Concluo, ao ver este vídeo, que afinal tenho o corpo ideal. Estou é no tempo errado.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Um documentário
A minha filha M. ficou acordada até mais tarde porque queria ver o documentário que a RTP1 iria passar sobre imagens feitas pelos aliados aquando da libertação dos campos de concentração nazis. Por ter passado tarde, acabou por não o ver. Eu vi e fiquei com dúvidas sobre se ela o deverá ver ou não. Bem sei que um documento histórico, como os que serviram de base a este documentário, é sempre importante para melhor compreender uma realidade. Mas este, que levantou questões interessantes sobre a divulgação, ao tempo, dos filmes então realizados; e que a RTP passou sem bolinha vermelha ao canto do ecrã, é demasiado definitivo. Uma mãe não deveria nunca ter que ajudar um filho a lidar com os sentimentos que aquelas imagens, por certo, suscitarão. Porque elas são demasiado reais e irreais e reais novamente, numa espiral de incompreensão que, por mais voltas que se dê, nunca terão qualquer paralelo com nada do que o nosso pensamento possa alcançar. Eu não lhe vou conseguir dizer grande coisa quando ela me questionar. Ninguém conseguirá certamente. Tantos anos de civilização e o ser humano ainda nos é tão desconhecido.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Uma opinião original
Estação de metro da Alameda. O senhor que, segundo dizia, tinha acabado de sair do local de culto nas imediações está sentado num dos bancos e, enquanto espera, vai falando sozinho, mas em voz alta, talvez à espera que alguém lhe responda, o que não acontece. O seu discurso anda à volta dos acontecimentos internacionais das últimas semanas ligados aos atentados terroristas. Percebe-se que o preocupa o fanatismo religioso. Finalmente remata: - Eu vou lá (à IURD), mas eles também são uns "fanatistas"!
O nevão
"- Estamos aqui isolados, olhe!"
Quem o diz é uma habitante da aldeia de Sendim em Trás-os-Montes. Não lhe parece estranho estar a dizer isto enquanto está a ser entrevistada por uma jornalista que prepara uma peça que passará no telejornal das 8 da RTP. O desabafo não dirá respeito, certamente, à situação provocada pelo forte nevão. Serão outras coisas. Mais antigas, mais profundas. Estão isolados quase sempre. Hoje, por causa do forte nevão, não.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O concílio do A330
Foto aqui
Não é bem um concílio... Mas também se abordam questões pastorais, de doutrina, de fé e de costumes. E está a tornar-se um hábito. Será que assim o Papa Francisco se sente mais inspirado por supostamente estar mais perto de Deus?
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Presa no subúrbio
Sim eu sei que "o tráfego automóvel continua a ser a principal causa da degradação da qualidade do ar na cidade de Lisboa, dado que constitui a principal origem de poluentes atmosféricos prejudiciais à saúde humana" e que há que cumprir o "Plano e Programa de Melhoria da Qualidade do Ar (Região LVT)". Também sei que quem toma as decisões não tem a culpa que eu não resida no centro da cidade ou que não tenha tido capacidade para, ao longo dos meus anos de trabalho, amealhar dinheiro suficiente para trocar o meu carro matriculado no ano de 1993.
Mas com esta e outras medidas ninguém me tira esta sensação de falta de liberdade. E não é a liberdade para levar o carro para o trabalho, o que nunca fiz desde 1995, quando comecei a trabalhar em Lisboa. É a liberdade para, por exemplo, quando as minhas filhas estão doentes, poder levá-las ao médico que fica numa área da cidade onde, mesmo que só raramente, o meu carro não pode emitir partículas (PM10) e dióxido de azoto (NO2). A liberdade para poder chegar a um jantar num restaurante da capital antes das 21.30, sem ter que utilizar os transportes públicos que a partir de certa hora deixam de ser uma boa alternativa.
A Avenida de Ceuta, o Eixo Norte/Sul, a Avenida das Forças Armadas, a Avenida dos Estados Unidos da América, a Avenida Marechal António de Spínola, a Avenida Santo Condestável e a Avenida Infante D. Henrique, no período compreendido entre as 7 horas e as 21 horas passam, a partir de hoje, a ser os meus limites. Fico presa do lado de fora. Ainda por cima eu tenho esta mania parva de cumprir as regras...
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Foram eles... Ou como os ovnis afinal são ovis
Tanto livro publicado, tanta série de televisão, tanto filme sobre o tema. Tantas vidas dedicadas a uma procura incessante de vestígios da passagem por aqui de seres de fora deste nosso planeta. Afinal havia uma explicação. A mais óbvia, a de que quase todos desconfiavam. A de que os criadores do nome da coisa foram os criadores da própria coisa. Para muitos, é um mito que se desmorona. Para outros, uma contribuição para a certeza de que não existem objectos voadores não identificados. Só objectos voadores identificados... Mas entre uns e outros há os que aguardam por novas notícias e que se questionam sobre se terão sido mesmo os U2 os responsáveis por todas as situações. Pelo sim pelo não é melhor não rever já a ortografia do acrónimo.
sábado, 3 de janeiro de 2015
A terceira e a sétima
Integrar a pintura no cinema é algo que nem todos conseguiriam fazer da forma como Mike Leigh fez. Mr. Turner, artista reconhecido e ao mesmo tempo incompreendido na Inglaterra do seu tempo, precursor nas técnicas, capaz de absorver, quer a natureza mais selvagem, quer as mais recentes inovações da era industrial; é-nos apresentado como alguém excêntrico mas absolutamente humano, capaz de actos tão elevados quanto censuráveis.
Mas o filme, se se centra na figura do pintor, leva-nos a conhecer melhor a sua obra e vai muito para lá de uma simples história de vida (dos seus últimos anos e que não nos é contada, apenas sugerida). Compreendemos as suas fontes de inspiração, percebemos as relações com os pintores seus contemporâneos, com os críticos, com os compradores das obras, com o público ou os públicos e a forma como estes olhavam o seu trabalho. E com esta abordagem entendemos melhor a sociedade inglesa da época com tantos pormenores que nos vão sendo dados a ver.
Timothy Spall, no papel principal, está de facto fantástico e Dorothy Atkinson é também excelente como a mulher que mesmo tratada com crueldade nunca deixa de amar o seu patrão.
A fotografia do filme, fundamental e sob os holofotes com um tema como este, está à altura e cenas há que nos deixam com um sorriso de satisfação. Numa das cenas, uma das que mais gostei, um comboio, maravilha da tecnologia da época, surge real, para se transformar no tema de uma das pinturas que vemos imediatamente a seguir. O filme vale por si e por aquilo que nos sugere. As duas artes estão bem representadas, portanto.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Poesia para começar ou só recomeçar
NOVO ANO
Sempre que recomeço
eu descuro o tempo
tentando seguir o próprio passo
pelo trilho do ano
que acabou
desenredando os nós
do seu baraço
E aquilo que é futuro
à minha frente
tanto pode ser
rosa como aço
Mas ao querer entender
um outro tempo
eu entreteço
sonho, poesia, liberdade
um ano de luz
no seu começo
Maria Teresa Horta, 31 de Dezembro de 2014
Sempre que recomeço
eu descuro o tempo
tentando seguir o próprio passo
pelo trilho do ano
que acabou
desenredando os nós
do seu baraço
E aquilo que é futuro
à minha frente
tanto pode ser
rosa como aço
Mas ao querer entender
um outro tempo
eu entreteço
sonho, poesia, liberdade
um ano de luz
no seu começo
Maria Teresa Horta, 31 de Dezembro de 2014
(publicado no Facebook)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Amanhã
Queria tanto escrever aqui qualquer coisa sobre o ano que passou... mas o trabalho nestes últimos dias não me deixou. Talvez amanhã, talvez num novo ano.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Presentes sem esforço
Há também esta questão dos presentes. Dantes recebiam-se e mesmo que não gostássemos das meias, da toalha de chá, do conjunto de chávenas, lá agradecíamos e ficávamos com as coisas a pensar que, em último caso, poderíamos oferecê-las no ano seguinte a uma das tias. Agora tudo o que nos dão e não serve ou de que não gostamos temos oportunidade de trocar. Já não há qualquer pudor em dizer abertamente que não é bem aquele o tom de que gostamos ou que preferimos outro autor no caso dos livros. Além disso já não são só as embalagens a denunciar onde se compraram os artigos. Há os "talões de troca" que facilitam muito.
Mas se assim se tornam mais fáceis as trocas, de alguma forma também se desresponsabiliza quem oferece uma vez que o esforço para escolher o presente certo tende a diminuir. E o que dizer do papel que se gasta? Numa altura em que o aspecto ecológico é valorizado faz uma certa impressão que, para além do talão do multibanco e da factura (com dois papéis), haja ainda um talão de troca por cada artigo comprado.
E depois há ainda os cartões-oferta para quem não quer ter trabalho a escolher ou a pensar o que oferecer. Muitas lojas os têm. Em algumas podemos optar por diferentes modelos e é o máximo de personalização que podemos obter.
Tudo isto tem como objectivo facilitar o consumo. Mesmo assim, eu ainda tenho algumas dúvidas em relação a uns presentes que ficaram por dar...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Desabafo natalício
Mesmo não tendo uma especial ligação ao Natal, admito que estes dias têm algumas coisas positivas. Uma delas é, sem dúvida, pôr em contacto pessoas das quais, em alguns casos, só nesta altura temos notícias. Família, amigos e conhecidos, trocam entre si desejos favoráveis e optimistas, quase sempre, genuínos.
Mas, de há uns anos para cá, deixámos de perceber se de facto quem nos envia os votos de Boas Festas está realmente a pensar em nós ou se limita a reenviar frases escritas por alguém, algures, não se sabe quando e que, só porque são engraçadas ou "cheias de significado", passam de telemóvel para telemóvel, de mural de facebook para mural de facebook, de forma absolutamente impessoal.
Acho que começo a sentir saudades de um simples e sentido "Feliz Natal".
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
"The state or time of being a boy" = All life
Acho que nunca tinha lido ou ouvido a palavra antes. Mas bastou ver a apresentação para saber que ia gostar do filme.
Richard Linklater em "Antes do Amanhecer", "Antes do Anoitecer" e "Antes da Meia-Noite" já me tinha habituado à simplicidade presente nas histórias e na forma como elas nos são mostradas. E simplicidade é uma noção de que gosto especialmente. A vida, com todas as suas vertentes, já tem em si uma complexidade extrema. E essa complexidade cabe nessa minha noção. Aliás, no cinema, como na literatura ou outras artes, são os filmes onde não há grandes artifícios ou excessos que mais gosto de ver. Até na forma como foi filmado, acompanhando o envelhecimento real dos actores, há um realismo desarmante.
No que tenho lido acerca de Boyhood sobressai a ideia de que é um filme sobre "a vida como ela realmente é". Mesmo que o argumento diga mais a algumas pessoas do que a outras, vê-lo é uma experiência que não pode deixar de tocar todos os que estão a crescer e todos os que já cresceram, ou melhor, que pensam que já cresceram. É que, na verdade, e suponho que esta é uma realidade comum a todos nós, apesar das mudanças físicas e ao nível psicológico, que nos acontecem e que fazemos acontecer ao longo da vida, fica sempre uma sensação de que há determinadas áreas em nós que permanecem inalteráveis nesse percurso.
E é dessas áreas que este filme se aproxima, lembrando-nos os tais momentos em que, paradoxalmente, deixámos para trás partes importantes de nós e seguimos em frente, levando-as connosco.
Entre aspas, no título, está a definição dada pelo tradutor da Google.
Curiosamente as duas imagens deste e do anterior vídeo apresentam rapazes na escola durante a infância.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Um arquivo importante
Habituei-me a ouvir falar dela como a a única mulher que, até hoje, desempenhou o cargo de primeiro- ministro em Portugal. Eu era muito miúda quando isso aconteceu por isso achei a situação absolutamente natural. E era, claro. Mas não deixava de ser, também, uma novidade num país onde, até há pouco tempo atrás, as mulheres tinham tantas restrições na sua vida cívica. Ainda hoje quando se fala em Maria de Lourdes Pintassilgo é esse facto que se refere sempre, apagando outros que não deveriam ser esquecidos. É que esta mulher deixou uma obra importante, materializada em documentos como ensaios, relatórios, artigos, etc.
O seu arquivo político e pessoal estará agora à guarda do Centro de Documentação 25 de Abril na Universidade de Coimbra que virá a disponibilizá-lo ao público. O público, certamente, agradecerá.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Homonímia
"Só agora eu sei", "Senhor delegado", "Encontro por telefone", "Rosto inocente", "Busca sem fim", "Motivo", "Jogo sujo", "Queria tanto", "Vou pegar no pé", "Não tem mais jeito", "Porque você não responde", "Sei", "Agora é tarde", "Vá pra cadeia", "Chora", "Eu queria ter poderes", "Sei sei", "Não vou abrir a porta", "Nem pense nisso", "Te prendo outra vez", "De uma vez para sempre", "Chega de papo".
Alguns dos títulos de êxitos do artista brasileiro (já falecido), Carlos Alexandre.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Nos telejornais das oito
Depois dos directos constrangedores dos primeiros dias em que meios técnicos e humanos se amontoavam à frente do edifício do tribunal no Campus de Justiça, onde estaria Sócrates, passámos agora aos directos e reportagens frente ao estabelecimento prisional de Évora. Se no primeiro caso ficámos a conhecer melhor algumas das viaturas usadas pela PSP, agora ficamos a saber que naquele lugar se come queijo, que o local é muito usado como cenário de "selfies" e que é um bom sítio para o sindicato dos jornalistas fazer uma reunião com os seus associados.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Ainda o Cante
Desde há alguns dias a esta parte toda a gente parece adorar o cante alentejano. Eu, apesar do episódio contado no post anterior, nunca lhe atribuí, pensando em mim em particular, uma importância relevante.
Já como traço do património cultural percebo que tem um valor que se enquadra bem nas definições que levam a UNESCO a atribuir estas classificações. As regras daquela organização são muito rígidas e a burocracia necessária para se chegar onde o Cante chegou agora parece não ter fim. Mas, sendo um dos principais objectivos desta classificação, torná-lo visível a todo o mundo e contribuir para sensibilizar os poderes para a necessidade de se tomarem medidas para assegurar a transmissão desta forma específica de cantar, percebe-se, de facto, a sua importância. Claro que a inclusão nesta lista é um princípio e não um fim. Implica trabalho constante e a participação de um conjunto alargado de intervenientes pois não basta apenas identificar e protegê-lo. É preciso valorizá-lo, transmiti-lo, devolver às comunidades que o integram nas suas vivências, algumas das vantagens que estas classificações podem trazer. Ninguém deixará de concordar que, no caso do Fado, por inúmeras razões, esse movimento está mais facilitado.
Eu não passei a adorar o cante alentejano. Mas ele merece que as manifestações de regozijo que agora se multiplicam se transformem em verdadeiro apoio.
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