Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Do comboio vejo menos Tejo

É já tarde neste sábado de princípio de Outono e a noite chega um pouco mais cedo. Os holofotes estão ligados e é a essa luz que dezenas de trabalhadores transportam materiais e máquinas, colocando-os no seu lugar e usando-as para que tudo o que ainda falta fazer fique concluído. E parece ser tanto! Para quem, como eu, passa por ali, é difícil acreditar que daqui a 4 dias estará tudo pronto. Mas, como em tantos e tantos outros casos, não duvido que sim. O novo museu ali ficará à disposição de quem o queira visitar. Dizem que a Fundação tem dinheiro para aquilo e muito mais. Dizem, o que para já me parece verdade, que é um belo edifício, projectado com inteligência pelo atelier londrino de Amanda Levete. Já frases como: "Restaurando a ligação histórica entre a cidade e a água, o edifício cria um destino para os lisboetas, bem como para os visitantes culturais e turistas, reabilitando para todos a zona ribeirinha" ou "O projeto irá renovar o acesso ao rio Tejo a partir da cidade e consolidar a regeneração urbana global do bairro"; que li aqui, me parecem largamente exageradas. 

terça-feira, 10 de março de 2015

As liberdades semânticas

                                Foto Aqui

Esta é uma fotografia do Hotel Porto Bay Liberdade, projecto do Arq. Frederico Valsassina. Em vários locais que referem a abertura deste hotel diz-se que foi preservada a fachada original do início do século XX ou, de forma mais abrangente, que preserva a fachada dos palacetes de Lisboa do início do século XX.
Ora, se é verdade que, relativamente a esta obra, tal como a outras, a liberdade de se gostar ou não é plena, a verdade é que dizer-se que se mantém a fachada original é o mesmo que dizer que a nossa receita de Bacalhau à Brás leva beterraba e inhame. É um facto que o bacalhau está lá. Mas chamar ao prato Bacalhau à Brás...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ainda o Cante

Desde há alguns dias a esta parte toda a gente parece adorar o cante alentejano. Eu, apesar do episódio contado no post anterior, nunca lhe atribuí, pensando em mim em particular, uma importância relevante. 
Já como traço do património cultural percebo que tem um valor que se enquadra bem nas definições que levam a UNESCO a atribuir estas classificações. As regras daquela organização são muito rígidas e a burocracia necessária para se chegar onde o Cante chegou agora parece não ter fim. Mas, sendo um dos principais objectivos desta classificação, torná-lo visível a todo o mundo e contribuir para sensibilizar os poderes para a necessidade de se tomarem medidas para assegurar a transmissão desta forma específica de cantar, percebe-se, de facto, a sua importância. Claro que a inclusão nesta lista é um princípio e não um fim. Implica trabalho constante e a participação de um conjunto alargado de intervenientes pois não basta apenas identificar e protegê-lo. É preciso valorizá-lo, transmiti-lo, devolver às comunidades que o integram nas suas vivências, algumas das vantagens que estas classificações podem trazer. Ninguém deixará de concordar que, no caso do Fado, por inúmeras razões, esse movimento está mais facilitado.
Eu não passei a adorar o cante alentejano. Mas ele merece que as manifestações de regozijo que agora se multiplicam se transformem em verdadeiro apoio.  

domingo, 30 de novembro de 2014

Numa noite fria, no Alentejo

Na sala do lado, a do restaurante, as vozes, só de homens, misturavam-se naquele burburinho normal das refeições em conjunto. De repente, silêncio. E então, de forma que me pareceu espontânea, eles começaram a cantar. Eu estava de saída do bar daquele hotel. Aquelas vozes, naquele lugar de paredes brancas, fizeram-me sentir arrepios e ficar. Permaneci à escuta. Não havia na sala mais ninguém para lá daqueles homens. Eles cantavam para si, uns para os outros, numa comunhão de emoções que partilhavam por puro prazer. Talvez pela situação inusitada senti aquele como um momento mágico e não mais o esqueci.

(Este episódio passou-se há poucos anos, num hotel em Portel.) 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Refeição especial

Vou com alguma frequência ao Café Império. Mesmo que a comida não seja nada de especial, o espaço compensa. Fechado durante algum tempo, temeu-se que não voltasse a reabrir com a anterior função o que teria sido lamentável. Felizmente tal não aconteceu.
Integrado no edifício do Cinema Império, um projecto de Cassiano Branco, podemos ver, no interior, numa parede revestida a cerâmica (de Jorge Barradas), uma composição de esculturas de Martins Correia. Na mesma sala e ocupando uma área considerável, uma pintura mural de Luís Dourdil. 
Durante muito tempo, sentia-me triste ao olhar para esta obra, de 1955, tal era o seu estado de degradação. Nas últimas vezes que lá estive, porém, pude apreciar muito melhor aquele magnífico trabalho, agora restaurado no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do pintor.
Não sei se os estudantes que enchem a sala ao almoço estarão conscientes da importância das obras em causa. Talvez não. Eu sinto-me uma privilegiada por poder tomar uma refeição na sua companhia. Passem lá e vejam. O café ganha muito. Lisboa também. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Terreiro do Paço é que é lindo.

Primeiro foi o Arco de Luz para comemorar a conclusão da reabilitação do Arco da Rua Augusta. Depois foi o Circo de Luz, que animou as fachadas no Natal passado.
Agora o motivo é a Primavera e, no dia 24, a Revolução dos Cravos. Os autores são os mesmos em todos os espectáculos.
Não é que não ache interessante este tipo de trabalhos. É certo que gostei do primeiro espectáculo, gostei menos do segundo e este não faço questão de ver. Na verdade penso que não é bom repetir uma ideia até ela se esgotar, como parece que pode ser o resultado deste afã em criar espectáculos multimédia para projectar nos edifícios do Terreiro do Paço. Ele vive bem sem eles. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Do fundeadouro romano aos nossos dias não foi assim tanto tempo...

A maior parte desta notícia relativa à inauguração do parque de estacionamento subterrâneo na Praça D. Luís I, em Lisboa, dá conta da intervenção arqueológica e dos importantes vestígios que foram encontrados durante a sua construção. Felizmente, neste caso (tal não aconteceu noutros), foi possível retirar grande parte dos achados, estudá-los e até tornar visíveis alguns deles para quem venha a utilizar o espaço. É este o principal destaque da notícia.
Não deixa de ser significativo, no entanto, que o responsável da empresa que irá ter a seu cargo a gestão do parque, fale em "algumas vicissitudes, decorrentes dos achados arqueológicos"; e que Manuel Salgado, Vereador da Câmara Municipal, tenha identificado os trabalhos arqueológicos como uma das "dificuldades desta obra".
É claro que se não tivesse havido essa intervenção por parte dos arqueólogos talvez determinadas fases da obra tivessem avançado com mais rapidez. Mas não faz qualquer sentido continuar a estabelecer uma ligação entre os atrasos nas obras e os problemas que essa situação acarreta para as populações; e o trabalho necessário e fundamental para o conhecimento do património que, mesmo não estando à superfície, é de todos nós. Mesmo que a lei não obrigasse a tal (e obriga) esse trabalho deveria ser considerado como uma verdadeira oportunidade e não como uma adversidade.   
Por isso me parece que as entidades que têm responsabilidades na transformação da cidade têm também obrigação de, até na linguagem utilizada, não parecerem que estão a ser apenas condescendentes perante uma situação que, se pudessem, evitariam.
A defesa do património não pode ser algo a que muitos se referem como um chavão teórico que depois, na prática, é identificada como um obstáculo. 
Certamente, neste caso concreto, até a Empark ganhará pois, depois de ler a notícia, há-de haver quem irá deixar o carro neste parque só para ver expostos os materiais que a arqueologia permitiu trazer até nós. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Engano?

Pode ter sido um engano. Mas colocar uma notícia destas no separador de "entretenimento" nas notícias do google parece-me revelador da importância que se concede ao Património Cultural.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 25 de setembro de 2011

Um programa para este dia

As iniciativas são mais que muitas. O património, de forma geral tão maltratado, está em destaque este fim de semana. Vá... ainda têm este domingo. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Coliseu atirado aos leões

Há uns meses atrás quando ouvi a notícia relativa ao restauro do Coliseu de Roma, financiado por uma empresa que detém a marca de sapatos Tod's, não se falava em qualquer contrapartida a não ser a publicidade à empresa que nem sequer a faria directamente no monumento. Apesar de ter sentido alguma estranheza fui ingénua o suficiente para achar que as coisas eram mesmo assim.
Agora as notícias são um pouco diferentes. Não me parece propriamente uma privatização mas o acordo celebrado entre a empresa e o governo de Berlusconi dá demasiado poder a um privado sobre um bem que não é só de Itália mas do mundo inteiro.

Lembrei-me logo da canção do "meu" Vinicio, "Al Colosseo", aqui acompanhada de imagens do local:



sábado, 2 de abril de 2011

Crónica de uma ruína anunciada

O nome de Aristides Sousa Mendes desperta sempre em nós algum orgulho. Após uma carreira diplomática bastante rica, foi colocado em Bordéus, como cônsul, por Salazar. O seu papel, contra as ordens do Presidente do Conselho, na concessão de vistos a refugiados, nomeadamente a judeus, permitiu que muitas vidas fossem salvas de uma morte certa. Salazar não lhe perdoou a desobediência e puniu o seu comportamento. Não foram , por isso, fáceis os seus últimos anos de vida.
Ao longo dos últimos tempos várias homenagens lhe têm sido prestadas. Mas uma coisa ainda não se conseguiu, apesar dos esforços da Fundação que tem o seu nome: criar um museu na sua antiga casa, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal.
A 3 de Março deste ano esta casa, onde A. Sousa Mendes viveu, foi considerada pelo governo, como apresentando um "excepcional interesse nacional", tendo sido, por isso, classificada como Monumento Nacional.
Quis o acaso que, três dias depois, eu passasse em Cabanas de Viriato e, apesar da dificuldade em fotografar a casa sem apanhar os carros alegóricos (era domingo de Carnaval e a tradição é forte, naquela terra, por essa altura), lá consegui algumas imagens:






A história tem sido longa e os episódios sucedem-se, como se pode ler, à laia de exemplo, aqui e aqui. A dimensão do edifício e as verbas necessárias para a sua recuperação dificultam a resolução do problema.
O título do post não pretende ser derrotista. Mas a verdade é que, caso nada for feito a muito curto prazo, é mais um monumento nacional a ser lembrado em memórias e fotografias e não como um testemunho vivo de alguém que se cruzou, de uma forma humanamente tão correcta, com milhares de vidas e de uma época da nossa História que, mesmo que, por vezes, se prefira esquecer, convém ser, para sempre, lembrada.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Este dólmen é nosso

Fornos de Algodres é um pequeno concelho na Beira Interior que apresenta os problemas comuns aos concelhos situados naquela região. É numa das suas freguesias que se encontra o Dólmen de Cortiçô, cuja construção (de acordo com o que consta na Wikipédia) remontará a 2900 - 2640 a.C.. O esforço feito, pelas entidades locais, para tornar perceptível a todos as características originais deste monumento só se pode elogiar.
Recentemente, porém, alguém cometeu um atentado descrito aqui.
A Lei  n.º 107/2001, de 8 de Setembro, estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural sendo o capítulo 2 dedicado ao Património Arqueológico. Nela se prevê que "aos crimes praticados contra bens culturais aplicam-se as disposições previstas no Código Penal" (Artigo 100.º), e ainda, no Artigo 103.º, "quem, por inobservância de disposições legais ou regulamentares ou providências limitativas decretadas em conformidade com a presente lei, destruir vestígios, bens ou outros indícios arqueológicos é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa até 360 dias".
Pode parecer pouco quando vemos, nas fotografias, o estado em que ficou o monumento. A ignorância acerca do seu valor patrimonial, por parte de quem assim o deixou, é provável. Mas sem dúvida que deveria ser levada a cabo uma investigação profunda para se tentar chegar aos autores de tal acto que nos deve tocar a todos, donos que somos daquele bocado do nosso passado e, portanto, de nós próprios. 

domingo, 7 de novembro de 2010

Património. Mais de 100 anos.

Actualmente quando pensamos em património pensamos em tudo, ou quase tudo. Todas as realizações do ser humano, sejam elas materiais ou imateriais, são passíveis de serem entendidas como património. De facto, desde que socialmente seja relevante, qualquer peça de uma qualquer engrenagem, qualquer canção que se cante na hora de deitar, qualquer par de sapatos, podem entrar na mesma designação que utilizamos para falar de um monumento que chegou até nós, dando-nos a conhecer determinadas técnicas de construção ou perspectivas arquitectónicas. É, entre outras coisas, por isto que a gestão do património, sobretudo aquele que se refere a um tempo passado, é um assunto tão delicado e que envolve, necessariamente, verbas significativas. O armazenamento das obras, a sua conservação são preocupações quer de particulares, quer do Estado. Este, pela natureza do património que tem à sua guarda, nomeadamente o construído, não tem uma tarefa nada fácil. E a forma como a gestão é levada a cabo varia de época para época, de orientação política, para orientação política. No que toca, por exemplo, à conservação de edifícios os orçamentos disponíveis são sempre fundamentais. Mas as opções tomadas têm sobretudo a ver com diferentes perspectivas de intervenção que nunca deixam de ter forte impacto na forma como esses edifícios nos aparecem. A opção por uns em detrimento de outros, a intervenção mais minimalista ou mais intrusiva, a escolha dos arquitectos, nunca são indiferentes para o resultado final.
Tudo isto vem a propósito da exposição "100 anos de património, memória e identidade" que visitei há umas semanas no Palácio Nacional da Ajuda. Nela podemos dar-nos conta da forma como o poder público lidou com estas questões desde as primeiras preocupações no séc. XIX, passando pelas visões da 1.ª República, pela febre de restaurar, restaurar do Estado Novo, pelas novas perspectivas introduzidas pela "Carta de Veneza" até à forma como actualmente é entendido o património. E a verdade é que também a forma como o poder político olha o património de todos nós diz bastante sobre as suas  formas globais de olhar o mundo. É isso que os documentos, nomeadamente as fotografias presentes na exposição, nos permitem perceber. O interesse da exposição ultrapassa, por isso, o conhecimento da evolução das perspectivas de intervenção ao longo dos últimos 100 anos. É que se o património a que atribuímos significado e a forma como o vivemos está ligado ao que nós somos esta exposição é um espelho onde nos podemos observar e sobretudo pensar naquilo que esse património significa hoje e no papel de todos nós na sua salvaguarda.