domingo, 11 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Receita para aplacar um certo mau humor pré-adolescente

Esta exposição:


Garanto que o prazer que proporcionou transformou uma “secante” tarde de férias em efectivo “tempo de qualidade”, como agora se diz.

Podemos ver aqui estes irmãos writers de S. Paulo, Brasil:


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tudo pessoal

A minha primeira reacção ao filme não foi das melhores. À medida, porém, que o tempo vai passando vou tornando-o mais pessoal, mais próximo. Porque me revejo no que escreveu, sobre ele, o autor deste texto remeto-vos para a sua leitura.

Aqui fica também o "teaser":

Desatenção

Foi o que me fez perder este concerto hoje.

Será que esta música passou por lá?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Onde estamos?

40 anos a fotografar é muito tempo. E no entanto Alfredo Cunha lembra-nos que "Estamos no Mesmo Sítio". A não perder.

Uma das razões/poemas porque gosto de Filipa Leal

Nos dias tristes não se fala de aves

Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.

Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.

Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.

in Filipa Leal, A Cidade Líquida e outras texturas, Deriva Editores, Porto, 2006, p. 27

À beira da lagoa


Lagoa de Albufeira, Março 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Quando os números são pessoas

Sempre gostei muito de Demografia. Na faculdade não era difícil tirar boas notas. Os exercícios que nos eram propostos eram sempre bastante interessantes e as interpretações do que nos diziam os números sobre a dinâmica da população apelava sempre a um conhecimento da realidade que englobava várias perspectivas e temáticas. Hoje a Demografia continua a interessar-me. Foi por isso que ao encontrar este livro, ainda por cima por um preço bastante acessível, não hesitei. Escrito pela minha antiga professora e pelo jornalista e também professor, Paulo Chitas "propor uma leitura de Portugal para as últimas cinco décadas, através de tendências que deixaram marcas nos factos (isto é, em dados estatísticos), foi o objectivo deste texto.", lê-se na Nota Introdutória. "A Pordata - base de dados de Portugal Contemporâneo - serviu de ponto de partida a este ensaio... A ideia deste texto não foi, obviamente, a de reproduzir o conteúdo desses vastíssimos quadros, mas sim descortinar tendências globais da sociedade portuguesa e sobre elas propor uma leitura." Do que li até agora parece-me bem conseguido.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

54 anos de portas abertas

A folha de papel colada por cima da porta da entrada lembra-nos que a casa foi fundada em Fevereiro de 1956. O toldo, que sempre vi recolhido, está crestado pelo sol. As folhas de revistas, coladas nas vidraças têm já uma cor uniforme dada por anos e anos de permanência no mesmo lugar. Até há pouco tempo, a montra, parada no tempo, exibia roupas que pareciam estar lá desde o dia da inauguração. Quando por lá passava o empregado ao balcão tinha já a atitude de quem não espera sequer um cliente que, provavelmente, não chegou a entrar. E eu, que também nunca entrei na loja, agora que encerrou, sinto-lhe a falta.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para ouvir sentado e de chapéu…



Destes senhores

Explicações dos deuses

O Amor e a Loucura

Brincavam uma tarde, alegremente,
Loucura e Amor, quando êste se zangou.
Um dito puxou outro mais ardente,
E Amor levou um murro que o cegou...

Vénus, que amava o filho loucamente,
Cega, tambêm, de muita dor ficou.
Foi ter com Júpiter, o deus potente,
E parte carregada apresentou.

Sensível ao queixume maternal,
Júpiter reùniu o tribunal.
Tal crime impunha o máximo rigor.

E confirmado, pôsto bem a limpo,
Sentenciou o código do Olimpo
Que a Loucura guiasse o cego Amor...

                                                    Matias Lima

in La Fontaine Fábulas (escolhidas) edição organizada por Matias Lima, Livraria Chardron de Lello & Irmão, Porto, p. 153

domingo, 27 de junho de 2010

Apoio à Selecção?

I Gotta Felling? De acordo com o dicionário que consultei "felling" significa derrube de árvores, matança. Não me parece que seja uma mensagem de apoio muito animadora.

sábado, 26 de junho de 2010

Olhar os olhos dos outros

Intenso filme este. Não só porque, através da vivência das personagens, podemos acompanhar os dias imperfeitos da Argentina, naquela altura, década de 70 do século passado; mas porque o protagonista, habituado que está, até por razões profissionais, a observar e a ver para lá do que é aparente, mantém essa capacidade, mesmo que tenham passado 25 anos sobre acontecimentos que o marcaram, quer profissionalmente, quer na sua vida pessoal.

E é exactamente nessa vontade de ver que reside a questão. Os nossos olhos podem dizer muita coisa e conter alguns segredos. Mas é fundamental que os outros saibam e queiram ver. Benjamin Esposito não desiste de o fazer. E nós que ali estamos temos a obrigação de estar atentos e aprender que, mesmo que os anos passem, não devemos nunca deixar de olhar os olhos dos outros.

Aliás o filme só termina quando, na última cena, a porta se fecha, não nos deixando acompanhar aquilo que adivinhamos sem precisar, nesse caso, ver.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Chico Buarque

A mais bonita (1989)

Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar

Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei

in Wagner Homem, Histórias de Canções Chico Buarque, Lisboa, Publicações D. Quixote, 2009, p. 258

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Paisagem entaipada

Nas auto-estradas não se viaja. Percorrem-se distâncias. Para ir de um sítio para outro em menos tempo não há melhor. Mas parte do prazer de conduzir está vedada aos automobilistas que se vêem confrontados com a monotonia da estrada. Quanto à paisagem deixámos quase de a poder apreciar. É um facto que as habitações que se localizam perto dessas vias devem ser protegidas do ruído forte. Mas parece-me que existe actualmente uma febre que se traduz na colocação de taipais em extensões enormes de auto-estradas e vias rápidas, que limitam a nossa visão à sucessão interminável dos postes que os seguram, pois são estes os elementos que mais se destacam. Mesmo aqueles de acrílico transparente servem apenas para distorcer o que nos parece ser um monte, um pomar, uma barragem.

Em certos locais não conseguimos perceber se existem habitações, se campos agrícolas, se outras estradas. Em determinados troços é como entrar num túnel mas aberto em cima. Ao limite podemos passar de uma paisagem com determinadas características para outra, com características opostas, sem nos apercebermos das alterações.

É certo que nem sempre a paisagem merece ser apreciada. Mas, se não a observarmos, como saberemos? É caso para dizer: já que pagamos portagens queremos as paisagens!

As paisagens que vemos




Lagoa de Albufeira, Março 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Chegou a grande sombra

“…. Mas a imagem que não me larga nesta hora de melancolia é a do velho que avança sob a chuva, obstinado, silencioso, como quem cumpre um destino que nada poderá modificar. A não ser a morte. Este velho, que quase toco com a mão, não sabe como irá morrer. Ainda não sabe que poucos dias antes do seu último dia terá o pressentimento de que o fim chegou, e irá, de árvore em árvore do seu quintal, abraçar os troncos, despedir-se deles, das sombras amigas, dos frutos que não voltará a comer. Porque terá chegado a grande sombra, enquanto a memória não o ressuscitar no caminho alagado ou sob o côncavo do céu e a eterna interrogação dos astros. Que palavra dirá então?”

in José Saramago, As pequenas memórias, Lisboa, Caminho, 2006, p. 130

Sempre a tempo

terça-feira, 15 de junho de 2010

"Je Suis Comme Je Suis"

Vento

Li algures que hoje, 15 de Junho, é dia mundial do vento. Deve ser para comemorar a data que ele está a soprar desta forma. Ouço-o lá fora e ainda há pouco o senti. Não deve querer que o esqueçam. Assim certamente vai conseguir.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Excepcionais

E não podia faltar hoje (era para ser ainda ontem) uma referência a um homem único, Fernando Pessoa, que sabia que todos nós o éramos.

"Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe."

Citação in Paulo Neves da Silva (org.), Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa, Lisboa, Casa das Letras, 2009, pág.56

domingo, 13 de junho de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Valter Hugo Mãe

3
não faço qualquer ruído ao ler estas
palavras. busco o silêncio agora, enquanto
o espectro da morte ilumina o meu caminho
e não tenho para fazer algo que lhe
seja mais parecido. colaboro. já o sol
se esgota na minha cabeça e os
dias não são mais que a intermitência
com que abro e fecho os olhos.

in valter hugo mãe, Estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Porto, Campo das letras, 2000, p. 43

sábado, 12 de junho de 2010

"E agora, que já lá estamos... vamos ter tudo aquilo que desejamos"

Em 12 de Junho de 1985 Portugal assinou o tratado que lhe permitiu entrar na então Comunidade Económica Europeia. Faço parte de uma geração que passou já toda a vida adulta com um pé mergulhado em iniciativas enquadradas nos vários quadros comunitários de apoio, primeiro como formanda, depois já no âmbito das minhas actividades profissionais. Sei que Portugal beneficiou muito com esta adesão. Só é pena que nós não tenhamos aproveitado as oportunidades para transformar esses apoios em verdadeiro desenvolvimento.

Mas a verdade é que mesmo no meio de uma crise continuamos a querer estar unidos nesta União cada vez maior mas cada vez mais desunida.

Apesar da CEE já ter ficado lá para trás, relembro aqui os GNR, ainda com a voz de Alexandre Soares e antes de fazerem concertos com a GNR (tantas vezes que eu ouvi este 45 rotações).


Só um facto:

Uma das minhas filhas está a terminar agora o 4.º ano de escolaridade. Esta sexta-feira, pela primeira vez este ano lectivo, levou, para a escola, por solicitação da professora, o seu computador Magalhães.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Renque de árvores


Quinta da Apostiça, Sesimbra, Março 2010

Seriedade

O edifício, imponente, fazia adivinhar, no seu interior, a importância de um trabalho desenvolvido com seriedade. Nas escadas de acesso passavam aqueles que pretendiam tratar de assuntos, para si, fundamentais. Nesse dia, sentadas nessas escadas, duas raparigas, com as suas mochilas e casacos espalhados pelo chão, e também com seriedade nos rostos, jogavam às cartas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Impressionismo campestre


Alentejo, Maio 2010

O cão e o seu dono

O homem dava passadas largas. Durante o tempo de cada uma delas o cãozito saltitava três ou quatro vezes ao seu lado. Não havia qualquer trela a segurá-lo, apesar do local público o recomendar. O homem estava orgulhoso do seu cão. Este, enquanto subiam a rampa, parecia sentir também o mesmo orgulho e não largou nunca o atacador do sapato do dono.

domingo, 6 de junho de 2010

E a propósito de liberdade...

um poema de um amigo de Vinicio Capossela dito num dos seus concertos ao vivo e que consegui encontrar aqui:

Ognuno ha le sue prigioni , mentali, fisiche ...
Ognuno ci convive...
Ma quando le pareti cominciano a restringersi, le facce diventano anonime...
Quando lo specchio comincia a darti del tu
quando i marciapiedi ti provocano vertigini e la strada sembra il tuo tappeto rosso
metti insieme il tuo bagaglio.
Riempilo di ricordi, speranze, parole, storie vissute e storie da vivere
riempilo di emozioni, musiche, liti, illusioni d’epoca, domande e risposte.
Trovati un amico e comincia la condivisione , l’esplorazione.
Vai a caso, lascia le tue lacrime sul cuscino, incontrati con la vita, scontrati con il dolore ruba l’amore.
Non avere una meta ma cento, prova a ritornare perché il ritorno da senso al viaggio.
Pensa a Polifemo e alla sua solitudine e rispetta la solitudine altrui.
Gira intorno al mondo non girare con lui.
Affrancati da te stesso e dall’attesa.
Per amare la vita bisogna tradire le aspettative.
Guardati intorno e guardati da chi si professa libero.
Il sapore della libertà è la paura.
Solo chi ha paura della libertà ha il coraggio di inseguirla.

(Vincenzo Costantino Chinaski - Le cento città)

Qual a quantidade de liberdade que precisamos?

sábado, 5 de junho de 2010

Barreiras à circulação de peões

Quem é peão convicto como eu (no sentido em que só utilizo o automóvel quando ele é realmente necessário) sabe da dificuldade em circular a pé pela cidade. Os carros mal estacionados, frequentemente em cima de passeios ou a dificultar a visibilidade em passadeiras, os inúmeros elementos de sinalização vertical e suportes de informação que obrigam a uma atenção constante, os buracos que forçam o nosso olhar na direcção do chão, o que permite, simultaneamente, evitar os dejectos caninos e outros, sempre à espera que alguém os pise; e outras dificuldades tornam esta actividade uma verdadeira aventura.

E já nem falo de todos os que, por motivos vários, têm dificuldades acrescidas (os que se deslocam em cadeiras de rodas ou com carrinhos de bebé, os que têm visão ou audição limitadas), enfim, aqueles sobre os quais se convencionou dizer que têm mobilidade reduzida. Lembro sempre as vezes que acompanho, na rua, uma colega praticamente cega. É nessas alturas que esses problemas mais se colocam.

Todos estes problemas são causados pela falta de civismo de muitos cidadãos e automobilistas em particular e ainda pelos serviços responsáveis pela organização do trânsito na cidade, normalmente as câmaras municipais. Estas têm feito um esforço, nomeadamente disciplinando o estacionamento (embora nem sempre da melhor maneira) ou aumentando o número de espaços interditos a automóveis, tornando pedonais algumas ruas.

De vez em quando surge, no entanto, um exemplo contra corrente. O caso da Praça Duque da Terceira (Cais do Sodré) é um deles. Recentemente, à volta dessa praça, em todos os passeios, foram colocados uns pilaretes unidos entre si, à altura da cintura de um adulto médio. Estes elementos obrigam qualquer pessoa que necessite aceder à paragem de autocarros, que se encontra no centro, a circular toda a praça uma vez que os atravessamentos nas passadeiras que existiam foram abolidos. Ora quem chega à Praça, vindo do comboio, e quer ir apanhar algum dos autocarros a essa paragem tem duas opções: ou, como tenho visto, passa por cima da tal “vedação” e atravessa na mesma a praça, fintando os automóveis; ou circunda toda a praça, o que demora bastante tempo e nos obriga a passar não sei quantas passadeiras sem semáforos, obrigando-nos a ficar a olhar o autocarro que nos dava tanto jeito apanhar que, nesse preciso momento, arranca, indiferente ao nosso esforço de cumprir as novas disposições do trânsito. Mas então não era suposto ser facilitado o uso dos transportes públicos?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Detesto este meu medo de andar de avião

Uma das razões/poemas porque gosto de Margarida Vale de Gato

Mulher ao Mar

MAYDAY lanço, porque a guerra dura
e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
suga a fissura, uma falta - não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.

in Margarida Vale de Gato, Mulher ao Mar, Lisboa, Mariposa Azual, 2010, p. 8

Boas surpresas

De vez em quando tenho surpresas:

- como esta, que descobri por acaso. É bom saber que a Nave dos Dias também navega por aqui (obrigada a Alfredo Maia).

- e esta. Eu gosto que goste, Pedro.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Partilhar a imperfeição

A pouca importância que concedo às efemérides e aos dias festivos levaram-me a deixar passar, sem uma referência, a data de 29 de Maio. Foi neste dia que, há um ano atrás, decidi arriscar algumas interrupções na vida de todos os dias e começar a partilhar estes dias imperfeitos. Pensava, à partida, que pouco iria ter para dizer eu que, normalmente, digo tão pouco. Afinal já lá vão 555 posts e alguma vontade de ter publicado outros que, por falta de tempo, ficaram por escrever. Os meus dias tornaram-se mais longos (com o tempo de sono encurtado quase até ao limite) e algumas outras actividades ficaram reduzidas a mínimos o que, por vezes, lamento. Já houve dias em que pensei que nada disto faz sentido. Mas o gozo que me tem proporcionado este meio, os blogues que fui descobrindo e que aprendi a gostar de ler, os leitores que vou conhecendo e os amigos que entretanto criei, têm sido compensações mais que bastantes deste esforço. Sim, os dias são imperfeitos e nós mais imperfeitos ainda. Mas da partilha dessa imperfeição não vem certamente mal nenhum ao mundo…

Filho de peixe...

Para desenjoar:

As várias cidades numa cidade

E lá fui eu à minha estreia no Rock in Rio “in Lisboa”. A cidade do rock revelou-se a cidade da publicidade. Não que existam muitos eventos em que a publicidade não esteja presente mas, neste caso, ela impõe-se e invade-nos, quer através dos filmes que passam nos ecrãs, quer através das actividades barulhentas das tendas, quer através dos desfiles de pessoas com roupas e adereços das marcas, quer através dos brindes que muitos exibem orgulhosamente como que a dizer: “estão a ver, eu consegui!”. Enfim, deve ser mesmo assim.

Quanto ao resto… eu já ia de pé atrás e as minhas expectativas confirmaram-se. Calor, poucas sombras para um parque tão grande, muita gente, muitas, muitas crianças, comida e bebidas vendidas a preços exageradamente altos, como é costume nestes casos…

E a música: não saí da zona do palco mundo (com alguns passeios à mistura, claro) e por isso vi os portugueses D’Zrt, Amy Mac Donald, McFly, e por fim, Miley Cyrus. Destes, os McFly ainda tiveram algum interesse. Quanto aos outros… As crianças, no geral, portaram-se muito bem, fizeram uma festa e aguentaram firmes até à Miley. O mesmo não se pode dizer dos cartazes que as minhas filhas prepararam para o efeito. As folhas de cartolina A2 em que manifestavam o seu apoio já não estavam em boas condições, depois de várias horas a serem mudadas de um lado para o outro. A rapariga, que pretende afastar-se da sua imagem de Hannah Montana, parece querer fazê-lo a todo o custo e nada melhor do que mostrar que já não é propriamente uma adolescente indefesa. Quanto à voz e às canções… quem sabe… talvez daqui a alguns anos.

Não deixa de ser, no entanto, bastante interessante, como as crianças, seus maiores fãs, aceitaram esta ideia de abandono da personagem de que tanto gostam, a favor de uma cantora e actriz por enquanto bastante medíocre.

Uma nota muito positiva para o apoio ao nível da saúde (o hospital de prevenção no local distribuía anti-histamínicos em força) e para a segurança (privada e polícias), quer à entrada, quer durante o espectáculo, quer à saída, que conseguiu “organizar” aquelas 88 mil pessoas, segundo ouvi dizer. E a propósito de 88 000, não posso deixar de pensar que a 58 euros cada bilhete… sinto-me até um pouco envergonhada quando penso nos motivos que levaram tantos às ruas de Lisboa também ontem.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Façam o favor de ver este filme


Não apenas porque, na primeira parte, os exteriores cinzentos, frios e brancos, onde predomina a neve, contrastam com o interior do palacete onde impera a madeira e o calor, apresentando-nos, da mesma forma, a personagem principal que transporta em si esse mesmo contraste.

Não apenas porque nos apercebemos do exacto momento em que a paixão toma conta de si, levando aquela mulher a arriscar a sua vida.

Não apenas porque percebemos que é no campo, num lugar elevado, num regresso ao que é natural, ao que está mais vivo, que o erotismo e a sensualidade mais se sentem.

Não apenas porque, no meio de uma banda sonora esplêndida, o silêncio toma conta do filme e de nós quando a dor se sobrepõe a tudo o resto.

Não apenas porque a personagem principal, uma Tilda Swinton magnífica, se despe da beleza quando a tragédia assim o exige, como na parte final do filme.

Não apenas por estas razões, mas por mais algumas: vejam, vejam, vejam.

Encontrámos o gato da Alice

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A procissão e as almôndegas

Imagem retirada daqui


Hoje foi o dia em que a(o) IKEA abriu mais uma loja em Portugal. Dado tratar-se de uma loja de grandes dimensões suponho que os benefícios económicos serão importantes. Já a forma como promove esta abertura tem um quê de comédia. Com o objectivo de ganhar 100 euros em compras, várias pessoas vão dormir para a porta, na esperança de serem dos primeiros. Desta vez em Loures houve quem passasse duas noites no local tendo para isso que faltar ao emprego, como ouvi na rádio.  

Pessoalmente não compreendo o entusiasmo com este grupo sueco. A crónica que Ricardo Araújo Pereira escreveu há algum tempo reflecte o que eu e muitos pensam sobre ele. A verdade é que eu já fui algumas vezes à loja de Alfragide para comprar coisas específicas e saí de lá sem elas. Aquela ideia de ter que percorrer toda a loja para encontrar os talheres que afinal estavam mesmo junto à entrada mas que, naquela noção de circularidade, me obrigou a percorrer a área dos sofás, dos quartos de criança, dos roupeiros, dos tapetes e outras; tendo que adoptar um ritmo lento, atrás de pessoas que, ou porque querem mesmo ir devagar para ver todos os artigos, ou porque, tal como eu, não têm alternativa, deixou-me sem vontade nenhuma de escolher os tais talheres.

E confesso: houve um outro dia que, por estar perto da hora de jantar resolvi experimentar o self-service. E aí as almôndegas são rainhas. Por 4,50€ compram-se 10 e por 6,50€, 20. Sim leram bem, 20 almôndegas. É certo que são pequenas mas 20 almôndegas? E a consistência das ditas? No mínimo estranha, mas também, por aquele preço, só mesmo carne de algum animal sueco criado (montado) para o efeito pela Ikea. E o espaço? O espaço é péssimo, tipo linha de montagem, com tudo em metal. Naquele dia várias famílias tinham escolhido aquele como o local para fazerem a refeição pelo que muita gente fazia uma grande fila e nas mesas, a par das bolinhas de carne, também havia cachorros (que se compram a 50 cêntimos) e que as crianças pareciam preferir. A limpeza também não era a melhor e com tantas embalagens e garrafas espalhadas apeteceu-me deixar ali mesmo o tabuleiro e ir a correr à Moviflor comer um croquete.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Não podia aqui faltar...

o vídeo do tema "Novelos da Paixão" dos Mão Morta, do disco "Pesadelo em Peluche", uma aquisição recente e que muito tenho ouvido.

Há tantos galos por aí...

Os dois galos

Dois galos se meteram em peleja
A fim de se saber qual dêles seja
O capataz de um bando de galinhas:
Unhadas e picadas tam daninhas
Levou um, que se deu por convencido,
E andava envergonhado e escondido.

O vencedor se encheu de tanta glória,
Que para fazer pública a vitória,
Pôs-de de alto, voou sôbre umas casas;
Ali cantava, ali batia as asas.

Andando nestas danças e cantares,
Veio uma águia, levou-o pelos ares;
E saíndo o que estava envergonhado,
Gozou do seu ofício descansado.

Quem contemplasse bem quão pouco dura
Neste mundo qualquer prosperidade,
Livre estava de inchar por vaidade
Com um leve sucesso de ventura.
     O que tem a alegria por segura,
É doente, e o seu mal fatuidade;
Que ela passa com muita brevidade,
E vem logo a tristeza, e muito atura.
     De mudanças o mundo está tam cheio,
Que hoje rio, àmanhã estou sentindo
Uma grande desgraça que me veio:
     Delira quem dos tristes anda rindo;
Que é absurdo gostar do mal alheio,
Quando o próprio a instantes está vindo.

                                                     Couto Guerreiro

in La Fontaine Fábulas (escolhidas) edição organizada por Matias Lima, Livraria Chardron de Lello & Irmão, Porto, p. 55

sábado, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Imagens dos números do desemprego

Pela manhã, quando o comboio chega ao Cais do Sodré, a plataforma, de onde sairá o próximo, na direcção de Cascais, encontra-se cheia. Cheia de gente que transporta mochilas, sacos, chapéus-de-sol, geleiras. A algazarra é grande. Pelo meio alguns rostos mais fechados que não partilham da aparente alegria e que olham quem chega e vai a caminho do trabalho com alguma nostalgia.

Para descansar ou ler à sombra

Apesar de me parecerem uma cópia e não os originais, estamos quase a poder voltar a sentarmo-nos neles!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nous sommes en pièces sur l'Europe

Uma ajudinha a Santo António

Combater a rotina do casamento que aí vem. Foi esse, segundo li nos jornais, o principal objectivo da realização de um "workshop de sedução" oferecido às noivas seleccionadas para participarem na edição deste ano dos casamentos de Santo António. De entre as várias ideias apresentadas às felizes contempladas, dois exemplos: "envie-lhe uma caixa vazia para o trabalho e diga que é isso que terá vestido por baixo da roupa, ou seja, nada"; "se ele não se dedicar às tarefas domésticas, de manhã encoste-o à parede, desabotoe um botão da camisa, mostre o decote e diga-lhe que se estender a roupa terá uma surpresa agradável à noite".

Santo António certamente aprovaria esta inovação. Afinal tudo se faz em nome da tentativa de manter a chama acesa.

Registe-se que, de acordo com os organizadores, os noivos já não precisam aprender nada nesta matéria.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Contra a dramática situação do país: promulgar, promulgar

Foi há apenas 20 anos que a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais pelo que é neste dia, 17 de Maio, que se celebra o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia. Não podemos esquecer no entanto que, se em Portugal já podemos manifestar-nos e dizer «Seja homem ou mulher, eu amo quem quiser», há dezenas de países onde se pode ser julgado e punido por se ser homossexual, bissexual ou transgénero e em sete países a pena aplicada é a capital.

Foi este o dia escolhido pelo Presidente da República para anunciar que decidiu promulgar o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A definição de casamento no Código Civil passará a ser: “o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida”. Fica ainda de fora a questão da adopção que o partido do governo que apresentou a proposta de lei não quis ver agora debatida.

E o que disse Cavaco Silva no seu discurso ao país? Que a promulgação desta lei vem reforçar a igualdade entre todos os cidadãos, permitindo a todos os que vivem uma relação com pessoas do mesmo sexo optar pelo casamento, eliminando assim discriminações que a própria lei acrescentava às discriminações que continuam a verificar-se quotidianamente, praticadas por quem não admite que as opções sexuais de cada um devem ser vividas com liberdade?

Não. Cavaco Silva fê-lo “tendo em conta o superior interesse nacional, face à dramática situação do país” e para não “arrastar” a questão ao devolver o diploma à A.R. É um facto que, caso essa devolução acontecesse, seria necessário perder mais tempo a fazer algo cujo resultado já se conheceria à partida. Mas ligar uma coisa à outra, convenhamos, é muito, muito forçado. Está visto que qualquer casal homossexual que se decidir, desde já, pelo casamento terá que agradecer à crise económica o facto de poder fazer essa opção.

domingo, 16 de maio de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Francisco José Viegas

Se me comovesse o amor

Se me comovesse o amor como me comove
a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo
as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro
em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia

caminhar por entre veredas, caminhos perto do rio.
Se me comovessem os teus passos entre os outros,
os que se perdem nas ruas, os que abandonam
a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer

o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém
comove. Vejo-te regressar do deserto, atravessar
os templos, iluminar as varandas, chegar tarde.

Por isso não me procures, não me encontres,
não me deixes, não me conheças. Dá-me apenas
o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe.

in Francisco José Viegas, Se me Comovesse o Amor, V. N. Famalicão, Edições Quasi, 2008, p. 35

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cá como lá

O último número da revista "Sociologia Ciência e Vida", publicada no Brasil, debruça-se muito particularmente sobre o fenómeno da corrupção. Uma das linhas de análise refere-se à forma como a sociedade brasileira lida com essa prática. E parece que, por a corrupção estar presente no quotidiano dos brasileiros, mesmo na esfera privada, muitos já perderam a capacidade de se indignar com as práticas públicas. Isto não acontece só no Brasil, pois não?

Monte de lixo, sim... mas alindado

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Que bem se canta na Sé…

uns sentados, outros de pé.

Foi a expressão que me veio à memória ao assistir, esta tarde, à chegada de muitas pessoas que queriam estar presentes na missa que o papa daria no Terreiro do Paço. Era uma lição para as crianças que estão a falar na escola dos três grupos: clero, nobreza e povo. Na realidade, enquanto muitos se dirigiam para a praça com as suas vestes religiosas muitos mais tentavam encontrar um lugar de onde pudessem ver o papa e esperar até essa altura com algum conforto. O banquinho portátil era alvo de cobiça, para quem não se tinha prevenido. T-shirt’s e lenços eram vendidos enquanto dois jornais diários eram os monopolizadores das ofertas de bonés para o sol e das bandeirinhas.

Mas o que eu não tinha previsto era assistir à chegada dos convidados VIP, que tinham direito a uma entrada preparada para o efeito. Uns chegavam em carros reluzentes, a maioria com matrículas do corpo diplomático. “Por favor, pelo passeio”, diziam os seguranças à medida que quem vinha a pé se aproximava. “Por aqui só com convite”. E assim era. Não havia protestos. As diferenças no vestuário, nos cabelos, na pose era de tal forma grande que, imediatamente, quem não fazia parte do grupo dos privilegiados, se afastava. Os envelopes na mão eram o passaporte para entrar. Figuras públicas, presidentes de clubes de futebol, representantes da tendência monárquica, personagens do “jet-set” nacional, anónimos mas vestidos de modo a poderem ser fotografados para as revistas, todos convergiam para uma área, certamente mais restrita e de onde a cerimónia podia ser acompanhada de uma forma mais próxima e sem os constrangimentos a que estavam sujeitos todos os que não tinham o tal convite. Perante Deus e o seu Filho todos os homens serão iguais. Mas perante o representante máximo da Igreja Católica não são de certeza.

Para coleccionadores

terça-feira, 11 de maio de 2010

Antes da Missa











Saudações

A Carris saúda Bento XVI


Mas Lisboa inteira:


Uma das razões/poemas porque gosto de Gastão Cruz

Rosto

Como se um mar de folhas
descobrisse o teu corpo
ouço-te a vida devolvida
à minha vida

Deitas-te assim na dobra estreita
da minha vida não fictícia

Tu és o rosto inexorável
diante de que
o
meu rosto vive
o olhar, a boca, os lábios ácidos
em que os meus, áridos, se extinguem

in Gastão Cruz, Poemas Reunidos (Campânula), Lisboa, Publicações D. Quixote, 1999, p. 208

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma ciranda em Castelo de Vide

Na rua onde nasceu Salgueiro Maia encontra-se a igreja de Santo Amaro. Aparentemente o espaço não é utilizado para o culto. No interior as paredes há muito que deixaram de ser pintadas. Os altares permanecem vazios. No lugar onde estiveram certamente os bancos há agora um enorme vazio.

No escuro, que a pouca luz de umas lâmpadas fracas para a dimensão do espaço, não consegue tornar mais claro, distingo uma mesa improvisada com um aparelho de onde sai um som que se vai repetindo. Um grupo de mulheres, de várias idades, organizadas numa roda, ensaia uma dança. “Ciranda” está escrito na t-shirt que veste aquela que vai marcando o compasso.

domingo, 9 de maio de 2010

Para crianças góticas

A certos lobos

O Lôbo feito pastor

Para assaltar um rebanho
Sem nêle espalhar o horror,
Um lôbo - recurso estranho! -
Quis disfarçar-se em pastor.

Mas do pastor verdadeiro
Buscando a voz imitar,
Acordou êste e o rafeiro,
Que estavam a ressonar.

E p'los dois reconhecido,
Morto é logo o espertalhão,
Que, pelo traje impedido,
Tentára fugir em vão.

Velhacos, ou longe ou perto,
São pilhados, afinal.
O que fôr lobo, o mais certo
É sempre obrar como tal.

                               A. França

in La Fontaine Fábulas (escolhidas) edição organizada por Matias Lima, Livraria Chardron de Lello & Irmão, Porto, p. 181

sábado, 8 de maio de 2010

Conselhos sábios



Comunicação não-verbal

Não havia sol mas estava calor. Os quatro homens, jovens, nitidamente no intervalo de almoço, estavam sentados à mesa da esplanada, formando um quadrado. Conheciam-se, claramente. Mas não trocavam uma palavra. Aliás não olhavam uns para os outros apesar de estarem frente a frente. Em vez disso olhavam para o ecrã dos seus computadores portáteis onde escreviam de vez em quando. Não sei se falavam entre si mas quando se levantaram fecharam as tampas dos computadores, cumprimentaram-se com um aperto de mão e afastaram-se.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Olha a foooooooto antiga!

Uma boa associação esta entre um gelado fresco e fotos antigas dos locais onde estão instalados estes pontos de venda. Já vi alguns e pareceu-me uma ideia interessante. E quem passava parecia gostar de ver também.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Que coisa tão rebuscada!

Há determinadas campanhas publicitárias que até constrangem de tão sem sentido. Esta é muito ridícula.

"A desonestidade e o lápis azul"

Porque achei interessante esta situação publico aqui o que escreveu uma amiga, a propósito do que lhe aconteceu com a publicação de um texto num jornal. Eu sei que eles se reservam o direito de publicar ou não e que o espaço é escasso. Mesmo assim:

"O destacável Fugas sai ao sábado, aconchegado pelo jornal Público. Este saiu neste 1.º de Maio. Neste destacável há uma rubrica aberta aos leitores intitulada As Fugas dos Leitores. Por única condição, em rodapé, o texto não deve ultrapassar o limite de 3000 caracteres.

No rescaldo de uma viagem à China, decido participar. Redijo o texto, contabilizo os caracteres, que respeitam o limite imposto, subscrevo com pseudónimo (o nome de uma das minhas bisavós, Catarina Duarte), anexo uma fotografia da muralha da China e envio-o por mail, declarando nesse momento a minha identidade, em conformidade com o meu endereço electrónico.

O jornal Público prescinde do seu direito de não publicar o texto e publica-o mas, com o exercício de um lápis azul, censura-o. Sem poder alegar excesso de caracteres, faz desaparecer um pequeno parágrafo, entalado entre o relato da experiência de visitar dois templos, um taoista, o Templo do Céu, e o outro budista, o Templo Lama. A propósito do ritual taoista de sacrifício de animais atirados a fogueiras, escrevi e foi censurado “Contemporâneos a estas fogueiras, e também em nome do Céu, são os auto-de-fé do meu país e da minha cidade de Lisboa, que serviam para atrofiar a populaça e consolidar o poder da igreja católica apostólica romana.”.

Do modo como foi publicado, o texto não apresenta qualquer vestígio de censura: é como se o parágrafo e o tipo de relação histórica entre os autos-de-fé e a igreja católica nunca tivessem existido. Mas, apesar desta divina intervenção, a linha editorial do Público insiste na subscrição do texto por uma única autora, que já não está sozinha. Porque o Público proibiu o meu direito de liberdade de expressão e porque omitiu a sua própria acção, concluo que, afinal, os outros tempos não são outros, são mesmo estes."

O texto e o título são da autoria da protagonista desta situação.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um cachecol

Era cedo. Em Lisboa havia algum vento mas não justificava um cachecol. O homem, jovem, encostado à ombreira da porta, tinha um ar desafiador. Fumava calmamente. Quase não se mexia mas tinha um ar desafiador. Parecia indiferente aos carros que passavam em marcha lenta, por causa da fila. Mas o ar desafiador estava presente no seu rosto. Só quando me aproximei mais reparei. O cachecol era do Futebol Clube do Porto.

Em tempos de crise nascem árvores na planície!

Depois de uns dias no Alentejo, afastada do computador, regresso com uma sugestão de post feita pelo Paulo Marçal que, ainda por cima, lembra as paisagens alentejanas apesar de, neste caso, estarmos em plena Lisboa (obrigada, Paulo, pela foto e pela legenda, aqui "pedida emprestada" para o título).