terça-feira, 31 de maio de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cartoons

Quantas vezes nos arrancam um sorriso quando vemos os seus desenhos nas páginas dos jornais. Falo dos cartoonistas e da sua capacidade de condensar, num só desenho, uma crítica, uma visão normalmente cheia de humor sobre assuntos que, embora sérios, ganham em novas perspectivas quando vistos pelos olhares destes artistas.
Até 30 de Junho no Museu de Arte Moderna de Sintra, podemos fazer cerca de 400 sorrisos desses. Esse é o número aproximado dos trabalhos expostos no World Press Cartoon 2011, selecção de desenhos de humor publicados pela imprensa em todo o mundo durante o ano de 2010. Os temas mais representados são a Wikileaks e Julian Assange, o resgate dos mineiros chilenos, o escândalo da pedofilia na igreja católica, a crise da Europa, enfim aqueles que mais ocuparam a imprensa. A entrada é gratuita. Vale muito a pena ver mas guardem algum tempo porque "ler" todos aqueles cartoons é tarefa demorada.

 ‘Pedofilia’ de Samuca no ‘Diário de Pernambuco’ (Brasil).   Imagem aqui.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os quadros, o Estado e a Fundação

Provavelmente, no que às questões legais diz respeito, tudo está a ser feito dentro do cumprimento da lei. Mas não deixa de ser triste perceber que, pelo menos por agora, vamos ficar privados de ver estas obras. Felizmente estive frente a elas há cerca de um mês quando fui a esta exposição. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Como se poupa numa multinacional

As ventoinhas junto às caixas e em alguns cantos eram a única forma de arrefecer o ar. Estava um calor insuportável. Fiz ainda uma tentativa de experimentar duas peças de roupa num dos provadores. Desisti para não correr riscos de desidratação. Depois de perguntar à empregada esta esclareceu-me que é assim há 3 anos. O autocolante no espelho do provador estava, então, muito incompleto já que dava duas razões para os preços baixos praticados: a política de compras em larga escala e a eficiente gestão dos stocks. Nitidamente faltava uma referência à poupança feita em ar condicionado ou outro sistema do género.
Não se tratava de uma pequena loja de bairro mas sim da H&M no Chiado.

sábado, 21 de maio de 2011

Utilidade das redes sociais

Não nego as razões dos protestos. Mas não consegui resistir a este postal:


A "someecards" tem uma colecção magnífica. De vez em quando prometo trazer aqui alguns dos meus preferidos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Na varanda

Não era uma produção de moda ou a gravação de um anúncio. Mas podia ser. Na varanda do último andar do prédio em acentuada degradação, ela destacava-se. O vestido, apesar do tom neutro castanho, sobressaía no cinzento da fachada. Estava a fumar. Um dos braços caía ao longo do corpo. O outro segurava o cigarro junto à boca. Não sei se era bonita. À distância a que a vi era linda.

terça-feira, 17 de maio de 2011

E agora o Delito de Opinião

Hesitei, confesso. Não por ter dúvidas quanto à qualidade do que por lá se publica, mas exactamente por causa disso. A verdade é que não consegui resistir ao convite e a partir de agora estarei também no Delito de Opinião. Já agradeci lá e faço-o também, agora, aqui. Resta-me desejar que, não sei ainda como, os meus dias aumentem um pouco de tamanho...

Sanjo, com sotaque mandarim

Não há muito tempo ofereceram à minha filha M. uns ténis da Sanjo, aquela marca que, durante a minha adolescência, fazia furor. Na altura eram feitos em S. João da Madeira. Daí o nome.
Hoje, enquanto os lavava, reparei na impressão das seguintes palavras: made in China.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O homem, a cabra, a árvore, o carvão.

Este é um filme cheio de sons. Conseguimos ouvi-los melhor, libertos que estamos de conversas que, ali, estariam sempre a mais. É um filme em que o protagonista é a natureza e nós, inseridos que estamos nela. É um filme em que o humor está sempre presente, mesmo que seja a morte a marcar o ritmo de muitas das acções. É um filme que nos lembra, relativizando o papel do humano, que, por mais voltas que dêmos, são os ciclos da vida que nos comandam. É um filme a ver.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reforma

Sentado na varanda lia, vagarosamente, o jornal. A camisa aos quadrados confundia-se com o tecido da espreguiçadeira.

"Fala Mansa" de Lobo

“Fala Mansa” é o nome do último álbum de Norberto Lobo, gravado no Alentejo, que foi apresentado ao vivo no Teatro da Trindade esta semana. Ao contrário deste concerto, agora não fui. Mas tenho a certeza que, se tivesse ido, teria gostado muito. O disco não deixarei de comprar.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Uma das razões/poemas porque gosto de Fiama Hasse Pais Brandão

Vento

Ouvir o vento separar o corpo
da sombra. Separar a face da face.
O silêncio do vento que empalidece

o riso. Desencontra. Fecha as pálpe-
bras sobre o olhar. Um sem os outros.
Nada sem o todo no uno. O vento

que me horroriza como um sonho. Senti-lo
a vergar o submisso e a submissão
a sufocar no ansioso a ansia inseparável.

                                                            Lisboa, 1978 - Natureza Paralela

in Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, p. 269

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uma horta no contentor

Não era bem nisto que o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles pensava quando falava em hortas urbanas. Pensando que em 2010 metade da população mundial vive nas cidades e que existem cada vez mais pessoas interessadas em produzir o que comem, têm nascido em várias cidades do mundo (a primeira terá sido em Paris) estas experiências agrícolas que usam inclusivamente a internet para partilhar técnicas agrícolas. Claro que a ideia levanta-nos logo um conjunto de questões relativas, por exemplo, à localização, à manutenção, etc. Mas não deixa de ser uma ideia interessante. Em Julho poderemos saber mais pois Lisboa vai estar u-connected .

terça-feira, 10 de maio de 2011

Recordações

Os bonecos na montra, feitos de materiais naturais, numa daquelas lojas modernas onde impera a preocupação com o ecologicamente sustentável, representavam um pastor e o seu rebanho. O cão estava lá, também. O velho que passava, parou. Esteve longamente a olhar aqueles bonecos. Poderia ter sido o aspecto de brinquedo que o deteve. A mim pareceu-me que poderia estar a recordar algo que já lhe disse muito.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tal como na vida: sempre em digressão

Há quem o classifique algures entre a ficção e o documentário. Porque as artistas do "New Burlesque" que participam no filme, com os seus nomes artísticos e os seus números coreografados por si próprias, o seu guarda-roupa e adereços são reais e representam-se a si próprias. Porque o público e as suas reacções são também reais. Porque a figura do produtor estará, em grande parte, muito próxima da realidade. Porque o argumento foi sofrendo alterações à medida que decorriam as filmagens. Mas Mathieu Amalric, actor principal e realizador, com um notável trabalho, apresenta-nos um filme que vai muito para além da classificação que se lhe possa atribuir. Ele toca a dificuldade em concretizar um sonho; a tentativa de lidar, de uma forma equilibrada, com os filhos; a atitude perante o passado; a solidão no meio de uma vida muito preenchida.
Uma nota final para a música: vale a pena ficar a ver a ficha técnica no final e ouvir as canções escolhidas.

sábado, 7 de maio de 2011

Contraste

Costuma estar rodeado de cartões e sacos de plástico e coisas que nós consideramos lixo mas que para ele são, provavelmente, importantes. Hoje, no canto formado pelo edifício e o tapume das obras, estava só ele. Deitado, encolhido sobre si mesmo, dormia. O seu corpo e as suas roupas escuras eram um contraste difícil de suportar nas pedras brancas da calçada.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sotto le stelle di Paolo Conte

O grande auditório do CCB estava cheio. Muitos italianos, muitos portugueses para verem Paolo Conte. No palco esteve acompanhado de nove músicos extraordinários. Cada vez que largava o piano as suas mãos não sabiam o que fazer. Juntavam-se ao corpo como se tocassem um outro instrumento. A música é-lhe tão perfeitamente natural que qualquer que seja o ritmo é o seu, o de um cantor de voz rouca que sabe escrever canções, aparentemente inspiradas em coisas banais, mas que, quase sempre, são grandes canções.
Esta, que fez parte do alinhamento do concerto, é uma delas. Mas são tantas... Uma noite memorável. "It's wonderful, It's wonderful, It's wonderful"!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Voltar atrás para se poder avançar

                                          Foto aqui

Em todas as famílias há um. Nele há fotografias dos que já morreram há muito tempo e que já não chegámos a conhecer, dos que desapareceram mas dos quais recordamos histórias que com eles partilhámos, dos que ainda fazem parte do nosso presente, nós próprios no passado, no máximo dos máximos, um passado próximo. É com ele, com o álbum de família, que muitas vezes despertamos as nossas memórias, convocando personagens que se cruzam connosco em espaços e tempos que nem sempre correspondem ao efectivamente vivido.
Assim acontece com José Luís, a personagem principal da peça, escrita por Rui Herbon, que ganhou, em 2010 o "Grande Prémio de Teatro Português SPAutores / Teatro Aberto". Com ele ficamos a perceber,  como recorda a avó, figura sempre presente que ele tem que constantemente lembrar a si próprio, nas suas próprias lembranças, que já está morta; a irmã, sonhadora, que ainda acredita na possibilidade de apanhar o comboio certo; o pai que, tolhido pelo medo de a família ser castigada caso as regras não sejam cumpridas, pouca força tem para lutar; a mãe, ferida pela vida, mas que, movida por um instinto de sobrevivência, vai seguindo em frente.
Diz o próprio autor: "O álbum de família" dramatiza a viagem iniciática empreendida pelo seu jovem protagonista rumo à idade adulta. Toda a família tentará apanhar um comboio ao qual, no fim, só subirá o adolescente José Luís, momento em que o pai lhe entrega o álbum de família. O jovem projecta o seu olhar por esse álbum e, enquanto observa as fotografias, tenta reconstruir-se a si mesmo, tenta voltar atrás para saber para onde vai. Para isso indaga nas suas origens, nos seus sentimentos, medos, sonhos e frustrações que se escondem por detrás das fotografias." (Na brochura criada a propósito do espectáculo).
Gostei bastante do cenário (Rui Francisco) e da música (Pedro Jóia). Das interpretações destacam-se, quanto a mim, Jorge Corrula (José Luís) e Fernanda Neves (a mãe). Até ao final de Maio podem ir ver se concordam comigo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

1 e mais 2 = 3 Fotógrafos

A exposição terminou este sábado. Ainda consegui vê-la com as suas muitas fotografias de mulheres.
Das de Jorge Martins confesso que não gostei muito. Talvez tivesse sentido a coloração como uma contaminação da pintura nas fotografias, que não me agradou.
De Julião Sarmento surpreendeu-me a variedade dos registos, desde os mais espontâneos, captados numa rua de Lisboa, aos mais encenados, sobretudo em interiores onde, ora os jogos da luz e da sombra nos desviam a atenção dos corpos ou de partes deles; ora a sua presença enche todo o espaço da fotografia.
Quanto a Man Ray... bem, era o que se esperava. Uma lição do que é fotografar. A mulher retratada aqui (entre 1941 e 1955), de uma beleza nada óbvia, é sempre a mesma: Juliet Browner, que foi sua mulher. Mas ser só uma não impede que nos apareça como muitas, nas suas poses de diva do cinema ou menina traquina. Das 50 destaco uma, de 1948, em que Juliet, fotografada num bosque, nua entre os outros elementos da natureza, se confunde com eles, como que a demonstrar o grau zero da beleza simultaneamente cheio de conotações poéticas.

domingo, 1 de maio de 2011

A propósito do casamento da década... do ano... do mês...

Dois pontos prévios:
- sou absolutamente contra a ideia de se resolverem os problemas através da violência;
- vi pouca coisa das reportagens das televisões que acompanharam, em directo, o casamento do neto da rainha inglesa.

Mesmo assim, e posto isto, eis do que me lembrei perante algumas afirmações e comentários dos jornalistas que falaram, no local e no estúdio, sobre a cerimónia.