segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Enquanto o fim da cerimónia se aproxima...

Notas para um discurso de encerramento

Foram as mais grandiosas Olimpíadas de sempre.
Participaram todas as nações conhecidas.
Resultados muito além do que seria de esperar.
A organização excedeu-se e merece os elogios
e o aplauso. Passados quarenta dias,
é tempo de entregar o testemunho
a mais uma cidade. Prudente omitir
como ficou pior o mundo nestes quarenta dias.

in José Ricardo Nunes, Versos Olímpicos, Deriva Editores, 2009, contracapa

9 comentários:

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    1. Fica sempre pior... Ou, pelo menos, igual o que também não é bom.

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  2. Foram os jogos que menos me interessaram entre todos os que, vagamente, tive notícia televisiva ao longo dos anos. E o que vislumbrei das cerimónias de abertura e de encerramento francamente não as achei interessantes: a industrialização replica-se noutras áreas geográficas do presente com não menor desumanidade, embora resgatando da miséria algumas centenas de milhões de novos amarelos proletários; o show-musical anglo-saxónico, a peso e a eito após meio-século de eclipse de tanta música do mundo, bela e não-saxónica, foi uma tortura evitada facilmente com o click de mudança de canal! :) De qualquer modo, confesso não sou admirador de disputas olímpicas :(

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    1. Percebo o teu ponto de vista. Eu, este ano, vi pouca coisa dos jogos. Pareceu-me, do que vi, que a cerimónia de abertura foi muito mais interessante que a de encerramento. Mas foram as duas, de facto, demasiado centradas na história inglesa. Quanto às transmissões das provas, em termos visuais, as câmaras agora permitem imagens espectaculares. Quanto a vencedores e vencidos também me é mais ou menos indiferente...

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    2. Desculpem meter a colherada e a pergunta, ou talvez não. Como anfitriões, deviam os ingleses dar destaque a outras culturas?
      Neste caso nem considero uma atitude hegemónica. Agora, considero sim preocupante o acatamento, por exemplo, da colonização dessa cultura no nosso país e, ainda, aproveitamento da nossa como sendo deles (vinho do porto, chá das cinco, o algarve, etc.)

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    3. Obviamente, não precisa pedir desculpa. É claro que, sendo os jogos em Londres, seria de esperar que as cerimónias tivessem uma incidência na cultura inglesa. Tal como aconteceu em jogos anteriores e certamente acontecerá no futuro. Mas a questão é que os jogos olímpicos é suposto irem para além disso e confesso que os atletas comprimidos, no final, entre as estruturas que simulavam a bandeira inglesa me pareceu um bocadinho exagerado. Mas claro que isso não é assim tão importante... :) Quanto à "colonização" de que fala... Bem, eu acho-a uma palavra um pouco forte. São questões culturais que, ao longo da história, se foram interiorizando (menos o Algarve que nunca ouvi ser considerado inglês :)).

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  3. E eu que teria tanta coisa para dizer. Mas vou morder a língua pois, ao contrário dos restantes, poderia parecer parcial.

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