quinta-feira, 6 de junho de 2013

Uma crónica de rádio sobre a rádio

Um "acordo de viabilidade comercial" fez com que, no lugar de um programa de rádio que existia há 24 anos em Bragança, com ouvintes fiéis, se ouça agora música dos anos 80. A notícia, que ouvi na terça-feira à noite, dava destaque à falta percebida por esses ouvintes que sentem que algo lhes foi roubado. Sensibilizou-me o trabalho de proximidade que dava frutos e que agora foi interrompido.
Ora, esta manhã, a crónica de Fernando Alves foi exactamente sobre o assunto. E porque diz tanto e de uma forma tão bonita aqui fica.

Amália na Rua do Capelão


terça-feira, 4 de junho de 2013

Finalmente!

Depois de ter falhado as anteriores apresentações esta noite assisti, finalmente, a um espectáculo de Ute Lemper.
Sala cheia. No palco só a cantora e dois músicos, um ao piano, outro com o bandoneón. Não foi preciso mais para uma noite quente, cheia de uma voz que nos transporta para diferentes cenários de música para música.
Ute Lemper fez questão de mostrar solidariedade com Portugal e, por várias vezes, se referiu a Angela Merkel de forma muito pouco simpática. 
Residente nos Estados Unidos, da sua Alemanha natal falou-nos da distância que sente da Berlim que conheceu e das dificuldades em reconhecer uma cidade que eliminou, por completo, a memória da vida antes da queda do muro. Interessante, esse reconhecimento da falta que fazem elementos que nos recordam o passado e que, fazendo parte da história dos sítios que conhecemos, fazem parte de nós. 
Mas, voltando à música, para mim o ponto alto foi a interpretação de "Avec le temps" de Léo Ferré. Uma canção que é, já de si, magnífica e que, assim cantada, nos deixa sem fôlego. 
Um grande espectáculo! Perdoamos até o seu castelhano...


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma das razões/poemas por que gosto de Jorge Reis-Sá

A Vida Inteira

A vida inteira esperei por ti.

Mesmo que ainda se não tenha passado
a vida inteira.

in , Jorge Reis-Sá, Instituto de Antropologia , {glaciar}, 2013, pág. 44

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Para quem tem o sonho de ter uma quinta...

Apesar de faltar o preço... Será que a autarquia, para compensar a diminuição dos valores do FEF, está a dar início à venda das caldeiras das árvores da cidade?





quinta-feira, 30 de maio de 2013

Similitudes

- Mãe, estava aqui a pensar que os partidos são assim como a Casa dos Segredos.
- Então?
- Bem, há uns quantos que estão numas casas e resolvem nomear alguns. Depois há um domingo em que o público vota. Quem tiver mais votos vem cá para fora...

M., 13 anos

E ao lado dos carris...


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Património sobre carris

"O comboio é, talvez, um ex-libris do património ferroviário, por ser o que está mais próximo dos cidadãos e, por isso, mais reconhecido, ou mesmo por integrar o universo do coleccionismo. Todavia, o âmbito do património ferroviário é extenso e diversificado, incorporando, material circulante, bens imóveis e móveis, pontes, traçados e até paisagens ou histórias de vida. De que modo, as profundas e rápidas transformações dos hábitos de viajar e a opção crescente pelos transportes rodoviários podem colocar em perigo estes valores patrimoniais, e que soluções se têm encontrado para a sua preservação, são algumas das questões colocadas pelo jornalista Manuel Vilas-Boas, que conversa com a Arq. Paula Azevedo, o Eng. Nelson Oliveira e com os Drs. Jorge Custódio e Rui Cardoso."
É assim que a TSF fala da próxima edição do programa "Encontros com o património", que passa já amanhã, pouco depois do meio-dia. 
Numa altura em que a rede ferroviária do passado, a do presente e a do futuro deveriam ser seriamente discutidas este poderá ser um programa interessante.

Música com desenhos

Fez um ano já que o vi ao vivo. Hoje, por esta hora, está a apresentar o novo álbum, "Roma", como sempre, cheio de humor e bom gosto. Já o comprei. Agora é ouvi-lo!
Deixo aqui o tema já com vídeo. E que vídeo! Para quem desenha bem, Lisboa é mesmo uma bela fonte de inspiração. 


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Na soleira da porta

Os dois homens estão sentados lado a lado, na soleira da porta de um edifício, numa rua movimentada, onde tanta gente passa apressada. Um deles, com as pernas estendidas para o passeio, segura a muleta com uma mão e um recipiente de plástico onde se vêem algumas moedas com a outra. O outro, com as pernas dobradas, segura no colo um computador portátil que consulta com atenção.

Escalas

M., depois de eu a censurar por ter deixado por pagar o lanche que consumiu no bar da escola:
- Ó mãe, o país com uma dívida pública de tantos milhões e tu preocupada com 1,70€.

M., 13 anos

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cachecóis há muitos...

Como benfiquista que sou, este segundo lugar na Primeira Liga, a um ponto do primeiro, deixou-me triste. Nem discuto se este foi o final mais justo para uma prova que obrigou Benfica e Porto, a uma disputa como há muito não se via. Erros dos árbitros à parte, no final há sempre um vencedor que conseguiu ultrapassar todos os outros, dentro do campo. E este ano, mais uma vez, foi o Futebol Clube do Porto que o fez. É por isso que os seus adeptos têm razões para festejar. Mas confesso que as imagens que vi na televisão, mal o fim do jogo chegou, foram deploráveis. Da principal avenida do Porto e dos locais onde os jornalistas estavam em directo, as imagens mostravam cachecóis que eram agitados, mas que, na sua maioria, tinham, não palavras positivas  sobre o vencedor, mas outras agressivas e injuriosas dirigidas ao Benfica. Ao mesmo tempo, também, que os repórteres faziam os directos, adeptos dirigiam-se às câmaras e aproveitavam para fazer sair da boca mais umas quantas palavras ofensivas.
Sei que o futebol, como outras actividades humanas, traz à superfície muito do mais primário de cada um e a demonstração da supremacia de um grupo sobre outro faz parte desse mundo. E sei, ainda, que, se o campeão fosse o Benfica, haveria cenas destas. Mesmo assim chocou-me a forma como se transformou uma comemoração num ajuste de contas entre rivais. E os realizadores de TV (pelo menos do canal que eu estava a ver) ainda ajudaram pois parecia estarem à procura destas situações mais do que da verdadeira festa que, apesar de tudo, espero que tenha existido.

domingo, 19 de maio de 2013

Uma das razões/poemas por que gosto de Al Berto

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade 

in , Al Berto, O Último Coração do Sonho , Quasi edições, 2006, pág. 43

quinta-feira, 16 de maio de 2013

As letras "politicamente incorrectas"

Confesso que não sei explicar muito bem porque é que não gosto do acordo ortográfico. Muitos dizem que a resistência à sua utilização se prende com a nossa típica resistência à mudança. Poderá até ser. É mais fácil escrever como sempre o fizemos. Claro que sim. Mas até por isso, continuo a não compreender as tais regras que, em muitos locais, vemos já aplicadas. Custa-me, por exemplo, ver as minhas filhas na escola aprenderem a escrever de uma forma diferente da minha. É evolução, dirão; a língua não deve ficar estática, acrescentarão. São argumentos que fazem sentido se se tratar de uma evolução natural, nascida no interior da própria língua. Este acordo não nasceu assim e ainda não me convenceram, até agora, da sua bondade. Continuo, por isso, a defender as vogais e as consoantes que querem arredar das palavras, por decreto, situação que chega, em alguns casos, a dificultar a compreensão das frases.  
E se eu as defendo da única maneira que posso, utilizando-as, há quem o faça de forma mais aprofundada e complexa. Pedro Correia, decidiu passar à acção e deixar escritas as razões pelas quais considera este acordo uma aberração. Podemos lê-las neste livro 


que está já à venda e que será apresentado por Pedro Mexia na próxima terça-feira, dia 21, a partir das 18.30, na Livraria Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa).

sábado, 4 de maio de 2013

King e Chavez

O tempo passado nas afinações não foi, neste concerto, tempo perdido. A importância desse preliminar, prévio a qualquer tema tocado, só reforçou a importância das guitarras, verdadeiras protagonistas. Kaki King cantou uma única vez. Mas o seu poder está na forma como nos surpreendeu ao tirar da guitarra sons que não nos pareciam, à partida, possíveis. Pelo meio ainda conversou connosco sobre a sua vida e contou alguns episódios caricatos da sua experiência em Lisboa. 
Antes houve Frankie Chavez. Modesto, na contenção com que lidou com o público, mas grande na forma como se concentrou na sua arte. Grandes canções e interpretações a condizer. Um grande músico.
Os dois tocaram juntos alguns temas. O amor que têm pelas suas guitarras parece ser comum e foi bonito vê-lo assim, partilhado. Ficámos nós a ganhar. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A diferença que faz uma t-shirt

Ele está no mesmo lugar de sempre. Os movimentos com que indica os lugares vagos para estacionar são os mesmos que faz todos os dias. Só o rosto, hoje com um sorriso, é diferente do habitual. Traz vestida uma t-shirt encarnada com um emblema com uma águia e três estrelas no topo.