quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"You can get a beat from a broken heart You could write the book while falling apart"



Serão cinco os concertos em Portugal, no próximo mês. A última vez que o vi foi na FNAC do Chiado. Agora lá estarei em Sintra. Os cabelos estão mais brancos e as rugas são cada vez mais. Mas a capacidade de fazer boas canções mantém-se.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando ambos os lados são certos



Parabéns, Tiago! É bom ver a rua assim...

A tradição ainda é... o que já não era

Esquina sim, esquina não, lá estão eles: os homens e as mulheres das capas pretas. Mesmo que faça muito calor, mesmo que as meias de vidro que cobrem as pernas das raparigas pareçam tão ridículas quanto a maior parte dos emblemas cosidos às capas. Desde os que dizem respeito aos concelhos (ligados por motivos vários à vida de quem a usa) até aos que transmitem conselhos a quem os lê, parece que, inclusivamente, existem regras específicas para a sua colocação.
A ligação não é directa mas, nesta altura do ano, lembramo-nos inevitavelmente das praxes que pretendem a integração no espírito académico dos chamados caloiros. Por estes dias a cena repete-se nos locais públicos das cidades onde existem universidades ou outras instituições ligadas ao ensino superior. Um grupo de jovens com os tais trajes académicos (as lojas que vendem os trajes viram, nos últimos anos, o seu negócio aumentar) mistura-se com outro grupo de jovens, "vestidos à civil". Estes, obrigados pelos primeiros, cumprem uma série de ordens mais ou menos ridículas que incluem quase sempre andar de gatas e cantar umas canções. Parece que é tradição. Nos últimos anos, após se ter tomado conhecimento da dureza de algumas praxes, (dizem que Dura Praxis, Sed Praxis) surgiram vários movimentos de contestação àquelas práticas sendo bastante conhecidas as cartas às universidades do Ministro do Ensino Superior, Mariano Gago ou os manifestos anti-praxe assinados por personalidades mediáticas do mundo da literatura ou da música. E por falar nisso: sabiam que, já no final do séc. XIX, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão assinaram um manifesto desse género?
Eu, que sempre me queixei da falta de espírito académico na Universidade que frequentei, sinto-me bastante satisfeita por ter por lá andado numa época em que estas "tradições" estavam adormecidas. E para bem dos estudantes (caloiros e não só) e dos transeuntes que se deparam com estes espectáculos nas ruas, deixem-nas adormecer novamente... 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

"Duma existência banal até às luzes da ribalta..."

Ao cimo das escadas aí estão eles. Munidos de máquinas fotográficas que disparam incessantemente, todos querem apanhar o melhor ângulo, antes que o elevador se ponha em marcha. Lá dentro, o guarda-freio, do lado oposto ao que ocupará quando levar o famoso veículo até ao fundo da calçada, olha na direcção dos turistas e, com o seu melhor sorriso, posa para fotografias que levarão o seu rosto até bem longe dali.

Arquitectura e Ficção

Uma conferência com um tema muito interessante e com uma designação muito bem conseguida.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"...in the fullness of time"

O preço dos cigarros

- Ó amigo, não me arranja um cigarrinho? O homem interpelado parou e puxou do maço. O outro acrescentou: - Eu dou-lhe 50 cêntimos. Perante o espanto de quem, de boa vontade, lhe daria um cigarro, explicou: - Sabe, é que eu ando a ver se deixo de fumar e decidi que não compro mais tabaco e que sempre que cravar um cigarro o pagarei a este preço.
Não cheguei a saber se a transacção se fez. Mas, pela urgência na voz de quem definiu as regras, se quiser mesmo deixar de fumar, o preço terá ainda que aumentar bastante.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sinuosidade onde menos se espera

Nesta o Pai Natal não caberia. Mas ainda bem porque, se entrasse, ficaria de tal forma tonto que trocaria todos os presentes.

Alentejo, Setembro 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Uma manhã de Agosto na Torre do Tombo

Este mês de Agosto de que falo é o do ano passado. Não sei se esta estória se poderia passar agora mas há alguma probabilidade que assim seja.

Um amigo, que não é de Lisboa, pediu-me para ir à Torre do Tombo levantar umas fotocópias de um documento cujo pedido ele tinha feito.
Tudo começou por um telefonema, que tinha como objectivo saber se estava tudo pronto, feito para o balcão de fotocópias em que o senhor que atendeu me explicou que, dadas as férias de alguns funcionários, a satisfação do pedido teria que ser adiada.
Algum tempo mais tarde voltei a ligar e falei com uma senhora, muito simpática (demasiado simpática, diria eu) que, depois de me assegurar que as fotocópias estavam tiradas, me confidenciou alguns factos do seu dia-a-dia. Queixou-se de ter ficado sozinha durante o mês de Agosto e por isso ter imenso trabalho. Perguntei-lhe se estavam abertos à hora de almoço pois era essa a indicação que tinha. Respondeu: “aberto à hora de almoço? Não! Eu chego por volta das 10. Depois à hora de almoço o balcão está fechado. E à tarde fecha às 16, mas não venha mesmo a essa hora porque, como preciso de fechar a caixa, convém estar despachada 10 minutos antes”.
Uns dias mais tarde, quando tive disponibilidade, lá fui eu, logo de manhã, convencida que seria chegar lá e levantar as fotocópias, sem qualquer problema. Pois estava enganada. Cheguei por volta das 10.10. O segurança, na entrada, disse-me logo que “a Vera” ainda não tinha chegado. Às 10.30, depois de, de livro aberto à minha frente, ter passado pelas brasas, sentada num sofá muito confortável, voltei a perguntar a uma senhora, que estava sentada numa mesa à entrada de uma sala, que me confirmou que a funcionária ainda não estava.
Dez minutos depois observei algum movimento no interior da sala contígua ao tal balcão das fotocópias, que não tinha deixado de estar no meu campo de visão. Aí me dirigi, acreditando que desta é que era. Mas, por mais que visse a sombra de alguém passar de um lado para o outro, ninguém se chegou ao balcão, ignorando o meu chamamento.
Quando finalmente “a Vera” se abeirou de mim e lhe disse o que pretendia, sem que eu tivesse feito qualquer referência ao tempo de espera, perguntou-me pelo papel (verde, acho eu) que eu não tinha pois estava na posse do meu amigo, mas que já tinha confirmado, ao telefone, que não seria imprescindível. Lá lhe dei o número do pedido e ela lá foi procurar as cópias. Entretanto chegaram, quase em simultâneo, dois senhores, um deles estrangeiro. Depois de ter interrompido várias vezes a busca para me vir dizer que não estava a encontrar nada (ao que eu lhe respondia que me tinha confirmado que já estavam tiradas as fotocópias) e ter atendido uma técnica que trabalhava no local, a quem tratava apenas por doutora, e que lhe pedia clips e perguntava pela saúde e disposição; a Vera veio perguntar-me se, uma vez que não estava a encontrar o que procurava, eu me importaria que ela atendesse os senhores que, entretanto, já estavam a ficar impacientes.
Nesse momento eu não aguentei mais e expliquei-lhe que estava ali desde as 10.10 e que não iria ficar muito mais tempo mas que queria levar aquilo que tinha ido buscar. Isto fez a senhora perder mais algum tempo em justificações do género: “eu estava aqui às 10 (quando os colegas me tinham dito o contrário) mas, como estou sozinha, tive que ir aqui e ali e acolá para distribuir expediente”.
Mas, pelos vistos, resultou porque, na incursão seguinte na sala do lado, lá encontrou as cópias.
Pensava eu que o assunto ficaria resolvido. Mas ainda demorou um pouco mais. A “doutora dos clips” ainda voltou para pedir mais algum material. Entretanto, para ser possível passar o recibo, era preciso, para além do nome, o número de contribuinte que, como eu não tinha, originou mais um tempo de hesitação. Finalmente, depois de atender uns telefonemas, e de alguma dificuldade com os trocos, que teve que ir buscar a outro sítio (era o primeiro pagamento do dia) lá me deu o recibo, não sem antes me recomendar, com muita ênfase, que o papel verde teria que ser destruído, ao que eu prometi que seria feito.
E assim foi. Mais de uma hora depois, consegui finalmente sair do edifício levando na mão o envelope com as fotocópias e na minha cabeça a certeza que nunca iria conseguir esquecer a Vera.


(O nome da funcionária foi alterado)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um outro Elvis

O seu pai, o actor Anthony Perkins, gostava muito de Elvis Presley. Daí ter optado pelo nome Elvis para o seu filho. Podia ter escolhido outro nome qualquer. Gostaríamos, na mesma, de o ouvir.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Homem Invisível passou

Lembro-me dele na faculdade (ele frequentava o curso de Comunicação Social) quase sempre junto à mesa de matraquilhos. Segui muitas das coisas que fez, muito por culpa do meu gosto pelo humor (dos programas do Herman, do Inimigo Público…). Recebeu, neste dia 13, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu livro “Deixem Passar o Homem Invisível”. Ainda não li o livro, apesar de já o ter comprado, mas não é só por este escritor ser benfiquista e ter a minha idade que destaco este prémio. É que do seu primeiro romance, “E se eu gostasse muito de morrer” gostei muito, muito mesmo.
É desse romance este excerto:
“Temos frutarias na Venezuela e mercearias na África do Sul, ok, há-de haver um restaurante a servir sardinha fresca de Peniche no Alasca, muito bem, mas que é feito da saga das Descobertas?
Quero lá saber.
Conto as minhas descobertas num instante, se prometeres não rir, mas estás tu farto de saber quais são.
Navego como faz a malta toda, na Net. Mas desconheço se é normal falar-se com tanta gente esquisita, difícil de qualificar (e até perigosa) no mundo, como faço no meu quarto. Na janela cruzetina.
Há pessoas na rede que não prestam para nada, são bostas com pernas.
Outras, no entanto, não me importava de as conhecer ao vivo. Com a evolução diária dos motores de busca, encontras tudo tudo mas mesmo tudo o que te interessa, felizmente ou infelizmente.
Desde que saí de casa, de madrugada, que ando a saltar de assunto em assunto, esta coisa lembra-me aquela, a outra uma nova, a nova uma do passado, vai tudo para a misturadora, e se calhar perdi a noção do que interessa. É muito zapping e pouco timing. Já me deu para ir chatear o Bispo e agora o Camões! Triste Camões, no fim da vida de amores errados, no Tejo, no Mondego, sobre os rios que vão por Babilónia, foi zarolho em África, náufrago na China, esfomeado em Lisboa, ele viu escuro o lume das estrelas.
A verdade é que, passado e presente, tudo me perpassa pela retina, como escrevem os palermas que enviam postalinhos ilustrados das viagens, e os que revêem a vida inteira no minuto em que vão morrer.
E o futuro, deixa-o chegar, que já faltou mais.”

in Rui Cardoso Martins, E se eu gostasse muito de morrer, Publicações D. Quixote, Lisboa, 2006, p. 163-164

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Turistas madrugadores

Eram dezenas os turistas com um autocolante azul ao peito que saíam do Solar do Vinho do Porto, frente ao Jardim S. Pedro de Alcântara. Vinham contentes e conversavam animadamente entre eles. Passaram a rua para o outro lado, obedientemente atrás da guia e concentraram-se junto ao Elevador da Glória. No Solar alguém fechou a porta. As garrafas de Porto e os empregados que as manuseavam poderiam ainda repousar mais um pouco. Eram 10 horas da manhã.

domingo, 12 de setembro de 2010

"Não há nada como a juventude"

As nossas casas são, para nós, um pequeno mundo. Normalmente sentimo-nos bem e em segurança dentro delas. Mas há quem esteja preso em casa, cumprindo uma pena a que ninguém condenou.
Por motivos profissionais cruzo-me com muitas destas pessoas e por isso esta realidade é-me familiar. Mas nem mesmo assim deixo de me surpreender pela capacidade de sobrevivência na solidão, portas adentro.
Este documentário merece ser visto porque de alguma forma somos nós que ali estamos. Mas só o sentiremos daqui a alguns anos.


A estreia está marcada para dia 16 e em Lisboa estará no Cinema City Classic Alvalade.

sábado, 11 de setembro de 2010

Para os mais distraídos...

que ainda não conhecem a Marisa Monte relembra-se um tema do album de 1991, "Mais", que se chama "Diariamente" (de Nando Reis), aqui com uma animação muito engraçada:

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Resistir

Não é um grande filme. Mas não deixa de ser interessante. O instinto de agregação, presente nas famílias quando um dos seus membros se vê subitamente só e da parte de fora, é o tema que acompanhamos a partir da visão de quem quer permanecer desse outro lado. A tentativa de manter uma coesão, que quase sempre é artificial, leva a querer dissolver no todo familiar mesmo aqueles que pretendem, como Lena, resistir a essa dissolução. E não é fácil resistir quando as certezas que se possuem são tão poucas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma das razões/poemas porque gosto de Renata Correia Botelho

encosto a face à parede
mais triste do quarto, fiel
guardiã do sol posto.

o coração que me deixaste
é uma casa difícil de habitar.

in Resumo - a poesia em 2009, Assírio & Alvim/FNAC, Lisboa, 2010, p. 119

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Exigências

Pela manhã a rua estava praticamente deserta. Pelo chão uma enorme quantidade de folhas brancas com algo impresso. Aproximei-me e era isto:


Como não está assinado não se percebe quem é que está farto da "incompetência da República" e quer um Rei, competente, presume-se...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tom apocalíptico

Subia a rua com um ar cansado. Numa das mãos um saco com as compras do dia. No outro a bengala ajudava-o a equilibrar os passos, muito embora as vezes que a extremidade se introduzia nos espaços entre os paralelepípedos dificultassem a marcha. Presa com alfinetes à parte da frente da sua camisa, estava uma folha A4 resguardada numa capa transparente. Escritas na folha, por esta ordem, três frases: "Cuidado com as crianças!"; "Condenados à solta!"; "Isto é Portugal!".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O consolo das estatísticas

A "evolução divergente" marca, segundo Alberoni, o ritmo dos ciclos amorosos. Em Itália, a duração média da vida conjugal é, actualmente, de 15 anos. Em Portugal, há precisamente 15 anos, estava eu a celebrar o meu casamento que, ironicamente, mas tão estatisticamente validado, tem, no dia de hoje, o seu último dia. Isto de encaixar tão perfeitamente nas estatísticas não é para todos...

Os blogues também têm um dia internacional


Dado o grafismo da data, alguém resolveu indicar o dia 31 de Agosto como o Dia Internacional dos Blogues. Atendendo a esta minha pausa forçada deixei passar a efeméride (que vale o que vale) sem a referir. Faço-o agora aproveitando para saudar todos os autores dos blogues que sigo, que me seguem, a quem vou lendo e com quem vou aprendendo. É certo que me impedem de dormir um número de horas razoável. Mas o que me dão em troca é tanto...