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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Amadeo


Ser moderno será talvez isto: 99 anos depois da sua morte criar em quem olha as suas obras uma enorme emoção. Foi o que senti hoje ao visitar a exposição que pretende revisitar as exposições individuais que aconteceram no Porto e em Lisboa em 1916.
Percebemos que Amadeo estava consciente, na altura, da dificuldade de a sua pintura ser compreendida. De facto, muito se falou sobre ela e nem sempre bem. Mas isso até convinha a quem queria avançar e ir além das convenções e gostos da época.
De diversos suportes e técnicas, de temas variados, de muitas cores e texturas se faz a obra deste artista. Vê-la é sempre um prazer. 
Destaco este auto-retrato do artista com paisagem. É quase hipnotizante na sua capacidade de nos mostrar, simultaneamente, a sua pequenez e a sua grandeza. O seu apego à terra e ao seu país, tão presente nas temáticas que aborda, e a sua singularidade dentro dessa paisagem. 


Apesar da dimensão reduzida de algumas salas onde está a exposição, valeu bem a pena esperar tanto tempo numa fila. Este domingo é o último dia para a ver. Pouco mais de um mês é manifestamente tempo insuficiente para tão grande artista.

terça-feira, 4 de março de 2014

Os italianos chamavam-lhes nórdicos


O preço dos bilhetes não é baixo. Mas, comparado com gastos que não nos trazem nem uma pequena parte do prazer que podemos experimentar ao ver esta exposição, vale a pena ir até ao Museu Nacional de Arte Antiga. Por isso, neste dia de Carnaval, para quem prefere ver outros cortejos, esta é uma bela forma de ficar a conhecer melhor estas obras e o seu contexto. 


domingo, 14 de julho de 2013

Mais um ano de cartoons

Se o que estava previsto se cumpriu já não se pode visitar o World Press Cartoon 2013 em Sintra. Eu fui a tempo e por isso pude apreciar os magníficos cartoons em exposição. Tal como sempre aconteceu, nos dias que passam temas não faltam. E já que temos tantos motivos para ficarmos tristes porque não sorrirmos com eles?


domingo, 15 de julho de 2012

Cartoons e mais cartoons

Até final do mês no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, podem visitar o World Press Cartoon 2012. Vão com tempo pois há muito para ver.

Imagem, de Rafael Carrasco, aqui

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Magdalena Carmen

Nunca apreciei especialmente a pintura de Frida Kahlo. Provavelmente não compreendo inteiramente o sofrimento excessivo dos seus quadros, inspirados na sua vida que foi curta mas cheia de momentos terríveis. E não é fácil compreender o que sentiria alguém tão duramente marcada pela dor física e pelas pequenas e grandes tragédias do seu preenchido quotidiano. André Breton terá escrito que a sua obra era surrealista. Frida terá dito depois que tal não era verdade pois nunca pintou sonhos mas a sua própria realidade. 
É dessa realidade que podemos espreitar alguns episódios na exposição organizada pela Casa da América Latina de Lisboa que está, até ao final do mês, no Museu da Cidade. 
E a verdade é que, se a sua pintura não me entusiasma, sempre admirei a forma como viveu e sobreviveu num México em mudança e como a sua vida pessoal se cruzou com os importantes movimentos colectivos e com personagens que deixaram a sua marca naquele país e no mundo. É este percurso, ao mesmo tempo íntimo e mais alargado, que podemos acompanhar pelas fotografias tiradas por si ou em que ela está presente. Eu fiquei a conhecê-la melhor. E a sua obra passa a fazer mais sentido para mim.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A propósito de museus

Ao fim de algum tempo a pensar ir lá fui, finalmente, ao Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. O edifício, projectado por Alcino Soutinho, cumpre muito bem a sua função. 
A exposição permanente permite-nos ficar com uma perspectiva global. Numa época em que me parece que se tem esquecido com frequência este movimento este museu lembra-nos a sua importância histórica e literária. A minha geração, logo a seguir a Abril de 74, recorda-se certamente de muitos textos que constavam dos livros da disciplina de Português e até dos livros de leitura obrigatória, numa tentativa de compensar os muitos textos censurados e as vidas difíceis dos seus autores antes dessa data. Muitos de nós tomavam contacto com estes escritores nessa altura. 
Um dos que mais líamos era Alves Redol. O seu Constantino, personagem admirável, tinha a nossa idade e apesar de estar longe de nós, no tempo e na vivência, vivia as aventuras que nós imaginávamos que gostaríamos de viver também.
E até final deste ano, em que se comemora o centenário do nascimento de Alves Redol, o museu dedica-lhe uma importante exposição. Vale a pena ir até Vila Franca. Uma grande parte da História do nosso país no século passado está lá. E nunca é demais lembrarmo-nos dela.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A lupa de Sherlock Holmes já não chega

Por termos chegado perto da hora de fecho da exposição não foi possível trabalhar nos 8 laboratórios e por isso ficou por descobrir o autor do crime. Lá terei eu que voltar... Mas vale a pena. A "exposição" está muito bem conseguida.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

100 anos a educar


A citação é de António Sérgio e podemos lê-la na Exposição Educar - Ensino para todos. Ensino na I República, em Lisboa, no Palácio Valadares, até 30 de Junho.
Calhou ter sido no Dia Mundial da Criança que a fui ver. O Largo do Carmo estava lindo com os seus jacarandás em flor. Cá fora um grupo de crianças cantava no que parecia ser uma actividade que comemorava o dia. 
A exposição, integrada nas comemorações do centenário da República, é bastante interessante e dá conta da importância dada à Educação pelos governos republicanos. O investimento em infraestruturas, em material e em recursos humanos foi extraordinário pois entendia-se que os cidadãos só seriam capazes de construir um futuro em liberdade se tivessem os instrumentos necessários para compreenderem o mundo à sua volta. Nessa altura o acesso à escola era mais dificultado do que agora. No entanto custa perceber que, 100 anos depois, estamos longe de cumprir os objectivos iniciais.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cartoons

Quantas vezes nos arrancam um sorriso quando vemos os seus desenhos nas páginas dos jornais. Falo dos cartoonistas e da sua capacidade de condensar, num só desenho, uma crítica, uma visão normalmente cheia de humor sobre assuntos que, embora sérios, ganham em novas perspectivas quando vistos pelos olhares destes artistas.
Até 30 de Junho no Museu de Arte Moderna de Sintra, podemos fazer cerca de 400 sorrisos desses. Esse é o número aproximado dos trabalhos expostos no World Press Cartoon 2011, selecção de desenhos de humor publicados pela imprensa em todo o mundo durante o ano de 2010. Os temas mais representados são a Wikileaks e Julian Assange, o resgate dos mineiros chilenos, o escândalo da pedofilia na igreja católica, a crise da Europa, enfim aqueles que mais ocuparam a imprensa. A entrada é gratuita. Vale muito a pena ver mas guardem algum tempo porque "ler" todos aqueles cartoons é tarefa demorada.

 ‘Pedofilia’ de Samuca no ‘Diário de Pernambuco’ (Brasil).   Imagem aqui.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

1 e mais 2 = 3 Fotógrafos

A exposição terminou este sábado. Ainda consegui vê-la com as suas muitas fotografias de mulheres.
Das de Jorge Martins confesso que não gostei muito. Talvez tivesse sentido a coloração como uma contaminação da pintura nas fotografias, que não me agradou.
De Julião Sarmento surpreendeu-me a variedade dos registos, desde os mais espontâneos, captados numa rua de Lisboa, aos mais encenados, sobretudo em interiores onde, ora os jogos da luz e da sombra nos desviam a atenção dos corpos ou de partes deles; ora a sua presença enche todo o espaço da fotografia.
Quanto a Man Ray... bem, era o que se esperava. Uma lição do que é fotografar. A mulher retratada aqui (entre 1941 e 1955), de uma beleza nada óbvia, é sempre a mesma: Juliet Browner, que foi sua mulher. Mas ser só uma não impede que nos apareça como muitas, nas suas poses de diva do cinema ou menina traquina. Das 50 destaco uma, de 1948, em que Juliet, fotografada num bosque, nua entre os outros elementos da natureza, se confunde com eles, como que a demonstrar o grau zero da beleza simultaneamente cheio de conotações poéticas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Património. Mais de 100 anos.

Actualmente quando pensamos em património pensamos em tudo, ou quase tudo. Todas as realizações do ser humano, sejam elas materiais ou imateriais, são passíveis de serem entendidas como património. De facto, desde que socialmente seja relevante, qualquer peça de uma qualquer engrenagem, qualquer canção que se cante na hora de deitar, qualquer par de sapatos, podem entrar na mesma designação que utilizamos para falar de um monumento que chegou até nós, dando-nos a conhecer determinadas técnicas de construção ou perspectivas arquitectónicas. É, entre outras coisas, por isto que a gestão do património, sobretudo aquele que se refere a um tempo passado, é um assunto tão delicado e que envolve, necessariamente, verbas significativas. O armazenamento das obras, a sua conservação são preocupações quer de particulares, quer do Estado. Este, pela natureza do património que tem à sua guarda, nomeadamente o construído, não tem uma tarefa nada fácil. E a forma como a gestão é levada a cabo varia de época para época, de orientação política, para orientação política. No que toca, por exemplo, à conservação de edifícios os orçamentos disponíveis são sempre fundamentais. Mas as opções tomadas têm sobretudo a ver com diferentes perspectivas de intervenção que nunca deixam de ter forte impacto na forma como esses edifícios nos aparecem. A opção por uns em detrimento de outros, a intervenção mais minimalista ou mais intrusiva, a escolha dos arquitectos, nunca são indiferentes para o resultado final.
Tudo isto vem a propósito da exposição "100 anos de património, memória e identidade" que visitei há umas semanas no Palácio Nacional da Ajuda. Nela podemos dar-nos conta da forma como o poder público lidou com estas questões desde as primeiras preocupações no séc. XIX, passando pelas visões da 1.ª República, pela febre de restaurar, restaurar do Estado Novo, pelas novas perspectivas introduzidas pela "Carta de Veneza" até à forma como actualmente é entendido o património. E a verdade é que também a forma como o poder político olha o património de todos nós diz bastante sobre as suas  formas globais de olhar o mundo. É isso que os documentos, nomeadamente as fotografias presentes na exposição, nos permitem perceber. O interesse da exposição ultrapassa, por isso, o conhecimento da evolução das perspectivas de intervenção ao longo dos últimos 100 anos. É que se o património a que atribuímos significado e a forma como o vivemos está ligado ao que nós somos esta exposição é um espelho onde nos podemos observar e sobretudo pensar naquilo que esse património significa hoje e no papel de todos nós na sua salvaguarda.

sábado, 23 de outubro de 2010

O património visto por dentro

Ainda voltarei ao tema desta exposição. Por enquanto aproveitem o passeio até à Ajuda e vão ver. É muito, muito interessante.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Duas exposições

Integradas ambas nas comemorações do Centenário da República, visitei a exposição "Viva a República", que está na Cordoaria Nacional e a exposição "Povo - People", no Museu da Electricidade.

Da primeira, que "pretende reproduzir os acontecimentos fundamentais do período da I República e do Republicanismo e relembrar os seus ideais cívicos, as suas principais realizações e os seus grandes protagonistas" lembro sobretudo a sua grande dimensão e o calor imenso que se fazia sentir no dia em que a visitei, no início de Julho. A falta de ar condicionado naquele caso é uma falha grave. Quanto à exposição pareceu-me que o objectivo é atingido mas o excesso de informação, em textos, fotografias, filmes leva-nos a um cansaço muito pouco pedagógico.

A segunda "propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO". E, confesso, foi uma boa surpresa. As obras expostas são muito interessantes e a própria organização do espaço está muito bem conseguida, havendo uma interacção muito eficaz entre o povo / público e o povo / móbil da exposição. A ver.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mudar é preciso

Fui finalmente ver a exposição. A não perder, mesmo.

Desde a mais antiga (1972) à mais recente (2010) todas as fotografias estão datadas e localizadas espacialmente. No entanto, podiam ter sido tiradas há muito, muito mais tempo, que seriam sempre aquelas fotografias.

Um fotojornalista que soube ver a realidade como só os grandes fotógrafos conseguem fazer. E que olha para elas também com o olhar de quem, como nós, as vê pela primeira vez.

É assim que vamos do Bairro da Mina, Amadora, em 1972, onde uma criança remexe o lixo, numa lixeira a céu aberto, até à única imagem que tem título – Desemprego - em 2010. Passamos pelo dia 25 Abril de 1974, em Lisboa e vemos imagens da Ponte Aérea Luanda-Lisboa em 1975. Em 1988, na Rua do Carmo, em Lisboa, uma mulher traz nos braços duas crianças e no rosto uma expressão de angústia difícil de esquecer. Dois anos depois, em 1990, no Rio Maputo, Moçambique, crianças brincam felizes. Em 1991, enquanto Mário Soares fazia campanha, na praia da Ilha de Faro, para a presidência, crianças acumulam-se num orfanato na Roménia. De 1997 são duas fotografias fantásticas de um trabalhador nos estaleiros do Douro e de um outro nas vindimas do Douro. Da bênção do gado em Vila Verde (2000) chega a foto do cartaz da exposição e de Timor, em 2006, uma criança agarrada às mãos de uma velha, talvez sua avó. A romaria de S. Bartolomeu do Mar, em Esposende (2009) é também um local de magníficas fotos.

Estas são só algumas das fotografias cheias de significado que podemos ver. E porque o texto que acompanha a exposição, da autoria do próprio, diz muito sobre o trabalho deste fotógrafo e sobre esta exposição em particular deixo-o aqui.

“Assistimos a uma revolução política que prometia resolver todos os problemas dos portugueses. Assistimos a uma revolução tecnológica que anunciava um dia-a-dia fácil e leve. Assistimos ao nascimento de vários países, ao fim do fascismo, ao fim do colonialismo, ao fim do comunismo. Estamos em pleno turbilhão do sistema capitalista. Assistimos a tudo isto e, no entanto, chegámos sempre aos mesmos resultados: gente que vive em drama, em miséria, na infelicidade. Parece que a tragédia nos persegue, parece que não conseguimos sair do mesmo sítio.

Às vezes olho para estas fotografias e penso que o tempo não passou: o país neo-realista dos anos 60 ainda existe, para lá das auto-estradas, para lá dos centros comerciais, para lá das periferias das cidades. Por vezes interrogo-me: será que continuamos no mesmo sítio?. Não sei por que é que não saímos daqui, desta pobreza, desta melancolia, desta lassidão que parece tolher-nos os movimentos, que nos impede de avançar.

Durante estes últimos 40 anos fiz milhões de fotografias. Penso que aprendi várias vezes a mesma profissão. Fotografei em vários formatos, com várias tecnologias, com as mais diversas influências. O resultado, numa aparente ironia patética, é sempre o mesmo: nestas fotografias, nas minhas fotografias, parece que o tempo parou. É uma situação paradoxal. Mas é também a história do meu trabalho: estas imagens, algumas delas chocantes, brutais, trágicas, são imagens que me acompanharam, que me transformaram naquilo que eu sou.

Não sou artista, sou fotojornalista profissional. Após vários trabalhos em jornais, revistas, agências noticiosas, televisão e internet, confronto-me com a situação estranha de me encontrar no mesmo sítio, no mesmo ponto de partida. Durante estes quarenta anos, no entanto, não andei em círculos. Acontece que agora, como no princípio, como sempre, o que me interessa são as pessoas: as suas dores, o seu quotidiano, também as suas alegrias, mesmo que a pobreza, o desemprego e a angústia, visível, fotografável, nunca desapareçam totalmente.

Gostava que estas fotografias, um relato de 40 anos, para além de mostrarem a repetição dos erros da sociedade que fomos construindo, nos mostrassem também um caminho para sairmos deste sítio onde estamos, afinal, parados há tanto tempo.”


domingo, 11 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Receita para aplacar um certo mau humor pré-adolescente

Esta exposição:


Garanto que o prazer que proporcionou transformou uma “secante” tarde de férias em efectivo “tempo de qualidade”, como agora se diz.

Podemos ver aqui estes irmãos writers de S. Paulo, Brasil:


domingo, 4 de julho de 2010

Onde estamos?

40 anos a fotografar é muito tempo. E no entanto Alfredo Cunha lembra-nos que "Estamos no Mesmo Sítio". A não perder.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval com cores e máscaras


O dia muito cinzento e frio convidava a ficar no interior. Ficámos então no interior deste edifício a que Paula Rego não quis chamar museu e que, por isso, se chama "Casa das Histórias". Acabou por ser uma tarde cheia de cor, de máscaras, de transfiguração. Uma boa tarde para um dia de Carnaval, portanto. 



imagem do "Príncipe Porco" e de uma das litografias a que serviu de modelo copiada daqui

domingo, 6 de dezembro de 2009

A ditadura no Brasil (1964-1985)

Lembrei-me de Thiago de Mello a propósito de uma exposição que vi na 6.ª feira no CIUL (Centro de Informação Urbana de Lisboa) que fica no Picoas Plaza, cujo título é “A Ditadura no Brasil 1964-1985 Direito à memória e à verdade”. A exposição pretende lembrar aqueles anos apresentando, para isso, uma cronologia bastante completa, muitas fotografias e até reproduções de textos, como letras de canções, que a censura não deixou passar e integra-se num projecto, de 2006, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil (os militares brasileiros não gostaram muito desta iniciativa do presidente Lula da Silva).

Para nós, portugueses, que seguimos tanto o que se passa no Brasil e particularmente para os que, como eu, tenham referências na música e nas telenovelas que se faziam nesse período, ver esta exposição é uma forma de aprender a contextualizar essas manifestações de cultura uma vez que a verdade é que sabemos muito pouco da história recente daquele país.