quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"You silly girl"



(O vídeo do Paulo Furtado é muito bom)

Paisagem com montanhas, árvores e rio

As montanhas erguiam-se num tom azulado. O verde das árvores era a cor mais visível. Num dos cantos, um rio serpenteava. Esta paisagem repetia-se 10 vezes, 5 em cada mão.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sabe bem ouvir músicas assim...

Até para roubar se deve respeitar um horário

No metro, a abarrotar de gente, ao final do dia, dois polícias conversam:
- Só espero que não apareça nenhum carteirista!
- Pois...
- Já viste, uma detenção agora, ter que o levar para a esquadra a esta hora... Lá ficávamos nós sem jantar...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À espera

O casaco sujo e o gorro demasiado grande parecem quentes demais para aquele canto ao sol que escolheu para pedir esmola a quem passa. Olho-o há alguns minutos. Adormeceu. Mas, quase como uma deformação que o tempo se encarregou de tornar permanente, a sua mão continua aberta, em concha. As moedas, se alguém as deixar, não se perderão.  

Lisbon by...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A "Portugal" hoje

Nas estantes os livros de capa dura misturam-se com opúsculos sobre os mais variados temas. Algumas delas estão quase vazias. Nas mesas, os montes dividem os livros pelos preços: 5 euros, 3 euros, 2 euros. Os maiores, com fotografias de casas ou quadros famosos, estão mesmo à frente da porta de entrada. É aí que os clientes mais se demoram. As caixas vão sendo trazidas à medida que se vão vendendo livros sobre temas improváveis. Na montra anunciam-se os saldos. Anuncia-se o fim.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O cúmulo da displicência

Há muito que nos habituámos à falta de respeito por todos os que, em alguns momentos da vida, têm que contar já não os tostões, mas os cêntimos, para conseguirem sobreviver. E cada vez são mais os portugueses que se encontram nessa situação. Por isso, afirmações destas, sejam elas verdadeiras ou não, no que têm de demonstração de uma indiferença atroz, de colocação num patamar muito acima do comum dos mortais, de soberba desmedida, deixam-me verdadeiramente incomodada, para não dizer outra coisa...

Mesmo no centro da cidade


Não, não é numa cidade em guerra. É mesmo em Lisboa.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Uma das razões/poemas porque gosto de Helder Macedo

A esquina estava lá
e a árvore prevista
mas não eu.
Falto-me?
Faltei-me
mas nem sempre é necessário não faltar.
Basta o simulacro de árvore na esquina
basta a esquina sem estrada onde passei
basta ouvir-me o silêncio em cada passo.

in Helder Macedo, 10.º poema de Viagem de Inverno - Poemas Novos e Velhos - , Lisboa, Editorial Presença, 2011, p. 37

sábado, 11 de fevereiro de 2012

E para ajudar na alvorada...

Já ligaste o despertador?

Ai, as conversas...

Acho que já disse aqui que, nas viagens nos transportes públicos, me agrada poder ouvir as conversas de quem faz o mesmo trajecto. É assim uma espécie de voyeurismo auditivo. Só que, nestas circunstâncias, quase sempre quem é ouvido sabe que o está a ser, pelo que não é completamente inocente o que se diz e a maneira como se diz e por isso é atenuado o sentimento de escutar conversas alheias. Vem isto a propósito de duas conversas que ouvi nestes dois últimos dias, nas viagens de comboio de regresso a casa. 
Na primeira, dois homens, de cerca de 70 anos, algarvios, percebi a meio da conversa, trocavam opiniões sobre peixes, as melhores maneiras de os cozinhar e os melhores sítios para os comer. Foi como ter lido um suplemento de uma revista da especialidade. A lampreia, o sável, a abrótea, a cavala, a sardinha, o cação, a garoupa, o imperador, o salmonete e outros, foram ali falados de maneira rica e interessante como só dois bons apreciadores o poderiam fazer e de uma forma tão espontânea que me fez ter pena de levantar e sair na minha estação deixando-os ainda a tecer loas ao mercado de Vila Franca de Xira nos idos de 60.
A outra conversa juntou duas amigas que discorreram sobre as vantagens e desvantagens de comprar nas lojas de chineses e o problema de ser convidada para um casamento em pleno Inverno com temperaturas tão baixas. Se, no primeiro caso, as opiniões divergiam, tendo cada uma delas experiências opostas; já no caso do segundo estavam em sintonia: as toilettes vaporosas usadas no Verão não têm concorrente à altura numa época em que está guardado, para a noiva, o sacrifício de usar um vestido sem costas quando lá fora estão 5 graus.
Se bem que, de registos completamente diferentes, ambas as conversas me distraíram do meu livro e me fizeram sorrir.