quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Peregrinos - Séc. XXI

A propósito do dia de hoje, em que se celebra o milagre do Sol em Fátima, lembrei-me que, em Maio passado, dois dias antes do dia 13, fui a Coimbra e, ao regressar a Lisboa, fiz grande parte do percurso pela EN 1. Foi então que constatei que os peregrinos que vão para Fátima estão envolvidos por uma organização montada de tal forma que parece perder-se um pouco do carácter de sacrifício, normalmente associado a tal peregrinação. Ora vejamos:

A estrada, onde tal é possível, encontra-se com uma divisória para os peregrinos circularem, fazendo com que a caminhada seja mais segura. Isto é reforçado pelos avisos constantes, aos automobilistas, através de painéis, da existência destas pessoas na estrada. Estas usam, na sua maioria, coletes reflectores que, nas suas cores vivas, os distinguem da paisagem.

Para além disto, a bagagem não lhes pesa pois é constituída, apenas, por bonés e garrafas de água. É que, tal como em provas desportivas, circulam, pelas bermas, dezenas de carros de apoio ao serviço dos peregrinos que transportam os seus haveres e que vão renovando os stocks de água para além de, em caso de necessidade, prestarem cuidados de enfermagem.

Mas há outros objectos que não deixam de acompanhar os peregrinos. O telemóvel é um deles. Não é fácil falar e caminhar ao mesmo tempo mas, pelo que vi, os fiéis não perdem a oportunidade de porem a conversa em dia com os seus conhecidos que ficaram em casa ou que andam mais à frente ou atrás no caminho.

Também os reprodutores de áudio digitais, sobretudo para os mais novos, estão presentes. Não sei se a música será religiosa ou não mas suponho que tornará menos penosa a viagem.

Por tudo isto estas peregrinações, feitas por devoção ou promessa, estão a mudar. Mas, no santuário, as imagens como esta de quem, indiferente aos efeitos, que deixam marcas no corpo, faz o percurso final de joelhos, continuam a impressionar-nos.

Mais outra excelente versão!

Nancy Sinatra cantou esta canção numa altura em que os textos que davam algum poder às mulheres, numa relação, não eram muitos.

Esta versão do Paulo Furtado, com a voz de Maria de Medeiros, é muito, muito boa...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ainda a vitória de Isaltino

Desde há algum tempo, pelo menos desde a condenação de Isaltino, e, sobretudo, depois da sua vitória de ontem, tenho lido justificações, oriundas de diversas pessoas, que falam, sobretudo, da alteração sofrida pelo concelho de Oeiras desde que Isaltino Morais é presidente como se tudo o que tem acontecido de bom ao concelho fosse obra sua e como se nada tivesse sido feito de errado, ao longo destes anos. Ora como oeirense, de nascimento e residência e porque, por motivos profissionais, tive oportunidade de conhecer bastante bem o concelho, não posso deixar de dizer que as coisas não se passam bem assim. Alguns exemplos se seguem.
Em termos urbanísticos, a harmonia está longe de ser conseguida. Constrói-se muito e o facto de falarmos de habitação de qualidade, dirigida a um segmento de mercado com altos rendimentos, não desculpa a densificação de alguns locais e a construção em leito de cheias de algumas das ribeiras que atravessam o concelho.
Em algumas localidades do interior o investimento não é assim tão grande e, por exemplo, problemas de transportes são frequentemente motivo de protestos.
No que respeita à instalação de empresas de base tecnológica avançada e multinacionais, uma das bandeiras do presidente, tem a ver não só com as condições dadas mas com a localização do concelho na área metropolitana de Lisboa que o torna apetecível.
Aliás a localização e a acessibilidade fácil à capital é um dos mais fortes motivos que leva muitas famílias a procurarem Oeiras para viver e, como os preços das habitações são elevados, os rendimentos dessas famílias têm necessariamente que estar acima da média o que normalmente vem a par com a escolaridade também superior à média.
Apesar de algum investimento algumas das escolas públicas do concelho, geridas pela autarquia, deixam muito a desejar, com aulas a decorrer em pré-fabricados sem condições, com espaços exteriores degradados, sem pessoal de apoio suficiente.
Uma das questões mais faladas e que é dada, frequentemente, como exemplo, é a erradicação das barracas. Ora é um facto que Oeiras tinha muitas barracas mas o número não era comparável com o de outros concelhos, como a Amadora ou Lisboa; havia disponibilidade de terrenos e o mais importante: a comparticipação do Estado através dos vários programas de apoio que, em muitos casos, era aumentada pela necessidade de desocupação rápida de zonas onde as obras do estado precisavam avançar (caso da CRIL).
Ah, e também há buracos nas ruas de Oeiras…
Não quero com isto dizer que Isaltino não teve um papel importante na forma, globalmente positiva, como o concelho se desenvolveu. Quero sim relativizar esta ideia de autarca modelo que se lhe colou, de há uns anos a esta parte (o PSD deve estar mais que arrependido de ter feito passar essa ideia).
A realidade é que nunca saberemos se, com os meios de que dispôs, outro autarca não faria ainda melhor.
E não é indiferente o facto de, após um processo que supostamente decorreu de forma correcta, o tribunal o tenha condenado e ainda por cima com uma pena tão pesada. Não podemos aprovar que, mesmo beneficiando o concelho, a actuação de um presidente de Câmara seja legalmente e moralmente censurável. Não podemos dizer que todos são assim e que este, ao menos, até fazia alguma coisa… Não podemos achar que, por se ser político e fazer política se pode ultrapassar determinadas barreiras. Eu quero viver num concelho onde os problemas que existem sejam resolvidos de forma clara, por alguém que não levante estas suspeitas. Ao aceitar esta situação estamos a abrir caminho para a aceitação de outras, cada vez mais graves, até ao limite de a ética já não fazer parte das nossas exigências face aos políticos que nos representam. E isso pode ser muito perigoso. Por isso, e apesar de compreender a decisão de muitos votantes de Oeiras, não posso deixar de me sentir triste…

Este país também é para velhos

Os locais onde estão instaladas as mesas de voto tornam-se, em dias de eleições, sobretudo em áreas urbanas, como aquela onde voto, onde os idosos não circulam muito pelas ruas, lugares onde constatamos que o envelhecimento demográfico não é só coisa de cientistas sociais.
As Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e várias associações transportam, gratuitamente, os mais velhos (e outros cidadãos com mobilidade reduzida) até ao local de votação. Para estas pessoas, que passam grande parte do tempo fechadas em casa ou em lares e centros de dia, esta é uma oportunidade, que parecem agarrar com alegria, de sair, de vestir a sua melhor roupa. É domingo e é dia de encontrar muita gente.
Os autocarros aguardam-nos à saída mas eles prolongam o momento, conversando com conhecidos, dando a conhecer os netos e bisnetos uns aos outros, observando o movimento.
É certo que votar é, para muitos destes eleitores, uma ocasião a que não podem faltar pois já bastaram eleições no passado em que o esforço de deslocação não existia mas em que disso estavam impedidos, por um regime que entendia que os votos deviam ser só para alguns.
Por estas razões tão diversas, a que se acrescentam as que movem também todos os outros, votar é, para muitos, uma festa que não querem perder.
E para nós, que desde que temos idade para votar o podemos fazer em liberdade e que banalizamos este direito ao ponto de não o exercer, não deveria também ser?

Executivos na sombra

Em plena hora de maior calor a sombra do mupi estava completamente ocupada por um conjunto de yuppies (esta palavra já não se usa pois não?) que se acotovelavam para caber naquele pouco mais de metro quadrado. A luta era por um lugar à sombra, não ao sol…

Nota: aquele semáforo (na R. Alexandre Herculano) é, deveras, irritante porque nos recorda que quem manda na cidade é o automóvel e não os peões. Parece-nos estarmos ali tempos infinitos pois de todas as direcções passa o trânsito e, de uma delas, o semáforo abre duas vezes para os carros antes que os peões tenham oportunidade de passar.
(Este post surgiu por sugestão da Sofia)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eleições autárquicas - Pequeno apontamento

Um pouco antes de vermos, no Jornal da Tarde da RTP 1, em directo, Cavaco Silva a exercer o seu direito de voto (se a câmara se aproximasse só mais um pouquinho veríamos em que quadrado o presidente punha a cruz) e a dizer que o “triste acontecimento (que se verificou no concelho de Mondim de Basto) apenas destoava na normalidade com que, em todo o país, decorriam as eleições”, a RTP tinha entrevistado Sergio Demian, imigrante moldavo que nunca tinha votado, nem sequer no seu país e que explicou que procurou informar-se antes de votar para que, quando o fizesse, não fosse inconscientemente. Um exemplo.

Instrução não é discernimento

Tal como já se esperava Isaltino Morais é novamente eleito como presidente da Câmara de Oeiras. No seu discurso de vitória Isaltino disse-o. Oeiras é um concelho com altos índices de desenvolvimento a nível nacional. O número de licenciados é, proporcionalmente, o maior do país. Isto só prova que, tal como também já sabíamos, não é por se ser licenciado que a nossa capacidade de avaliação, o nosso discernimento, entendido como a faculdade de julgar sensatamente as coisas, é superior.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ainda a propósito de Brel

No âmbito da Semana da Bélgica em Portugal, na quarta-feira, dia 14, Francis Seleck, cantor belga que reside em Portugal, vai estar na Casa da Música, no Porto, a recriar canções de Brel.

Grand Jacques

Tinha ideia que era este mês. Fui confirmar e, de facto, passaram ontem, dia 9, 31 anos desde a morte de Jacques Brel. Continuo a gostar tanto de o ouvir como quando, adolescente, o descobri e me ensinou tanta coisa.
Tenho tantas músicas preferidas que não é nada fácil escolher uma para aqui o lembrar. Mas esta é, sem dúvida, uma delas.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sous le parapluie magique

http://www.discogs.com/viewimages?release=1946365

Ainda houve um nostálgico que pediu o tema "Je t'aime moi non plus". Mas é claro que ali e agora já não faz sentido. Mesmo assim as referências a Serge Gainsbourg e as suas canções estiveram sempre presentes. Mas Jane Birkin, que é considerada a sua musa, é, por si só, uma grande cantora e escritora de canções.
Apesar da sala não estar cheia tenho a certeza que, para os presentes, foi uma óptima surpresa perceber que, ao vivo, a sua voz, que continua igual à de há 40 anos atrás, porta-se muito bem e interage optimamente com os quatro músicos em palco. Também a sua forma de falar o francês é deliciosamente impregnada do sotaque inglês, tal como era (nem sei se não será deliberado).
Parecia não estar à vontade no palco, não saber onde pôr as mãos, transpirar fragilidade. Mas por isso, por ser igual a nós, apesar de ter e ter tido uma vida tão intensa; por demonstrar que, aos 63 anos, se pode ser tão bonita e interessante, deixando a ideia de que tem ainda muito para dar, eu gostei tanto do concerto. Por isso e por canções como esta:



My name is...


Estou de acordo! Oeiras precisa de um novo presidente. E James Bond, o agente 007, consegue sempre sair airosamente das situações mais difíceis em que se vê metido.
Mas eu nunca gostei muito da versão Timothy Dalton!

Coisas que ficamos a saber pelos cartazes

Quando for aos bairros Santana Lopes leva a polícia.

Dá gosto sobrevoar Oeiras

Cá em baixo as cores são atractivas. Mas estes mega-canteiros parecem ter sido feitos para serem vistos do ar. Será que o tráfego aéreo é assim tão intenso que justifique esta opção?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dificuldades linguísticas

Com a comunicação social a utilizar, nas coberturas das campanhas eleitorais deste ano, a palavra "arruada", com uma frequência nunca vista, tornou-se necessário assegurarmo-nos que essa palavra não se confundia com arruaça. No dicionário que tenho em casa arruada não consta. Em arruaça aparece motim, tumulto nas ruas. Mas parece que são, de facto, coisas distintas. Será? Algés não é assim uma localidade tão pequena! As organizações do PS e do IOMAF deveriam era ter arruado (do verbo arruar: dividir em ruas, distribuir pelas ruas).

Prémio "digam lá se não arranjei aqui uma resposta à maneira!"

Quando ouvi esta notícia pensei: lá estão os investigadores sociais a revelarem estudos que correspondem a verdades de La Palisse. Todos nós sabemos isso, todos nós observamos isso e o facto do estudo ser divulgado nesta altura só pode ser para beneficiar os seus autores.
Eis senão quando... ouvi a reacção do presidente da Associação dos Autarcas Sociais-democratas que basicamente diz que não, que não há qualquer aproveitamento eleitoral da situação. O que se passa é que "um presidente de câmara é eleito por quatro anos e que é ao fim deste tempo que se poderão «ver mais os efeitos do planeamento de tudo o que fez e das obras que lançou ao longo dos quatro anos»". Muito bem... podemos não acreditar no que diz mas a capacidade de arranjar argumentos quase verosímeis é grande.

O Ministério da Educação das Finanças

Há uns dias atrás tive necessidade de ir a uma repartição de finanças onde, durante o tempo que esperei para ser atendida, estive entretida a olhar para o ecrã de televisão ali instalado.
Entre as sucessivas chamadas dos números que constam nas senhas (os balcões vão do A ao J, obrigando-nos a um esforço constante de atenção) vão passando informações fiscais, com origem na Direcção Geral de Contribuições e Impostos (as datas de entrega dos vários modelos, os prazos de pagamento dos vários impostos, …).
Mas, além destas, temos outras informações. Foi assim que, na rubrica eco dicas, se falou da água como um bem essencial que devemos poupar; que nos apresentaram o Cabo da Roca e Cacela Velha, como locais turísticos a visitar; e que nos ensinaram que, quando nos dirigimos a alguém que reconhecemos, cumprimentamos e não comprimentamos essa pessoa.
O tempo perdido nestas repartições já não é perdido. Ora digam lá se isto não é serviço público.
Mas nem todos estão satisfeitos. Ao meu lado uma senhora dizia-me: não era melhor terem o programa da D. Fátima Lopes?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dados cruéis

De vez em quando algo nos faz lembrar que, para um número sempre demasiado grande de crianças, todos os dias são dias mais-que-imperfeitos.

"Rasga o Passado"

Já aqui disse que não gosto especialmente de fado. Reconheço, no entanto, a importância de algumas vozes e Amália era, de facto, especial. Ouvi hoje na rádio, a propósito da passagem de 10 anos, sobre a sua morte, um fado que não conhecia e que resolvi deixar aqui (apesar das imagens não terem grande interesse). O poema, de Álvaro Duarte Simões, é muito bonito.


Isto continua!

Desta vez a Presidência da República apressou-se nos esclarecimentos. Embora possamos questionar se o Presidente deve responder ou não a provocações, penso que o fez bem. E a orquestra (ou será a banda?) continua a tocar...

Ó freguesa, não quer levar duas caixas?

Os polícias estavam a alguma distância do túnel de acesso à estação. A mulher vendia a fruta (exposta em duas caixas) agachada, para não entrar no campo de visão dos agentes. O seu marido, debruçado no muro, controlava a cena.

domingo, 4 de outubro de 2009

O quadro da gripe

O regresso às aulas deste ano teve um “frisson” especial devido às ameaças da gripe A.
Nas reuniões de apresentação aos pais foram feitas várias recomendações que vão no sentido dos ensinamentos das várias campanhas a que temos assistido.
Quanto ao comportamento das crianças na escola pede-se-lhes, para além de desinfectarem as mãos sempre que entram na sala (pelo menos enquanto houver o líquido), que não levem qualquer brinquedo de casa, que limpem as mesas com álcool, sempre que deixem a sala onde se encontrem e mudem para outra, e que não partilhem quaisquer materiais entre si.
Mas há ainda outra coisa. Lembram-se do terror que sentíamos quando tínhamos que ir ao quadro? O medo de errarmos as contas e mostrarmos as nossas fragilidades, sobretudo estando nós de costas voltadas e, por isso, sem podermos sequer contar com a ajuda das expressões na cara do professor ou dos colegas fazia-nos tremer sempre que éramos chamados. Pois agora, como só há um marcador por sala, e não havendo verba para comprar um marcador para cada aluno, estão suspensas as idas ao quadro. Se, por exemplo, a limpeza das mesas motiva alguns protestos, esta medida não foi ainda contestada.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um presidente também chora...

Numa altura em que a cara de enfado do nosso presidente está ainda na nossa memória foi bom ver a emoção estampada no rosto de Lula da Silva.

Parabéns Brasil!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Uma fraca voz?

Jane Birkin não agrada a todos. A sua voz não tem, de facto, a força que ajuda, em muitos casos, a transmitir sentimentos através das canções. Mas, na realidade, a aparente fragilidade da sua voz esconde uma enorme intensidade de emoções, presentes nos poemas e na forma de cantar, que nada impõe.
No final do ano passado foi lançado mais um trabalho seu, “Enfants d'hiver”. Todos os textos são seus. Este é o único em inglês...


Onde está aqui a fraqueza?

Vem isto a propósito do concerto de dia 8 no Centro Cultural de Belém. Eu já tenho bilhete!

Nunca é tarde para mudar

A senhora tinha, à vontade, mais de 80 anos.
De cabelo arranjado e bem vestida sentava-se muito direita com a carteira pousada no colo.
Nas suas mãos um pequeno livro.
Ia sentada à minha frente. Mas não consegui ver os seus olhos, que nunca se afastaram daquelas páginas, que parecia ler sofregamente. O título do livro: "Como a ação do espírito pode mudar sua vida".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Música, Música, Música

Porque hoje é o dia da música deixo um tema de um dos meus autores preferidos que é, ao mesmo tempo, uma das canções favoritas das minhas filhas.

No comboio descendente... de S. Bento a Belém?



Este poema de Fernando Pessoa, num ritmo repetitivo, dirigido a leitores mais infantis, pode ser, afinal, um retrato mais sério da nossa realidade.

É também uma óptima banda sonora para fazer referência aos Caminhos de Ferro Vale da Fumaça onde os amantes dos comboios podem encontrar informações interessantes e belas fotografias...

Very, very early english

Sócrates está muito orgulhoso por ter conseguido implementar o projecto de generalização do ensino do Inglês no 1º Ciclo do Ensino Básico . Pois vejam então isto:

É bom saber que os bebés portugueses já poderão, a partir de agora, aprender a dizer ah, eh, buh, bah, gah e outras coisas igualmente fundamentais, em inglês.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Argumentistas precisam-se

Bem, além de não ter sido o último, as cenas deste episódio foram tudo menos esclarecedoras para o desfecho da história. Decididamente a Presidência da República precisa contratar melhores argumentistas.
Por favor, se alguém percebeu o que Cavaco Silva disse expliquem-me porque eu, que estava a conduzir no meio de algum trânsito, ainda pensei que fosse a confusão lá fora. Mas ouvi depois, novamente, o que disse o Presidente e pouco entendi.
Mesmo assim vou enunciar aquilo que compreendi:
• Que o PR nunca fez qualquer referência a escutas em nenhuma declaração ou escrito oficial anterior.
• Que pensa que há “destacadas personalidades do partido do governo” que mentem.
• Que, apesar de estar convencido de que havia um complot para “puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD” e “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos” e havendo dúvidas na opinião pública, relativamente à actuação de um membro do seu staff, "procedeu a alterações” na sua Casa Civil.
• Que, além do e-mail trocado entre jornalistas e que esteve na origem deste “caso”, também houve e-mails da presidência envolvidos.
• Que, mostrando alguma ingenuidade acerca do assunto, percebeu que as informações guardadas nos sistemas informáticos nunca estão suficientemente protegidas.
• Que, a presidência da república não leva muito a peito essas questões da segurança informática pois nunca antes deste episódio a questão se tinha posto.
• Que, apesar deste assunto se arrastar há algum tempo, só hoje conseguiu ouvir “várias entidades com responsabilidades na área da segurança”.
• Que se considera vítima de “graves manipulações”.
• Que “foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência”.

Se tudo isto, como parece, tem como alvo o partido que ficou à frente nas eleições de domingo, cujo líder, de acordo com o que é suposto, deverá ser convidado, por Cavaco Silva, a formar governo, qual a atitude que o Presidente tomará? Parece-me que nem os argumentistas mais experientes conseguirão "descalçar esta bota".

Ao contrário do que o porta-voz do PSD disse após esta comunicação parece-me que se percebeu porque é que o Presidente não falou antes sobre este tema. É que se arriscaria a contribuir para uma maior votação no PS.

Mas para alguma coisa serviu esta intervenção. Não tendo apresentado novos argumentos, nem nada de concreto para sustentar as suas suspeitas, Cavaco Silva quis partilhar com todos nós a sua leitura pessoal de certas notícias, incluindo as suas dúvidas e desconfianças, mostrando que, tal como os sistemas informáticos, também tem as suas vulnerabilidades. Ora isso é de se louvar. Finalmente mudou a sua opinião em relação àquela célebre frase do “quase nunca tenho dúvidas e raramente me engano” (ou será que é ao contrário?)!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Previsão

O tango continua. Será este o derradeiro?



Mesmo sem ter feito qualquer sondagem prevejo que hoje, pelas 20 horas, as televisões e rádios terão significativos picos de audiência. E, desta vez, não é Cristiano Ronaldo a estrela. Não, é o presidente de todos os portugueses. E será porque, como já sabemos que não vai haver qualquer discurso seu no 5 de Outubro (a propósito, a única explicação que encontro para esta situação é o facto de, ao contrário do que diz, Cavaco Silva não estar completamente seguro de ser mesmo presidente de todos os portugueses) queremos ouvi-lo antes? Também não. É que parece que vai ser finalmente quebrado o suspense e não sabemos bem sobre o quê. Parece-me que, desde as cenas mais reveladoras da telenovela "Gabriela Cravo e Canela", os portugueses não estavam tão curiosos e sedentos das cenas do próximo episódio...

sábado, 26 de setembro de 2009

Somos nós... e o pai da Liberdade

O António Miranda mandou-me esta imagem que, por esta altura, deve andar a circular bastante pela rede (também já a vi em alguns blogues).

Quino queria mostrar-nos que não é fácil quando, numa eleição, não nos conseguimos rever nos candidatos (pessoas ou partidos). Há muitos portugueses nesta situação. Mas hoje é dia de reflexão e temos de conseguir perceber qual dos 15 partidos mais se aproxima do que pensamos. É que é triste deixar o boletim de voto em branco e não compreendo, por considerar um desrespeito, quem vota nulo. Quanto à abstenção (a não ser por motivos de força maior, claro) está completamente fora de causa. Não faz qualquer sentido deixarmos de exercer um dos mais nobres actos que temos à nossa disposição enquanto cidadãos.

Por isso, votemos! Mesmo que, daqui a uns tempos, andemos com uma cara... os infelizes...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bem-vindos!


“Eu não quis fazer um filme político”, dizia-nos Philippe Lioret, realizador do filme Welcome, no final da apresentação, terça-feira passada, em Lisboa. Mas a verdade é que fez. Não no sentido de ser um panfleto a favor ou contra alguma coisa, mas porque mostra uma realidade que nós sabemos que existe mas a que não prestamos muita atenção, por considerarmos que está longe de nós. Além disso fazer política deve ser entendido, no seu sentido mais lato, da concretização de acções, por parte de cidadãos, que podem vir a afectar a vida de alguém. E este filme, mesmo sabendo nós que raramente um filme muda alguma coisa (reforçando ideias concordantes em quem as tem e sendo normalmente indiferente para os outros), é político.
A antestreia aconteceu num dia em que, em Calais, se verificaram confrontos graves entre as autoridades francesas e os migrantes (i ou e) consoante o ponto de vista. O tema do filme é exactamente a migração à escala do planeta, levando tantas pessoas a arriscarem a vida para não morrerem. No caso concreto a história passa-se em Calais. Aqui mais perto de nós (a ver em A Caminho da Europa) a Espanha assiste a situações semelhantes.
Acompanhamos a história de Bilal, de 17 anos, que vem do Iraque e que quer chegar a Inglaterra onde se encontra a rapariga de quem gosta (em Londres) e o seu clube de futebol de eleição, onde espera vir a jogar (o Manchester United). Em Calais depara-se com a realidade dura de muitos clandestinos que procuram atravessar o Canal da Mancha, pelos vários meios possíveis. Das várias hipóteses opta por atravessar a nado e é por isso que procura aperfeiçoar-se numa piscina onde conhece o seu instrutor que, primeiro por uma razão egoísta, depois por um brutal sentimento de necessidade de entreajuda, se vai tornar no seu único amigo, sofrendo as consequências que tal situação implica. A lei, segundo a qual quem dá ajuda a imigrantes ilegais pode ser condenado a 5 anos de prisão, nestas regiões, parece aplicar-se mesmo.
É muito interessante, no filme, perceber os diferentes pontos de vista dos residentes no local, que oscilam entre a condenação, a indiferença e a abnegação dos voluntários, que distribuem comida e roupa diariamente aos clandestinos. As nacionalidades destes vão variando conforme se verificam situações extremas nos países de origem mas é quase sempre a guerra o motivo mais forte da procura de outro país para tentar (sobre)viver. E a Inglaterra torna-se apetecível porque, tal como explicou Philippe Lioret, a flexibilização das leis laborais com a desregulamentação do mercado de trabalho, do tempo de Margaret Thatcher, facilitou o trabalho clandestino, o sub emprego e, além disso, a língua inglesa, mesmo que mal falada, continua a ser a que lhes é mais acessível.
O realizador explicou ainda outras coisas: que preferiu um actor com pouca experiência mas que, por isso mesmo, desempenharia bem o papel de um rapaz com 17 anos, idade em que, na sua opinião, se está com um pé na infância e outro na idade adulta; que todos os indivíduos que aparecem no filme são actores e figurantes, não aparecendo qualquer pessoa das que se pretende retratar porque não se pode pagar a ilegais; que o filme, apesar da temática e de ser falado em várias línguas (e do título, acrescento eu) foi subsidiado pelos organismos oficiais franceses; mas Lioret teve que contar todas as palavras francesas e reescrever algumas cenas porque a língua predominante teria que ser o francês.
As nossas opiniões sobre a realidade retratada neste filme podem variar muito. E devemos resistir à condenação pura e simples dos países mais ricos do ocidente que tentam afastar de si estes migrantes. A multiplicidade de questões envolvidas assim o aconselha. Mas, neste filme, são as pessoas que estão em primeiro plano. E não podemos deixar de sentir como nossas aquelas dores.
Refiro ainda uma cena do filme que é das mais impressionantes que já vi no cinema: o momento em que a lancha da guarda costeira inglesa tenta “pescar” Bilal. É que é isso mesmo que faz lembrar: a caça da baleia, por exemplo, sendo o arpão substituído por uma bóia que, para o protagonista, é não de salvação mas de condenação. A resistência ao que parece inevitável é levada ao extremo e também nós, espectadores, nos debatemos pelas nossas vidas.

Obrigada Maria pelo convite para a ante estreia.

O preço dos souti(ahn?)s ou o apoio em saldo

Numa época em que os apoios desinteressados são tão difíceis de obter e os que se compram parecem estar tabelados, nas feiras, como se vê, os preços são muito acessíveis. Será por isso que Paulo Portas as frequenta tanto neste tempo de campanha?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vemos ouvimos e lemos. Não podemos ignorar?

Logo de manhã, a caminho da escola, a minha filha, de 9 anos, perguntou-me porque não podia votar, tal como nós. Expliquei-lhe que votar é muito importante pois é nessa altura que escolhemos quem são as pessoas que, nos próximos anos, vão tomar decisões que têm a ver com as nossas vidas. É por isso que temos que ser crescidos para podermos pensar nas coisas de uma forma ponderada.
Depois de falar apercebi-me que nunca o conseguiremos fazer, uma vez que as informações de que dispomos para formar a nossa opinião são, quase sempre, incompletas, quando não são manipuladas. Da parte dos partidos, como é da sua natureza, transmitem-nos intenções gerais e ideias que, em muitos assuntos são coincidentes, envoltas numa capa de programas a cumprir sabendo nós, ou, pelo menos, desconfiando, que esse cumprimento está dependente de tantos factores que os dirigentes não controlam e que, ao mesmo tempo que lhes dificulta a concretização das políticas, os desculpa perante quem neles votou. É como se fizessem exercícios Ceteris paribus sem divulgarem essa condição. Quanto ao que é transmitido na Comunicação Social nunca, como nesta fase pré-eleições, duvidámos tanto do conteúdo das notícias. Confundimos factos com opiniões, confundimos jornalistas com militantes de partidos, confundimos comentadores com analistas sérios, confundimos sondagens mal feitas com sondagens credíveis. Se, pelo menos, esta situação servir para aprendermos que as coisas quase nunca são o que parecem… Mas será que vamos aprender? Lembrei-me que actualmente, já nem a canção Cantata da Paz (com letra de Sophia de Mello Breyner Andresen e música de Francisco Fanhais) pode ser levada à letra.
Quanto à minha filha respondeu-me: "eu sei que o Jerónimo de Sousa fala a verdade sobre a vida das pessoas e o Sócrates fala tão bem dos “Magalhães” e eles estão todos a avariar". Fiquei a pensar que ela, na sua ingenuidade e simplicidade de raciocínio, tem mais certezas do que eu tenho.

sábado, 19 de setembro de 2009

Better wait and see...

Foto retirada daqui


As notícias de hoje fizeram-me recordar uma canção dos Stranglers (como não consegui encontrar um vídeo deixo apenas a letra).

It Only Takes Two To Tango

It only takes two to tango
It only takes two to start the dance
You gotta begin with circumstance
It takes two to tango
It only takes two

It only takes two to tango
It only takes to to start the war
You gotta make do or you gotta get more
It take two to tango
It only takes two

It only took two in ancient history
To get to the top of the monkey tree
Better wait and see
Better wait and see
Better wait and see

It only takes two to tango
It only takes two to start the dance
You gotta make do could be your only chance
It takes two to tango
It only takes two

It only took two in ancient history
To get to the top of the monkey tree
Better wait and see

Caninos afiados


Penha Garcia, Julho 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Centro de Férias -2-


Julho, 2009

Pequeno Partido, grandes ambições

Eles sabem que nunca lá chegarão mas, se isso acontecesse, os dirigentes do Movimento Mérito e Sociedade iriam ter bastante que fazer. Diria até que, mesmo sem mérito, a sociedade iria conhecer um grande movimento! Sem entrar na discussão acerca do tal “mérito” das propostas (algumas poderiam ser muito discutidas) vou limitar-me a referir algumas das que constam num folheto distribuído por aí.

Começamos pelo propósito geral que é, “só e mais nada”, Mudar Portugal. Passo a citar: “ Os nossos objectivos são simples e claros: acabar com a corrupção, acabar com a mediocridade, acabar com os políticos profissionais que nada mais sabem fazer, acabar com as mentiras e as hipocrisias de quem nos tem vindo a governar nos últimos 35 anos”…” O MMS pretende também alterar de forma profunda o sistema político português”…

Claro que sem nos dizer como, o MMS propõe, então (segue-se um excerto do “excerto das principais medidas a curto prazo” que constam no programa eleitoral):


  • IRS: dedução da totalidade das despesas médicas, dedução da totalidade das despesas de educação, dedução da totalidade das despesas judiciais;

  • IRC: redução da taxa de 25% para 15%;

  • IVA: redução da taxa de 20% para 15%;

  • HABITAÇÃO: revisão da lei das rendas, tornando o mercado de arrendamento livre, mais competitivo…, abatimento em sede de IRS da totalidade do valor das prestações/rendas pagas pelos jovens até aos 35 anos;

  • EDUCAÇÃO: estabelecer que os jovens em idade escolar terão um dia por semana ocupado em acções de solidariedade…, dignificar a profissão de professor;

  • SAÚDE: abolição das taxas moderadoras, independentemente dos níveis de rendimentos, saúde pública gratuita e universal, hospitais e maternidades com ampla cobertura nacional;


Nem sei bem se a definição de demagogia se poderá aplicar aqui…

Nota: o sublinhado é meu

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Isto não se faz!

Em plena Av. 24 de Julho, junto ao Cais do Sodré, num dos dias da semana passada, no mesmo local onde, pela manhã, se agitam bandeiras de estabelecimentos comerciais e se distribuem jornais gratuitos, uma jovem, que aparentava ter uns 16 anos, agitava uma bandeira (verde, claro!) do Movimento Esperança Portugal. (Até tirei uma foto mas não me parece apropriado divulgá-la).
Eu sei que este partido (que não se intitula desta forma), pela sua dimensão (os candidatos a deputados divulgaram até endereços de e-mail e números de telemóvel para poderem ser contactados), não terá meios financeiros comparáveis a outros. E é verdade que uma das propostas do movimento é o programa "Poupar é Possível". Mas deixarem a rapariga sozinha, no meio da confusão da hora de ponta, a representá-lo parece-me uma crueldade.

All'Improvviso

Os mais puristas podem não ter gostado mas ontem o concerto inaugural da temporada no Centro Cultural de Belém foi muito especial e didáctico. Através de um programa que nos levou da Idade Média tardia até à música contemporânea, passando pela música barroca e romântica, pudemos acompanhar a improvisação levando-nos a compreender melhor o jazz, por exemplo. Os 24 músicos, os instrumentos mais antigos, como o saltério ou a tiorba, a par da dança, que nos remetia para uma sensação de liberdade, foram uma surpresa.

Ora vejam só um pequeno exemplo:


Da sucata para o TGV

Afinal o problema é que MFL leu o Correio da Manhã hoje.

Quanto mais fala...

Fui eu que ouvi mal ou Manuela Ferreira Leite disse mesmo que deveríamos defender a independência económica de Portugal (independência económica de Portugal?)? Há já muito tempo que não ouvíamos esta teoria. E a senhora até já foi ministra das Finanças, não é verdade? Até Jerónimo de Sousa (pois, o líder do PCP) reconhece que a nossa ligação à Europa, e sobretudo a Espanha, são importantíssimas! As voltas que isto dá!

domingo, 13 de setembro de 2009

Voluntários (com determinação)

Há dias vários jovens, à saída da estação de comboios, distribuíam um jornal que fazia parte da campanha do PS. O jornal, em si, não tinha nada de especial: uma entrevista com a ministra da saúde, testemunhos de quem aderiu às novas oportunidades, até uns passatempos.
Mas o que eu registei foi que os tais jovens tinham vestida uma t-shirt, de cor verde (cor do Verão), onde se lia nas costas “Voluntário”. É interessante verificar como tiveram necessidade de o dizer. Certamente para evitar que se fizessem comparações com os que vêm em excursão às manifestações. Mas será que nem sequer lhes pagam um lanche?

Para quê fazer simples quando se pode complicar?


Então não é suposto um cartaz ser suficientemente claro logo ao primeiro olhar? A série destes cartazes do PSD é o contrário. Quem vê este, por exemplo, ao longe e não lê o que está em letras mais pequenas (ou piquenas), que dizem – ouvimos os portugueses -, não percebe a sua mensagem. Assim, “Olhem por quem mais precisa” utiliza um modo verbal que nos faz perguntar: mas a quem se dirige Manuela Ferreira Leite? Se o imperativo traduz um pedido, uma ordem, trata-se de um apelo a quem? Aos seus futuros ministros que, caso o PSD ganhe as eleições, terão esta tarefa a seu cargo? Ou será que se dirige a outros partidos, antecipando uma vitória que não a sua?

sábado, 12 de setembro de 2009

Os despojos da noite


As cores do Verão







Pois é, são dois actos eleitorais: para a assembleia da república e para as autarquias. Deve ser por isso que não tem havido grandes rasgos de imaginação, por parte de quem elabora os cartazes das diferentes campanhas. As cores, a composição, o facto de haver uma forte personalização torna tudo muito igual. Isto somado ao cinzentismo dos debates, aqui e ali um pouco mais coloridos, leva-nos a achar que está tudo muito morno. Será?

Campo (demasiado) Pequeno

A 22 de Outubro José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto estarão no Campo Pequeno para cantar. Apressem-se porque os bilhetes que restam já são poucos! E o campo é, de facto, muito pequeno para estes três grandes.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

New York, eight years ago

Foi após o almoço no magnífico terraço das "Freiras" (Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina), enquanto esperávamos o nosso café, que vimos na televisão as primeiras imagens. Terá sido o acontecimento mais documentado de todos os tempos. Ainda agora, 8 anos depois, novas fotos e testemunhos continuam a aparecer. Mesmo assim ainda nos custa acreditar.



Os EUA têm um novo presidente, pela primeira vez, desde essa data. Uma das teorias sobre o que aconteceu nesse dia já fez uma baixa na sua administração.

Para homens de barba rija?

Os mais velhos devem lembrar-se. As lâminas já devem estar rombas mas ainda estão à venda...

Fruição ou Tortura?

À hora de almoço, frente ao Restaurante Alfaia, dois músicos de rua tocam instrumentos que parecem ser dos utilizados pelos aborígenes australianos (didgeridoo, verifiquei agora). Até há uma Associação Portuguesa de Didgeridoo. Na esplanada, várias pessoas, com ar de turistas, fingem nem dar pela música, como se tal fosse possível. É que o som, repetitivo, ecoa por várias ruas. Os seus rostos denotam que estão incomodados mas, ao mesmo tempo, mantêm a atitude mais passiva de nada dizer. Será que pensam que não se pode silenciar um instrumento sagrado?
E sabiam que, numa pesquisa científica publicada pelo British Medical Journal, como se refere no site, conclui-se que "tocar Didgeridoo ajuda a reduzir o ressonar e a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, melhorando também a sonolência diurna decorrente desses dois distúrbios, provavelmente por fortalecer a musculatura das vias aéreas superiores, reduzindo assim a sua tendência, nesses distúrbios, de colapsar durante o sono"?.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

TODOS

Neste fim de semana todos os caminhos vão dar à Mouraria. A cidade de Lisboa somos nós e são eles, ou melhor somos nós!

Nós votamos no nosso dentista!

    Perante este cartaz há 3 hipóteses a considerar:

    ou os modelos foram escolhidos num casting para publicidade a um qualquer dentífrico;

    ou Isaltino quer provar a Paulo Portas que os dentistas dos seus votantes não ficam nada a dever ao do líder do CDS/PP;

    ou os modelos são apoiantes de Sócrates e utilizaram recentemente os cheques dentista.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sem máscara

Afinal o exemplo para o pessoal do 31 da Armada veio de um republicano. E, como em muitas outras coisas, o original é muito melhor que a(s) cópia(s). A ler aqui.

O design já está a ser experimentado!

Algumas caixas de rua da EDP vestiram-se de cores. Outras iniciativas, no âmbito da "Experimenta Design", serão visíveis por Lisboa.
E porque não experimentam também utilizar, na divulgação das actividades, a nossa língua (sempre preterida nestes meios, a favor do inglês)? Por exemplo, porque não usar a nossa expressão "Já não era sem tempo" em vez de "It's about time". Isso sim, seria inovação...

Indiferença

É de tarde. Em pleno eixo da R. da Boavista, uma mulher, "sem abrigo", empurra um carrinho de supermercado com os seus pertences, indiferente aos automóveis que circulam. Quando passa um autocarro os veículos não se conseguem cruzar. Uns condutores buzinam, outros gritam. Do passeio também lhe gritam para sair do meio da rua.
Ela, murmurando qualquer coisa imperceptível, continua.

Alguém quer experimentar?


Parece que "diminui as rugas e atenua as manchas, cicatrizes ou marcas"

Morar no alto da rocha

Monsanto, Julho 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Agradecimento

O prémio "Vale a pena ficar de olho nesse blogue" foi atribuído, muito justamente, a Maria Josefa Paias do Restolhando que, simpaticamente, o atribuiu ao Dias Imperfeitos, a par de outros que vale mesmo a pena visitar.

A propósito pensei que, quando criei este blogue, há 3 meses atrás, a minha ideia era mesmo a de interromper o meu habitual silêncio com pequenas reflexões, quase como se fossem apontamentos num qualquer caderno, semelhante aos que enchia durante a adolescência. Afinal rapidamente este espaço se tornou um vício e descobri imensas coisas que me dão muito prazer partilhar, mesmo sem saber com quem. Aliás o problema é a falta de tempo para escrever mais porque a vida de todos os dias dá-nos sempre imensas razões para o fazer.

Obrigada à Maria Josefa e aos que "ficam de olho" neste blogue.

sábado, 5 de setembro de 2009

Psiche sa...

Porque a pessoa que me deu a conhecer Paolo Conte, há uns anos atrás (e que continua ainda mais fã que eu), faz hoje anos; partilho esta música convosco.
E como do que é bom não nos fartamos aí está outra, do mesmo álbum (de 2008), por enquanto o último.

Meia Torre

Castelo Novo, Julho 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Inusitado encontro

Bairro Alto, a meio da tarde. De dentro de um restaurante, provavelmente após um almoço mais tardio, sai um homem, 35 anos, talvez. Está vestido com um fato escuro, de corte actual, os sapatos bem cuidados, cabelo impecável, sorriso confiante. À porta do restaurante, de conversa com um conhecido, está um morador no edifício. Aparentemente acabou de tomar banho. Está de chinelos e de toalha enrolada à cintura. Os dois homens hesitam em relação ao lado que hão-de dar ao outro, naquela dança que todos conhecemos. A toalha é amarela e tem flores brancas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dias (Imperfeitos) de Loureiro

Há já alguns dias que queria comentar este assunto mas não tenho tido oportunidade. Mas, como acho que ainda vale a pena, aí vai. Pelos vistos foi uma dor de barriga de um investigador do caso BPN que o levou à dita casa de banho, onde se terá apercebido da existência de uma porta dissimulada, que dava para um esconso, onde se encontravam “documentos relevantes para o processo”. Vamos deixar de lado a parte mais cómica desta situação. Vamos deixar de lado a questão de saber se a documentação foi, de facto, ali esquecida ou ali propositadamente deixada. Claro que podemos sempre pensar que, dados os problemas de amnésia de que sofre o ex-conselheiro de Estado, ele não se lembrava sequer da existência do esconso e a porta estava tão bem dissimulada que nem o próprio a via, tendo sido precisos os olhos, muito experientes, de um investigador para dar com ela.
O que já custa mais saber é que Dias Loureiro terá dito: «se essa documentação fosse de facto comprometedora, não a teria em casa ou já a teria destruído». Ora isto diz tudo sobre o futuro da investigação. Os casos, no tribunal, analisam-se com base em provas, não é? Já sabemos, então, que, neste caso, as provas, se é que existiram ou existem, já foram destruídas ou escondidas em lugar seguro. E o à vontade com que isto é dito a um jornal diz muito sobre a pessoa em si e sobre as limitações da justiça que vamos tendo.

"Conímbriga-a-Nova"



Conímbriga, Julho 2007

O cinema pode tudo (até pegar fogo a um regime odioso)

Apesar dos excessos (de sangue, por exemplo), em que Tarantino é mestre, o seu mais recente filme, que vi este fim de semana, constitui uma espécie de catarse colectiva. Através do humor e da capacidade de ridicularizar figuras históricas, como Hitler ou Goebbels e sobretudo através do destino dessas personagens, a maioria de nós sente que as acções daqueles "inglourious basterds" são uma vingança que todos nós compreendemos. E é muito significativo o facto das armas que derrubam o Terceiro Reich serem as películas dos filmes.
Destaca-se ainda o papel magnífico de Christoph Waltz no papel de Coronel Hans Landa.

Classe de 79

Nunca fui grande fã dos Xutos e Pontapés. No entanto, pela sua presença constante, de há 30 anos a esta parte, merecem o nosso aplauso. Vem isto a propósito do concerto desta banda que vi na última 6.ª feira (em Corroios). O recinto estava a abarrotar. Deviam lá estar mais de 30 000 pessoas de todas as idades. No início pareceram-me um pouco distantes e demasiado “profissionais” mas, pouco depois, entregaram-se mais ao público onde, aos mais velhos, se juntavam as crianças, como as minhas filhas, que sabiam também de cor as canções. À minha frente duas amigas comentavam (a propósito da canção que dá título a este post): ena pá, 79 foi o ano em que o meu irmão nasceu! Elas teriam nascido alguns anos depois. Recordei então que o primeiro concerto que eu vi dos Xutos foi há 26 anos, no Rock Rendez-Vous. Nessa altura era mais a associação com o espírito punk que procurávamos. E, em Portugal, não havia muito mais. Os Xutos e Pontapés de hoje já não são os mesmos. Mas nós também não!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Se levar oito nós oferecemos um!

Há já algum tempo que não ia ao Estádio da Luz. Parece que escolhi bem o dia. É que não foi só o resultado. O Benfica jogou mesmo muito bem. A impressão com que fiquei é que os próprios jogadores do Vitória de Setúbal, por vezes, ficavam simplesmente a ver jogar porque era uma pena perder o espectáculo. O público correspondeu ao esforço dos jogadores. O golo oferecido no final ao Vitória foi imediatamente perdoado. Os rostos de todos quantos saíam do estádio evidenciavam uma grande alegria. Foi uma festa!



Antes do jogo os adeptos carregavam baterias e até se comiam hamborgas(?)!


















Ao intervalo ainda os nomes dos autores dos golos cabiam no painel.











No final do jogo só um dos golos estava a mais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Quase sem habitantes mas com prémio...





Os arquitectos Alves Costa e Sergio Fernandez receberam recentemente o grande prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte/Ministério da Cultura. Um dos trabalhos referidos pelo júri foi o estudo de recuperação e valorização patrimonial da aldeia de Idanha-a-Velha (integrada no Programa das Aldeias Históricas). Porque andei por lá recentemente e gostei do que vi deixo aqui a referência.


Idanha-a-Velha, Julho 2009

Um avô

Interior do Mercado da Ribeira em Lisboa. Hora do almoço. Os produtos nas bancas já estão cobertos. Um vendedor, com ar um pouco cansado, mas divertido, empurra um carrinho de transporte de caixas que leva apenas uma, das de esferovite. Dentro dela vai uma criança, de cerca de três anos, provavelmente neta, de chucha na boca, que observa o que resta do movimento causado pelas limpezas do chão.

A limpeza dos canteiros

Conímbriga, Julho 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As praias das nossas vidas têm espelhos

Estive finalmente nas Praias de Agnès e os meus olhos estão plenos de cinema.



Alguém que consegue viver a vida de forma tão intensa como o fez Agnès Varda e, ao mesmo tempo, constrói as suas próprias recordações, coleccionando imagens tão significativas e conseguindo, aos 80 anos, fazer um filme como este só pode ser digno da nossa admiração.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Actualização

Eu acho que quem retirou a oferta não o fez por "problemas de pagamento" mas por medo da ira do fantasma do Sr. Poncher. Ou teria sido por recear não conseguir "descansar em paz" naquele local? É que ter como vizinho, para toda a eternidade, Hugh Hefner também não deve ser fácil!

Tomb with a view?

Quem quer comprar um túmulo bem localizado? "Here is a once in a lifetime and into eternity opportunity to spend your eternal days directly above Marilyn Monroe"
Era este o anúncio e parece que resultou porque a agora ex-proprietária arrecadou uma boa quantia. Os filhos, que ainda vão gozar o dinheiro em vida, devem ter concordado.
Mas não sei se tal quantia pagará as visitas, menos agradáveis, do fantasma do antigo ocupante do espaço que, assim, será desalojado de um lugar que qualquer outro defunto invejaria.

O que vale é que fica tudo na mesma direcção!


- Então, vamos ver as ruínas, ou ficamo-nos pelo parque de merendas?
- Eu, por mim, vou mas é comer um gelado!

E porque é que, ao longe, quem não fala português só lê as indicações do parque de merendas e dos gelados?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nunca é tarde para aprender

Acalmem-se os críticos. Carolina Patrocínio vai regressar às aulas (passe a publicidade)!
Talvez agora alguém lhe explique a incompatibilidade entre a sua visão do mundo, pelo menos no que diz respeito ao mundo das frutícolas e as ideias que é suposto o partido que a escolheu para mandatária para a juventude, defender. Ou será que o descascar da fruta em casa de Carolina é uma tarefa tão vasta que justifique, por si só, a existência de um posto de trabalho a mais? Nesse caso...
Na mesma altura, terá dito: “Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!”. Ora isto não augura nada de bom para o seu regresso às aulas. Material não lhe faltará mas os professores que fiquem atentos!

Já foi há 25 anos!

Este fim de semana estive a ouvir uns discos destes fantásticos This Mortal Coil, que já não ouvia há um tempo e que me lembram os anos da faculdade. Esta música está no album de 1984, It'll End in Tears. Quem é que se lembra?

sábado, 22 de agosto de 2009

Turistas

Gosto de turistas. É certo que, por vezes, invadem as cidades e Lisboa, em Agosto, é prova disso, com a quantidade de autocarros de turismo a despejar excursões e os guias armados de flores de peluche, chapéus de chuva, placas com o nome das agências… que levantam no ar para terem a certeza que fazem tudo para não perder nenhum elemento do seu rebanho.
Mas gosto, sobretudo, dos que não vêm em grupos. Que andam nos transportes públicos que, sem eles, circulariam vazios este mês; que percorrem as ruas, com os mapas na mão, à procura dos locais que nós já conhecemos. Às vezes apetece-me interrompê-los e fazer uma sugestão, dizer-lhes para irem a algum sítio, menos referido nos guias, para que sintam Lisboa como ela é.
Mas aquilo que mais gosto é a forma como eles olham para as coisas, os edifícios, o rio, como escolhem o que fotografar e os comentários que fazem, quase sempre positivos, tornando-nos mais orgulhosos da nossa cidade.
Esse olhar leva-nos, muitas vezes, a olhar também e a ver o que já nos esquecemos que está lá, à força de o olharmos todos os dias. É assim que, não raramente, descubro uma janela, um passeio em calçada que piso todos os dias, uns graffiti que ainda não tinha reparado que estavam ali, o brilho do rio ao final da tarde…

Onde é que foi tirada esta?

Uma família composta por casal e duas crianças atravessa a rua e dirige-se, munida de máquina fotográfica, para a estátua do Duque da Terceira, na Praça com o seu nome (Cais do Sodré). As crianças trepam pelo pedestal. A mulher coloca-se mesmo ao centro. Todos em pose. O homem tira uma fotografia que, pelo que se vê, apenas enquadra os três, nada mais. Depois vão embora.

Ninguém a ver o mar

Julho 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aqui também há "dedo de arquitecto"

Julho 2009

Mau gosto

Quem teria sido o autor desta magnífica ideia de colocar esta placa na entrada de um hospital? Claro que os optimistas podem acreditar que o "tomorrow will bring" saúde, por exemplo. Mas a maioria não me parece que aprecie a frase do poeta. Bem, pode ser que os doentes que lá entrem não saibam inglês!



Hospital de Saint Louis em Lisboa

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"com trinta e seis hipóteses no rolo"


A Máquina Fotográfica

É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água

água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boa nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato.

Chego de longe. Venho em férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
o tempo de onze meses de ordenado;
por isso, meu amor, viajo a nado
não por ser português mal empregado
mas por sofrer dos pés
e estar desidratado.

Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única sombra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva.

Moras aonde eu sei.
É na distância
onde chego de táxi.
Sou turista
com trinta e seis hipóteses no rolo;
venho ao teu miradoiro ver a vista
trago a minha tristeza a tiracolo.

Enquadro-te regulo-te disparo-te
revelo-te retoco-te repito-te
compro um frasco de tédio e um aparo
nas tuas costas ponho uma estampilha
e escrevo aos meus amigos que estão longe
charmant pays
the sun is shining
love.

Emendo-te rasuro-te preencho-te
assino-te destino-te comando-te
és o lugar concreto onde procuro
a noite de passagem o abrigo seguro
a hora de acordar que se diz ao porteiro
o tempo que não segue o tempo em que não duro
senão um dia inteiro.

Invento-te desbravo-te desvendo-te
surges letra por letra, película sonora,
do sendo à vogal do tema à consoante
sem presença no espaço sem diferença na hora.
És a rota da Índia o sarcasmo do vento
a cãibra do gajeiro o erro do sextante
o acaso a maré o mapa a descoberta
dum novo continente itinerante.

José Carlos Ary dos Santos
Obra Poética
Lisboa, Edições Avante, 1994

A Fotografia ainda nos espanta

A propósito do Dia Mundial da Fotografia relembro aqui Pedro Miguel Frade (1960-1991) e o seu livro "Figuras do Espanto. A fotografia antes da sua cultura", Edições Asa, 1992 (esgotado, que se saiba) no qual faz uma análise da mudança, ao longo do tempo, das nossas atitudes em relação ao objecto fotográfico.
O livro não o tenho (nunca consegui encontrá-lo à venda). Mas do autor recordo as aulas de Semiologia na faculdade e a paixão que nos transmitia quando o tema era a Fotografia. Mesmo quando falava da fotografia criminal e projectava no ecrã imagens de cadáveres nas morgues (eu acho que ele observava as nossas reacções), a pertinência das suas reflexões deixavam-nos, ou pelo menos a mim deixavam-me, sempre, com uma sensação de que saía dali mais rica do que quando entrava. E o que é que podemos querer mais de um professor?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Reedição (não alcoólica) do "Pátio das Cantigas"?

R. da Bica de Duarte Belo (a do elevador da Bica) à hora de almoço. Trabalhadores de uma empresa de telefones acabam de fazer um furo, na fachada de um edifício, de onde jorra um jacto de água, com uma intensidade tal, que chega à fachada do prédio em frente. Felizmente a loja que aí existe está fechada. Os transeuntes têm que optar entre passar por baixo do jorro e molharem-se ou passarem por baixo da escada que os funcionários da empresa (que se encontram todos ao telemóvel a tentar resolver o problema) encostaram à parede para poderem subir, arriscando-se, assim, ao azar associado. Os moradores na zona, esses, aproveitam para darem largas ao seu humor inspirado por tão forte esguicho.

Ainda a praia

Julho 2009

Uma praia

Julho 2009

Liquidação total de quê?


Jamais, presidente Jammeh

Uma notícia de hoje do Jornal i desperta a atenção. O Presidente da Gâmbia, o país mais pequeno de África, teve um sonho que se transformou num pesadelo para os que se cruzam com os seus "Green Boys" que raptam e torturam os que consideram bruxas e feiticeiros, responsáveis pelos males do país.
Mas há muito mais. Yahya Jammeh que, em 1994, derrotou o anterior presidente e estabeleceu a ditadura no país, foi reeleito em 2001 e criou uma lei que proíbe a existência de partidos na oposição. Depois de divulgar que tinha encontrado uma cura para a Sida, à base de plantas medicinais, e que por isso todos os infectados não necessitariam tomar mais medicamentos, ameaçou decapitar todos os homossexuais do país. Se procurarmos encontramos outras atitudes deste "presidente" que, mesmo se descritas num documento da Idade Média, seriam difíceis de acreditar. E, afinal, parece que tudo isto se passa hoje! Como é que é possível que a comunidade internacional não faça nada?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Com que idade deixamos de viver?

Já sabíamos que, com o aumento do número médio de anos de vida esperados, muitos dos que vivem mais tempo param de viver muito antes. Ou porque o envelhecimento do corpo (aqui incluindo o cérebro) os ultrapassa; ou porque as aprendizagens que fizeram ao longo da vida apenas os prepararam para, a partir de determinada altura, esperar a morte.
Já sabíamos que há quem pense, como a protagonista do filme, que, a terceira, ou a quarta idade não são uma morte antecipada. Já sabíamos que as histórias de amor não enquadradas no "socialmente correcto" têm consequências. Neste caso se, para os "novos amantes", elas são positivas, para quem se vê, no final da vida, mergulhado ainda em mais solidão, elas são trágicas.
Já sabíamos isso tudo. Aliás nada do que neste filme se fala é novidade. A não ser que não estamos habituados a vê-lo no cinema. Fica, no final, a sensação de que não saberemos nunca qual a melhor decisão a tomar: se viver, se ouvir passar os comboios (alusão ao passatempo de uma das personagens).