terça-feira, 15 de abril de 2014

O Terreiro do Paço é que é lindo.

Primeiro foi o Arco de Luz para comemorar a conclusão da reabilitação do Arco da Rua Augusta. Depois foi o Circo de Luz, que animou as fachadas no Natal passado.
Agora o motivo é a Primavera e, no dia 24, a Revolução dos Cravos. Os autores são os mesmos em todos os espectáculos.
Não é que não ache interessante este tipo de trabalhos. É certo que gostei do primeiro espectáculo, gostei menos do segundo e este não faço questão de ver. Na verdade penso que não é bom repetir uma ideia até ela se esgotar, como parece que pode ser o resultado deste afã em criar espectáculos multimédia para projectar nos edifícios do Terreiro do Paço. Ele vive bem sem eles. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Toma lá, para não te armares em snob...

O que fazer quando uma filha nossa nos diz que quer ir ver o filme "Sei lá!"? Talvez não sermos tão duros connosco próprios e pensarmos que a educação que lhes demos não foi assim tão má como este episódio parece fazer crer.

Pela manhã, uma partilha musical...

Os outros passageiros nem queriam acreditar. Normalmente são outras pessoas que correspondem ao estereótipo de quem ouve música alta, sem headphones, nos transportes. Desta vez, uma senhora, com mais de 40 anos, de traços orientais, partilhava, com todos, música também oriental, talvez da China. Não foi fácil concentrar-me no meu livro. Mas não pude deixar de sorrir de cada vez que, numa nova estação, alguém entrava e procurava, com estranheza, a fonte daquele som.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Acreditar ou não

Irrita-me este dia das mentiras. Não consigo ler ou ouvir as notícias sem me questionar: será que isto aconteceu mesmo? 
Por outro lado,  há algumas notícias que lemos e pensamos: isto não pode ser verdade! E descansamos. No dia seguinte saberemos que foram inventadas... O problema é que algumas são mesmo reais.
Pensando bem, este dia das mentiras não é muito diferente dos outros dias. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Os livros, os tamanhos, as capas ou como cada um os veste como quer

Esta coisa das modas é mesmo assim... Durante muito tempo era frequente encontrar, nos transportes públicos, mulheres que costumavam trazer consigo livros que eram transportados junto ao peito, com as capas viradas para fora, mostrando a todos que tinham um enorme orgulho em ler o último de José Rodrigues dos Santos ou outro best seller que, invariavelmente, tinha muitas páginas. Para mim, que já carrego sempre muito peso, uma das condições para escolher os livros que diariamente trago comigo é exactamente, ao contrário, a sua pequena dimensão. Nem sempre é possível mas com tantos livros para ler lá vou conseguindo.
De há algum tempo para cá, essas mulheres passaram a envolver os tais livros com umas capas de tecido. Mas não são uns padrões quaisquer. As flores, as cornucópias, as pequenas bolas, tudo em tons muito suaves, são os eleitos. Percebi, entretanto, que até as livrarias vendem essas capas feitas, sobretudo (lá está!), para os livros grandes. É como se certos livros pudessem tornar-se melhores ao apresentarem-se vestidos.
O meu livro, quando o tiro de dentro da mala, embrulhado num saco de plástico, na sua nudez, como quando o trouxe da livraria, não é tão vistoso, é verdade. Ainda hoje, uma senhora que agarrava um belo exemplar, envolto numa capa de pequenas riscas verde clarinhas, o olhou como se olha um maltrapilho do alto de um fatinho Chanel. Mas, depois de eu perceber que livro era, a diferença que pudesse existir entre os dois era largamente favorável ao meu. Pode não andar vestido, é certo. Mas é tão mais bonito!

sexta-feira, 28 de março de 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

E não são só eles!

A ideia não é nova por cá.
De uma coisa podem estar certos: a minha mãe, de 80 anos, e o meu pai, de 79, não gostam de andar na montanha russa.

sábado, 22 de março de 2014

A actualidade de Bordalo

Comemoraram-se neste 21 de Março os 168 anos do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro. 
Aqui fica um desenho seu publicado a 12 de Março de 1902, no n.º 113 de "A Paródia": 

Imagem retirada daqui. Clicar para ler melhor.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Complementaridade?

A viagem de metro durou aproximadamente 20 minutos. O rapaz e a rapariga estavam sentados à minha frente. Durante esse tempo as suas mãos não se largaram. De vez em quando davam um beijo. Ininterrupto foi o som das palavras. O dia todo contado, os pormenores do que foi feito, os comentários da chefe e dos colegas, as opções em cima da mesa para resolver alguns problemas, as implicações de todos os actos, o que na agenda constava para os próximos dias... Tudo isso, quase sem nenhum intervalo entre as frases.
Enquanto isso ele manteve-se sempre em silêncio.

quarta-feira, 12 de março de 2014

De olhos bem abertos!

Eu bem que já me tinha apercebido que a culpa de haver menos carreiras de autocarros era daquele tipo que espera que o condutor se distraia para entrar pela porta de trás. Sim, eu bem o vejo, às vezes.
Também já tinha pensado que se não fosse aquele outro que salta por cima das cancelas na estação de metro, o número de comboios seria certamente maior.
E o que dizer do tempo de espera? Hum... Os miúdos que ainda andam pendurados nos eléctricos, são do piorio.
Já para não falar da degradação do serviço: os pedintes que validam uma vez e andam toda a manhã no metro são certamente os responsáveis.
Por isso a partir de agora, como sugerem os senhores da Carris e do Metro, vou abrir muito os olhos. Vou fazer sentir a todos esses fora da lei que a culpa de tudo isso é deles. 
E de seguida faço o quê? Grito bem alto? Rasteiro-os? Para saber a forma exacta como devo actuar, aguardo novo cartaz com instruções precisas...


P.S. Não ponho em causa a legitimidade das empresas ao quererem combater as fraudes na utilização dos transportes públicos. Mas sugerirem que é esse "o" motivo pelo qual a situação está como está e sobretudo que devemos ser todos nós a "colaborar" na denúncia dos casos já me parece demasiado...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Na sombra

Ela tinha uma casa. Já era da sua mãe mas ela queria-a também para si. Tinha vivido ali toda a sua vida e, apesar de ser um pequeno apartamento no subúrbio da cidade, sempre a tinha sentido como o lugar onde queria regressar ao final de cada dia, cansada de tantas horas em pé no cabeleireiro daquele centro comercial onde nunca via a luz do dia.
Talvez por isso, do que mais gostava era do sol que lhe entrava todas as manhãs pelo quarto e que à tarde tornava a sala acolhedora.
Depois veio a construção do viaduto onde tão poucos carros passam. Levam dentro pessoas que não sabem que a sala perdeu aquele brilho dourado ao fim do dia, aquela luz suave que dava diferentes cores à parede branca.
A seguir, do outro lado, resolveram construir uma torre de escritórios. Uma torre de uma altura tal que nem se percebe, olhando para ela, quantos andares tem. Passados alguns anos essa torre continua praticamente vazia. Os poucos interessados que visitam o apartamento-modelo, com uma vista magnífica, segundo o vendedor, nem sequer olham para o prédio, que agora parece ainda mais pequeno; nem fazem a mínima ideia de tudo o que ela perdeu. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Hoje os polícias não fizeram a vontade aos jornalistas...

Pois é... Esta coisa de se fazerem manifestações com o intuito de os momentos-chave coincidirem com os horários dos telejornais já é um princípio que leva a alguns exageros. 
Mas hoje foi demasiado. Na rádio, mas sobretudo nos canais de televisão que vi era o mesmo: longas reportagens feitas a partir do exterior da Assembleia da  República com imagens que só em algumas alturas justificariam o directo. Assistimos aos comentários de jornalistas a quem, certamente, deram ordens para ali estar e que, à falta de assunto, se limitavam a repetir, repetir e repetir as mesmas palavras. Era até aflitivo ouvir as suas vozes darem relevo a factos sem qualquer interesse mas, mais que isso, sentia-se o desejo imenso que a situação evoluísse para uma invasão das escadarias pois, só assim, toda a histeria se justificaria. Aliás, chegou-se ao cúmulo, não sei se na RTP, se na TVI, de se dar a entender qual a melhor forma para o fazer. Mas não aconteceu o que teria sido o ponto alto da reportagem. Até as pessoas assistidas pelo INEM não aparentavam problemas de maior. A certa altura os manifestantes gritaram que "Só não subimos porque não queremos". Não foi, portanto, por falta de vontade dos repórteres (aliás, das repórteres) cujas vozes se foram acalmando, ganhando um tom de decepção, para o fim da reportagem. 
O direito à manifestação e as causas dos polícias mereciam uma postura diferente...

terça-feira, 4 de março de 2014

Os italianos chamavam-lhes nórdicos


O preço dos bilhetes não é baixo. Mas, comparado com gastos que não nos trazem nem uma pequena parte do prazer que podemos experimentar ao ver esta exposição, vale a pena ir até ao Museu Nacional de Arte Antiga. Por isso, neste dia de Carnaval, para quem prefere ver outros cortejos, esta é uma bela forma de ficar a conhecer melhor estas obras e o seu contexto. 


Demasiado calor para a verdade

A influência da paisagem e dos elementos da natureza no comportamento das personagens é um clássico nas narrativas que encontramos em livros, peças de teatro, filmes... Neste "August: Osage County" essa paisagem e o calor asfixiante está omnipresente, mesmo que seja no interior da casa de família que as principais acções se desenrolam. Essa casa, que está normalmente fechada, às escuras, como que a guardar determinados factos que só alguns conhecem. Mas a reunião dos membros da família obriga a afastar as cortinas e a abrir as portadas ao mesmo tempo que conduz à revelação dos segredos que, inevitavelmente, ferem, magoam. Revelados ou não, esses segredos são a história da vida dos membros da família e é perante eles que tem que se continuar. Ou não. Porque é tão difícil continuar quando se sabe a verdade...
É muito boa a forma como as actrizes dão vida às personagens femininas. Mesmo nos papéis menos exuberantes, como o de Julianne Nicholson. Dos actores destaca-se, sem dúvida, Chris Cooper.
Pode não ser um filme inesquecível mas coloca-nos perante algumas questões que nos podem fazer reflectir e, só por isso, já vale a pena vê-lo.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma boa compra

Os sapatos e botas pendurados à porta lembram-nos formas de exposição dos produtos que há muito foram substituídas pelas aprendidas em cursos de formação na área do vitrinismo. 
Lá dentro, a confusão de caixas em prateleiras e no chão fazem-nos imaginar que aquilo que pretendemos não irá ser encontrado. No entanto, surpreendentemente, a dona do estabelecimento que é, simultaneamente, empregada vai direita a uma caixa e dela tira o modelo e número das botas que, depois de experimentadas, se constata serem "mesmo aquelas".
Enquanto me atende, o seu marido, também na casa dos setenta e que com ela partilha a espera dos clientes, naquele espaço onde o cheiro do couro prevalece, permanece sentado a ouvir o rádio que já estava ligado quando entrei. Entre dois dedos de conversa, fico a saber que vieram, há muitos anos, da zona da Lousã para Lisboa e que, quando deixarem de trabalhar, ninguém dará continuidade ao negócio. 
E não se trata de defender algo que está condenado e não tem qualquer razão de existir nestes tempos de grandes grupos económicos cujas lojas, embora com diferentes nomes, vendem os mesmos produtos, fabricados em lugares distantes. Não! No dia anterior tinha tentado comprar umas botas daquele tipo noutro local e, além de serem muito mais caras, não tinham metade da qualidade que estas que agora levo, num saco sem qualquer logótipo, têm.