sexta-feira, 30 de abril de 2010

I wish I had a river (ou o Natal é quando um homem quiser)

A força do exemplo

A carangueja e a filha

Madre Cangreja, um dia,
Dizia à filha sua:
«Que andar, meu Deus, é êsse?
Porque não vás direita?

- Oh mãe, vós como ides?
Andarei eu dif’rente
Que anda a nossa família?
Querer que ande eu direita
Quando andam todos tortos!...

Razão tinha. É geral o poderio,
Do doméstico exemplo.

                                           Filinto Elísio


in La Fontaine Fábulas (escolhidas) edição organizada por Matias Lima, Livraria Chardron de Lello & Irmão, Porto, p. 50

quinta-feira, 29 de abril de 2010

N(amor)o violento não é amor

Este é o lema de uma campanha que foi promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género e que visa alertar para a violência no namoro. E foi exactamente devido a uma conversa entre um rapaz e uma rapariga, que não pude deixar de ouvir no comboio, numa das minhas curtas viagens diárias, que este assunto me suscitou maior interesse. Não vou aqui explicar o teor da conversa mas digamos que me impressionou a forma como a rapariga aceitava e parecia achar que merecia a agressividade do seu namorado.

Descobri então que, tanto a nível nacional como europeu, os números relativos a esta questão são preocupantes. Alguns estudos mostram que a violência no namoro é, para muitos jovens, entendida como uma manifestação de amor. As condutas violentas, ou o abuso sexual existem e são minimizados ou negados, considerando, muitas vezes, os rapazes, que as raparigas são inferiores. Os sinais de abuso identificados entre adolescentes e jovens namorados vão desde a humilhação, o insulto, o controlo e uso de objectos do parceiro (por exemplo, o telemóvel) até a restrições a relações de amizade, modo de vestir, de falar e comportamentos que podem chegar a impedir que o outro prossiga com os seus estudos ou projectos pessoais.

Observa-se assim que a violência doméstica é, muitas vezes, um prolongamento de uma situação já existente numa fase anterior. O que mais me faz pensar é a aparente passividade de quem é vítima e o facto de vítima e o seu agressor estarem ambos confiantes nas razões que associam ao seu comportamento.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Somewhere...

É já no início do próximo mês que Rufus Wainwright volta a Portugal para concertos no Porto e em Lisboa.
Do seu disco de homenagem a Judy Garland fica este "Somewhere over the rainbow" com a particularidade de ser acompanhado, ao piano, pela sua mãe, entretanto falecida.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Uma questão de pouca fé

Não pude deixar de achar engraçada esta publicidade quando a ouvi na rádio. Se pensarmos que as estratégias das empresas têm como objectivo o lucro e mesmo partindo do princípio que as vendas de televisores e portáteis sejam tão elevadas que o risco será compensado, parece-me que esta campanha demonstra a falta de fé na nossa selecção. Mas não devemos ficar muito tristes. É que campanhas iguais estão a decorrer noutros países europeus, como a Espanha e a Inglaterra. Algo me diz que, para a Toshiba, nenhum destes países é favorito mas, como só um país poderá ser vencedor do Mundial de Futebol, o risco não será assim tão grande...

domingo, 25 de abril de 2010

O meu 25 de Abril de 2010

Agora, passados 36 anos, penso em todos os dias 25 de Abril que passaram e que nunca deixei de comemorar, mesmo que apenas interiormente. E penso neste 25 de Abril de 2010 e aquilo que mais tenho presente, tal como então, mas já não tão centrada em mim, é a sensação de preocupação face à imperfeição que é esta nossa sociedade, que foi crescendo a partir de uma revolução que nos enche de orgulho.

O país mudou muito e as pessoas que nele vivem viram as suas vidas alteradas quase todas para melhor, mesmo aquelas que dizem o contrário.

Mas a verdade é que quando pensamos nas questões económicas, quando vemos a situação de pobreza ou pré-pobreza em que se encontram tantas famílias, tantos velhos, quando pensamos na educação, que não parece estar a cumprir a sua função, quando os exemplos que nos dão quem tem responsabilidades na administração da justiça nos fazem duvidar dela, quando os cientistas sociais nos apresentam as suas análises, quando vemos, ouvimos e lemos o descontentamento em tanta gente conhecida e anónima não podemos deixar de reflectir sobre o que fizemos mal, sobre o que não fomos capazes de fazer. E digo nós porque a liberdade que (re)conquistámos em Abril de 74 trouxe com ela a responsabilidade de, a partir daquele momento, todos termos um papel a desempenhar na forma como o país evolui. E, na realidade, parece-me que chegamos cada vez mais à conclusão que não o desempenhámos bem.

Estamos mesmo a precisar de encontrar a semente que alguém esqueceu num canto de jardim. Talvez dentro de nós. Terá sido aí que falhámos?

O meu 25 de Abril de 1974



É desse dia uma das minhas primeiras memórias. Memórias nítidas, pelo menos, sem interferências exteriores de alguém que me conta o que eu fiz e como fiz. Um dia normal que deixou de o ser quando, chegada à escola, nos disseram que, naquele dia, tínhamos que voltar para casa. Foi o que fiz. Não para a minha casa, mas para a dos meus padrinhos que estavam lá sempre quando eu precisava.

E é do resto do dia que mais recordo a ansiedade com que os meus 7 anos traduziam os comunicados ouvidos na rádio. As horas que passei sentada num banco à mesa da cozinha enquanto o locutor aconselhava as pessoas a ficarem nas suas casas. A minha preocupação estava com o meu pai, militar na altura, que tinha ficado “de prevenção” e com a minha mãe que, logo pela manhã, tinha ido para Lisboa, visitar um irmão que estava no hospital. Tinha medo de que algo lhes pudesse acontecer. A morte do meu avô alguns dias antes e a sensação de perda estavam ainda muito presentes. Nessa altura não me apercebi. Soube só depois que ele gostaria de ter passado por aquele dia. Falhou-o por pouco.

Para mim nada fazia muito sentido. Percebia apenas a gravidade do que estava a acontecer. Só mais tarde soube que, ao contrário do que era aconselhado, muitos saíram à rua e fizeram desse dia um dia de festa. E só mais tarde ainda percebi porquê. Para mim foi um dia imperfeito. Para todos nós foi um dia quase perfeito.

(imagem da Postalfree)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

An lhéngua mirandesa

"L património cultural de l Nordeste Trasmuntano custitui un eilemiento mui amportante de la sue eidentidade i al mesmo tiempo ua rezon de zambolbimiento. Miranda ye ua region  raiana cun Castielha i Lhion, regiones que quemúngan dua cultura mui armana ne l que ten a ber cula música / eitnografie - la cultura feliçmente nun ten raias.
La lhéngua própria, l mirandés, la música i ls sous strumientos, las manifestaçones festibas, la gastronomie, toda la bibença ne l campo i muitas outras rezones dan-le a Miranda i al Nordeste Trasmutanos an giral, ua cultura i eidentidade que merece ser acarinada, guardada i bibida.
Galandun Galandaina ye cumpuosto por quatro pessonas: Paulo Preto, Paulo Meirinhos, Alexandre Meirinhos i Manuel Meirinhos. Dedícan parte de la sue bida a arrecolher, studar i dibulgar nas mais defrentes formas la música tradecional de la pequeinha region de l Nordeste Trasmuntano. Fázen por le dar un aire de modernidade als soustrabalhos, nun cçuidando ls ritmos i timbres tradecionales de ls strumientos i bozes. Fázen l mais de ls sous strumientos, modefícan i strefórman outros que úsan. Deste modo cunsíguen sonoridades i afinaçones que le dan un stilo mui própio."

(Na introdução ao álbum Senhor Galandum, de 2009, uma óptima surpresa, cheio de temas muito interessantes)

Ora vejam então como amostra este Fraile cornudo: "la crítica feita al clero ye un manantial de músicas i quadras na tradiçon mirandesa."


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Deixem o meu carro em paz!

Não percebo a insistência em deixar, no pára-brisas do meu carro, folhas A5 com os contactos de alguém que, segundo diz, compra carros velhos/usados. Por vezes, como aconteceu hoje, chega a estar escrito que compram mesmo que seja para abate. Mas que grande lata!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mark Twain

Não, não fui eu que me lembrei que passavam, agora, 100 anos sobre a morte de Mark Twain. A verdade é que ao ler este post lembrei-me do que eu gostava de ler este autor há tantos anos atrás.
Em jeito de homenagem deixo aqui a primeira entrada do diário de Adão, "traduzido do manuscrito original" por este autor.

Segunda-feira

Este novo ser de cabelo longo é um valente empecilho. Anda sempre à minha volta e segue-me para todo o lado. Não gosto disto; não estou habituado a ter companhia. Preferia que ficasse com os outros animais. [...] Está enevoado hoje, vento de Este; acho que nós ainda vamos ter chuva. [...] NÓS? Onde apanhei esta palavra? - o novo ser usa-a amiúde.

in Mark Twain, Excertos dos diários de Adão e Eva, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2004, p. 9

Solidariedade para com Carlos Carvalhal

Não tenho nada contra (ou a favor) dos actual e futuro treinadores do SCP. Mas ainda Carlos Carvalhal tem jogos pela frente, até ao final desta época, e já anda Paulo Sérgio a definir os objectivos para a próxima. Os sócios e simpatizantes que o digam mas se normalmente é "rei morto, rei posto", parece-me de muito mau gosto querer que um treinador cumpra o seu trabalho até ao fim quando o que o irá substituir já se comporta como se aquele não existisse.   

Vendedor de flores

Chovia lá fora. No interior do mercado pouca gente. Alguns casais, já de avançada idade, faziam as compras em conjunto. A necessidade de comprar flores levara-me ali. Na primeira banca não havia o que eu procurava. – Mas ali o meu colega tem. E lá estava ele. A idade marcada num rosto cansado. A camisa de flanela aos quadrados. O frio que parecia sentir. E a tristeza. Tinha poucas flores. Mas em relação a todas fez questão de me dizer o preço, como que a lamentar-se por não existirem razões para ninguém lhe comprar nada. No final, a oferta de um cravo vermelho. – Eu sei que ainda é um pouco cedo, mas é por ser mês de Abril, disse. Não pude deixar de pensar que, para ele, Abril já é muito tarde…

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Se um vulcão incomoda muita gente...

dois vulcões (sobretudo se um deles for o Katla) incomodam muito mais.

Finalmente!

Finalmente, sim... Já não se aguentava mais o tempo que a Comunicação social dedicou ao casal presidencial nestes últimos dias. Quantos quilómetros percorriam de carro, o que comiam, o que liam, quem encontravam, quem iam recolhendo pelo caminho...

domingo, 18 de abril de 2010

À deriva

Egon Schiele é um dos meus pintores favoritos. Discípulo de Klimt, fez, no entanto, uma utilização muito mais comedida da cor que o seu mestre e aproximou muito mais da realidade, e menos do nosso lado onírico, aquilo que pintou.


Deste quadro retenho os cabelos espalhados em ondas, os lençóis revoltos, o movimento, a aparente tempestade de sentimentos que nos faz pensar num par de amantes à deriva num mar.

Die Umarmung (Liebespaar II), Egon Schiele, 1917
Imagem aqui.

sábado, 17 de abril de 2010

Being a pet

A notícia já tem algum tempo. Mas só agora a li. A perplexidade que me assaltou é grande. Não discuto a atitude do condutor do autocarro que impediu a entrada do casal e cuja justificação, apesar de fazer algum sentido, me parece que não deixa de ser discriminatória.

Mas, o que realmente me impressiona é a postura destes dois jovens. A liberdade individual é muito importante. E se alguém, como a Tasha, quer utilizá-la para ser um animal de estimação estará certamente no seu direito. Mas, mesmo que seja só para dar nas vistas, e não sabendo se são caso único, ou não, não posso deixar de pensar no que levará uma mulher a gostar de "ser levada à rua" agarrada por uma trela. Será que o facto de não cozinhar e não fazer limpezas e eventualmente ser presenteada com umas festas de vez em quando compensa a submissão a um dono? E esse dono, será que se sente bem sabendo da dependência de alguém que, sendo uma pessoa, com os mesmos direitos e deveres que ele próprio tem, se anula ao ponto de não ir a lado nenhum sem ele?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ainda há baladeiros (e dos bons)

Dele disse Caetano Veloso que "...o que se ouve em Zambujo é algo já que vai mais fundo. É um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos de seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo que veio à música brasileira por causa dele."

António Zambujo tem dado nas vistas por aí. Esteve na quarta-feira no Teatro S. Luiz, em Lisboa, e vai estar, no domingo, na Casa da Música, no Porto. Mesmo quem não é apreciador de fado lhe reconhece qualidades. Vejam/ouçam só esta versão de "Nem às paredes confesso".
 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Acolhimento ao turista

A cara de espanto do casal de turistas (não percebi qual a língua que falavam entre eles) quando o senhor que vende “carteirinhas para o passe a 1 euro” se lhes dirigiu em inglês. Eles, depois de responderem que não queriam, ficaram a rir e a comentar a situação. Certamente inesperada, esta capacidade linguística causou muitos sorrisos entre os passageiros da carruagem que pareciam pensar que este vendedor de ”carteirinhas para o passe” contribuía, significativamente, para uma apreciação positiva por parte daqueles visitantes em relação ao nosso jeito de acolher.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A propósito de duas coisas

Depois de ter andado a acompanhar as leituras de um livro de Diderot, no blog experimental e dadas as recentes e constantes notícias na comunicação social, sobre a forma como a igreja, em alguns casos, tem tratado aqueles que, por vontade ou por imposição, passam parte da vida a ela ligados; lembrei-me do único livro de Diderot que li até agora. Trata-se de "A Religiosa", livro publicado postumamente em 1796, que nos permite acompanhar a vida no interior de um convento, através dos olhos de alguém que não desejou lá entrar.

Desse livro retiro um excerto:

(…) Deus, que criou o homem social, aprovará que o encarcerem? Deus, que o criou tão inconstante, tão frágil, poderá consentir na temeridade dos seus votos? Esses votos, contrários à inclinação geral da natureza, poderão ser alguma vez bem observados a não ser por criaturas mal organizadas, em quem os germes das paixões fossem nulos e que de direito devessem figurar entre os monstros se os nossos conhecimentos nos permitissem medir a estrutura interior do homem como medimos a sua forma exterior? Porventura as funções animais serão suspensas com todas essas cerimónias lúgubres que presidem ao acto de professar quando se consagra um homem ou uma mulher à vida monástica e à desventura? Ou, pelo contrário, não despertarão elas, no silêncio, no constrangimento e na ociosidade, com uma violência que a gente do século desconhece, entretida nas suas distracções? Onde é que se vêem cérebros obcecados pelos espectros impuros que os perseguem e os agitam? Onde se encontra esse tédio profundo, essa palidez, essa magreza, todos esses sintomas de uma natureza que elanguesce e se consome? Onde é que as noites são perturbadas pelos gemidos, os dias repassados de lágrimas vertidas sem causa e precedidas de uma melancolia que se não sabe a que atribuir? Onde é que a natureza, revoltada contra uma opressão para que não foi feita, quebra os obstáculos que se lhe opõem, ganha fúria, lança a economia animal numa desordem para que não há remédio? Onde é que o humor e a mágoa aniquilaram todas as qualidades sociais? Onde é que não há pai, nem mãe, nem irmão, nem irmã, nem parentes, nem amigos? Onde é que o homem, certo de que vive um instante e passa, trata as relações mais ternas deste mundo como o viandante os objectos que encontra no caminho, sem se prender a nenhum? Onde vive o ódio, o desgosto e o histerismo? Onde é a mansão do servilismo e do despotismo? Onde os ódios que não cansam? Onde as paixões germinadas no silêncio? Onde a morada da crueldade e da curiosidade? «Desconhece-se a história destes asilos», dizia o senhor Manouri no seu depoimento. E acrescentava noutro passo: «Quem faz voto de pobreza compromete-se, sob juramento, a ser preguiçoso e ladrão; fazer voto de castidade é prometer a Deus a infracção constante da mais sábia e mais importante das suas leis; fazer voto de obediência, renunciar à prerrogativa inalienável do homem, a liberdade. Quem observa estes votos é criminoso; quem os não observa, perjúrio. A vida claustral só convém aos fanáticos e aos hipócritas».” (…)

in Diderot, A Religiosa, Lisboa, Editora Arcádia, 1975, p. 109-110

sábado, 10 de abril de 2010

"She's not there..."

Na pastelaria

A pastelaria tem já muitos anos. Pela manhã, os clientes mais apressados tomam um café ao balcão. Outros, já reformados e, por isso, com mais tempo distribuem-se pelas mesas, enquanto tomam o pequeno-almoço. A uma dessas mesas está sentada uma senhora, já com algumas dificuldades para executar os movimentos mais simples. É então que um empregado se aproxima. Quase como alguém da família é ele que lhe deita o chá na chávena e lhe parte o bolo. Mas a senhora não parece satisfeita e reclama com qualquer coisa. O empregado afasta-se enquanto encolhe os ombros. Tal como faria alguém da família.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Brel

Às três horas da manhã do dia 8 de Abril nasce, em Bruxelas, na Avenida Diamont, 138, Jacques Romain Georges Brel, segundo filho de uma família francófona de origem flamenga.

A força dos textos das canções, quer o tema fosse o amor, em todas as suas formas, os locais que o marcavam, os excessos das touradas ou determinadas figuras como os burgueses, ou estas beatas, está sempre presente. A tristeza, a nostalgia, mas também a ironia, a mordacidade continuam a impressionar, a impressionar-me.

E a forma como as interpretava no palco, como um actor, que também era, não nos deixam indiferentes. Quanto a mim não é só no meu "perfil do blogger" que ele está. Regresso a ele tantas, mas tantas vezes...


As nossas linhas

Todos os políticos, com um papel importante nas decisões que são tomadas, estiveram lá. Mas duvido que tivessem parado, escutado e olhado.


Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.

Em 1988/1989

terça-feira, 6 de abril de 2010

Quente, morno, frio... GELADO!



Na sua loja de Cascais o Sr. Attilio Santini costumava dizer-me, quando me via comer uma taça de gelado, que ele deveria ser saboreado lentamente e que não era preciso tanta quantidade para ficar satisfeita. Mas eu, que andava vários quilómetros de carro para ir propositadamente comer o melhor gelado do mundo, queria aproveitar ao máximo aquele sabor que, talvez sem razão, me parece agora menos bom. Mas, de vez em quando, continuo a fazer os tais quilómetros para o ir comer.
Ora, agora, o que vou eu fazer com uma loja tão perto do meu local de trabalho? Não sei se vou conseguir resistir. E será que quero mesmo resistir?

domingo, 4 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Uma tisana de Ana Hatherly

[69]

. a história é infinita. podemos interceptá-la em qualquer ponto. era uma vez uma cidade onde os habitantes sabiam tanto do sofrimento humano que quando acordavam deitavam-se logo.

in ana hatherly, 463 tisanas, Quimera, 2006, p. 51

Um piano e uma escada

Lisboa, Outubro 2009

Mais uma prova

Ontem à noite no Lux e depois de Bloodshot Bill e antes dos Heavy Trash, Paulo Furtado, na sua versão de Legendary Tigerman, voltou a provar que, mesmo a solo, é um músico de mão cheia. A mim convenceu-me. Está bem, confesso: já estava convencida antes.