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segunda-feira, 10 de outubro de 2016
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Um olhar
A foto foi tirada há cerca de um mês sob o Arco da Rua Augusta. Aí, a Câmara Municipal de Lisboa, a propósito do lançamento deste livro colocou uma tela com uma das mais famosas fotografias tiradas por Alfredo Cunha naquele dia de Abril, que mais uma vez comemoramos. Tirei duas fotografias. Esta, a que me parece melhor, está invertida (foi tirada da rua e não do Terreiro do Paço). Salgueiro Maia está, portanto, a olhar-nos numa outra direcção, que não a mesma da fotografia original.
Sabemos, pelo próprio fotógrafo, que foi interrompendo a revolução e numa atitude de pose, que o capitão decidiu ser fotografado. Não sei se em alguma situação ele chegou a dizer o que estava a pensar naquela altura.
As consequências de certos actos só muito mais tarde são conhecidas. Mas a verdade é que, numa pose estudada ou por verdadeira convicção, Salgueiro Maia sempre nos pareceu, nesta imagem, transmitir uma ideia de segurança, de quem está a fazer o que tem que ser feito.
A mim, impressionam-me os olhos cansados que podem indicar apenas a noite mal dormida ou revelar mais do que isso, um cansaço partilhado por muitos mais que ele. Impressiona-me a calma do seu rosto, uma boca fechada, mas sem rasgo de ira ou de entusiasmo, quando tudo à volta se desfazia e fazia de novo.
Mas impressiona-me, sobretudo, o seu olhar onde vejo alguma tristeza interrogativa, longe de adivinhar o rumo que outros dariam a uma revolução que estava a acontecer ali, naquele momento e que poderia ter acontecido de outra forma se não fosse ele naquela fotografia.
As consequências de certos actos só muito mais tarde são conhecidas. Mas a verdade é que, numa pose estudada ou por verdadeira convicção, Salgueiro Maia sempre nos pareceu, nesta imagem, transmitir uma ideia de segurança, de quem está a fazer o que tem que ser feito.
A mim, impressionam-me os olhos cansados que podem indicar apenas a noite mal dormida ou revelar mais do que isso, um cansaço partilhado por muitos mais que ele. Impressiona-me a calma do seu rosto, uma boca fechada, mas sem rasgo de ira ou de entusiasmo, quando tudo à volta se desfazia e fazia de novo.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Pauta com pessoas
No meio de tanta coisa sem interesse que nos aparece via internet, às vezes encontramos umas pérolas.
É o caso desta fotografia, ou melhor, destas fotografias, tiradas em 1952 e cujo título é Boardwalk Sheet Music Montage. O autor é Harold Feinstein e a sua obra pode ser vista aqui.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Ver e fotografar
A minha máquina fotográfica está a ser reparada e por isso não tenho hipótese de ir tirando umas fotografias por aí. A fotografia digital tem destas coisas. Tiramos fotografias sem olhar a quantidades, sem ajustar qualidades, confiando que, em 10 ou em 20, alguma há-de escapar. Mas a ânsia de fotografar não se poderá sobrepor ao prazer da observação não mediada pela lente. A não ser em situações especiais, por exemplo, profissionalmente, este deverá vir em primeiro lugar e só depois dispararemos.
Vem isto a propósito de ter visto hoje, novamente, naqueles autocarros de turismo que percorrem as ruas da cidade, alguns turistas que, com a preocupação de não conseguirem registar tudo, não largam as câmaras fotográficas ou as de filmar que, à altura dos olhos, não lhes permitem ver ao vivo, tudo o que verão mais tarde, no ecrã do computador.
Fazer o registo "para mais tarde recordar" é importante. Mas viver os locais também me parece indispensável.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
1 e mais 2 = 3 Fotógrafos
A exposição terminou este sábado. Ainda consegui vê-la com as suas muitas fotografias de mulheres.
Das de Jorge Martins confesso que não gostei muito. Talvez tivesse sentido a coloração como uma contaminação da pintura nas fotografias, que não me agradou.
De Julião Sarmento surpreendeu-me a variedade dos registos, desde os mais espontâneos, captados numa rua de Lisboa, aos mais encenados, sobretudo em interiores onde, ora os jogos da luz e da sombra nos desviam a atenção dos corpos ou de partes deles; ora a sua presença enche todo o espaço da fotografia.
Quanto a Man Ray... bem, era o que se esperava. Uma lição do que é fotografar. A mulher retratada aqui (entre 1941 e 1955), de uma beleza nada óbvia, é sempre a mesma: Juliet Browner, que foi sua mulher. Mas ser só uma não impede que nos apareça como muitas, nas suas poses de diva do cinema ou menina traquina. Das 50 destaco uma, de 1948, em que Juliet, fotografada num bosque, nua entre os outros elementos da natureza, se confunde com eles, como que a demonstrar o grau zero da beleza simultaneamente cheio de conotações poéticas.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Mudar é preciso
Fui finalmente ver a exposição. A não perder, mesmo.
Desde a mais antiga (1972) à mais recente (2010) todas as fotografias estão datadas e localizadas espacialmente. No entanto, podiam ter sido tiradas há muito, muito mais tempo, que seriam sempre aquelas fotografias.
Um fotojornalista que soube ver a realidade como só os grandes fotógrafos conseguem fazer. E que olha para elas também com o olhar de quem, como nós, as vê pela primeira vez.
É assim que vamos do Bairro da Mina, Amadora, em 1972, onde uma criança remexe o lixo, numa lixeira a céu aberto, até à única imagem que tem título – Desemprego - em 2010. Passamos pelo dia 25 Abril de 1974, em Lisboa e vemos imagens da Ponte Aérea Luanda-Lisboa em 1975. Em 1988, na Rua do Carmo, em Lisboa, uma mulher traz nos braços duas crianças e no rosto uma expressão de angústia difícil de esquecer. Dois anos depois, em 1990, no Rio Maputo, Moçambique, crianças brincam felizes. Em 1991, enquanto Mário Soares fazia campanha, na praia da Ilha de Faro, para a presidência, crianças acumulam-se num orfanato na Roménia. De 1997 são duas fotografias fantásticas de um trabalhador nos estaleiros do Douro e de um outro nas vindimas do Douro. Da bênção do gado em Vila Verde (2000) chega a foto do cartaz da exposição e de Timor, em 2006, uma criança agarrada às mãos de uma velha, talvez sua avó. A romaria de S. Bartolomeu do Mar, em Esposende (2009) é também um local de magníficas fotos.
Estas são só algumas das fotografias cheias de significado que podemos ver. E porque o texto que acompanha a exposição, da autoria do próprio, diz muito sobre o trabalho deste fotógrafo e sobre esta exposição em particular deixo-o aqui.
“Assistimos a uma revolução política que prometia resolver todos os problemas dos portugueses. Assistimos a uma revolução tecnológica que anunciava um dia-a-dia fácil e leve. Assistimos ao nascimento de vários países, ao fim do fascismo, ao fim do colonialismo, ao fim do comunismo. Estamos em pleno turbilhão do sistema capitalista. Assistimos a tudo isto e, no entanto, chegámos sempre aos mesmos resultados: gente que vive em drama, em miséria, na infelicidade. Parece que a tragédia nos persegue, parece que não conseguimos sair do mesmo sítio.
Às vezes olho para estas fotografias e penso que o tempo não passou: o país neo-realista dos anos 60 ainda existe, para lá das auto-estradas, para lá dos centros comerciais, para lá das periferias das cidades. Por vezes interrogo-me: será que continuamos no mesmo sítio?. Não sei por que é que não saímos daqui, desta pobreza, desta melancolia, desta lassidão que parece tolher-nos os movimentos, que nos impede de avançar.
Durante estes últimos 40 anos fiz milhões de fotografias. Penso que aprendi várias vezes a mesma profissão. Fotografei em vários formatos, com várias tecnologias, com as mais diversas influências. O resultado, numa aparente ironia patética, é sempre o mesmo: nestas fotografias, nas minhas fotografias, parece que o tempo parou. É uma situação paradoxal. Mas é também a história do meu trabalho: estas imagens, algumas delas chocantes, brutais, trágicas, são imagens que me acompanharam, que me transformaram naquilo que eu sou.
Não sou artista, sou fotojornalista profissional. Após vários trabalhos em jornais, revistas, agências noticiosas, televisão e internet, confronto-me com a situação estranha de me encontrar no mesmo sítio, no mesmo ponto de partida. Durante estes quarenta anos, no entanto, não andei em círculos. Acontece que agora, como no princípio, como sempre, o que me interessa são as pessoas: as suas dores, o seu quotidiano, também as suas alegrias, mesmo que a pobreza, o desemprego e a angústia, visível, fotografável, nunca desapareçam totalmente.
Gostava que estas fotografias, um relato de 40 anos, para além de mostrarem a repetição dos erros da sociedade que fomos construindo, nos mostrassem também um caminho para sairmos deste sítio onde estamos, afinal, parados há tanto tempo.”
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
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