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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Queixas a metro

Depois de descer as escadas que, nos últimos tempos, de rolantes só têm o nome; a visão que hoje de manhã se tinha, a partir do lanço que leva à plataforma da estação de metro do Cais do Sodré, era impressionante. Em 30 anos de frequência do metro de Lisboa poucas foram as vezes em que vi semelhante espectáculo e sempre por razões que se prendiam com algum acontecimento particular. Certo é que a quantidade de gente naquela plataforma era tal que parecia que só mais um iria empurrar alguém para a linha. Quem descia a escada sentia-se assustado e muitos paravam. 
Entretanto lá chegam as 3 carruagens que, a custo, levariam a maior parte dos passageiros. O condutor mal pára logo apita para apressar os que, depois do tempo que estiveram à espera, ainda hesitavam em entrar nos compartimentos apinhados. Eu própria pensei que talvez fosse melhor esperar pelo próximo mas, dada a dúvida em relação ao tempo que esperaria, lá arrisquei. Lá dentro, enquanto as pessoas se arrumavam, muitos comentavam a situação e lamentavam o estado a que chegou um transporte que já foi bom. 
Lembrei-me então que, neste dia 22 de Setembro, se comemora o dia europeu sem carros... Será que muitos dos que habitualmente andam de carro resolveram usar o transporte público? Duvido bastante. Mas, se assim foi, certamente muitos foram afugentados e pensarão: o que vale é que o dia europeu sem carros é só uma vez por ano... 
Quanto aos utilizadores que diariamente entram nas estações do metropolitano e vêem escadas que não funcionam, pessoas a mais, tempos de espera que aumentam, e ouvem os, cada vez mais frequentes, pedidos de desculpa pelos incómodos causados devido a problemas na circulação; resta-lhes apreciar a beleza de algumas das obras de arte presentes. Mais uma vez a arte nos ajuda a superar a realidade...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"O gosto" do King

Vou pouco ao cinema, como vou pouco ao teatro ou a outros espectáculos ou, relativizando, acabo por ir menos do que gostaria. Mas, quando consigo, a maior parte das vezes vou ao King. Este cinema faz parte da minha história pessoal (mesmo muito pessoal) e foi ali que vi alguns dos mais belos filmes que recordo (alguns deles comentados neste blogue). Sem grande cultura cinéfila, procuro, no entanto, conhecer obras diferentes com as quais aprenderei sempre coisas que não sei. E naquele lugar posso encontrá-las.
Neste fim de semana, se tudo correr como previsto, irei até lá rever um dos filmes mito da história do cinema, "O Gosto do Saké". Talvez por ser este filme, o número de espectadores possa ser um pouco maior do que é costume. De facto, pelo menos às sessões a que vou, raramente o número total ultrapassa os 10. Compreendo, por isso, que as receitas não sejam grande ajuda face às despesas. 
A situação, comum a tantos outros cinemas, é perfeitamente compreensível de um ponto de vista económico. Mas, qualquer dia, as nossas opções restringir-se-ão ao sofá lá de casa e aos sofás dos cinemas onde os espectadores se comportam como se estivessem em casa. Nessa altura eu irei ainda menos ao cinema. Mais uma vez, as questões económicas, vão matar mais um pouco das nossas vidas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Das muitas horas que passei com os jogos da Majora

Era um dos presentes que mais gostava de receber na minha infância. Cada vez que, mesmo sem desembrulhar, percebia que era uma caixa de um jogo ficava muito feliz. Tive vários e muitos eram da Majora. O Jogo da Glória, o Sabichão, o Mikado e outros faziam-me ficar horas sentada no chão a brincar. Mesmo sem companhia podíamos jogá-los. Ainda tenho alguns guardados e as minhas filhas também brincaram com eles. 
Há pouco li esta notícia. Admito que seja difícil concorrer com os jogos que os computadores e outros meios põem à disposição dos miúdos hoje em dia. Mas fico com pena que muitos não conheçam a magia de aprender com a ajuda de um sábio magnético que, com uma vara de arame, nos apontava respostas que a partir de certa altura já sabíamos de cor. Mas repetíamos e repetíamos e ele nunca se enganava. Era bom que ele voltasse agora e nos respondesse a algumas dúvidas...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Intercâmbio sem intercâmbio

- Mãe, hoje os alunos de uma das turmas do 11.º ano lá da escola foram almoçar com uns estudantes de uma escola dinamarquesa. É daquelas coisas dos intercâmbios.
Faz uma pausa e acrescenta:
- Mas a turma de cá não vai lá! Não há dinheiro...

C., 15 anos

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O concerto que estava para acontecer

Estava com dúvidas sobre se o valor dos bilhetes seria ou não impedimento para ir ao concerto. Tal como eu muitos deviam andar a fazer contas: o início do ano escolar, o mês de pagamento de um imposto, enfim...
Mas pensava que, para ir ver estes dois, um sacrifício valia a pena ser feito. 
Eis que as minhas dúvidas deixaram de fazer sentido. Diz o artigo que, em comunicado oficial, os artistas "lamentam que as dificuldades económicas locais tenham tornado insustentável para os promotores a realização do espectáculo". Claro que, se fossem outros artistas, dos que andam normalmente pelos tops, promovidos até à exaustão em rádios para adolescentes, duvido que o cancelamento acontecesse. Nesses casos parece que a crise não é razão bastante a invocar.
Seja como for, foi uma oportunidade perdida. 
Fica o vídeo de uma das canções da dupla que, desta vez, não nos vai perguntar "Who is an honest man?"

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um Natal ao contrário

Estende uma das mãos como qualquer outro pedinte. Estão muitas pessoas na rua e ele vai de um lado para o outro tentando convencer alguém a dar-lhe alguma coisa. Um homem chama-o e coloca na sua mão algo que eu não vejo mas que ele se apressa a guardar no saco. É um saco grande mas pouca coisa tem lá dentro. O fato vermelho debruado a branco, que veste, está-lhe um pouco largo e o gorro não assenta bem. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Próxima paragem: mudar a nossa vida

Não gosto de falar do que não sei. E realmente não sei bem o que se passa com os comboios da linha de Cascais. 
No Verão do ano passado chegavam as notícias da supressão temporária de comboios (por exemplo, aqui) que, tal como se esperava, passou a definitiva. Determinadas notícias davam conta de um fim previsível. 
Em Novembro também do ano passado falei aqui sobre este assunto.
Nesta última semana, depois do serviço se ter vindo a deteriorar, mais supressões têm acontecido. Comboios cheios, espera à chuva, informações inexistentes, passageiros confusos...
Entretanto a notícia da concessão a privados. Se, em princípio, essa ideia me causa estranheza, pior ainda é a sensação de que a nossa vida vai mudar, sim. Mas não posso deixar de pensar que não será para melhor...



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Olhares que não se cruzam

Gosto do Largo do Regedor, em Lisboa. Tem uma dimensão muito simpática, os edifícios são interessantes, o espaço público está bem cuidado.  Em relação aos frequentadores é heterogéneo o suficiente para ter uma amostra de vários elementos de diferentes camadas da sociedade. Ocupando os degraus das traseiras do Teatro Nacional encontramos os sem-abrigo que ali vão dormindo, comendo, estando. Em fila, que começa do outro lado do teatro, os taxistas esperam os clientes. À espera, também, estão os motoristas de carros novos, grandes e luzidios ali estacionados e que ocupam grande parte do largo, sob o olhar protector do agente da polícia, de serviço ali na esquadra. Esperam que saiam, pela porta mais discreta, aqueles que, depois de um almoço cujo preço eu só posso imaginar (que o Gambrinus não é de fazer menus económicos) se sentarão naqueles estofos limpos e a cheirar a novo.
Interessante é notar que, se no caso dos sem-abrigo tem havido um aumento do seu número, já a quantidade de carros para onde entram os que acabam de sair do restaurante não parece diminuir, antes pelo contrário. E se o olhar dos primeiros segue estes últimos, quem sai de barriga cheia não olha à sua volta.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Poupar nas placas

Edifícios novos, com fogos à venda, é algo banal actualmente. Tão banal que, ultimamente, em vez das placas das imobiliárias que dizem "vende-se" estas parecem ter optado por colocar apenas as placas de "vendido". Sempre é menos poluição visual. 

Seguindo os carris

O eléctrico acabou de passar. O homem, indiferente a outros carros que ali circulam, baixa-se e retira, da calha do carril, as beatas que consegue. Depois junta-as e guarda-as no bolso. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

3 é mais barato

Há uns tempos atrás, quando víamos, na rua, aulas de condução de motas, víamos o aluno, na mota, a seguir o carro onde estava o instrutor. Hoje, vi, para um carro, ou seja um instrutor, três motas, ou seja três instruendos, que o seguiam.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Algarve mais longe

Este Verão voltamos a ouvir na rádio o que já há algum tempo não ouvíamos. Quando se fala de trânsito ao fim de semana têm sido referidas filas no IC1 entre Alcácer do Sal e a Marateca.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um mês de Agosto com uma paisagem diferente

Vivo numa zona suburbana. Em anos anteriores, por estes dias de Verão, os passeios, normalmente ocupados por carros, estavam livres e até havia lugares de estacionamento com abundância.
Este ano tenho reparado que a quantidade de carros estacionados é a mesma, ou mais ainda, pois quem usa o carro para ir trabalhar e está de férias tem o carro à porta.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

E, no entanto, estudar valerá sempre a pena!


No dia em que comuniquei aos meus pais que me iria candidatar ao curso de Sociologia na universidade, eles torceram um pouco o nariz. Achavam que era uma ciência "exótica" e, mais que isso, temiam a forma como se faria a minha inserção no mercado profissional. Direito, por exemplo, seria, para eles, uma escolha mais segura. Mas sabiam que tudo o que dissessem não me faria mudar de opinião, eu que tanto tinha hesitado (mas sempre à volta de áreas como a Filosofia e a História). E por isso não me disseram muito. A vontade de que a sua única filha tirasse um curso superior era tão grande que, desde sempre, outra alternativa não se colocou. Neste caso foi o juntar de duas vontades pois a situação de estudante era a única que eu via para mim na altura. Após o curso tudo correu bem. Vivia-se em tempo de vacas gordas, com os fundos europeus a disponibilizarem verbas para formações pós licenciaturas e com o mercado de trabalho a absorver com facilidade quem saía das universidades. Tive várias oportunidades de emprego. A minha veia mais sonhadora e menos economicista levou-me a optar, não pelas que me dariam mais dinheiro mas pela que, achava eu, me permitiria trabalhar no desenvolvimento de projectos em que acreditava.
Ao longo do tempo, muitas dúvidas me assaltaram e muitas vezes questionei as minhas escolhas.
Actualmente, na equação a ter em conta na altura da tomada de decisões acerca do futuro, as incógnitas são tantas que a resolução é muito mais difícil. E penso nos pais que durante tanto tempo defenderam os estudos superiores como forma de os filhos terem uma vida profissional mais estável e financeiramente mais compensadora.
Continuo a achar que não devem ser as retribuições financeiras esperadas a presidir às escolhas de futuro. Mas para quem não tem a mesma opinião ou que, mesmo tendo, entende que a retribuição deverá ser proporcional ao esforço, que confusão a situação que notícias como esta retratam. Claro que não é só de agora que os bons profissionais se fazem pagar bem, seja em que área for. E ainda bem que assim é. Sabemos também que as leis do mercado obrigam a uma valorização do trabalho que tem mais procura por parte dos empregadores e, ao contrário, desvalorizam aquele que se encontra em excesso. E também é óbvio que se trata de anúncios no portal do Instituto de Emprego e Formação Profissional, não permitindo qualquer generalização. Mas só o facto de terem sido publicados é mais um indicador de uma realidade que quem planeia e tem responsabilidades nas áreas da educação e do emprego não poderá deixar de ter em conta. E, já agora, todos nós. 
Mas tudo isto não poderá pôr em causa a importância do estudo e servir de argumento para os que consideram que a educação está do lado da despesa e que, portanto, os investimentos aí feitos poderão ser mais leves. É que os efeitos perversos destas ideias poderão tornar-se muito perigosos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Uma refeição

O homem e a mulher terminaram a sua refeição e levantaram-se, deixando os tabuleiros com os restos da comida nos pratos. Na esplanada mais algumas pessoas almoçavam. Ele estava de fora, atento. Mas não era as pessoas que ele observava. Mal o casal saiu, aproximou-se. Rapidamente retirou do prato os restos que, por não serem muitos, couberam numa mão. Não ficou ali. Afastou-se. Mas provavelmente voltaria. O que tirou não era suficiente para matar a fome.   

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E agora a Aliança...

Nesta só entrei por curiosidade. Porque sabia que valia a pena visitar. Nunca ali comprei nada. Mas custa saber que também este espaço comercial será reutilizado para outro fim. 
Ainda hoje reparei que entre a Praça da Figueira e o Rossio, numa das zonas mais nobres da nossa cidade, nem uma loja estava aberta. Uma estava entaipada. As outras três foram encerradas deixando o interior à vista, um misto de restos de manequins partidos, alguns móveis imprestáveis e muito pó. Desolador.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uma livraria com o nome de um país

Não raras vezes na faculdade era ali que encontrava o livro que já tinha procurado, sem êxito, nas outras livrarias de Lisboa. Sei também que determinados temas só ali estavam representados com alguma profundidade. Nem sempre a arrumação era a ideal. Mas na Livraria Portugal estávamos como na casa de alguém que, sem previamente contar com isso, nos tinha convidado para uma visita. 
Soubemos esta segunda-feira que, devido à quebra nas vendas, irá encerrar. A inevitabilidade da situação, comum a tantas outras actividades, começa a deixar-nos indiferentes. Mas a Portugal vai fazer falta naquela esquina.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A moda dos Cabazes

É o novo grito da moda em supermercados: o cabaz. Aqui ficam uns exemplos:

Cabaz Família Bebidas
Cabaz Família Carne
Cabaz Família Casa Limpa
Cabaz Família Congelados
Cabaz Família Higiene Pessoal
Cabaz Família Lacticínios
Cabaz Família Loiça
Cabaz Família Mercearia
Cabaz Família Roupa Limpa

Agora podia fazer uma brincadeira tipo:
Cabaz Família Queijo Gouda ou
Cabaz Família Tulipas...

Mas não o vou fazer. Até porque o Sr. Pedro Soares dos Santos escreveu-me "em nome dos mais de 25 mil colaboradores" (o que eu gosto desta palavra...) que a cadeia de supermercados emprega em Portugal para partilhar comigo "três verdades fundamentais que não têm obtido a atenção devida" e que eu, por não me apetecer transcrever tudo aqui, não vou reproduzir (até porque parece-me que o Administrador-Delegado da empresa não me escreveu só a mim). Só para dizer que fiquei muito mais tranquila quando percebi que os  impostos podem nem ficar todos cá mas os cabazes, esses, são só para nós... 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A educação virtual

No final da semana passada, na minha qualidade de encarregada de educação, estive presente numa reunião na escola que as minhas filhas frequentam. Para além das questões da avaliação são normalmente dadas informações, entre as quais a programação de algumas actividades e visitas a realizar no período seguinte. Ora, chegados a este ponto, ouvi, não sem alguma indignação, mas compreendendo perfeitamente os motivos, que este período não vai haver visitas a qualquer lugar fora da escola. A menor disponibilidade de dinheiro por parte dos pais dos alunos (que têm que pagar entradas e deslocações) levou a escola a substituir essas visitas com visitas virtuais a alguns museus que as disponibilizam nos seus sites. 
Para os museus ou outros organismos que sobrevivem, grande parte, graças a esta componente das escolas será, certamente, um problema. E para os miúdos não será a mesma coisa. Pois não. Mas a crise chega a todos.     Até a quem a escola deveria proporcionar um alargamento de horizontes. Fiquemos-nos então pelo ecrã do computador. Esperemos que, ao menos, a dimensão e a resolução sejam boas.