quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Por enquanto...

Embarcações, naves...

Aqui há uns anos estive no barracão onde o local de culto e todos os outros serviços da Paróquia de S. Francisco Xavier funcionavam. De facto, o espaço deixava muito a desejar. O Padre Colimão não conseguia milagres. E a capela ou ermida de S. Jerónimo não servia os propósitos de uma paróquia com bastantes fiéis. Depois de tanta polémica parece que este sábado lá será inaugurada a nova igreja do Restelo. Apesar das alterações ao projecto inicialmente apresentado esta versão continuará a merecer muitas críticas. Lá irei fazer umas fotografias qualquer dia.
Quanto a esta lá continua a estrutura à espera de ser preenchida pela... apetecia-me dizer carlinga mas isso é só a parte de cima da nave... 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma versão que nos faz sorrir

Passe a publicidade (apesar de ser uma boa causa), a verdade é que achei muito engraçada esta versão do Rui Pregal da Cunha para a canção "Indo eu, indo eu..."

sábado, 26 de novembro de 2011

O estádio de Babel

Ena!...
Já repararam que este sábado no Estádio da Luz vamos ter um jogo em que os dois treinadores são portugueses? Deve ser tão interessante ouvir as instruções que eles gritarão para dentro do campo! E qual será a língua utilizada?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Blue Mountains

A minha belíssima nota no exame global de História no 12.º ano (ou terá sido no 10.º?) foi obtida com uma enorme ajuda do "Por Este Rio Acima". Sabia as letras todas de cor (ainda hoje as sei) e muitos dos termos serviram, que nem uma luva, às respostas às questões colocadas. 
As "Crónicas da Terra Ardente" já não "li" com o mesmo fervor. Mas merecem um lugar especial.
Agora Fausto lançou o último volume da trilogia. Curiosamente o tema que Vinicio Capossela explora no seu último disco, lançado também este ano. Do que já ouvi pareceu-me uma sonoridade muito semelhante aos anteriores volumes com o que isso tem de bom e de mau. Mas só ouvindo...
Ainda não sei onde ficam as montanhas azuis de que fala Fausto. Serão as da Austrália? Se souberem não me digam que quero ser eu a descobrir.

A minha ironia

Depois de ver o post do jaa apeteceu-me falar da "minha ironia". É que hoje também foi um dia bastante produtivo. Fiquei a trabalhar em casa e o dia até rendeu bastante, mesmo descontando o tempo em que tive que interromper para fazer de mãe e "dona de casa" uma vez que as minhas filhas, como não tiveram escola por causa da greve, estavam comigo. 
Por contingências pessoais, esta funcionária pública que sou viu-se, este ano, a ganhar menos e a trabalhar mais por ter decidido mudar de local de trabalho abraçando um novo desafio, que só com muita força de vontade se leva a bom porto. E um relatório a entregar segunda-feira obriga-me a um esforço extra. Sabia, portanto, que não poderia perder um dia de trabalho nesta altura. 
Mas vamos lá à ironia: a primeira coisa que fiz de manhã foi telefonar para o sítio onde trabalho a avisar que faria greve para registarem a respectiva falta. Pois é. Já ouvi e li os argumentos que demonstram que não serve de nada, que prejudica mais o país que outra coisa. Compreendo e respeito os que não fizeram greve. Muitos assim decidiram porque o dinheiro lhes faz falta ou porque sabem que é um ponto negativo a mais que o patrão invocará em caso de contas de deve e haver. Foi com muitas dúvidas que decidi aderir, tal como o tinha feito há um ano atrás. Podem argumentar que assim não vale. Fazer greve e trabalhar não é verdadeiramente greve. As minhas filhas também não compreenderam. Na realidade não só não prejudiquei como beneficiei o Estado pois além do dinheiro que poupou, nem a água e a luz consumi.
Mas digo-vos: o dinheiro perdido é compensado por este sentimento de que, mesmo no meio das contradições e desconhecendo quais os números reais, estou no lado certo das estatísticas.

post publicado também aqui.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tenham dó!

Hoje nuns minutos que vi de um concurso na televisão, daqueles em que os concorrentes respondem a perguntas de cultura geral,  o apresentador pedia: complete o seguinte verso da canção dos Beatles. Obladi Obla..... E o  interrogado respondeu: ...dó.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A pequena harmónica

Era de manhã cedo. Chovia. Não muito mas o suficiente para me obrigar a semicerrar os olhos enquanto caminhava. Na minha direcção um homem aproximava-se. Pareceu-me que aquecia as mãos enquanto andava. Quando passou por mim percebi que não era essa a explicação para as mãos junto ao rosto. Ele tinha uma pequena harmónica que tocava baixinho, como se fosse só para ele. Só para o ajudar a caminhar. À chuva. Sozinho. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Parabéns Rui, Tóli e Jorge

Desde a altura em que o Alexandre, o Vítor e o Tóli queriam ver Portugal na CEE até hoje eles mudaram bastante. O país mudou bastante. Também eu e muitos dos que começaram a ouvi-los nessa altura mudámos muito. É certo que há muitos anos que deixei de os acompanhar, musicalmente falando. Mas é um facto que fazem parte da minha história.

Pouca terra...

Não será exactamente, como era no início da exploração da linha, uma viagem "morosa, poeirenta, fatigante, sacudida de solavancos", como se lê neste texto publicado no "Cantinho dos Comboios" pelo Luís.
No entanto, de há algum tempo a esta parte, parece que, na linha de Cascais, temos andado para trás no tempo. A supressão de comboios, que começou por ter umas desculpas esfarrapadas e a garantia que era uma situação temporária até se tornar num facto permanente; notícias sobre as dificuldades em garantir a manutenção do material; a falta de limpeza das composições, pelo menos no exterior, que tornam os comboios um misto de mupi para colocar publicidade e parede para vermos graffiti; são a face mais visível da situação. 
A austeridade, ao que parece, é a grande culpada impedido a CP de equacionar a compra de novos comboios e de cumprir o que até agora era uma obrigação. A empresa tem perdido certamente. Mas, sobretudo, perdemos todos nós. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Crazy. Uma versão.

Concorrência

O metro parou e as portas abriram-se. Eles estavam prestes a entrar. Com os seus bombos, guitarras, triângulos e as vestes pretas queriam, certamente, dar música aos passageiros. Mas, mal a primeira entrou na carruagem, imediatamente recuou e, com ela, todos os outros. O homem, com o acordeão já bastante velho, tocava "Les feuilles mortes" com empenho e concentração. Naquele momento era ele o rei. Não havia lugar ali para mais músicos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um prazo demasiado curto

Sem saber que filme escolher abri a página do CineCartaz. A imagem de um filme chamou-me a atenção. Era Restless. Li a sinopse e apesar de estranha achei a história interessante e arrisquei. Depois de tanto tempo sem ir ao cinema este foi um regresso inquieto. 
Escolher o que fazer quando se tem pouco tempo de vida,  agir no presente sabendo que em breve ele será passado... Ou então lidar com o passado quando é ele que assombra o presente. Simultaneamente sabe-se que os últimos dias são os melhores e mais importantes de uma vida. 
Não percebi ainda o que sinto em relação a esta história. Mas conseguimos compreender as personagens. Admiramos a coragem de Annabel. Percebemos o comportamento de Enoch. Sofremos com Elizabeth. É por isso que o filme nos toca tanto. Afinal de contas quantos de nós não estão inquietos?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A propósito de museus

Ao fim de algum tempo a pensar ir lá fui, finalmente, ao Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira. O edifício, projectado por Alcino Soutinho, cumpre muito bem a sua função. 
A exposição permanente permite-nos ficar com uma perspectiva global. Numa época em que me parece que se tem esquecido com frequência este movimento este museu lembra-nos a sua importância histórica e literária. A minha geração, logo a seguir a Abril de 74, recorda-se certamente de muitos textos que constavam dos livros da disciplina de Português e até dos livros de leitura obrigatória, numa tentativa de compensar os muitos textos censurados e as vidas difíceis dos seus autores antes dessa data. Muitos de nós tomavam contacto com estes escritores nessa altura. 
Um dos que mais líamos era Alves Redol. O seu Constantino, personagem admirável, tinha a nossa idade e apesar de estar longe de nós, no tempo e na vivência, vivia as aventuras que nós imaginávamos que gostaríamos de viver também.
E até final deste ano, em que se comemora o centenário do nascimento de Alves Redol, o museu dedica-lhe uma importante exposição. Vale a pena ir até Vila Franca. Uma grande parte da História do nosso país no século passado está lá. E nunca é demais lembrarmo-nos dela.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Arte na rua

Os museus não estão mortos. Alguns estão adormecidos. É um facto. E a arte na rua existe desde sempre. Os custos são muito limitados e o público está quase sempre garantido. Mas o que terá acontecido a esta obra com a chuva que tem caído?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ciclos

Mais do que os enfeites em espaços comerciais, que já estão aí, o dia em que "o homem do lixo" bate à porta é um sinal de que entrámos na época natalícia. E hoje, estava eu a fazer o jantar, lá apareceu um funcionário da autarquia com o seu fato laranja a entregar um papelinho, que já foi um cartão mas que agora é apenas um pedacinho de papel mal cortado, onde vemos um pai natal e uma fotografia de uma camioneta do lixo, modelo de brinquedo. O texto diz invariavelmente o mesmo, de ano para ano: "o pessoal da camioneta de recolha do lixo deseja a V. Exa. e família um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo". Mas este ano não me limitei a dar a minha pequena contribuição da praxe e dei também uns dedos de conversa. O Sr. Daniel, assim se chama, trabalha há 30 anos na câmara. Já conheceu dois presidentes, muitos vereadores, chefes, técnicos. Queixou-se de que ninguém quer fazer o trabalho que ele faz. Mas há que aguentar que "isto está mau". Os 475 euros por mês chegam-lhe para pagar a renda de uma casa num bairro social e contribuem para a sobrevivência da família agora reduzida a duas pessoas desde que as suas filhas constituíram, elas próprias, uma família. Do passado recorda a noite fatídica, num dia de 1979, em que a tempestade lhe levou o seu bebé de 7 meses, arrastado numa vertente junto a um dos faróis, ali mesmo na Marginal, onde ficava a barraca onde viviam. A imagem de um rapaz de 18 anos com o bebé nos braços e da sua mulher de 15 a fazerem sinal aos carros para pararem numa tentativa desesperada de salvamento deixou-me uma forte impressão. E, no entanto, foi o seu sorriso que mais marcou toda a conversa. Mesmo quando contou que o presidente da Câmara da altura, em visita ao local, não encontrou nada melhor para dizer a não ser que a vista daquele sítio para o rio devia ser uma maravilha no Verão. 
No fogão os meus tachos reclamavam atenção. Despedi-me com o tradicional "boas festas". E ele lá seguiu para bater a outra porta, depois de me dizer um "até para o ano" que, mesmo com as dificuldades que aí vêm, terá também um Natal. E tenho a certeza que, se se mantiver na recolha do lixo, e apesar de todas as dificuldades, o Sr. Daniel tocará à minha porta com um sorriso e um papelinho na mão.

domingo, 6 de novembro de 2011

Pergunta e resposta

Ela pergunta-lhe: «O que queres?» Ele diz: «Quero cair e que tu me apanhes na queda».

James Ellroy referindo-se, numa entrevista, a um diálogo entre personagens do seu livro Sangue Vadio.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma das razões/poemas porque gosto de Pedro Tiago

Uma conversa de almofada

revoltavas-te, as tuas costas dobradas,
inclinadas para a frente, os seios tocando
nas pernas enquanto procuravas uma meia
debaixo da cama e franzias as sobrancelhas
numa cara de criança que acorda tarde:
«não percebo porque é que a poesia
tem de ser tão absurda». e eu respondia-te
que tem de ser assim, porque o mundo
já está cheio de coisas concretas e práticas
que não fazem sentido nenhum.

in Pedro Tiago, O Comportamento das paisagens, Lisboa, Artefacto, 2011, p. 46

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Inversão dos factores

Depois de ouvirmos todos os dias notícias sobre a Grécia a tremer por causa da Europa; hoje a comunicação social teve algo de verdadeiramente diferente para nos dar: a Europa treme por causa da Grécia. Só que, neste caso, a comutatividade não está garantida, ou seja, a ordem dos factores pode alterar o resultado final.