sexta-feira, 28 de março de 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

E não são só eles!

A ideia não é nova por cá.
De uma coisa podem estar certos: a minha mãe, de 80 anos, e o meu pai, de 79, não gostam de andar na montanha russa.

sábado, 22 de março de 2014

A actualidade de Bordalo

Comemoraram-se neste 21 de Março os 168 anos do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro. 
Aqui fica um desenho seu publicado a 12 de Março de 1902, no n.º 113 de "A Paródia": 

Imagem retirada daqui. Clicar para ler melhor.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Complementaridade?

A viagem de metro durou aproximadamente 20 minutos. O rapaz e a rapariga estavam sentados à minha frente. Durante esse tempo as suas mãos não se largaram. De vez em quando davam um beijo. Ininterrupto foi o som das palavras. O dia todo contado, os pormenores do que foi feito, os comentários da chefe e dos colegas, as opções em cima da mesa para resolver alguns problemas, as implicações de todos os actos, o que na agenda constava para os próximos dias... Tudo isso, quase sem nenhum intervalo entre as frases.
Enquanto isso ele manteve-se sempre em silêncio.

quarta-feira, 12 de março de 2014

De olhos bem abertos!

Eu bem que já me tinha apercebido que a culpa de haver menos carreiras de autocarros era daquele tipo que espera que o condutor se distraia para entrar pela porta de trás. Sim, eu bem o vejo, às vezes.
Também já tinha pensado que se não fosse aquele outro que salta por cima das cancelas na estação de metro, o número de comboios seria certamente maior.
E o que dizer do tempo de espera? Hum... Os miúdos que ainda andam pendurados nos eléctricos, são do piorio.
Já para não falar da degradação do serviço: os pedintes que validam uma vez e andam toda a manhã no metro são certamente os responsáveis.
Por isso a partir de agora, como sugerem os senhores da Carris e do Metro, vou abrir muito os olhos. Vou fazer sentir a todos esses fora da lei que a culpa de tudo isso é deles. 
E de seguida faço o quê? Grito bem alto? Rasteiro-os? Para saber a forma exacta como devo actuar, aguardo novo cartaz com instruções precisas...


P.S. Não ponho em causa a legitimidade das empresas ao quererem combater as fraudes na utilização dos transportes públicos. Mas sugerirem que é esse "o" motivo pelo qual a situação está como está e sobretudo que devemos ser todos nós a "colaborar" na denúncia dos casos já me parece demasiado...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Na sombra

Ela tinha uma casa. Já era da sua mãe mas ela queria-a também para si. Tinha vivido ali toda a sua vida e, apesar de ser um pequeno apartamento no subúrbio da cidade, sempre a tinha sentido como o lugar onde queria regressar ao final de cada dia, cansada de tantas horas em pé no cabeleireiro daquele centro comercial onde nunca via a luz do dia.
Talvez por isso, do que mais gostava era do sol que lhe entrava todas as manhãs pelo quarto e que à tarde tornava a sala acolhedora.
Depois veio a construção do viaduto onde tão poucos carros passam. Levam dentro pessoas que não sabem que a sala perdeu aquele brilho dourado ao fim do dia, aquela luz suave que dava diferentes cores à parede branca.
A seguir, do outro lado, resolveram construir uma torre de escritórios. Uma torre de uma altura tal que nem se percebe, olhando para ela, quantos andares tem. Passados alguns anos essa torre continua praticamente vazia. Os poucos interessados que visitam o apartamento-modelo, com uma vista magnífica, segundo o vendedor, nem sequer olham para o prédio, que agora parece ainda mais pequeno; nem fazem a mínima ideia de tudo o que ela perdeu. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Hoje os polícias não fizeram a vontade aos jornalistas...

Pois é... Esta coisa de se fazerem manifestações com o intuito de os momentos-chave coincidirem com os horários dos telejornais já é um princípio que leva a alguns exageros. 
Mas hoje foi demasiado. Na rádio, mas sobretudo nos canais de televisão que vi era o mesmo: longas reportagens feitas a partir do exterior da Assembleia da  República com imagens que só em algumas alturas justificariam o directo. Assistimos aos comentários de jornalistas a quem, certamente, deram ordens para ali estar e que, à falta de assunto, se limitavam a repetir, repetir e repetir as mesmas palavras. Era até aflitivo ouvir as suas vozes darem relevo a factos sem qualquer interesse mas, mais que isso, sentia-se o desejo imenso que a situação evoluísse para uma invasão das escadarias pois, só assim, toda a histeria se justificaria. Aliás, chegou-se ao cúmulo, não sei se na RTP, se na TVI, de se dar a entender qual a melhor forma para o fazer. Mas não aconteceu o que teria sido o ponto alto da reportagem. Até as pessoas assistidas pelo INEM não aparentavam problemas de maior. A certa altura os manifestantes gritaram que "Só não subimos porque não queremos". Não foi, portanto, por falta de vontade dos repórteres (aliás, das repórteres) cujas vozes se foram acalmando, ganhando um tom de decepção, para o fim da reportagem. 
O direito à manifestação e as causas dos polícias mereciam uma postura diferente...

terça-feira, 4 de março de 2014

Os italianos chamavam-lhes nórdicos


O preço dos bilhetes não é baixo. Mas, comparado com gastos que não nos trazem nem uma pequena parte do prazer que podemos experimentar ao ver esta exposição, vale a pena ir até ao Museu Nacional de Arte Antiga. Por isso, neste dia de Carnaval, para quem prefere ver outros cortejos, esta é uma bela forma de ficar a conhecer melhor estas obras e o seu contexto. 


Demasiado calor para a verdade

A influência da paisagem e dos elementos da natureza no comportamento das personagens é um clássico nas narrativas que encontramos em livros, peças de teatro, filmes... Neste "August: Osage County" essa paisagem e o calor asfixiante está omnipresente, mesmo que seja no interior da casa de família que as principais acções se desenrolam. Essa casa, que está normalmente fechada, às escuras, como que a guardar determinados factos que só alguns conhecem. Mas a reunião dos membros da família obriga a afastar as cortinas e a abrir as portadas ao mesmo tempo que conduz à revelação dos segredos que, inevitavelmente, ferem, magoam. Revelados ou não, esses segredos são a história da vida dos membros da família e é perante eles que tem que se continuar. Ou não. Porque é tão difícil continuar quando se sabe a verdade...
É muito boa a forma como as actrizes dão vida às personagens femininas. Mesmo nos papéis menos exuberantes, como o de Julianne Nicholson. Dos actores destaca-se, sem dúvida, Chris Cooper.
Pode não ser um filme inesquecível mas coloca-nos perante algumas questões que nos podem fazer reflectir e, só por isso, já vale a pena vê-lo.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma boa compra

Os sapatos e botas pendurados à porta lembram-nos formas de exposição dos produtos que há muito foram substituídas pelas aprendidas em cursos de formação na área do vitrinismo. 
Lá dentro, a confusão de caixas em prateleiras e no chão fazem-nos imaginar que aquilo que pretendemos não irá ser encontrado. No entanto, surpreendentemente, a dona do estabelecimento que é, simultaneamente, empregada vai direita a uma caixa e dela tira o modelo e número das botas que, depois de experimentadas, se constata serem "mesmo aquelas".
Enquanto me atende, o seu marido, também na casa dos setenta e que com ela partilha a espera dos clientes, naquele espaço onde o cheiro do couro prevalece, permanece sentado a ouvir o rádio que já estava ligado quando entrei. Entre dois dedos de conversa, fico a saber que vieram, há muitos anos, da zona da Lousã para Lisboa e que, quando deixarem de trabalhar, ninguém dará continuidade ao negócio. 
E não se trata de defender algo que está condenado e não tem qualquer razão de existir nestes tempos de grandes grupos económicos cujas lojas, embora com diferentes nomes, vendem os mesmos produtos, fabricados em lugares distantes. Não! No dia anterior tinha tentado comprar umas botas daquele tipo noutro local e, além de serem muito mais caras, não tinham metade da qualidade que estas que agora levo, num saco sem qualquer logótipo, têm.

Do fundeadouro romano aos nossos dias não foi assim tanto tempo...

A maior parte desta notícia relativa à inauguração do parque de estacionamento subterrâneo na Praça D. Luís I, em Lisboa, dá conta da intervenção arqueológica e dos importantes vestígios que foram encontrados durante a sua construção. Felizmente, neste caso (tal não aconteceu noutros), foi possível retirar grande parte dos achados, estudá-los e até tornar visíveis alguns deles para quem venha a utilizar o espaço. É este o principal destaque da notícia.
Não deixa de ser significativo, no entanto, que o responsável da empresa que irá ter a seu cargo a gestão do parque, fale em "algumas vicissitudes, decorrentes dos achados arqueológicos"; e que Manuel Salgado, Vereador da Câmara Municipal, tenha identificado os trabalhos arqueológicos como uma das "dificuldades desta obra".
É claro que se não tivesse havido essa intervenção por parte dos arqueólogos talvez determinadas fases da obra tivessem avançado com mais rapidez. Mas não faz qualquer sentido continuar a estabelecer uma ligação entre os atrasos nas obras e os problemas que essa situação acarreta para as populações; e o trabalho necessário e fundamental para o conhecimento do património que, mesmo não estando à superfície, é de todos nós. Mesmo que a lei não obrigasse a tal (e obriga) esse trabalho deveria ser considerado como uma verdadeira oportunidade e não como uma adversidade.   
Por isso me parece que as entidades que têm responsabilidades na transformação da cidade têm também obrigação de, até na linguagem utilizada, não parecerem que estão a ser apenas condescendentes perante uma situação que, se pudessem, evitariam.
A defesa do património não pode ser algo a que muitos se referem como um chavão teórico que depois, na prática, é identificada como um obstáculo. 
Certamente, neste caso concreto, até a Empark ganhará pois, depois de ler a notícia, há-de haver quem irá deixar o carro neste parque só para ver expostos os materiais que a arqueologia permitiu trazer até nós. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O regresso do "homem-lapso"

Foi assim que Ricardo Araújo Pereira se referiu a ele no Verão de 2012. Nessa altura ainda Miguel Relvas era ministro. Ontem, ainda nem um ano depois da sua demissão, Pedro Passos Coelho apresentou o seu nome como cabeça de lista do Conselho Nacional do PSD.
Um partido é um partido e o PSD, apesar de estar no Governo, é apenas isso. E já sabemos que um partido tem regras e formas de se reproduzir muito próprias. 
Mesmo assim, se a escolha do líder do partido não pode ser considerada uma simples teimosia e tem razões que os próprios militantes parecem desconhecer; e muito menos concordar, é a posição de Miguel Relvas que me causa mais estranheza. As "condições anímicas" que, na altura, não tinha para continuar no governo não serão necessárias para este cargo muito mais leve e, além disso, a "vontade própria" que tem de estar num lugar de destaque deve ser, pelo menos, tão forte quanto a que o levou, então, a sair. Mas, mesmo assim, é preciso algum descaramento... Não sei o que, em menos de um ano, o agora regressado terá aprendido mas, a verdade é que a sua resistência não dá mostras de ter diminuído. 
Para Passos Coelho poderá não ser um lapso. Para nós é só mais uma prova de que os partidos políticos também têm, tal como as pessoas, "lapsus memoriae".

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sentido prático

- Eu, ao menos, não vou ter que me preocupar com isso!

M., 13 anos, depois de me ouvir dizer que não sabia o que oferecer aos meus pais pelas suas bodas de ouro. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sophia no Panteão

Parece que sempre se vai concretizar a trasladação do corpo de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional. Se pensarmos que esse é um acto que pretende homenagear figuras marcantes para o nosso país, a decisão faz sentido. A família também concordou com a ideia de reforçar o reconhecimento da importância desta mulher que diz muito aos portugueses amantes de poesia. 
Mas não posso deixar de pensar que aquele local, com toda a sua imponência de mármore gelado, é demasiado frio. O céu parece longínquo, com o enorme zimbório lá no alto. Algumas salas apresentam-se nuas, com os cenotáfios que pretendem lembrar figuras que os turistas (a maioria esmagadora dos visitantes) não perdem tempo a saber quem são. 
É certo que a trasladação do corpo de Amália Rodrigues alterou um pouco essa situação. Desde essa altura que vemos, junto ao seu túmulo, o colorido das flores e que os seus fados ecoam por todo o edifício, causando até alguma estranheza. E daqui a algum tempo teremos também os cachecóis encarnados, quando Eusébio estiver também neste lugar.
Não sei se dentro de alguns meses ouviremos poemas de Sophia declamados naquele ambiente barroco que, nem sei bem porquê, não consigo associar à autora, que vejo mais em dias de sol junto ao mar; mas parece-me que todo este movimento fará com que mais portugueses visitem este espaço, imponente, como  certamente se espera de um panteão, tornando-o mais humano, mais perto da terra, mais perto de nós.