sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma das razões/poemas por que gosto de Arnaldo Antunes

Mesmo

eu em mim mesmo
esmo em marasmo
asma em miasma
eu em eu mesmo

eu em mim lesma
em mi mesmado
desorganismo
desabitado

in , Arnaldo Antunes, Álbum Nome, 1993

À atenção do Sr. Putin


A composição sobre o Natal

- Mãe, na semana passada, na escola, a professora de Português quis que fizéssemos uma composição sobre o Natal e sobre o consumismo e materialismo desta época. Todos disseram que o importante era a família e estarmos todos juntos. Mas na verdade estamos todos a pensar é nos presentes. Além de consumistas ainda somos mentirosos... E logo no Natal...

M., 13 anos

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Às seis da tarde

Caminho por uma rua onde poucos caminham. Àquela hora os candeeiros estão já ligados e a sua luz bate no pavimento. Mas só parte dela. O resto é escondido pelas folhas das árvores que balouçam com o vento. Talvez por isso, porque o vento agita as folhas e a luz que entre elas passa, o chão que vou pisando agita-se também. Caminho, por isso, por esse caminho instável sem saber se o que piso é luz ou é penumbra. E, de repente, percebo que estou feliz.

Picus viridis


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Em resposta a uma pergunta de um jornalista

"Eu não tenho muito tempo para olhar para a janela"

Manoel de Oliveira no dia em que fez 105 anos de idade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Morreste-nos

Hesitei em escrever aqui alguma coisa sobre a morte de Mandela. Porque é esmagadora esta avalanche de tantas palavras, tantos testemunhos, tantas referências. Eu não saberia o que dizer. Mas, de repente, lembrei-me da palavra que dá título à obra de José Luís Peixoto (Morreste-me) e achei que poderia resumir o que fui lendo e ouvindo desde que ontem se conheceu a notícia.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Coisas inversamente proporcionais

O que aumenta: a idade, as rugas, a flacidez, a necessidade de usar cremes cada vez mais caros.
O que diminui: o dinheiro para os comprar.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Já está a fazer falta


Quando daqui a alguns anos passarmos por aquela rua vamos poder dizer: aqui havia um cinema.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma convivência difícil

Um passageiro, ao sair do comboio, depois de uma senhora que ia a ler se ter mostrado incomodada por ele falar muito alto durante a viagem, diz para a sua mulher e para quem quisesse ouvir: filha da puta! Vem para aqui com o livro! Ela que vá mas é ler para a biblioteca!

sábado, 23 de novembro de 2013

O exemplo da "Casa Pereira"

Atendendo à realidade que conhecemos, e que nem sequer é exclusiva de nenhuma cidade em particular, percebemos que as zonas nobres das cidades sejam alvo de transformações que, no que ao comércio diz respeito, se traduz, muitas vezes, na substituição de lojas tradicionais por outras de cadeias internacionais que, obviamente, têm um poder económico incomensuravelmente maior. 
Em Lisboa, soube agora, as lojas que têm a renda média mais elevada ficam na rua Garrett, rua que, por ficar perto do meu local de trabalho, frequento bastante. É de facto uma rua especial. E talvez continue a sê-lo mesmo estando cheia de lojas de pronto-a-vestir iguais às encontradas nas outras ruas ou nos centros comerciais. 
Eu, no entanto, prefiro que não fechem estabelecimentos como o do número 38. Sinto sempre orgulho quando vejo turistas a saírem contentes com as suas compras ou apenas parados a tirar fotografias à montra; e gosto que nele não entrem só os turistas mas os clientes de há muito ou pouco tempo. 
Compreendo que resistir à pressão dos que querem comprar ou arrendar estes espaços únicos não deve ser fácil. Daí admirar essa capacidade de quem nem quer "ouvir o valor da proposta". Não serão muitas e não sabemos quanto tempo mais vão resistir mas Lisboa é mais rica com pessoas como o Sr. António Lemos.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Almada

Gostava muito de poder estar aqui. Infelizmente não posso.
Mas já hoje ouvi as palavras do poeta (neste caso) na interpretação única de Mário Viegas. Umas e outra não deixam ninguém indiferente.  

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"O gosto" do King

Vou pouco ao cinema, como vou pouco ao teatro ou a outros espectáculos ou, relativizando, acabo por ir menos do que gostaria. Mas, quando consigo, a maior parte das vezes vou ao King. Este cinema faz parte da minha história pessoal (mesmo muito pessoal) e foi ali que vi alguns dos mais belos filmes que recordo (alguns deles comentados neste blogue). Sem grande cultura cinéfila, procuro, no entanto, conhecer obras diferentes com as quais aprenderei sempre coisas que não sei. E naquele lugar posso encontrá-las.
Neste fim de semana, se tudo correr como previsto, irei até lá rever um dos filmes mito da história do cinema, "O Gosto do Saké". Talvez por ser este filme, o número de espectadores possa ser um pouco maior do que é costume. De facto, pelo menos às sessões a que vou, raramente o número total ultrapassa os 10. Compreendo, por isso, que as receitas não sejam grande ajuda face às despesas. 
A situação, comum a tantos outros cinemas, é perfeitamente compreensível de um ponto de vista económico. Mas, qualquer dia, as nossas opções restringir-se-ão ao sofá lá de casa e aos sofás dos cinemas onde os espectadores se comportam como se estivessem em casa. Nessa altura eu irei ainda menos ao cinema. Mais uma vez, as questões económicas, vão matar mais um pouco das nossas vidas.