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quarta-feira, 9 de março de 2016

Onde está o Marcelo?

Esta minha tendência para defender quem está na mó de baixo tem destas coisas. Nunca gostei do presidente que os portugueses escolheram, por duas vezes, em eleições livres e democráticas, como se costuma dizer. Mas ele foi, com efeito, o mais votado nessas vezes. Agora está de partida e a verdade é que não me lembro de nenhum fim de mandato presidencial com tantas manifestações de satisfação, de júbilo. Mesmo nunca tendo votado nele e criticando tantas das decisões que tomou enquanto primeiro-ministro e presidente, sinto alguma pena quando o imagino a ler, a ouvir ou a ver algumas das coisas que se escrevem, dizem, desenham, por estes dias, sobre ele.
Perante tanto regozijo com a partida do seu antecessor, as expectativas em relação a Marcelo só podem ser altas. Porém, quando estas estão altas demais as desilusões são também maiores.
Mas não vamos, nesta fase, ser pessimistas. Mesmo não sabendo o que os próximos anos nos trarão temos um presidente novo. E hoje, mesmo quem não votou Marcelo, tem razões para estar contente com a partida de Cavaco Silva. É que, até no meio de tantos cavaquinhos, sobressai o machete de braga...



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

16 minutos de leitura

A leitura de artigos de jornais e revistas através dos sites tornou-se um hábito cada vez mais enraizado. Confesso que eu, se no caso dos livros, até agora rejeitei qualquer outra coisa que não o papel; já no que respeita a jornais e revistas (com poucas excepções) leio bastante o que está disponível on line. E só há pouco tempo reparei que, em algumas publicações, no início dos artigos, entre as várias indicações fornecidas, se encontra o tempo previsto para a leitura. Será certamente uma média. E como será calculada? A primeira vez que resolvi verificar li em 11 minutos uma entrevista que estava indicada como correspondendo a "16 minutos de leitura". Claro que se lesse a seguir, ou noutro dia, ou com um objectivo diferente, o tempo seria outro. Podíamos até fazer muitos exercícios: ler sem interrupções, ler com e sem luz apropriada, com e sem sono, em casa, no comboio... Já para não falar das diferenças de pessoa para pessoa com um dos candidatos a Presidente da República em Portugal a bater todos os recordes... 
É esta ideia de que tudo tem que estar programado, que temos que ter a informação toda disponível, diminuindo as hipóteses de nos perdermos na leitura, de a suspender, sem a liberdade de nos surpreendermos na gestão do nosso tempo, que soa estranho nesta situação.
Imaginemos esta informação aposta nas capas dos livros. Qual a unidade de medida a utilizar? Uma universal? Minutos para pequenos ensaios? Dias para obras como Guerra e Paz de Tolstoi ou Em Busca do Tempo Perdido de Proust?  E as editoras pagariam a "medidores de tempo de leitura" antes dos livros serem lançados ou atribuiriam, automaticamente, uns minutos a cada página? Já estou a ver um cliente numa livraria: "tenho livres as próximas duas horas; o que é que tem aí para esse tempo?".
Mas voltemos à leitura do artigo que me fez lembrar este assunto: bolas, com estes pensamentos, ultrapassei largamente, os 24 minutos previstos...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O ano ainda é novo?

É uma questão de somenos. Mas todos os anos tenho esta dúvida: até quando faz sentido desejar um "Feliz Ano Novo"? Sempre pensei que o Dia de Reis seria assim como que uma fronteira. Diz a tradição que é o dia em que as festividades associadas à época natalícia terminam. A partir dele os enfeites de Natal podem ser retirados e guardados nas caixas de onde só sairão no final do ano novo, entretanto já velho. Mas por enquanto o ano que, nesta coisa de votos, anda sempre misturado com o Natal, lembrando-nos a ligação da festa cristã aos ritos de renascimento após o solstício de Inverno, ainda é novo. Os ciclos sucedem-se. E os anos, mais ou menos iguais (este ano é bissexto e por isso tem mais um dia) vão fazendo o seu percurso, indiferentes à quantidade de pessoas que o incluíram nos desejos mais felizes. Uma vez que todos os dias são novos, em teoria, podemos sempre desejar um "Feliz Dia Novo". É o que fazemos diariamente quando dizemos "Bom dia". Mas e o ano? Poderemos dizer, à semelhança do Natal, que ele é novo enquanto um homem quiser? Ao prolongar no tempo estes desejos, parecemos querer tornar mais longa a esperança num período que sabemos ser, apesar disso, igual aos outros que já passaram, com os seus acontecimentos positivos e negativos. Este ano já começou a mostrar o seu lado mais negro. E no entanto tenho a certeza que amanhã ouvirei ainda alguém dizer: "Feliz Ano Novo!"

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O livro que tem dado que falar nos últimos dias ou a biografia do cidadão imperfeito

Apesar de muito criticado por aceitar a publicação de uma biografia quando está apenas com 50 anos, a verdade é que Passos Coelho não é propriamente um caso único. Muitos o fizeram neste ponto da sua carreira, em épocas em que o seu futuro político está em vias de definição. Não há nada de excepcional na situação. E se há editoras prontas a fazê-lo é porque o mercado existe. Terá que ser o leitor a relativizar, tendo em conta as circunstâncias em que o texto é publicado, a autora, o facto de ter sido autorizado, os episódios que conta, os que são omitidos. Diz a editora na apresentação que "baseada num amplo trabalho de pesquisa, investigação e recolha de diversas opiniões e testemunhos, Sofia Aureliano escreveu uma biografia única que nos aproxima de Pedro Passos Coelho". Aproximará? E se o trabalho de pesquisa e investigação foi tão bem feito por que razão não falou com alguém próximo de Paulo Portas, ou com o próprio, para esclarecer as questões que mais celeuma levantaram? O testemunho de Secundino Cardoso do restaurante «O Comilão» poderá ser importante mas o de Diogo Feio poderia também ter sido equacionado.

 Imagem aqui

No entanto é o título escolhido que mais dúvidas me suscita. Por mais que o leia não consigo perceber a ideia que lhe está subjacente. "Somos" indica que estamos no presente. Significa isto que, nesta altura, Passos Coelho é o que escolheu ser? E como é que isso aconteceu? Como é que escolheu? Será que a biografia é assim tão clara?
E depois, numa perspectiva que é normalmente a correcta, devemos generalizar a expressão e considerar que basta escolher o que queremos ser para o sermos? E quem não consegue? É porque não tem capacidades? E que tipo de capacidades? As intelectuais, as económicas, as sociais? Ou será porque não quer com força suficiente? E o gesto de pôr a gravata tem alguma coisa a ver com tudo isto? Será uma piada a Varoufakis? A cor é uma provocação a António Costa?
Será que para responder a estas questões terei que ler o livro? Hum... Acho que vou ficar sem saber...

sábado, 25 de abril de 2015

Em Abril, comemorações mil

Este ano, neste dia, o que deverei fazer para comemorar o 25 de Abril? Estive a analisar algumas das inúmeras propostas e percebi que estou dividida. Utilizar a pista tumbling insuflável ou experimentar a estampagem com vegetais e fruta? Em comparação com a segunda, provavelmente a execução de saltos mortais e piruetas é mais adequada à data. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Os clássicos podem ser fixes?

Há uns dias atrás, Francisco José Viegas colocava esta questão. Não é fácil chegar a uma conclusão. Ou porque somos um país onde a qualidade e a quantidade de clássicos torna difícil a escolha, ou porque muitos portugueses, infelizmente, não conseguiriam votar tendo uma opinião fundada. Ou pelas duas coisas e outras ainda.
Curiosamente esta semana, numa fila no supermercado, deparei-me, junto às caixas, com um livro infantil que me suscitou sentimentos opostos. 

                                                     Imagem retirada daqui.

Se, por um lado, me parece que pode ser uma forma de divulgar junto das crianças algumas informações sobre escritores fundamentais do nosso país; por outro, o adjectivo usado não me convenceu. Claro que a palavra fixe pode ser utilizada como sinónimo de algo que agrada e tem qualidades positivas mas quando a ouvimos não deixamos de pensar em "porreiro". É certo que já tivemos um presidente fixe. Mas a utilização deste termo fará sentido quando falamos de escritores e das suas obras? Almeida Garrett é fixe? E Florbela Espanca será?  

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Esta vida não é para blogues

Abro a página e vejo que ele ainda aqui está. O meu "caderno de apontamentos electrónico". Mesmo votado ao abandono ele mantém-se tão acessível e disponível como no primeiro dia que resolvi dar-lhe vida.
Já vamos com um mês e meio deste ano, que ainda há bem pouco tempo era novo, e tantas coisas aconteceram entretanto. Tantos foram os assuntos que eu registei e que enchem o separador dos rascunhos... Alguns foram comentados por muitos. Outros ligam-se a aspectos mais particulares. Ficaram lá todos e ao olhar para eles agora percebo que, muitos, neste momento, dada a sua falta de actualidade, pouco sentido fazem.
Nestes meus dias imperfeitos a necessidade de fazer não me tem deixado tempo para reflectir. E o tempo do ócio é uma condição para essa reflexão e, sobretudo, para o seu registo. A questão principal é esta dificuldade em arranjar o tempo para estes "dias" e isso levou-me a pensar em desistir. 
Mas eu sinto-lhe a falta. E sinto a falta dos outros blogues que visitava e de que aprendi a gostar. 
Por tudo isto, mesmo tendo a sensação que esta vida que tenho não é para blogues, a minha vontade de recomeçar é grande. Será que vou conseguir?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Há que poupar, até nas figuras geométricas...

- Mãe, pensa comigo: as caixas das pizzas são quadradas, as pizzas são círculos, as fatias das pizzas são triangulares. Não te parece que são figuras geométricas a mais?

M., 12 anos

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A minha amiga Sofia

Esta situação da licenciatura do Ministro Miguel Relvas (ou deverei dizer, depois do comentário do Professor Marcelo, com direito a avanço de nomes alternativos, ex-ministro) que, necessariamente, envergonhará o próprio, os que lhe estão próximos, a Universidade que, de forma tão displicente, lhe atribuiu um diploma, e que constrange todos nós; faz-me pensar na minha amiga Sofia. Há já alguns anos, a Sofia, seguidora dos meandros da política que por cá se faz, dizia que ela seria das poucas pessoas capazes de concorrer a um cargo político com o curriculum limpo de falcatruas, de fuga a impostos, de cunhas, e outras coisas que são nódoas difíceis de tirar, mesmo que só os próprios as identifiquem. Como eu a conheço sei que ela tem razão.
Um homem da política que aproveita o facto da entrada em vigor, havia pouco tempo, de uma legislação que ainda poucos dominavam, para obter uma licenciatura já antes tentada, sem pensar que, no futuro, essa situação lhe poderia ser fatalmente prejudicial, não deveria nunca ter sido licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais. Se houvesse no curriculum do curso uma cadeira de "ingenuidade política", aí sim, poderia ter um 20. E os doutos professores da Universidade Lusófona que analisaram os seus pergaminhos deveriam ter também percebido isso. Se não foram capazes de ver para lá de contas de créditos e equivalências é porque eles próprios conhecem muito pouco sobre a teoria política e ainda menos sobre a realidade política o que os deixa, no mínimo, deslocados nos cargos que ocupavam. Claro que, nesta análise, não entro em linha de conta com outros factores que, menos claros, poderiam estar em jogo.
É por estas e por outras que quando penso em políticos em quem se pode confiar, me lembro da minha amiga Sofia. E talvez seja por ser como é, sem telhados de vidro, que ela não está na política.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pesquisas...

De vez em quando vou consultar as estatísticas aqui do blogue. Na "secção" "Pesquisar palavras-chave", que parece indicar as palavras que foram usadas para fazer a pesquisa que trouxe alguém até aqui, aparecem, por vezes, as coisas mais extraordinárias. Como não registei expressões anteriores que me fizeram sorrir, não as recordo. Mas ainda ontem tinha uma entrada vinda de uma pesquisa com a seguinte expressão chichi na boca porno. Não pude deixar de pensar a que post teria ido parar esta visita...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bruce para alguns

Estava para aqui sentada e via na televisão o Bruce Springsteen, no Rock in Rio. Não pude deixar de pensar em quantos operários, trabalhadores precários, desempregados e outros, de quem tanto fala nas suas canções,  estariam presentes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Além disso os EUA não são em África nem são o Brasil...

Hoje, logo pela manhã, mal liguei o computador, pensei que Passos Coelho me tivesse mandado um email. Era um convite para participar na lotaria oficial do green card dos Estados Unidos. Dizia "Viva e trabalhe nos EUA. 55,000 pessoas ganharão um green card para os EUA para a vida toda". "Inscrição fácil e assistência online a cada passo". Só depois percebi que era SPAM.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A dúvida e a dívida

Brecht terá dito que "de todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida".  Agora 44 cidadãos dizem-nos que de todas as coisas inseguras a mais insegura é a dívida. E sobre isso não têm dúvidas. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

O estádio de Babel

Ena!...
Já repararam que este sábado no Estádio da Luz vamos ter um jogo em que os dois treinadores são portugueses? Deve ser tão interessante ouvir as instruções que eles gritarão para dentro do campo! E qual será a língua utilizada?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A minha ironia

Depois de ver o post do jaa apeteceu-me falar da "minha ironia". É que hoje também foi um dia bastante produtivo. Fiquei a trabalhar em casa e o dia até rendeu bastante, mesmo descontando o tempo em que tive que interromper para fazer de mãe e "dona de casa" uma vez que as minhas filhas, como não tiveram escola por causa da greve, estavam comigo. 
Por contingências pessoais, esta funcionária pública que sou viu-se, este ano, a ganhar menos e a trabalhar mais por ter decidido mudar de local de trabalho abraçando um novo desafio, que só com muita força de vontade se leva a bom porto. E um relatório a entregar segunda-feira obriga-me a um esforço extra. Sabia, portanto, que não poderia perder um dia de trabalho nesta altura. 
Mas vamos lá à ironia: a primeira coisa que fiz de manhã foi telefonar para o sítio onde trabalho a avisar que faria greve para registarem a respectiva falta. Pois é. Já ouvi e li os argumentos que demonstram que não serve de nada, que prejudica mais o país que outra coisa. Compreendo e respeito os que não fizeram greve. Muitos assim decidiram porque o dinheiro lhes faz falta ou porque sabem que é um ponto negativo a mais que o patrão invocará em caso de contas de deve e haver. Foi com muitas dúvidas que decidi aderir, tal como o tinha feito há um ano atrás. Podem argumentar que assim não vale. Fazer greve e trabalhar não é verdadeiramente greve. As minhas filhas também não compreenderam. Na realidade não só não prejudiquei como beneficiei o Estado pois além do dinheiro que poupou, nem a água e a luz consumi.
Mas digo-vos: o dinheiro perdido é compensado por este sentimento de que, mesmo no meio das contradições e desconhecendo quais os números reais, estou no lado certo das estatísticas.

post publicado também aqui.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ver e fotografar

A minha máquina fotográfica está a ser reparada e por isso não tenho hipótese de ir tirando umas fotografias por aí. A fotografia digital tem destas coisas. Tiramos fotografias sem olhar a quantidades, sem ajustar qualidades, confiando que, em 10 ou em 20, alguma há-de escapar. Mas a ânsia de fotografar não se poderá sobrepor ao prazer da observação não mediada pela lente. A não ser em situações especiais, por exemplo, profissionalmente, este deverá vir em primeiro lugar e só depois dispararemos. 
Vem isto a propósito de ter visto hoje, novamente, naqueles autocarros de turismo que percorrem as ruas da cidade, alguns turistas que, com a preocupação de não conseguirem registar tudo, não largam as câmaras fotográficas ou as de filmar que, à altura dos olhos, não lhes permitem ver ao vivo, tudo o que verão mais tarde, no ecrã do computador.
Fazer o registo "para mais tarde recordar" é importante. Mas viver os locais também me parece indispensável.