sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A angústia de um presidente antes do final do mês

Não, por favor, digam-me que isto não aconteceu. O Presidente da República de um país chamado Portugal, sim, esse em que a média dos rendimentos mensais dos seus habitantes é confrangedora, veio dizer, para os que o quisessem ouvir, que não consegue, com as reformas que tem, pagar as despesas. E agora, o que vamos nós fazer? Será que a Troika aceitará um acordo extraordinário para pagar as contas da lavandaria de Cavaco Silva? Amanhã vou fazer sopa numa panela maior que o costume e entregar uma caixa no Palácio de Belém.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Descoberta recente

A moda dos Cabazes

É o novo grito da moda em supermercados: o cabaz. Aqui ficam uns exemplos:

Cabaz Família Bebidas
Cabaz Família Carne
Cabaz Família Casa Limpa
Cabaz Família Congelados
Cabaz Família Higiene Pessoal
Cabaz Família Lacticínios
Cabaz Família Loiça
Cabaz Família Mercearia
Cabaz Família Roupa Limpa

Agora podia fazer uma brincadeira tipo:
Cabaz Família Queijo Gouda ou
Cabaz Família Tulipas...

Mas não o vou fazer. Até porque o Sr. Pedro Soares dos Santos escreveu-me "em nome dos mais de 25 mil colaboradores" (o que eu gosto desta palavra...) que a cadeia de supermercados emprega em Portugal para partilhar comigo "três verdades fundamentais que não têm obtido a atenção devida" e que eu, por não me apetecer transcrever tudo aqui, não vou reproduzir (até porque parece-me que o Administrador-Delegado da empresa não me escreveu só a mim). Só para dizer que fiquei muito mais tranquila quando percebi que os  impostos podem nem ficar todos cá mas os cabazes, esses, são só para nós... 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Magdalena Carmen

Nunca apreciei especialmente a pintura de Frida Kahlo. Provavelmente não compreendo inteiramente o sofrimento excessivo dos seus quadros, inspirados na sua vida que foi curta mas cheia de momentos terríveis. E não é fácil compreender o que sentiria alguém tão duramente marcada pela dor física e pelas pequenas e grandes tragédias do seu preenchido quotidiano. André Breton terá escrito que a sua obra era surrealista. Frida terá dito depois que tal não era verdade pois nunca pintou sonhos mas a sua própria realidade. 
É dessa realidade que podemos espreitar alguns episódios na exposição organizada pela Casa da América Latina de Lisboa que está, até ao final do mês, no Museu da Cidade. 
E a verdade é que, se a sua pintura não me entusiasma, sempre admirei a forma como viveu e sobreviveu num México em mudança e como a sua vida pessoal se cruzou com os importantes movimentos colectivos e com personagens que deixaram a sua marca naquele país e no mundo. É este percurso, ao mesmo tempo íntimo e mais alargado, que podemos acompanhar pelas fotografias tiradas por si ou em que ela está presente. Eu fiquei a conhecê-la melhor. E a sua obra passa a fazer mais sentido para mim.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A educação virtual

No final da semana passada, na minha qualidade de encarregada de educação, estive presente numa reunião na escola que as minhas filhas frequentam. Para além das questões da avaliação são normalmente dadas informações, entre as quais a programação de algumas actividades e visitas a realizar no período seguinte. Ora, chegados a este ponto, ouvi, não sem alguma indignação, mas compreendendo perfeitamente os motivos, que este período não vai haver visitas a qualquer lugar fora da escola. A menor disponibilidade de dinheiro por parte dos pais dos alunos (que têm que pagar entradas e deslocações) levou a escola a substituir essas visitas com visitas virtuais a alguns museus que as disponibilizam nos seus sites. 
Para os museus ou outros organismos que sobrevivem, grande parte, graças a esta componente das escolas será, certamente, um problema. E para os miúdos não será a mesma coisa. Pois não. Mas a crise chega a todos.     Até a quem a escola deveria proporcionar um alargamento de horizontes. Fiquemos-nos então pelo ecrã do computador. Esperemos que, ao menos, a dimensão e a resolução sejam boas.

Os anjos podem ser terríveis

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A neve tem muitos nomes

Ainda não tinha tido oportunidade de ouvir o disco de Kate Bush, 50 Words for Snow, um dos dois que publicou o ano passado. Já esperava gostar. Agora tive a certeza.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda falam dos mais velhos!

- Mãe, hoje andei três intervalos à procura da Beatriz para lhe dizer uma coisa. Quando a encontrei e lhe quis dizer o que queria esqueci-me do que era. 

M. (11 anos)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

As crianças e nós

O filme começa e acaba nas crianças. São elas que criam o problema à volta do qual gira toda a acção e são elas que o resolvem sem precisarem da intervenção de mais ninguém. De facto, apesar do único sangue presente acontecer no parque onde as crianças brincam, é entre adultos que a carnificina tem lugar. O que começa por ser um encontro entre pessoas civilizadas transforma-se numa batalha que vai para além da mera troca de palavras para ter verdadeiras consequências físicas.
Pelo meio, via telefone, acompanhamos ainda um tema bastante controverso nos EUA: o grande poder da indústria farmacêutica.
Muito teatral, as expressões faciais dos quatro actores são de uma enorme riqueza (o cartaz de promoção é muito bem escolhido). Em certas cenas, como a das gargalhadas, partilhada entre as mulheres, ou a das constantes reentradas no "cenário" parece haver até algum exagero. Mas tudo isso me parece deliberado. É que, dessa forma, se demonstram as enormes dificuldades, para não dizer incapacidade, dos adultos para ultrapassarem os seus problemas, portadores que são de dúvidas, frustrações, ideias feitas que os impedem de os analisarem claramente. Já as crianças, sem elaborações desnecessárias, limitam-se a resolvê-los.
Catarse é a palavra que mais facilmente nos surge quando ouvimos expressões como: "I am glad our son kicked the shit out of your son and I wipe my ass with your human rights!"
Todos nós devíamos, de vez em quando, ficar fechados e ser confrontados com os problemas em vez de falar deles à distância. Terapêutico, sim. E quem melhor que Polanski para o filmar?

Ainda mal começámos o ano e já estamos no dia 3

"Não há espectáculo mais belo para um homem sem antolhos que o da inteligência em contenda com uma realidade que ultrapassa o seu entendimento"

in Albert Camus, O Mito de Sísifo, Lisboa, 198..., Livros do Brasil, p. 70

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estado de espírito para 2012

Um pessimista e um optimista conversam sobre a vida e as dificuldades do momento.
Diz o pessimista: 
- Isto bateu no fundo! Não há já mesmo nada a esperar. Pior que isto é impossível! Da maneira que estamos pior não pode ficar!
Responde o optimista:
- Ai pode, pode!

Um outro método

Há já algum tempo que não ia ao cinema. Hoje vi: "Um método perigoso". Não é um filme típico de Cronenberg  diz quem sabe. Não será. Mas muitos foram os motivos para ter gostado deste filme. A beleza das imagens, a reconstituição da época que me pareceu muito bem conseguida, a interpretação dos actores, numa pose muito teatral e sobretudo a hipótese de ficarmos a conhecer (para quem não se interessa tanto pelas coisas da psicologia) as ideias de Freud e de Jung, aquilo que os aproximava e afastava. Baseando-se no que realmente se terá passado, este filme lembra-nos as constantes partilhas entre o desenvolvimento da ciência e os contextos em que ela é produzida. E não nos deixa esquecer que os homens que lidam com sentimentos dificilmente deixam os seus próprios sentimentos de lado.

"Come on, get happy Cause nothing lasts forever"

Fez ontem 65 anos. Com uma vida tão cheia certamente não a esqueceremos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Além disso os EUA não são em África nem são o Brasil...

Hoje, logo pela manhã, mal liguei o computador, pensei que Passos Coelho me tivesse mandado um email. Era um convite para participar na lotaria oficial do green card dos Estados Unidos. Dizia "Viva e trabalhe nos EUA. 55,000 pessoas ganharão um green card para os EUA para a vida toda". "Inscrição fácil e assistência online a cada passo". Só depois percebi que era SPAM.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Desabafo

O que vale é que só teremos novamente um dia como este daqui a um ano!

Onde estavam vocês no Natal de 1984?

Ao longo deste dia ouvi várias vezes, na rádio, passarem esta canção. Também em programas de televisão ela apareceu como "a" canção de Natal, para várias pessoas. Eu lembro-me bem dela. Mas daí até destronar o Sinatra... Pelo sim, pelo não, podem ver o original, esta versão dos Clã, esta de David Fonseca, ou esta de Erlend Oye, dos Kings of Convenience:

Despedida de... (como hei-de chamar-lhes)... pré-procriadores?

Tínhamos a honeymoon. Agora temos o babymoon. Dizem os inventores da ideia que é uma despedida dos momentos a dois dirigidas aos futuros papás. Esta inclui sessões de massagens relaxantes. De acordo com a tradição cristã, há 2011 anos, um casal fez o mesmo mas o método escolhido foi a caminhada.

sábado, 24 de dezembro de 2011

É Dezembro, de certeza. Natal, hum...

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Era bom, era...

Psycho (versão infantil)

- Ó mãe: acho que é melhor trancares a porta da cozinha quando te deitas. E se eu, uma noite, fico sonâmbula de repente e vou à cozinha mexer nas facas?
(M. 11 anos) 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma questão de reputação

Embora sabendo nós que estas classificações valem o que valem é interessante perceber que este ano as boas notícias sucedem-se. E será que esta boa imagem da cidade, para quem está de fora, corresponde a uma percepção semelhante para os que cá estão? É que parecê-lo é importante. Mas sê-lo ainda é mais.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

Alegria na Praça.

A dúvida e a dívida

Brecht terá dito que "de todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida".  Agora 44 cidadãos dizem-nos que de todas as coisas inseguras a mais insegura é a dívida. E sobre isso não têm dúvidas. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um Natal pela metade


Desde que nasceram as minhas filhas que a época natalícia lá em casa começava quando, numa das primeiras noites de Dezembro, íamos até à Baixa de Lisboa ver as iluminações de Natal. Era apenas um pretexto. Lanchar, comprar castanhas assadas e comê-las enquanto passeávamos, víamos as montras e apreciávamos os efeitos das luzes era um ritual que já fazia parte das nossas vidas.
Este ano a crise interrompeu a tradição. Devido à necessidade de contenção de despesas a Câmara Municipal de Lisboa decidiu cortar nos gastos e não há iluminações. Algumas instalações de alguns artistas nas principais praças da cidade é o que nos lembra a época. Compreendo e aprovo esta decisão. Mas não posso deixar de sentir que o Natal em Lisboa não será a mesma coisa. Para quem, como eu, tem um défice de espírito natalício sair ao final da tarde do trabalho e passear por baixo das luzes era algo que gostava de fazer e que, de alguma forma, me aproximava mais de algo a que não atribuo grande importância.
E se, por exemplo, Fernão de Magalhães, na Praça do Chile, está muito bem protegido por centenas de chapéus de chuva coloridos, já quem percorre a R. Augusta e chega ao Arco encontra umas metades de árvores vermelhas que nos demonstram que, pelo menos este ano, é difícil termos um Natal inteiro.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Miúdos

Têm cerca de 11 anos. Estão os dois sentados na rua, numa daquelas caixas de electricidade. O passeio não é largo e as suas pernas, que esticam à vez, quase parecem tocar os carros que passam. Riem. Têm um ar feliz. Estão de mãos dadas. 

Água mole em pedra dura...

Ora, cá está!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um título duvidoso

Para alguma coisa acabar com outra coisa não é suposto a segunda coisa existir? É que, pelo menos na parte que me toca, é uma questão que não se coloca há muito tempo...

Bicicleta a pilhas

O ciclista efectuava, com a sua bicicleta de plástico e metal, voltas e mais voltas. Enquanto as pilhas não se gastassem, o dono da loja iria continuar a pô-la em movimento. A música incorporada no brinquedo (o que mais afasta potenciais compradores), não parava, fazendo eco naquele túnel de acesso à estação dos comboios. A mulher estava encostada a uma parede. Os seus olhos não paravam de olhar o boneco. Não pareciam vê-lo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A bandeira

O local é o Centro Escolar Republicano Almirante Reis. Numa das paredes uma vitrina com uma bonita moldura castanha. Dentro dela uma bandeira, a bandeira portuguesa. Está gasta e as linhas utilizadas para bordar a esfera e o escudo estão a soltar-se do tecido, que por sua vez está a esboroar-se. As cores, que ocupam exactamente a mesma área e estão dispostas de forma oblíqua, estão já desbotadas. Uma bandeira cheia de história.

E mais qualquer coisa...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quem tem recursos... mete recursos

"Ora dá cá um 
A seguir dá outro
Depois dá mais um
Que só dois é pouco..."

Lembrei-me da canção do Herman a propósito desta notícia.              

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Mais uma vez: "Sweetheart, you're so cruel"

O caso é sério. Mas apetece mesmo brincar.
Com o motivo, prosaico mas compreensível: o rapaz "estava «entediado com a namorada» pois «ela não era tão bonita como as raparigas que via no ginásio» e queria «livrar-se dela»"; 
com a capacidade de rivalizar com os melhores truques de escapismo de Houdini, da rapariga que "conseguiu abrir a caixa e sair da vala «com muita dificuldade»";
com a pressa e ansiedade demonstrada pelo criminoso que "duas semanas antes de tentar matar a namorada, ... mudou o seu status de «casado» para «solteiro» no Facebook"
e com a explicação do promotor que elucidou que «enterrar alguém vivo tem consequências que são conhecidas. Depois de pouco tempo a pessoa morre por falta de oxigénio".
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Sweetheart, you're so cruel"

Numa altura em que Bono terá confessado algumas dúvidas em relação às suas capacidades vocais aqui está uma versão do meu agrado de "So cruel".

A espada e o escudo

O rapaz caminhava com as mãos nos bolsos, com um ar bastante decidido. Da mochila pendia o escudo. A espada tinha sido colocada transversalmente no topo. Eram de cartão mas a segurança que transmitiam fazia-nos imaginar que ele estava a regressar de um torneio medieval onde a sua agilidade com esses objectos lhe teria permitido alcançar o prémio da sobrevivência. Estaria ele disposto a contar as suas aventuras?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Em que estou a pensar...

A minha relação com o Facebook sempre foi de desconfiança. Não me perguntem porquê. É uma coisa instintiva. Lá tenho uma conta e alguns amigos. Mas para além de dizer que gosto de algumas coisas, comentar muito de vez em quando e mandar parabéns, pouco lhe ligo. Passam-se, aliás, muitos dias sem que lá vá espreitar. 
Não sou muito adepta das teorias da conspiração. Mas a minha postura em relação a quase tudo é acreditar que tudo é possível. Daí achar que a questão levantada por este rapaz pode fazer sentido.



Ah, quanto a este vídeo vi-o, pela primeira vez, no Facebook.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Por enquanto...

Embarcações, naves...

Aqui há uns anos estive no barracão onde o local de culto e todos os outros serviços da Paróquia de S. Francisco Xavier funcionavam. De facto, o espaço deixava muito a desejar. O Padre Colimão não conseguia milagres. E a capela ou ermida de S. Jerónimo não servia os propósitos de uma paróquia com bastantes fiéis. Depois de tanta polémica parece que este sábado lá será inaugurada a nova igreja do Restelo. Apesar das alterações ao projecto inicialmente apresentado esta versão continuará a merecer muitas críticas. Lá irei fazer umas fotografias qualquer dia.
Quanto a esta lá continua a estrutura à espera de ser preenchida pela... apetecia-me dizer carlinga mas isso é só a parte de cima da nave... 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma versão que nos faz sorrir

Passe a publicidade (apesar de ser uma boa causa), a verdade é que achei muito engraçada esta versão do Rui Pregal da Cunha para a canção "Indo eu, indo eu..."

sábado, 26 de novembro de 2011

O estádio de Babel

Ena!...
Já repararam que este sábado no Estádio da Luz vamos ter um jogo em que os dois treinadores são portugueses? Deve ser tão interessante ouvir as instruções que eles gritarão para dentro do campo! E qual será a língua utilizada?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Blue Mountains

A minha belíssima nota no exame global de História no 12.º ano (ou terá sido no 10.º?) foi obtida com uma enorme ajuda do "Por Este Rio Acima". Sabia as letras todas de cor (ainda hoje as sei) e muitos dos termos serviram, que nem uma luva, às respostas às questões colocadas. 
As "Crónicas da Terra Ardente" já não "li" com o mesmo fervor. Mas merecem um lugar especial.
Agora Fausto lançou o último volume da trilogia. Curiosamente o tema que Vinicio Capossela explora no seu último disco, lançado também este ano. Do que já ouvi pareceu-me uma sonoridade muito semelhante aos anteriores volumes com o que isso tem de bom e de mau. Mas só ouvindo...
Ainda não sei onde ficam as montanhas azuis de que fala Fausto. Serão as da Austrália? Se souberem não me digam que quero ser eu a descobrir.

A minha ironia

Depois de ver o post do jaa apeteceu-me falar da "minha ironia". É que hoje também foi um dia bastante produtivo. Fiquei a trabalhar em casa e o dia até rendeu bastante, mesmo descontando o tempo em que tive que interromper para fazer de mãe e "dona de casa" uma vez que as minhas filhas, como não tiveram escola por causa da greve, estavam comigo. 
Por contingências pessoais, esta funcionária pública que sou viu-se, este ano, a ganhar menos e a trabalhar mais por ter decidido mudar de local de trabalho abraçando um novo desafio, que só com muita força de vontade se leva a bom porto. E um relatório a entregar segunda-feira obriga-me a um esforço extra. Sabia, portanto, que não poderia perder um dia de trabalho nesta altura. 
Mas vamos lá à ironia: a primeira coisa que fiz de manhã foi telefonar para o sítio onde trabalho a avisar que faria greve para registarem a respectiva falta. Pois é. Já ouvi e li os argumentos que demonstram que não serve de nada, que prejudica mais o país que outra coisa. Compreendo e respeito os que não fizeram greve. Muitos assim decidiram porque o dinheiro lhes faz falta ou porque sabem que é um ponto negativo a mais que o patrão invocará em caso de contas de deve e haver. Foi com muitas dúvidas que decidi aderir, tal como o tinha feito há um ano atrás. Podem argumentar que assim não vale. Fazer greve e trabalhar não é verdadeiramente greve. As minhas filhas também não compreenderam. Na realidade não só não prejudiquei como beneficiei o Estado pois além do dinheiro que poupou, nem a água e a luz consumi.
Mas digo-vos: o dinheiro perdido é compensado por este sentimento de que, mesmo no meio das contradições e desconhecendo quais os números reais, estou no lado certo das estatísticas.

post publicado também aqui.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tenham dó!

Hoje nuns minutos que vi de um concurso na televisão, daqueles em que os concorrentes respondem a perguntas de cultura geral,  o apresentador pedia: complete o seguinte verso da canção dos Beatles. Obladi Obla..... E o  interrogado respondeu: ...dó.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A pequena harmónica

Era de manhã cedo. Chovia. Não muito mas o suficiente para me obrigar a semicerrar os olhos enquanto caminhava. Na minha direcção um homem aproximava-se. Pareceu-me que aquecia as mãos enquanto andava. Quando passou por mim percebi que não era essa a explicação para as mãos junto ao rosto. Ele tinha uma pequena harmónica que tocava baixinho, como se fosse só para ele. Só para o ajudar a caminhar. À chuva. Sozinho. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"(Quando o dia entardeceu)"

Dela pouco sabia. De J.P.Simões sou fã há muito tempo. Juntos resultam muito bem nesta bonita canção. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Parabéns Rui, Tóli e Jorge

Desde a altura em que o Alexandre, o Vítor e o Tóli queriam ver Portugal na CEE até hoje eles mudaram bastante. O país mudou bastante. Também eu e muitos dos que começaram a ouvi-los nessa altura mudámos muito. É certo que há muitos anos que deixei de os acompanhar, musicalmente falando. Mas é um facto que fazem parte da minha história.

Pouca terra...

Não será exactamente, como era no início da exploração da linha, uma viagem "morosa, poeirenta, fatigante, sacudida de solavancos", como se lê neste texto publicado no "Cantinho dos Comboios" pelo Luís.
No entanto, de há algum tempo a esta parte, parece que, na linha de Cascais, temos andado para trás no tempo. A supressão de comboios, que começou por ter umas desculpas esfarrapadas e a garantia que era uma situação temporária até se tornar num facto permanente; notícias sobre as dificuldades em garantir a manutenção do material; a falta de limpeza das composições, pelo menos no exterior, que tornam os comboios um misto de mupi para colocar publicidade e parede para vermos graffiti; são a face mais visível da situação. 
A austeridade, ao que parece, é a grande culpada impedido a CP de equacionar a compra de novos comboios e de cumprir o que até agora era uma obrigação. A empresa tem perdido certamente. Mas, sobretudo, perdemos todos nós. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Crazy. Uma versão.

Concorrência

O metro parou e as portas abriram-se. Eles estavam prestes a entrar. Com os seus bombos, guitarras, triângulos e as vestes pretas queriam, certamente, dar música aos passageiros. Mas, mal a primeira entrou na carruagem, imediatamente recuou e, com ela, todos os outros. O homem, com o acordeão já bastante velho, tocava "Les feuilles mortes" com empenho e concentração. Naquele momento era ele o rei. Não havia lugar ali para mais músicos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um prazo demasiado curto

Sem saber que filme escolher abri a página do CineCartaz. A imagem de um filme chamou-me a atenção. Era Restless. Li a sinopse e apesar de estranha achei a história interessante e arrisquei. Depois de tanto tempo sem ir ao cinema este foi um regresso inquieto. 
Escolher o que fazer quando se tem pouco tempo de vida,  agir no presente sabendo que em breve ele será passado... Ou então lidar com o passado quando é ele que assombra o presente. Simultaneamente sabe-se que os últimos dias são os melhores e mais importantes de uma vida. 
Não percebi ainda o que sinto em relação a esta história. Mas conseguimos compreender as personagens. Admiramos a coragem de Annabel. Percebemos o comportamento de Enoch. Sofremos com Elizabeth. É por isso que o filme nos toca tanto. Afinal de contas quantos de nós não estão inquietos?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A propósito de museus

Ao fim de algum tempo a pensar ir lá fui, finalmente, ao Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. O edifício, projectado por Alcino Soutinho, cumpre muito bem a sua função. 
A exposição permanente permite-nos ficar com uma perspectiva global. Numa época em que me parece que se tem esquecido com frequência este movimento este museu lembra-nos a sua importância histórica e literária. A minha geração, logo a seguir a Abril de 74, recorda-se certamente de muitos textos que constavam dos livros da disciplina de Português e até dos livros de leitura obrigatória, numa tentativa de compensar os muitos textos censurados e as vidas difíceis dos seus autores antes dessa data. Muitos de nós tomavam contacto com estes escritores nessa altura. 
Um dos que mais líamos era Alves Redol. O seu Constantino, personagem admirável, tinha a nossa idade e apesar de estar longe de nós, no tempo e na vivência, vivia as aventuras que nós imaginávamos que gostaríamos de viver também.
E até final deste ano, em que se comemora o centenário do nascimento de Alves Redol, o museu dedica-lhe uma importante exposição. Vale a pena ir até Vila Franca. Uma grande parte da História do nosso país no século passado está lá. E nunca é demais lembrarmo-nos dela.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Arte na rua

Os museus não estão mortos. Alguns estão adormecidos. É um facto. E a arte na rua existe desde sempre. Os custos são muito limitados e o público está quase sempre garantido. Mas o que terá acontecido a esta obra com a chuva que tem caído?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ciclos

Mais do que os enfeites em espaços comerciais, que já estão aí, o dia em que "o homem do lixo" bate à porta é um sinal de que entrámos na época natalícia. E hoje, estava eu a fazer o jantar, lá apareceu um funcionário da autarquia com o seu fato laranja a entregar um papelinho, que já foi um cartão mas que agora é apenas um pedacinho de papel mal cortado, onde vemos um pai natal e uma fotografia de uma camioneta do lixo, modelo de brinquedo. O texto diz invariavelmente o mesmo, de ano para ano: "o pessoal da camioneta de recolha do lixo deseja a V. Exa. e família um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo". Mas este ano não me limitei a dar a minha pequena contribuição da praxe e dei também uns dedos de conversa. O Sr. Daniel, assim se chama, trabalha há 30 anos na câmara. Já conheceu dois presidentes, muitos vereadores, chefes, técnicos. Queixou-se de que ninguém quer fazer o trabalho que ele faz. Mas há que aguentar que "isto está mau". Os 475 euros por mês chegam-lhe para pagar a renda de uma casa num bairro social e contribuem para a sobrevivência da família agora reduzida a duas pessoas desde que as suas filhas constituíram, elas próprias, uma família. Do passado recorda a noite fatídica, num dia de 1979, em que a tempestade lhe levou o seu bebé de 7 meses, arrastado numa vertente junto a um dos faróis, ali mesmo na Marginal, onde ficava a barraca onde viviam. A imagem de um rapaz de 18 anos com o bebé nos braços e da sua mulher de 15 a fazerem sinal aos carros para pararem numa tentativa desesperada de salvamento deixou-me uma forte impressão. E, no entanto, foi o seu sorriso que mais marcou toda a conversa. Mesmo quando contou que o presidente da Câmara da altura, em visita ao local, não encontrou nada melhor para dizer a não ser que a vista daquele sítio para o rio devia ser uma maravilha no Verão. 
No fogão os meus tachos reclamavam atenção. Despedi-me com o tradicional "boas festas". E ele lá seguiu para bater a outra porta, depois de me dizer um "até para o ano" que, mesmo com as dificuldades que aí vêm, terá também um Natal. E tenho a certeza que, se se mantiver na recolha do lixo, e apesar de todas as dificuldades, o Sr. Daniel tocará à minha porta com um sorriso e um papelinho na mão.

domingo, 6 de novembro de 2011

Pergunta e resposta

Ela pergunta-lhe: «O que queres?» Ele diz: «Quero cair e que tu me apanhes na queda».

James Ellroy referindo-se, numa entrevista, a um diálogo entre personagens do seu livro Sangue Vadio.

sábado, 5 de novembro de 2011

one way or another...

Medo improvável

"Tenho medo de adormecer e quando acordar estarmos todos mortos."
(Moradora na localidade de Praia de Mira, preocupada com os efeitos do avanço do mar, em entrevista à TSF)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma das razões/poemas porque gosto de Pedro Tiago

Uma conversa de almofada

revoltavas-te, as tuas costas dobradas,
inclinadas para a frente, os seios tocando
nas pernas enquanto procuravas uma meia
debaixo da cama e franzias as sobrancelhas
numa cara de criança que acorda tarde:
«não percebo porque é que a poesia
tem de ser tão absurda». e eu respondia-te
que tem de ser assim, porque o mundo
já está cheio de coisas concretas e práticas
que não fazem sentido nenhum.

in Pedro Tiago, O Comportamento das paisagens, Lisboa, Artefacto, 2011, p. 46

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Inversão dos factores

Depois de ouvirmos todos os dias notícias sobre a Grécia a tremer por causa da Europa; hoje a comunicação social teve algo de verdadeiramente diferente para nos dar: a Europa treme por causa da Grécia. Só que, neste caso, a comutatividade não está garantida, ou seja, a ordem dos factores pode alterar o resultado final.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Perseverança

Teria uns 10 anos. Seguro, para a sua idade, aproximou-se e ali ficou. Talvez tivesse sido atraído pelo grupo de seis miúdas sentadas na relva, talvez pelos cães que todas seguravam pelas respectivas trelas. Imediatamente começou a falar. De si, do seu irmão com quem se zangava muitas vezes, da sua casa. Elas, umas mais novas, outras mais velhas que ele, primeiro ignoraram-no. Ele não desistiu. Falava, ora olhando para uma, ora para outra, depois uma terceira, procurando um sinal que não vinha. Até que uma delas resolveu passar ao ataque: "vai-te embora! Não vês que não estamos interessadas nessa conversa?" O miúdo pareceu surpreendido. Mas não deu parte de fraco. Respirou fundo e recomeçou. A situação repetiu-se várias vezes. Até que elas, talvez cansadas ou talvez puxadas pelos cães, se foram levantando e se afastaram. Ele ficou sentado a olhá-las.  

Dúvidas incompreensíveis

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A bicicleta cor-de-rosa

De um dos lados um grande carro preto, não reparei na marca, brilhava de tão limpo. Do outro lado, um outro carro, este cinzento, gritava: "vá, admirem-me!". No entanto era ela que atraía todos os olhares. Tinham-na amarrado ao poste de um sinal de trânsito. Permanecia ali, altiva, resistente. Estava pintada de um cor-de-rosa forte. Assente na parte de trás, uma caixa de madeira, das que se usam normalmente para a fruta. Estava vazia. Mas não era difícil imaginá-la cheia de cor.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Foi há uns dias atrás

Um autor ambicioso...

(Este post não é publicidade)
Há uns dias atrás o Daniel falava da publicidade na RTP ao livro de José Rodrigues dos Santos. Hoje, em vários pontos da cidade, me deparei com a cara do senhor, sobretudo em montras de livrarias. Ao primeiro olhar parecia que a televisão estava ligada e tinha chegado a hora do telejornal pois a parte visível do corpo era exactamente a que vemos nos programas de informação. À saída da estação de comboios, dois rapazes, vestidos com o que pareciam ser fardas da guarda do Vaticano, seguravam um grande cartaz a anunciar o lançamento da obra. Era totalmente despropositado até porque a amena cavaqueira dos jovens retirava seriedade ao acto de guardar um segredo. Fiquei logo sem vontade nenhuma de conhecer "O último...". Mas devo perder uma grande obra que, segundo o autor, procura “a verdadeira identidade de Jesus Cristo”. Muito bem. Quem quiser ler o livro até ao fim depois conte-me...

sábado, 22 de outubro de 2011

"...per l'alto mare aperto"

Felizmente já o tenho. Vindo directamente de Itália. Falo do novo disco de Vinicio Capossela, todo dedicado ao mar. 



Mais informações aqui.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O saldo

Sentou-se ao meu lado no metro, vestida com um traje tipicamente africano. Na mão trazia um talão do multibanco. Passado um pouco pediu-me para lhe ler, porque não tinha óculos, o saldo. Eu li: 22 euros e 20 cêntimos. Ela agradeceu. Não disse mais nenhuma palavra. Mas até sair vi-a limpar, por várias vezes, as lágrimas que corriam pelo seu rosto.

A inversão do provérbio

Dá Deus dentes a quem não tem nozes.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O seu nome não era João

Não sabemos o seu verdadeiro nome. Desta vez, muito bem, o jornal preservou a identidade da família e do próprio. Sabemos que tinha 19 anos. Dizem-nos que era um exemplo. Para o seu irmão, para os seus colegas. Para todos nós. Alguém que, dadas as dificuldades à sua volta, conseguia fazer a diferença deverá ser merecedor dos maiores elogios. Da minha parte, que já conheci alguns miúdos como o "João", sei que os dias ficarão muito mais imperfeitos sem ele.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma das razões/poemas porque gosto de Rui Tinoco

nesta época de tempestades, o que é
possível acrescentar? já dobrei, 
estiquei e dividi o recolhimento.
soprei, uma a uma, as sombras
das minhas mãos. poisei as 
mãos em cima da mesa,
perguntando-me: «para que serve
o homem?», não sei que dizer...
e se um de vós souber,
o que é que saberá?

in Rui Tinoco, O Segundo Aceno, Águas Santas, Edições Sempre-Em-Pé, 2011, p. 22

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Uma palavra muito feia

Estas coisas das campanhas, já se sabe, valem o que valem. Mas quando, a uma causa maior se alia um trabalho bem feito, fica tudo mais interessante. Por isso...



E já agora em francês...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quinta-feira, 13 de Outubro, ao final do dia

Saiu do supermercado com dois sacos de compras, um em cada mão. Não mais do que isso. À sua volta rodopiavam carrinhos quase cheios, empurrados por mulheres bem vestidas e com sapatos de salto alto. Dirigiam-se para os seus automóveis reluzentes e jipes que nunca viram uma estrada de terra. Algumas exibiam penteados elaborados recentemente por cabeleireiros e unhas bem tratadas. Mas o que mais a feriu foram os sorrisos, sorrisos de quem, aparentemente, não pretende vir a ser tocado pelas dificuldades. Aproximou-se do seu carro, que utiliza para transportar as crianças e pouco mais. Há já algum tempo que pensa no que fará quando ele deixar de trabalhar. Sabe que não terá possibilidades de comprar um novo. Sentou-se ao volante. Não chegou a pôr a chave na ignição. Lembrou-se do que tinha ouvido na rádio há uns minutos atrás. Encostou a cabeça ao banco e chorou. Chorou com um misto de raiva e pena de si própria. Sabia que este cenário poderia vir a tornar-se real. Mas perante o facto consumado reagiu como se lhe tivessem dado um murro no estômago. Não que pensasse que não conseguiria sobreviver nos anos mais próximos. Mas porque, até àquele momento, não tinha conseguido chegar mais longe. 

"The future was wide open"

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E antes que acabe o dia... Parabéns Mr. Simon

Espero que ainda esteja "crazy after all these years"

Um momento alto televisivo

Horário nobre das 20 horas. Eu vi no telejornal da RTP mas estavam lá outras televisões. Na tentativa de obter um depoimento de Isaltino Morais sobre a recusa do último pedido de recurso, interposto junto do Tribunal Constitucional, os repórteres deslocam-se ao local onde o presidente da Câmara de Oeiras está prestes a inaugurar um conjunto escultórico de Pedro Cabrita Reis. Durante um tempo, que em televisão é precioso, assistimos aos cumprimentos entre os convidados para a inauguração, às conversas meio segredadas, e às instruções para alguém telefonar a um vereador que, pelos vistos, estava atrasado. Finalmente lá chegam à fala com Isaltino que, como seria de esperar, não diz nada de novo. E nem a escultura consegui ver!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ver e fotografar

A minha máquina fotográfica está a ser reparada e por isso não tenho hipótese de ir tirando umas fotografias por aí. A fotografia digital tem destas coisas. Tiramos fotografias sem olhar a quantidades, sem ajustar qualidades, confiando que, em 10 ou em 20, alguma há-de escapar. Mas a ânsia de fotografar não se poderá sobrepor ao prazer da observação não mediada pela lente. A não ser em situações especiais, por exemplo, profissionalmente, este deverá vir em primeiro lugar e só depois dispararemos. 
Vem isto a propósito de ter visto hoje, novamente, naqueles autocarros de turismo que percorrem as ruas da cidade, alguns turistas que, com a preocupação de não conseguirem registar tudo, não largam as câmaras fotográficas ou as de filmar que, à altura dos olhos, não lhes permitem ver ao vivo, tudo o que verão mais tarde, no ecrã do computador.
Fazer o registo "para mais tarde recordar" é importante. Mas viver os locais também me parece indispensável.

sábado, 8 de outubro de 2011

Bem vivos!

Estive para ir hoje vê-los ao Sport Clube Intendente. O programa prometia. Não fui. Mas aqui fica um "aperitivo" para o último álbum:



E entretanto um tema anterior: 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um processo natural

"Envelhecer é, em si mesmo, um processo natural e um homem de 65 ou 75 anos, desde que não queira ser mais jovem, será tão saudável e normal como um de 30 ou de 50. Infelizmente nem sempre estamos de bem com a nossa idade, no nosso íntimo é frequente andarmos adiantados, mas ainda mais frequente é sermos apanhados e ultrapassados - a consciência e a disposição íntima estão menos amadurecidas do que o próprio corpo, reagem contra as suas manifestações naturais, exigem dele algo que este já não consegue cumprir."

in Hermann Hesse, Elogio da Velhice, Algés, Difel, 2003, p. 51

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Praça do Município, 2011

Eu sei que os tempos não estão propriamente para comemorações mas não deixa de ser impressionante a quantidade de pessoas que, mesmo com o feriado no dia seguinte, passa por aqui e não percebe porque é que os Paços do Concelho estão engalanados.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Em tempos de GPS um mapa de bolso muito avançado...

A dificuldade vai ser não o deitar fora, confundindo-o com algum papel que já não serve. Este é muito útil e já não é preciso perder tempo a desdobrá-lo e a dobrá-lo cada vez que chegamos a um cruzamento onde parece que já passámos há 10 minutos atrás; nem temos que o guardar sempre que chove. Este é de Lisboa mas já há de 12 cidades.

Imagem retirada daqui.

Comentar não está fácil

Até podia não haver quem quisesse deixar qualquer comentário por aqui. Mas a verdade é que, devido a um problema que ainda não identifiquei, todos os que têm tentado fazê-lo, nos últimos dias, não têm conseguido. Espero que a coisa se solucione. Até lá, espero que desculpem.