quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Argumentistas precisam-se

Bem, além de não ter sido o último, as cenas deste episódio foram tudo menos esclarecedoras para o desfecho da história. Decididamente a Presidência da República precisa contratar melhores argumentistas.
Por favor, se alguém percebeu o que Cavaco Silva disse expliquem-me porque eu, que estava a conduzir no meio de algum trânsito, ainda pensei que fosse a confusão lá fora. Mas ouvi depois, novamente, o que disse o Presidente e pouco entendi.
Mesmo assim vou enunciar aquilo que compreendi:
• Que o PR nunca fez qualquer referência a escutas em nenhuma declaração ou escrito oficial anterior.
• Que pensa que há “destacadas personalidades do partido do governo” que mentem.
• Que, apesar de estar convencido de que havia um complot para “puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD” e “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos” e havendo dúvidas na opinião pública, relativamente à actuação de um membro do seu staff, "procedeu a alterações” na sua Casa Civil.
• Que, além do e-mail trocado entre jornalistas e que esteve na origem deste “caso”, também houve e-mails da presidência envolvidos.
• Que, mostrando alguma ingenuidade acerca do assunto, percebeu que as informações guardadas nos sistemas informáticos nunca estão suficientemente protegidas.
• Que, a presidência da república não leva muito a peito essas questões da segurança informática pois nunca antes deste episódio a questão se tinha posto.
• Que, apesar deste assunto se arrastar há algum tempo, só hoje conseguiu ouvir “várias entidades com responsabilidades na área da segurança”.
• Que se considera vítima de “graves manipulações”.
• Que “foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência”.

Se tudo isto, como parece, tem como alvo o partido que ficou à frente nas eleições de domingo, cujo líder, de acordo com o que é suposto, deverá ser convidado, por Cavaco Silva, a formar governo, qual a atitude que o Presidente tomará? Parece-me que nem os argumentistas mais experientes conseguirão "descalçar esta bota".

Ao contrário do que o porta-voz do PSD disse após esta comunicação parece-me que se percebeu porque é que o Presidente não falou antes sobre este tema. É que se arriscaria a contribuir para uma maior votação no PS.

Mas para alguma coisa serviu esta intervenção. Não tendo apresentado novos argumentos, nem nada de concreto para sustentar as suas suspeitas, Cavaco Silva quis partilhar com todos nós a sua leitura pessoal de certas notícias, incluindo as suas dúvidas e desconfianças, mostrando que, tal como os sistemas informáticos, também tem as suas vulnerabilidades. Ora isso é de se louvar. Finalmente mudou a sua opinião em relação àquela célebre frase do “quase nunca tenho dúvidas e raramente me engano” (ou será que é ao contrário?)!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Previsão

O tango continua. Será este o derradeiro?



Mesmo sem ter feito qualquer sondagem prevejo que hoje, pelas 20 horas, as televisões e rádios terão significativos picos de audiência. E, desta vez, não é Cristiano Ronaldo a estrela. Não, é o presidente de todos os portugueses. E será porque, como já sabemos que não vai haver qualquer discurso seu no 5 de Outubro (a propósito, a única explicação que encontro para esta situação é o facto de, ao contrário do que diz, Cavaco Silva não estar completamente seguro de ser mesmo presidente de todos os portugueses) queremos ouvi-lo antes? Também não. É que parece que vai ser finalmente quebrado o suspense e não sabemos bem sobre o quê. Parece-me que, desde as cenas mais reveladoras da telenovela "Gabriela Cravo e Canela", os portugueses não estavam tão curiosos e sedentos das cenas do próximo episódio...

sábado, 26 de setembro de 2009

Somos nós... e o pai da Liberdade

O António Miranda mandou-me esta imagem que, por esta altura, deve andar a circular bastante pela rede (também já a vi em alguns blogues).

Quino queria mostrar-nos que não é fácil quando, numa eleição, não nos conseguimos rever nos candidatos (pessoas ou partidos). Há muitos portugueses nesta situação. Mas hoje é dia de reflexão e temos de conseguir perceber qual dos 15 partidos mais se aproxima do que pensamos. É que é triste deixar o boletim de voto em branco e não compreendo, por considerar um desrespeito, quem vota nulo. Quanto à abstenção (a não ser por motivos de força maior, claro) está completamente fora de causa. Não faz qualquer sentido deixarmos de exercer um dos mais nobres actos que temos à nossa disposição enquanto cidadãos.

Por isso, votemos! Mesmo que, daqui a uns tempos, andemos com uma cara... os infelizes...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bem-vindos!


“Eu não quis fazer um filme político”, dizia-nos Philippe Lioret, realizador do filme Welcome, no final da apresentação, terça-feira passada, em Lisboa. Mas a verdade é que fez. Não no sentido de ser um panfleto a favor ou contra alguma coisa, mas porque mostra uma realidade que nós sabemos que existe mas a que não prestamos muita atenção, por considerarmos que está longe de nós. Além disso fazer política deve ser entendido, no seu sentido mais lato, da concretização de acções, por parte de cidadãos, que podem vir a afectar a vida de alguém. E este filme, mesmo sabendo nós que raramente um filme muda alguma coisa (reforçando ideias concordantes em quem as tem e sendo normalmente indiferente para os outros), é político.
A antestreia aconteceu num dia em que, em Calais, se verificaram confrontos graves entre as autoridades francesas e os migrantes (i ou e) consoante o ponto de vista. O tema do filme é exactamente a migração à escala do planeta, levando tantas pessoas a arriscarem a vida para não morrerem. No caso concreto a história passa-se em Calais. Aqui mais perto de nós (a ver em A Caminho da Europa) a Espanha assiste a situações semelhantes.
Acompanhamos a história de Bilal, de 17 anos, que vem do Iraque e que quer chegar a Inglaterra onde se encontra a rapariga de quem gosta (em Londres) e o seu clube de futebol de eleição, onde espera vir a jogar (o Manchester United). Em Calais depara-se com a realidade dura de muitos clandestinos que procuram atravessar o Canal da Mancha, pelos vários meios possíveis. Das várias hipóteses opta por atravessar a nado e é por isso que procura aperfeiçoar-se numa piscina onde conhece o seu instrutor que, primeiro por uma razão egoísta, depois por um brutal sentimento de necessidade de entreajuda, se vai tornar no seu único amigo, sofrendo as consequências que tal situação implica. A lei, segundo a qual quem dá ajuda a imigrantes ilegais pode ser condenado a 5 anos de prisão, nestas regiões, parece aplicar-se mesmo.
É muito interessante, no filme, perceber os diferentes pontos de vista dos residentes no local, que oscilam entre a condenação, a indiferença e a abnegação dos voluntários, que distribuem comida e roupa diariamente aos clandestinos. As nacionalidades destes vão variando conforme se verificam situações extremas nos países de origem mas é quase sempre a guerra o motivo mais forte da procura de outro país para tentar (sobre)viver. E a Inglaterra torna-se apetecível porque, tal como explicou Philippe Lioret, a flexibilização das leis laborais com a desregulamentação do mercado de trabalho, do tempo de Margaret Thatcher, facilitou o trabalho clandestino, o sub emprego e, além disso, a língua inglesa, mesmo que mal falada, continua a ser a que lhes é mais acessível.
O realizador explicou ainda outras coisas: que preferiu um actor com pouca experiência mas que, por isso mesmo, desempenharia bem o papel de um rapaz com 17 anos, idade em que, na sua opinião, se está com um pé na infância e outro na idade adulta; que todos os indivíduos que aparecem no filme são actores e figurantes, não aparecendo qualquer pessoa das que se pretende retratar porque não se pode pagar a ilegais; que o filme, apesar da temática e de ser falado em várias línguas (e do título, acrescento eu) foi subsidiado pelos organismos oficiais franceses; mas Lioret teve que contar todas as palavras francesas e reescrever algumas cenas porque a língua predominante teria que ser o francês.
As nossas opiniões sobre a realidade retratada neste filme podem variar muito. E devemos resistir à condenação pura e simples dos países mais ricos do ocidente que tentam afastar de si estes migrantes. A multiplicidade de questões envolvidas assim o aconselha. Mas, neste filme, são as pessoas que estão em primeiro plano. E não podemos deixar de sentir como nossas aquelas dores.
Refiro ainda uma cena do filme que é das mais impressionantes que já vi no cinema: o momento em que a lancha da guarda costeira inglesa tenta “pescar” Bilal. É que é isso mesmo que faz lembrar: a caça da baleia, por exemplo, sendo o arpão substituído por uma bóia que, para o protagonista, é não de salvação mas de condenação. A resistência ao que parece inevitável é levada ao extremo e também nós, espectadores, nos debatemos pelas nossas vidas.

Obrigada Maria pelo convite para a ante estreia.

O preço dos souti(ahn?)s ou o apoio em saldo

Numa época em que os apoios desinteressados são tão difíceis de obter e os que se compram parecem estar tabelados, nas feiras, como se vê, os preços são muito acessíveis. Será por isso que Paulo Portas as frequenta tanto neste tempo de campanha?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vemos ouvimos e lemos. Não podemos ignorar?

Logo de manhã, a caminho da escola, a minha filha, de 9 anos, perguntou-me porque não podia votar, tal como nós. Expliquei-lhe que votar é muito importante pois é nessa altura que escolhemos quem são as pessoas que, nos próximos anos, vão tomar decisões que têm a ver com as nossas vidas. É por isso que temos que ser crescidos para podermos pensar nas coisas de uma forma ponderada.
Depois de falar apercebi-me que nunca o conseguiremos fazer, uma vez que as informações de que dispomos para formar a nossa opinião são, quase sempre, incompletas, quando não são manipuladas. Da parte dos partidos, como é da sua natureza, transmitem-nos intenções gerais e ideias que, em muitos assuntos são coincidentes, envoltas numa capa de programas a cumprir sabendo nós, ou, pelo menos, desconfiando, que esse cumprimento está dependente de tantos factores que os dirigentes não controlam e que, ao mesmo tempo que lhes dificulta a concretização das políticas, os desculpa perante quem neles votou. É como se fizessem exercícios Ceteris paribus sem divulgarem essa condição. Quanto ao que é transmitido na Comunicação Social nunca, como nesta fase pré-eleições, duvidámos tanto do conteúdo das notícias. Confundimos factos com opiniões, confundimos jornalistas com militantes de partidos, confundimos comentadores com analistas sérios, confundimos sondagens mal feitas com sondagens credíveis. Se, pelo menos, esta situação servir para aprendermos que as coisas quase nunca são o que parecem… Mas será que vamos aprender? Lembrei-me que actualmente, já nem a canção Cantata da Paz (com letra de Sophia de Mello Breyner Andresen e música de Francisco Fanhais) pode ser levada à letra.
Quanto à minha filha respondeu-me: "eu sei que o Jerónimo de Sousa fala a verdade sobre a vida das pessoas e o Sócrates fala tão bem dos “Magalhães” e eles estão todos a avariar". Fiquei a pensar que ela, na sua ingenuidade e simplicidade de raciocínio, tem mais certezas do que eu tenho.

sábado, 19 de setembro de 2009

Better wait and see...

Foto retirada daqui


As notícias de hoje fizeram-me recordar uma canção dos Stranglers (como não consegui encontrar um vídeo deixo apenas a letra).

It Only Takes Two To Tango

It only takes two to tango
It only takes two to start the dance
You gotta begin with circumstance
It takes two to tango
It only takes two

It only takes two to tango
It only takes to to start the war
You gotta make do or you gotta get more
It take two to tango
It only takes two

It only took two in ancient history
To get to the top of the monkey tree
Better wait and see
Better wait and see
Better wait and see

It only takes two to tango
It only takes two to start the dance
You gotta make do could be your only chance
It takes two to tango
It only takes two

It only took two in ancient history
To get to the top of the monkey tree
Better wait and see

Caninos afiados


Penha Garcia, Julho 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Centro de Férias -2-


Julho, 2009

Pequeno Partido, grandes ambições

Eles sabem que nunca lá chegarão mas, se isso acontecesse, os dirigentes do Movimento Mérito e Sociedade iriam ter bastante que fazer. Diria até que, mesmo sem mérito, a sociedade iria conhecer um grande movimento! Sem entrar na discussão acerca do tal “mérito” das propostas (algumas poderiam ser muito discutidas) vou limitar-me a referir algumas das que constam num folheto distribuído por aí.

Começamos pelo propósito geral que é, “só e mais nada”, Mudar Portugal. Passo a citar: “ Os nossos objectivos são simples e claros: acabar com a corrupção, acabar com a mediocridade, acabar com os políticos profissionais que nada mais sabem fazer, acabar com as mentiras e as hipocrisias de quem nos tem vindo a governar nos últimos 35 anos”…” O MMS pretende também alterar de forma profunda o sistema político português”…

Claro que sem nos dizer como, o MMS propõe, então (segue-se um excerto do “excerto das principais medidas a curto prazo que constam no programa eleitoral):


  • IRS: dedução da totalidade das despesas médicas, dedução da totalidade das despesas de educação, dedução da totalidade das despesas judiciais;

  • IRC: redução da taxa de 25% para 15%;

  • IVA: redução da taxa de 20% para 15%;

  • HABITAÇÃO: revisão da lei das rendas, tornando o mercado de arrendamento livre, mais competitivo…, abatimento em sede de IRS da totalidade do valor das prestações/rendas pagas pelos jovens até aos 35 anos;

  • EDUCAÇÃO: estabelecer que os jovens em idade escolar terão um dia por semana ocupado em acções de solidariedade…, dignificar a profissão de professor;

  • SAÚDE: abolição das taxas moderadoras, independentemente dos níveis de rendimentos, saúde pública gratuita e universal, hospitais e maternidades com ampla cobertura nacional;


Nem sei bem se a definição de demagogia se poderá aplicar aqui…

Nota: o sublinhado é meu

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Isto não se faz!

Em plena Av. 24 de Julho, junto ao Cais do Sodré, num dos dias da semana passada, no mesmo local onde, pela manhã, se agitam bandeiras de estabelecimentos comerciais e se distribuem jornais gratuitos, uma jovem, que aparentava ter uns 16 anos, agitava uma bandeira (verde, claro!) do Movimento Esperança Portugal. (Até tirei uma foto mas não me parece apropriado divulgá-la).
Eu sei que este partido (que não se intitula desta forma), pela sua dimensão (os candidatos a deputados divulgaram até endereços de e-mail e números de telemóvel para poderem ser contactados), não terá meios financeiros comparáveis a outros. E é verdade que uma das propostas do movimento é o programa "Poupar é Possível". Mas deixarem a rapariga sozinha, no meio da confusão da hora de ponta, a representá-lo parece-me uma crueldade.

All'Improvviso

Os mais puristas podem não ter gostado mas ontem o concerto inaugural da temporada no Centro Cultural de Belém foi muito especial e didáctico. Através de um programa que nos levou da Idade Média tardia até à música contemporânea, passando pela música barroca e romântica, pudemos acompanhar a improvisação levando-nos a compreender melhor o jazz, por exemplo. Os 24 músicos, os instrumentos mais antigos, como o saltério ou a tiorba, a par da dança, que nos remetia para uma sensação de liberdade, foram uma surpresa.

Ora vejam só um pequeno exemplo:


Da sucata para o TGV

Afinal o problema é que MFL leu o Correio da Manhã hoje.

Quanto mais fala...

Fui eu que ouvi mal ou Manuela Ferreira Leite disse mesmo que deveríamos defender a independência económica de Portugal (independência económica de Portugal?)? Há já muito tempo que não ouvíamos esta teoria. E a senhora até já foi ministra das Finanças, não é verdade? Até Jerónimo de Sousa (pois, o líder do PCP) reconhece que a nossa ligação à Europa, e sobretudo a Espanha, são importantíssimas! As voltas que isto dá!

domingo, 13 de setembro de 2009

Voluntários (com determinação)

Há dias vários jovens, à saída da estação de comboios, distribuíam um jornal que fazia parte da campanha do PS. O jornal, em si, não tinha nada de especial: uma entrevista com a ministra da saúde, testemunhos de quem aderiu às novas oportunidades, até uns passatempos.
Mas o que eu registei foi que os tais jovens tinham vestida uma t-shirt, de cor verde (cor do Verão), onde se lia nas costas “Voluntário”. É interessante verificar como tiveram necessidade de o dizer. Certamente para evitar que se fizessem comparações com os que vêm em excursão às manifestações. Mas será que nem sequer lhes pagam um lanche?

Para quê fazer simples quando se pode complicar?


Então não é suposto um cartaz ser suficientemente claro logo ao primeiro olhar? A série destes cartazes do PSD é o contrário. Quem vê este, por exemplo, ao longe e não lê o que está em letras mais pequenas (ou piquenas), que dizem – ouvimos os portugueses -, não percebe a sua mensagem. Assim, “Olhem por quem mais precisa” utiliza um modo verbal que nos faz perguntar: mas a quem se dirige Manuela Ferreira Leite? Se o imperativo traduz um pedido, uma ordem, trata-se de um apelo a quem? Aos seus futuros ministros que, caso o PSD ganhe as eleições, terão esta tarefa a seu cargo? Ou será que se dirige a outros partidos, antecipando uma vitória que não a sua?

sábado, 12 de setembro de 2009

Os despojos da noite


As cores do Verão







Pois é, são dois actos eleitorais: para a assembleia da república e para as autarquias. Deve ser por isso que não tem havido grandes rasgos de imaginação, por parte de quem elabora os cartazes das diferentes campanhas. As cores, a composição, o facto de haver uma forte personalização torna tudo muito igual. Isto somado ao cinzentismo dos debates, aqui e ali um pouco mais coloridos, leva-nos a achar que está tudo muito morno. Será?

Campo (demasiado) Pequeno

A 22 de Outubro José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto estarão no Campo Pequeno para cantar. Apressem-se porque os bilhetes que restam já são poucos! E o campo é, de facto, muito pequeno para estes três grandes.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

New York, eight years ago

Foi após o almoço no magnífico terraço das "Freiras" (Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina), enquanto esperávamos o nosso café, que vimos na televisão as primeiras imagens. Terá sido o acontecimento mais documentado de todos os tempos. Ainda agora, 8 anos depois, novas fotos e testemunhos continuam a aparecer. Mesmo assim ainda nos custa acreditar.



Os EUA têm um novo presidente, pela primeira vez, desde essa data. Uma das teorias sobre o que aconteceu nesse dia já fez uma baixa na sua administração.

Para homens de barba rija?

Os mais velhos devem lembrar-se. As lâminas já devem estar rombas mas ainda estão à venda...

Fruição ou Tortura?

À hora de almoço, frente ao Restaurante Alfaia, dois músicos de rua tocam instrumentos que parecem ser dos utilizados pelos aborígenes australianos (didgeridoo, verifiquei agora). Até há uma Associação Portuguesa de Didgeridoo. Na esplanada, várias pessoas, com ar de turistas, fingem nem dar pela música, como se tal fosse possível. É que o som, repetitivo, ecoa por várias ruas. Os seus rostos denotam que estão incomodados mas, ao mesmo tempo, mantêm a atitude mais passiva de nada dizer. Será que pensam que não se pode silenciar um instrumento sagrado?
E sabiam que, numa pesquisa científica publicada pelo British Medical Journal, como se refere no site, conclui-se que "tocar Didgeridoo ajuda a reduzir o ressonar e a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, melhorando também a sonolência diurna decorrente desses dois distúrbios, provavelmente por fortalecer a musculatura das vias aéreas superiores, reduzindo assim a sua tendência, nesses distúrbios, de colapsar durante o sono"?.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

TODOS

Neste fim de semana todos os caminhos vão dar à Mouraria. A cidade de Lisboa somos nós e são eles, ou melhor somos nós!

Nós votamos no nosso dentista!

    Perante este cartaz há 3 hipóteses a considerar:

    ou os modelos foram escolhidos num casting para publicidade a um qualquer dentífrico;

    ou Isaltino quer provar a Paulo Portas que os dentistas dos seus votantes não ficam nada a dever ao do líder do CDS/PP;

    ou os modelos são apoiantes de Sócrates e utilizaram recentemente os cheques dentista.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sem máscara

Afinal o exemplo para o pessoal do 31 da Armada veio de um republicano. E, como em muitas outras coisas, o original é muito melhor que a(s) cópia(s). A ler aqui.

O design já está a ser experimentado!

Algumas caixas de rua da EDP vestiram-se de cores. Outras iniciativas, no âmbito da "Experimenta Design", serão visíveis por Lisboa.
E porque não experimentam também utilizar, na divulgação das actividades, a nossa língua (sempre preterida nestes meios, a favor do inglês)? Por exemplo, porque não usar a nossa expressão "Já não era sem tempo" em vez de "It's about time". Isso sim, seria inovação...

Indiferença

É de tarde. Em pleno eixo da R. da Boavista, uma mulher, "sem abrigo", empurra um carrinho de supermercado com os seus pertences, indiferente aos automóveis que circulam. Quando passa um autocarro os veículos não se conseguem cruzar. Uns condutores buzinam, outros gritam. Do passeio também lhe gritam para sair do meio da rua.
Ela, murmurando qualquer coisa imperceptível, continua.

Alguém quer experimentar?


Parece que "diminui as rugas e atenua as manchas, cicatrizes ou marcas"

Morar no alto da rocha

Monsanto, Julho 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Agradecimento

O prémio "Vale a pena ficar de olho nesse blogue" foi atribuído, muito justamente, a Maria Josefa Paias do Restolhando que, simpaticamente, o atribuiu ao Dias Imperfeitos, a par de outros que vale mesmo a pena visitar.

A propósito pensei que, quando criei este blogue, há 3 meses atrás, a minha ideia era mesmo a de interromper o meu habitual silêncio com pequenas reflexões, quase como se fossem apontamentos num qualquer caderno, semelhante aos que enchia durante a adolescência. Afinal rapidamente este espaço se tornou um vício e descobri imensas coisas que me dão muito prazer partilhar, mesmo sem saber com quem. Aliás o problema é a falta de tempo para escrever mais porque a vida de todos os dias dá-nos sempre imensas razões para o fazer.

Obrigada à Maria Josefa e aos que "ficam de olho" neste blogue.

sábado, 5 de setembro de 2009

Psiche sa...

Porque a pessoa que me deu a conhecer Paolo Conte, há uns anos atrás (e que continua ainda mais fã que eu), faz hoje anos; partilho esta música convosco.
E como do que é bom não nos fartamos aí está outra, do mesmo álbum (de 2008), por enquanto o último.

Meia Torre

Castelo Novo, Julho 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Inusitado encontro

Bairro Alto, a meio da tarde. De dentro de um restaurante, provavelmente após um almoço mais tardio, sai um homem, 35 anos, talvez. Está vestido com um fato escuro, de corte actual, os sapatos bem cuidados, cabelo impecável, sorriso confiante. À porta do restaurante, de conversa com um conhecido, está um morador no edifício. Aparentemente acabou de tomar banho. Está de chinelos e de toalha enrolada à cintura. Os dois homens hesitam em relação ao lado que hão-de dar ao outro, naquela dança que todos conhecemos. A toalha é amarela e tem flores brancas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dias (Imperfeitos) de Loureiro

Há já alguns dias que queria comentar este assunto mas não tenho tido oportunidade. Mas, como acho que ainda vale a pena, aí vai. Pelos vistos foi uma dor de barriga de um investigador do caso BPN que o levou à dita casa de banho, onde se terá apercebido da existência de uma porta dissimulada, que dava para um esconso, onde se encontravam “documentos relevantes para o processo”. Vamos deixar de lado a parte mais cómica desta situação. Vamos deixar de lado a questão de saber se a documentação foi, de facto, ali esquecida ou ali propositadamente deixada. Claro que podemos sempre pensar que, dados os problemas de amnésia de que sofre o ex-conselheiro de Estado, ele não se lembrava sequer da existência do esconso e a porta estava tão bem dissimulada que nem o próprio a via, tendo sido precisos os olhos, muito experientes, de um investigador para dar com ela.
O que já custa mais saber é que Dias Loureiro terá dito: «se essa documentação fosse de facto comprometedora, não a teria em casa ou já a teria destruído». Ora isto diz tudo sobre o futuro da investigação. Os casos, no tribunal, analisam-se com base em provas, não é? Já sabemos, então, que, neste caso, as provas, se é que existiram ou existem, já foram destruídas ou escondidas em lugar seguro. E o à vontade com que isto é dito a um jornal diz muito sobre a pessoa em si e sobre as limitações da justiça que vamos tendo.

"Conímbriga-a-Nova"



Conímbriga, Julho 2007

O cinema pode tudo (até pegar fogo a um regime odioso)

Apesar dos excessos (de sangue, por exemplo), em que Tarantino é mestre, o seu mais recente filme, que vi este fim de semana, constitui uma espécie de catarse colectiva. Através do humor e da capacidade de ridicularizar figuras históricas, como Hitler ou Goebbels e sobretudo através do destino dessas personagens, a maioria de nós sente que as acções daqueles "inglourious basterds" são uma vingança que todos nós compreendemos. E é muito significativo o facto das armas que derrubam o Terceiro Reich serem as películas dos filmes.
Destaca-se ainda o papel magnífico de Christoph Waltz no papel de Coronel Hans Landa.

Classe de 79

Nunca fui grande fã dos Xutos e Pontapés. No entanto, pela sua presença constante, de há 30 anos a esta parte, merecem o nosso aplauso. Vem isto a propósito do concerto desta banda que vi na última 6.ª feira (em Corroios). O recinto estava a abarrotar. Deviam lá estar mais de 30 000 pessoas de todas as idades. No início pareceram-me um pouco distantes e demasiado “profissionais” mas, pouco depois, entregaram-se mais ao público onde, aos mais velhos, se juntavam as crianças, como as minhas filhas, que sabiam também de cor as canções. À minha frente duas amigas comentavam (a propósito da canção que dá título a este post): ena pá, 79 foi o ano em que o meu irmão nasceu! Elas teriam nascido alguns anos depois. Recordei então que o primeiro concerto que eu vi dos Xutos foi há 26 anos, no Rock Rendez-Vous. Nessa altura era mais a associação com o espírito punk que procurávamos. E, em Portugal, não havia muito mais. Os Xutos e Pontapés de hoje já não são os mesmos. Mas nós também não!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Se levar oito nós oferecemos um!

Há já algum tempo que não ia ao Estádio da Luz. Parece que escolhi bem o dia. É que não foi só o resultado. O Benfica jogou mesmo muito bem. A impressão com que fiquei é que os próprios jogadores do Vitória de Setúbal, por vezes, ficavam simplesmente a ver jogar porque era uma pena perder o espectáculo. O público correspondeu ao esforço dos jogadores. O golo oferecido no final ao Vitória foi imediatamente perdoado. Os rostos de todos quantos saíam do estádio evidenciavam uma grande alegria. Foi uma festa!



Antes do jogo os adeptos carregavam baterias e até se comiam hamborgas(?)!


















Ao intervalo ainda os nomes dos autores dos golos cabiam no painel.











No final do jogo só um dos golos estava a mais.