Serpenteia por entre os automóveis de uma forma que só parece acessível a um artista de circo. Quer chova, quer o calor aperte. Não sei para onde vai mas sei que chega sempre primeiro. Gosto especialmente da forma como aperta o cabelo com um elástico enquanto pedala a grande velocidade.
Redescubro, contigo, o pedalar eufórico
pelo caminho que a seu tempo se desdobra,
reolhando os beirais - eu que era um teórico
do ar livre - e revendo o passarame à obra.
Avivento, contigo, o coração, já lânguido
das quatro soníferas redondas almofadas
sobre as quais me estangui e bocejei, num trânsito
de corpos em corrida, mas de almas paradas.
Ó ágil e frágil bicicleta andarilha,
ó tubular engonço, ó vaca e andorinha,
ó menina travessa da escola fugida,
ó possuída brincadeira, ó querida filha,
dá-me as asas - trrrim! trrrim! - pra que eu possa traçar
no quotidiano asfalto um oito exemplar!
Alexandre O´Neill
in Poesias Completas, Assírio & Alvim
Gosto muito de poesia.
ResponderEliminarVenho hoje especialmente desejar um Bom
2013 e que nos possamos visitar mais.
Bj.
Irene Alves
Obrigada, Irene. Um bom ano também para si. E que a poesia esteja sempre presente! Quanto às visitas, não é por não querer mas o tempo tem sido demasiado curto...
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