muito mais reduzidos. São feitos de sentidos obrigatórios. E só esses são os conhecidos. As crianças, em grupos, já não vão da escola para casa, da casa para a escola. São as carrinhas dos "ATL's" ou os carros dos pais que as vão buscar, adensando o círculo vicioso que liga passeios quase desertos ao medo de andar a pé.
A harmonização da escala humana e da escala do automóvel coloca um problema a ter em conta pelos que intervêm na cidade mas o usufruto dos espaços públicos por todos nós não deve ser restringido apenas aos que estão definidos como áreas de lazer pois as ruas também fazem parte da cidade e circular nelas deve ser um prazer.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As cidades de todos?

                                                         imagem aqui

A propósito de sem-abrigo lembrei-me de uma conversa com um formando de um curso em que fui formadora que defendia que estas pessoas deveriam ser retiradas dos centros das cidades onde incomodam os que aí circulam. Os argumentos dos que entendem a segregação espacial como solução para determinados aspectos da vida nas cidades têm-se vindo a espalhar à medida que aumenta o medo do outro, do que é diferente de nós.

E se a segregação sempre fez parte da forma como se gere a cidade - D. Afonso Henriques, por exemplo, expulsa os mouros para a pior zona da Lisboa de então, a encosta norte da colina do Castelo, obrigando-os a um recolher obrigatório e ao uso de roupas específicas - por motivos políticos ou outros, ela já não é hoje uma medida que faça parte do "cardápio" dos poderes públicos. No entanto, quer se faça voluntariamente (a criação de condomínios fechados, impulsionada pelo medo da violência e pela busca de segurança; os grupos étnicos que muitas vezes escolhem habitar em áreas racialmente homogéneas), quer involuntariamente, num processo em que os grupos acabam por se distribuir espacialmente e desigualmente por rendimento ou nível de instrução, acentuando desigualdades nas condições de habitação e de acesso bens e serviços; ela é um dado a ter em conta.

Os próprios poderes públicos podem reforçar a segregação dando prioridade a investimentos nas áreas ocupadas pela população de mais altos rendimentos, negligenciando ou simplesmente ignorando as áreas ocupadas pelos mais pobres. E, ao contrário, podem promover a qualificação das áreas mais carentes, através de investimentos em habitação e infraestruturas, transportes, segurança, educação, saúde, lazer e cultura atenuando a segregação espacial.

O tratamento espacial da marginalidade, entendendo-a como o estado de grupos sociais, numericamente e culturalmente minoritários, cujo comportamento se afasta das normas dominantes, provocando a "invisibilização" do fenómeno através da segregação, só de forma aparente poderá dar uma sensação de maior segurança.

E na realidade os sem-abrigo ou outros grupos "marginais" fazem parte da cidade, constituem aquilo que faz dela o que é. E se o nosso desejo de melhorar a nossa relação com ela faz todo o sentido não o podemos fazer à custa da expulsão de quem, sendo diferente, vive a cidade de uma forma que pode ser errada aos nossos olhos mas que é mais uma, contribuindo para a multiplicidade das vivências, típica do meio urbano.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Constatação

- Mãe, a vista daqui da janela seria tão bonita se não fossem estes carros todos.
(Diz M. depois de contar 71 carros estacionados que via da janela da cozinha).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Oh as casas as casas as casas"


A construção civil é, no nosso país, um sector bastante importante. Grandes, médias ou pequenas empresas, valores envolvidos, impostos pagos, número de trabalhadores, tudo é em grande! E, não querendo falar de obras públicas, no que se refere à construção de casas particulares parece que o filão nunca mais tem fim.
Mas a verdade é que é cada vez mais frequente assistirmos, nas nossas cidades, à construção de edifícios  que começam a evidenciar sinais de deterioração antes mesmo dos fogos serem vendidos. Os preços demasiadamente altos de casas que, a maior parte das vezes, não o justificam, pelas próprias características, pela localização, ou outros factores, contribuem para a visão triste de alguns empreendimentos em que apenas uma ou duas casas, em dezenas, estão habitadas.
Desde sempre, em Portugal, o crescimento urbano fez-se através de uma ocupação desequilibrada, extensiva e muitas vezes abusiva do território para além de ter determinado um aumento das desigualdades sociais e da segregação espacial. O solo é um bem escasso, finito e esgotável e aquele tipo de ocupação levou a maiores desequilíbrios ao nível social e ambiental.
Já em 1999, segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social  a área ocupada no território nacional excedia, em muito, as respectivas necessidades demográficas; por outro lado, segundo declarações oficiais, estimava-se que a área de expansão urbana, prevista no conjunto dos Planos Directores Municipais do país passaria para cerca do triplo da área territorial ocupada. A situação hoje não será muito diferente. É muito para um país tão pequeno. É muito para um país demograficamente tão envelhecido. É muito para quem vê as suas casas a precisar de obras e não as consegue pagar. É muito para os edifícios antigos à espera de reabilitação. É muito.

sábado, 14 de novembro de 2009

Os muros à nossa escala

As conversas e comentários sobre o muro de Berlim, a sua queda e/ou o seu derrube, fizeram-me reflectir sobre uma questão menor, quando comparada com a dos muros que continuam a ser construídos por esse mundo fora e que dividem países, regiões, modos de pensar; mas que, a uma escala bem diferente, também denota os mesmos sentimentos de medo dos outros, de fechamento sobre si próprio, de tentativa de afastar os que são diferentes de nós.
Falo dos muros que, cada vez mais, se erguem na paisagem urbana, sobretudo nas zonas suburbanas, que cercam o que se tem designado por condomínios fechados.
A casa há muito que deixou de ser um mero abrigo. Ela é actualmente um elemento de um projecto individual ou familiar, alvo de investimento financeiro e afectivo, um espaço que marca um território que é o nosso.
A rua onde, no passado, se esbatiam as divisões entre o espaço privado e o público, e que eram um ponto estratégico de encontro, observação e conversa é hoje um local onde se torna necessário circular para ir de um ponto a outro, um obstáculo a transpor. E para isso conta-se com a ajuda do automóvel que, além de ser o maior consumidor de espaço público, afasta quem gosta de circular a pé e simultaneamente afasta os seus ocupantes do mundo exterior.
Se passarmos para as noções de vizinhança e de bairro vemos que, em muitos locais, deixaram de fazer sentido. Com efeito, a ideia de um território onde se interage socialmente, onde existem redes informais de entreajuda, pressupondo-se o uso concentrado de recursos da área, uma apropriação do espaço que implica uma noção de pertença, está cada vez mais afastada.
E se é verdade que as cidades nasceram para lutar contra o medo, a insegurança, o isolamento, ao aproximar os seus habitantes; é a sobrevalorização do indivíduo e o seu afastamento das redes sociais tradicionais que propicia o seu crescente sentimento de insegurança.
E a realidade, por incrível que pareça, é que vivemos actualmente nas sociedades mais seguras que alguma vez existiram embora, por vezes, na comunicação social, se dê a impressão contrária.
Mas claro que a segregação sempre existiu. Os grupos considerados marginais e outros considerados excedentários, supérfluos sempre foram afastados para zonas onde a sua presença não incomode os que se consideram indispensáveis ao bom funcionamento das cidades.
A novidade actualmente é que não chega escolher, para morar, uma zona da cidade que se considera melhor. É preciso afastar os outros a todo o custo. Assiste-se então a uma outra segregação, esta uma auto-segregação. Erguem-se muros, instalam-se sistemas de vigilância, contratam-se empresas de segurança. Vive-se fechado, em condomínios fechados. E se, em certos países, como o Brasil, onde esta realidade já tem muito tempo, a violência urbana é apresentada como justificação para a construção destes espaços, em Portugal tal não faz sentido. (É interessante ver que hoje em dia já se adopta, muitas vezes, a expressão “condomínio privado” para obviar à sensação de falta de liberdade que a expressão condomínio fechado “encerra”).
Ao mesmo tempo que os indivíduos têm maior liberdade e que alargam à esfera internacional o âmbito das suas comunicações (através da internet, por exemplo) fecham-se sobre si próprios, afastando os outros.
Toda esta situação reduz a capacidade de tolerar a diferença entre os habitantes das cidades e multiplica as ocasiões que podem dar origem a reacções de medo tornando a vida urbana mais carregada de ansiedade, funcionando tudo isto como um círculo vicioso.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Madrid

Num dia em que se ouviu falar tanto do Real Madrid porque não ouvir uma canção belíssima de Joaquín Sabina (que parece que é o hino do Atlético) e que fala da Madrid real?



Allá donde se cruzan los caminos,
donde el mar no se puede concebir,
donde regresa siempre el fugitivo,
pongamos que hablo de Madrid.

Donde el deseo viaja en ascensores,
un agujero queda para mí,
que me dejo la vida en sus rincones,
pongamos que hablo de Madrid.

Las niñas ya no quieren ser princesas,
y a los niños les da por perseguir
el mar dentro de un vaso de ginebra,
pongamos que hablo de Madrid.

Los pájaros visitan al psiquiatra,
las estrellas se olvidan de salir,
la muerte viaja en ambulancias blancas,
pongamos que hablo de Madrid.

El sol es una estufa de butano,
la vida un metro a punto de partir,
hay una jeringuilla en el lavabo,
pongamos que hablo de Madrid.

Cuando la muerte venga a visitarme,
que me lleven al sur donde nací,
aquí no queda sitio para nadie,
pongamos que hablo de Madrid.