quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Curiosidade

A marca de lingerie que podemos ver na montra é "SexKiss". As rendas, cores, laços, a fazer jus ao nome, pretendem ser apelativas. Os manequins, exibem-na, no entanto, sem grande brilho. Podiam ser aqueles artigos ou casacos de inverno que o ar triste teria o mesmo efeito. No interior da loja, porém, o único cliente parece não se importar com isso. Com um ar interrogativo, que as muitas rugas acentuam, olha, toca, apalpa  o material. A empregada parece estranhar. Mas ele continua de costas para ela, indiferente, com o ar de alguém que tenta resolver um mistério.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Definição minimalista

"Chama-se défice isso que uma pessoa tem quando tem menos do que quando não tinha coisa nenhuma"

 in Millôr Fernandes, Pif-Paf, O Independente, 2004, pág. 87

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Do leitão para o sushi...

É uma antiga pastelaria, ou casa de pasto, no centro de Lisboa. Exibe orgulhosamente os azulejos azuis e brancos onde são retratadas cenas rurais ligadas ao cultivo dos cereais. Ultimamente, as sandes de torresmos e de leitão, que via habitualmente na montra, têm vindo a ser substituídas pelas bandejas com sushi. Nada de novo, numa área da cidade onde as lojas de produtos orientais têm vindo a ganhar terreno. Mas não deixa de ser estranho encontrar tal comida naquele cenário. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Aqui não houve contenção nos números

Deste ponto de vista o ano começou bem.

Uma das razões/poemas porque gosto de Giuseppe Conte

Toda a Maravilha do Mundo

É como tu dizes, devia de novo partir.
Nunca fui feliz numa casa.
Nunca fui feliz em família.
Nunca senti saudades, quando estava
só e distante. Toda a maravilha
do mundo para mim era o passeio
alto sobre o mar quando, com os livros da escola
numa pasta, com passo rápido
andava, e inspirava o vento
da cor do sal e das piteiras
e fingia dar a mão
a uma rapariga: a maravilha, a raça
forte dos sonhos, os livros, o cinema,
as longas viagens de comboio,
as longas travessias da alma
mas nunca as paredes de uma casa, nunca.

traduzido do italiano por Clara Rowland in No Cais da Poesia 2 Antologia, Organização de Manuela Júdice, Teorema, 2006, pág. 59