sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Gazeta dos Caminhos de Ferro (1888-1971)

A Hemeroteca Municipal de Lisboa colocou, esta semana, on line, através da Hemeroteca Digital, a Gazeta dos Caminhos de Ferro. A digitalização e disponibilização desta colecção resultam de um projecto desenvolvido em parceria com a Fundação Museu Nacional Ferroviário, apoiado financeiramente pela Fundação Calouste Gulbenkian.
“A Gazeta dos Caminhos de Ferro, inicialmente com o subtítulo, De Portugal e Espanha, surgiu em Lisboa a 15 de Março de 1888, e publicou-se até Dezembro de 1971. Foi dirigida inicialmente por L. de Mendonça e Costa, com a redacção em Espanha a ser assegurada por D. Juan Eloy de Bona, filho de D. Francisco Javier de Bona, redactor principal da Gaceta. Nas páginas da Gazeta encontramos informação e documentação da maior relevância para a história dos caminhos-de-ferro, pois aborda os mais diversos aspectos: tarifas de transporte, informação sobre as linhas em Portugal, nas colónias e no estrangeiro, descrições de viagens, relatórios e contas das diversas companhias, cotações dos títulos de caminhos-de-ferro nas bolsas de Lisboa e Porto, receitas, despesas, legislação, estatística, publicidade, entre muitos outros assuntos, constituindo uma fonte incontornável para o estudo e o conhecimento da actividade dos caminhos-de-ferro em Portugal, desde o século XIX até à segunda metade do século XX, da maior utilidade para os investigadores, estudantes, professores, e público interessado. Ao todo, são quase 30.000 imagens. Estas colecções digitais serão, também, em breve acessíveis através da Biblioteca Digital Europeia, a Europeana”. (texto da Hemeroteca Municipal de Lisboa)
A explorar aqui.

O livro mais esperado de sempre?

Li agora mesmo este texto de João Lopes no Sound+Vision. Não podia concordar mais. Aliás ia também referir aqui algo que vi hoje e me deixou perplexa. Logo de manhã, ao chegar à estação do Cais do Sodré, me deparei com uma bancada, do género das que vendem pirilampos mágicos na época dos ditos. Mas, neste caso, a bancada estava repleta do mais recente livro de Dan Brown. Junto a ela, um homem, vestido de fato e gravata, que tomei como o vendedor. Eu não gosto de falar do que não conheço e por isso não me vou pronunciar sobre o conteúdo do livro, nem de nenhum outro livro do autor. Posso, no entanto, dizer que as capas dos seus livros me parecem todas iguais.
À tarde lá estava o vendedor e a sua bancada repleta. Não percebi se não vendeu os livros ou se o ritmo da reposição era superior ao da reposição de produtos em promoção nos hipermercados em horas de ponta. Pelos vistos a polícia não o multou, nem lhe apreendeu a mercadoria, o que significa que tinha autorização para ali estar. E, desta vez, tinha uma cliente. Uma senhora, na casa dos 60's, a quem dizia, provavelmente depois de ter sido questionado sobre o tema do livro: "é sobre coisas antigas".
Como estratégia de vendas talvez resulte. Quanto a mim ainda não vai ser desta que lerei um livro de Dan Brown. Será que a editora considera que estamos todos tão ansiosos por comprar esta obra que não conseguimos sequer chegar a uma livraria para o fazer?

Os profs e os PROF's

Na primeira página do primeiro caderno do "Expresso", deste fim de semana, o título principal era "Novo governo dá prioridade total à avaliação dos profs". Fiquei muito admirada. Não sabia que os Planos Regionais de Ordenamento Florestal, constituíam uma preocupação tão grande para Sócrates e para os seus ministros. Afinal, na página 4, para onde se remetia o desenvolvimento da notícia, falava-se da avaliação dos professores. Ah! Então era isso...

Incompatibilidade?

Não percebo porquê. Afinal de Oeiras ao mar é um passo. E o Forte de S. Julião da Barra, a maior fortificação marítima do país e residência oficial do Ministro da Defesa, fica em Oeiras.

Telhados onde podemos escrever

Piódão, Julho 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fotografem-me!

Que a fotografia podia ser uma terapia já se sabia. Mas a perspectiva que costumamos ter é a de que essa terapia funciona em relação a quem fotografa. Pois parece que a relação não é só nesse sentido. Ser fotografado também poderá ser uma forma de aumentarmos a nossa auto-estima.
Poder sentir-se uma modelo profissional, com direito a sessão de vestir/despir, maquilhagem, poses mais ou menos sensuais faz, segundo quem já experimentou, milagres e não é assim tão caro, se comparado com sessões em SPA's, por exemplo. Digo "uma" modelo porque, por enquanto, ainda só ouvi falar de uma empresa a trabalhar nesta área, que se dirige, exclusivamente, ao sexo feminino. Parece que as clientes têm idades entre os 30 e os 40 e o prazer que dizem ter, ao observar o resultado final das sessões, é enorme.
A propósito de uma intervenção numa conferência, a que assisti dia 27, cito o seu autor, Gilles Lipovetsky, quando dizia que "o narcisismo, pela atenção escrupulosa que concede ao corpo..., faz cair as resistências tradicionais e torna o corpo disponível para todas as experimentações".
in Gilles Lipovetsky, a era do vazio, Relógio D'Água, p. 60
E então podemos ou não ser narcisistas?

Uma das razões/poemas porque gosto de Emily Dickinson

I had been hungry all the years
My noon had come, to dine;
I, trembling, drew the table near,
And touched the curious wine.

'Twas this on tables I had seen,
When turning, hungry, lone,
I looked in windows, for the wealth
I could not hope to own.

I did not know the ample bread,
'Twas so unlike the crumb
The birds and I had often shared
In Nature's dining-room.

The plenty hurt me, 'twas so new.
Myself felt ill and odd,
As berry of a mountain bush
Transplanted to the road.

Nor was I hungry; so I found
That hunger was a way
Of persons outside windows,
The entering takes away.

Agradecimentos

- Ao 2711 (ou ao Daniel) pelo destaque dado a estes dias imperfeitos.
- À Maria Josefa Paias, do Direito e Avesso, por considerar que este blogue "is just perfect to learn something every day". Por ser péssima a tomar decisões não consigo escolher facilmente novos alvos para os prémios. Mas todos os blogues que sigo, uns por umas razões, outros por outras, poderiam recebê-los.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Reflexo

A porta do café está aberta. No fim da sala, muito comprida, um espelho ocupa toda a parede. É lá que me vejo aqui, sentada neste banco, do outro lado da rua, esperando por um autocarro que não vem, enquanto me vejo num espelho, que ocupa toda a parede do fundo da sala, muito comprida, de um café, que tem a porta aberta.

Uma questão de uniformização de linguagem

A partir do momento em que, no metropolitano, se começou a ouvir, no sistema de som, o nome da estação seguinte havia um tratamento diferenciado em relação a duas das linhas de comboio, com estações servidas pelo metro. Assim, nos Restauradores, dizia-se “há correspondência com o comboio suburbano". No Cais do Sodré dizia-se ”há correspondência com a linha de Cascais”.
Uma questão de pormenor mas que poderia ser entendida como a atribuição de diferentes significados valorativos às duas linhas.
De há uns meses para cá uniformizou-se a linguagem e utiliza-se a expressão “comboio suburbano” nas duas situações. Eu teria preferido a outra hipótese (Linha de Sintra e Linha de Cascais). Não porque considere que a palavra suburbano seja depreciativa mas porque individualizava as linhas e facilitava a sua identificação por quem, não sendo de Lisboa, ou mesmo de Portugal, não conhece estas ligações. Opções.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

Maré Alta

A sala é redonda mas, ontem à noite, teve



No público havia gente dos 8 aos 80 anos, gente conhecida e gente anónima, gente com um ar mais acomodado, que nem teve tempo de trocar a roupa que os colava às imagens tão criticadas em palco, e gente que parecia estar no PREC.
As três vozes, pelo reportório escolhido, pareciam ter a vontade de lembrar que resistir é ainda dos dias de hoje. Muitas emoções se respiraram... A sensação com que ficámos é que, pelo menos no interior daquela sala, a liberdade passou mesmo por ali.

Para quem gosta de poesia

esta é uma má notícia.

Vai tu!


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O homem mais feio de Itália!

A mera hipótese de comparação com George Clooney é tão favorável ao primeiro ministro italiano que ele não a merece de todo.
Berlusconi é um homem feio, muito feio, que usa o seu poder de uma forma tão torpe que não compreendo como os italianos insistem na sua eleição.

Um ponto de cor

A carruagem do metro estava praticamente vazia. A rapariga vestia integralmente de preto. Os ténis tinham a mesma cor. Até a fita no cabelo. Às costas uma mochila, preta também, daquelas grandes, com lugar, no topo, para o saco cama. Mas aí, surpreendentemente encontrava-se não o dito saco cama mas uma caixa de cereais de pequeno-almoço das que apelam ao consumo das crianças, com um urso desenhado e muito colorida, em tons de amarelo vivo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Afinal havia outra..."

exposição. Vai estar aberta mais tempo mas a divulgação é igualmente muito discreta. Provavelmente é para não destoar da forma como decorreu a inauguração, "em 30 de Setembro de 1889, do ramal, que deveria ligar Cascais a Santa Apolónia". Como se vê não é de agora a dificuldade para concretizar os planos.

Duas notícias e um cartaz


Toda esta questão pode ser muito discutida mas, assim, sem grandes elaborações, se, por um lado, a segunda notícia é preocupante (claro que precisávamos saber quais os critérios utilizados nos questionários feitos a "jornalistas e especialistas dos media" para compreender isto melhor) a primeira mostra-nos que, pelo menos os tribunais, ainda defendem a tal liberdade de expressão que, felizmente para nós, que não estamos em países como, por exemplo, a Itália, tem de ser entendida até pelo Primeiro Ministro.

A propósito deixo uma imagem de um cartaz que acho muito simples e eficaz.
Imagem vista pela primeira vez aqui

Se eu encontrar uma ilha...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Uma das razões/poemas porque gosto de Sylvia Plath


I am vertical

But I would rather be horizontal.
I am not a tree with my root in the soil
Sucking up minerals and motherly love
So that each March I may gleam into leaf,
Nor am I the beauty of a garden bed
Attracting my share of Ahs and spectacularly painted,
Unknowing I must soon unpetal.
Compared with me, a tree is immortal
And a flower-head not tall, but more startling,
And I want the one's longevity and the other's daring.

Tonight, in the infinitesimal light of the stars,
The trees and flowers have been strewing their cool odors.
I walk among them, but none of them are noticing.
Sometimes I think that when I am sleeping
I must most perfectly resemble them-
Thoughts gone dim.
It is more natural to me, lying down.
Then the sky and I are in open conversation,
And I shall be useful when I lie down finally:
Then the trees may touch me for once, and the flowers have time for me.

Onde os telhados se confundem com as fachadas

Piódão, Julho 2009

Legendary Tigerman – Aditamento

Porque não tinha ainda ouvido com atenção todo o “Femina” falei só da canção “These boots…” Mas venho, por este meio, declarar que, com tantas canções, não encontrei nenhuma que esteja a mais neste trabalho. A escolha das vozes foi certeira, a guitarra, sempre presente, enche cada faixa.
É como se estivéssemos a ouvir um disco antigo e moderno ao mesmo tempo. Se isto é uma aproximação ao universo feminino, que bom fazer parte desse universo… e que bom ter um Tigerman lá dentro.

Legendary Tiger Man "Life Aint Enough For You"

Antena 3MySpace Music Videos

Aldeia Histórica mas não tanto

Não é só nas cidades que encontramos antenas parabólicas e janelas de alumínio:

Piódão, Julho 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Democracias Imperfeitas ou as descrenças de Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura é uma figura pública. Escritor, poeta, tradutor e conhecido militante social democrata. É por isso normal que a comunicação social lhe dê espaço e tempo para expressar as suas opiniões.
No entanto, se, no que diz respeito às suas posições sobre o Acordo Ortográfico, até concordo, de forma geral, com o que defende, não posso deixar de expressar o meu repúdio pela forma como tem manifestado as suas opiniões sobre os resultados das últimas eleições legislativas.
De facto, nos seus artigos do DN e hoje, em declarações à TSF, VGM excede-se bastante ao pôr em causa os eleitores que, no dia 27, ao votarem, o fizeram em maior número no PS que, por isso, deverá formar governo, comparando-os até aos que, em 1932, elegeram Hitler.
Todos concordamos com a frase de Winston Churchill “a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros” e todos sabemos que, nem sempre as escolhas feitas em determinada altura, se revelam as mais acertadas. Mas é exactamente para isso que existem diversos mecanismos, nomeadamente um fundamental que é a convocação de novas eleições, caso tal se revele necessário. O Presidente da República poderá sempre tomar essa decisão. Não seria aliás a primeira vez. Mas, provavelmente, para VGM, essa não poderá ser a decisão pois seriam novamente os “analfabetos políticos” a pronunciarem-se.
Pois é, ao contrário de VGM, que conseguiu, ao longo da sua vida, alfabetizar-se politicamente, há muitos portugueses que passaram a vida inteira sem ter essa oportunidade. O elitismo agora demonstrado só pode ter a ver com o facto de, à força de tanto estudar os clássicos, VGM acreditar numa democracia à maneira grega em que apenas alguns homens (cidadãos) tinham direito a participar na vida pública. E parece-me que já percebi quem seria um dos demagogos (orientadores do povo).
Mas a verdade é que, por muito que isso custe a VGM, nesta nossa “imperfeita” democracia todos os votos valem o mesmo.

A Sibéria em Portugal...

parece que fica no Monte Santa Helena em Tarouca. Nesta notícia, que ouvi hoje de manhã, o candidato social democrata, que não ganhou as eleições, dizia que um dos funcionários que foi mudado de local de trabalho, foi mandado sozinho para a serra partir pedra. Bem, pelo menos não faz tanto frio...

120 anos da Linha de Cascais

É certo que a exposição está aberta ao público durante pouco tempo mas a divulgação não deve ter sido muito eficaz porque eu, utilizadora regular desta linha, só hoje vi um cartaz. Não sei se a exposição vai para algum outro lado, nem se vale a pena visitar, mas, para os amantes dos comboios, aqui fica o alerta: é só até ao próximo sábado!

Para saudosistas


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Peregrinos - Séc. XXI

A propósito do dia de hoje, em que se celebra o milagre do Sol em Fátima, lembrei-me que, em Maio passado, dois dias antes do dia 13, fui a Coimbra e, ao regressar a Lisboa, fiz grande parte do percurso pela EN 1. Foi então que constatei que os peregrinos que vão para Fátima estão envolvidos por uma organização montada de tal forma que parece perder-se um pouco do carácter de sacrifício, normalmente associado a tal peregrinação. Ora vejamos:

A estrada, onde tal é possível, encontra-se com uma divisória para os peregrinos circularem, fazendo com que a caminhada seja mais segura. Isto é reforçado pelos avisos constantes, aos automobilistas, através de painéis, da existência destas pessoas na estrada. Estas usam, na sua maioria, coletes reflectores que, nas suas cores vivas, os distinguem da paisagem.

Para além disto, a bagagem não lhes pesa pois é constituída, apenas, por bonés e garrafas de água. É que, tal como em provas desportivas, circulam, pelas bermas, dezenas de carros de apoio ao serviço dos peregrinos que transportam os seus haveres e que vão renovando os stocks de água para além de, em caso de necessidade, prestarem cuidados de enfermagem.

Mas há outros objectos que não deixam de acompanhar os peregrinos. O telemóvel é um deles. Não é fácil falar e caminhar ao mesmo tempo mas, pelo que vi, os fiéis não perdem a oportunidade de porem a conversa em dia com os seus conhecidos que ficaram em casa ou que andam mais à frente ou atrás no caminho.

Também os reprodutores de áudio digitais, sobretudo para os mais novos, estão presentes. Não sei se a música será religiosa ou não mas suponho que tornará menos penosa a viagem.

Por tudo isto estas peregrinações, feitas por devoção ou promessa, estão a mudar. Mas, no santuário, as imagens como esta de quem, indiferente aos efeitos, que deixam marcas no corpo, faz o percurso final de joelhos, continuam a impressionar-nos.

Mais outra excelente versão!

Nancy Sinatra cantou esta canção numa altura em que os textos que davam algum poder às mulheres, numa relação, não eram muitos.

Esta versão do Paulo Furtado, com a voz de Maria de Medeiros, é muito, muito boa...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ainda a vitória de Isaltino

Desde há algum tempo, pelo menos desde a condenação de Isaltino, e, sobretudo, depois da sua vitória de ontem, tenho lido justificações, oriundas de diversas pessoas, que falam, sobretudo, da alteração sofrida pelo concelho de Oeiras desde que Isaltino Morais é presidente como se tudo o que tem acontecido de bom ao concelho fosse obra sua e como se nada tivesse sido feito de errado, ao longo destes anos. Ora como oeirense, de nascimento e residência e porque, por motivos profissionais, tive oportunidade de conhecer bastante bem o concelho, não posso deixar de dizer que as coisas não se passam bem assim. Alguns exemplos se seguem.
Em termos urbanísticos, a harmonia está longe de ser conseguida. Constrói-se muito e o facto de falarmos de habitação de qualidade, dirigida a um segmento de mercado com altos rendimentos, não desculpa a densificação de alguns locais e a construção em leito de cheias de algumas das ribeiras que atravessam o concelho.
Em algumas localidades do interior o investimento não é assim tão grande e, por exemplo, problemas de transportes são frequentemente motivo de protestos.
No que respeita à instalação de empresas de base tecnológica avançada e multinacionais, uma das bandeiras do presidente, tem a ver não só com as condições dadas mas com a localização do concelho na área metropolitana de Lisboa que o torna apetecível.
Aliás a localização e a acessibilidade fácil à capital é um dos mais fortes motivos que leva muitas famílias a procurarem Oeiras para viver e, como os preços das habitações são elevados, os rendimentos dessas famílias têm necessariamente que estar acima da média o que normalmente vem a par com a escolaridade também superior à média.
Apesar de algum investimento algumas das escolas públicas do concelho, geridas pela autarquia, deixam muito a desejar, com aulas a decorrer em pré-fabricados sem condições, com espaços exteriores degradados, sem pessoal de apoio suficiente.
Uma das questões mais faladas e que é dada, frequentemente, como exemplo, é a erradicação das barracas. Ora é um facto que Oeiras tinha muitas barracas mas o número não era comparável com o de outros concelhos, como a Amadora ou Lisboa; havia disponibilidade de terrenos e o mais importante: a comparticipação do Estado através dos vários programas de apoio que, em muitos casos, era aumentada pela necessidade de desocupação rápida de zonas onde as obras do estado precisavam avançar (caso da CRIL).
Ah, e também há buracos nas ruas de Oeiras…
Não quero com isto dizer que Isaltino não teve um papel importante na forma, globalmente positiva, como o concelho se desenvolveu. Quero sim relativizar esta ideia de autarca modelo que se lhe colou, de há uns anos a esta parte (o PSD deve estar mais que arrependido de ter feito passar essa ideia).
A realidade é que nunca saberemos se, com os meios de que dispôs, outro autarca não faria ainda melhor.
E não é indiferente o facto de, após um processo que supostamente decorreu de forma correcta, o tribunal o tenha condenado e ainda por cima com uma pena tão pesada. Não podemos aprovar que, mesmo beneficiando o concelho, a actuação de um presidente de Câmara seja legalmente e moralmente censurável. Não podemos dizer que todos são assim e que este, ao menos, até fazia alguma coisa… Não podemos achar que, por se ser político e fazer política se pode ultrapassar determinadas barreiras. Eu quero viver num concelho onde os problemas que existem sejam resolvidos de forma clara, por alguém que não levante estas suspeitas. Ao aceitar esta situação estamos a abrir caminho para a aceitação de outras, cada vez mais graves, até ao limite de a ética já não fazer parte das nossas exigências face aos políticos que nos representam. E isso pode ser muito perigoso. Por isso, e apesar de compreender a decisão de muitos votantes de Oeiras, não posso deixar de me sentir triste…

Este país também é para velhos

Os locais onde estão instaladas as mesas de voto tornam-se, em dias de eleições, sobretudo em áreas urbanas, como aquela onde voto, onde os idosos não circulam muito pelas ruas, lugares onde constatamos que o envelhecimento demográfico não é só coisa de cientistas sociais.
As Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia e várias associações transportam, gratuitamente, os mais velhos (e outros cidadãos com mobilidade reduzida) até ao local de votação. Para estas pessoas, que passam grande parte do tempo fechadas em casa ou em lares e centros de dia, esta é uma oportunidade, que parecem agarrar com alegria, de sair, de vestir a sua melhor roupa. É domingo e é dia de encontrar muita gente.
Os autocarros aguardam-nos à saída mas eles prolongam o momento, conversando com conhecidos, dando a conhecer os netos e bisnetos uns aos outros, observando o movimento.
É certo que votar é, para muitos destes eleitores, uma ocasião a que não podem faltar pois já bastaram eleições no passado em que o esforço de deslocação não existia mas em que disso estavam impedidos, por um regime que entendia que os votos deviam ser só para alguns.
Por estas razões tão diversas, a que se acrescentam as que movem também todos os outros, votar é, para muitos, uma festa que não querem perder.
E para nós, que desde que temos idade para votar o podemos fazer em liberdade e que banalizamos este direito ao ponto de não o exercer, não deveria também ser?

Executivos na sombra

Em plena hora de maior calor a sombra do mupi estava completamente ocupada por um conjunto de yuppies (esta palavra já não se usa pois não?) que se acotovelavam para caber naquele pouco mais de metro quadrado. A luta era por um lugar à sombra, não ao sol…

Nota: aquele semáforo (na R. Alexandre Herculano) é, deveras, irritante porque nos recorda que quem manda na cidade é o automóvel e não os peões. Parece-nos estarmos ali tempos infinitos pois de todas as direcções passa o trânsito e, de uma delas, o semáforo abre duas vezes para os carros antes que os peões tenham oportunidade de passar.
(Este post surgiu por sugestão da Sofia)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eleições autárquicas - Pequeno apontamento

Um pouco antes de vermos, no Jornal da Tarde da RTP 1, em directo, Cavaco Silva a exercer o seu direito de voto (se a câmara se aproximasse só mais um pouquinho veríamos em que quadrado o presidente punha a cruz) e a dizer que o “triste acontecimento (que se verificou no concelho de Mondim de Basto) apenas destoava na normalidade com que, em todo o país, decorriam as eleições”, a RTP tinha entrevistado Sergio Demian, imigrante moldavo que nunca tinha votado, nem sequer no seu país e que explicou que procurou informar-se antes de votar para que, quando o fizesse, não fosse inconscientemente. Um exemplo.

Instrução não é discernimento

Tal como já se esperava Isaltino Morais é novamente eleito como presidente da Câmara de Oeiras. No seu discurso de vitória Isaltino disse-o. Oeiras é um concelho com altos índices de desenvolvimento a nível nacional. O número de licenciados é, proporcionalmente, o maior do país. Isto só prova que, tal como também já sabíamos, não é por se ser licenciado que a nossa capacidade de avaliação, o nosso discernimento, entendido como a faculdade de julgar sensatamente as coisas, é superior.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ainda a propósito de Brel

No âmbito da Semana da Bélgica em Portugal, na quarta-feira, dia 14, Francis Seleck, cantor belga que reside em Portugal, vai estar na Casa da Música, no Porto, a recriar canções de Brel.

Grand Jacques

Tinha ideia que era este mês. Fui confirmar e, de facto, passaram ontem, dia 9, 31 anos desde a morte de Jacques Brel. Continuo a gostar tanto de o ouvir como quando, adolescente, o descobri e me ensinou tanta coisa.
Tenho tantas músicas preferidas que não é nada fácil escolher uma para aqui o lembrar. Mas esta é, sem dúvida, uma delas.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sous le parapluie magique

http://www.discogs.com/viewimages?release=1946365

Ainda houve um nostálgico que pediu o tema "Je t'aime moi non plus". Mas é claro que ali e agora já não faz sentido. Mesmo assim as referências a Serge Gainsbourg e as suas canções estiveram sempre presentes. Mas Jane Birkin, que é considerada a sua musa, é, por si só, uma grande cantora e escritora de canções.
Apesar da sala não estar cheia tenho a certeza que, para os presentes, foi uma óptima surpresa perceber que, ao vivo, a sua voz, que continua igual à de há 40 anos atrás, porta-se muito bem e interage optimamente com os quatro músicos em palco. Também a sua forma de falar o francês é deliciosamente impregnada do sotaque inglês, tal como era (nem sei se não será deliberado).
Parecia não estar à vontade no palco, não saber onde pôr as mãos, transpirar fragilidade. Mas por isso, por ser igual a nós, apesar de ter e ter tido uma vida tão intensa; por demonstrar que, aos 63 anos, se pode ser tão bonita e interessante, deixando a ideia de que tem ainda muito para dar, eu gostei tanto do concerto. Por isso e por canções como esta:



My name is...


Estou de acordo! Oeiras precisa de um novo presidente. E James Bond, o agente 007, consegue sempre sair airosamente das situações mais difíceis em que se vê metido.
Mas eu nunca gostei muito da versão Timothy Dalton!

Coisas que ficamos a saber pelos cartazes

Quando for aos bairros Santana Lopes leva a polícia.

Dá gosto sobrevoar Oeiras

Cá em baixo as cores são atractivas. Mas estes mega-canteiros parecem ter sido feitos para serem vistos do ar. Será que o tráfego aéreo é assim tão intenso que justifique esta opção?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dificuldades linguísticas

Com a comunicação social a utilizar, nas coberturas das campanhas eleitorais deste ano, a palavra "arruada", com uma frequência nunca vista, tornou-se necessário assegurarmo-nos que essa palavra não se confundia com arruaça. No dicionário que tenho em casa arruada não consta. Em arruaça aparece motim, tumulto nas ruas. Mas parece que são, de facto, coisas distintas. Será? Algés não é assim uma localidade tão pequena! As organizações do PS e do IOMAF deveriam era ter arruado (do verbo arruar: dividir em ruas, distribuir pelas ruas).

Prémio "digam lá se não arranjei aqui uma resposta à maneira!"

Quando ouvi esta notícia pensei: lá estão os investigadores sociais a revelarem estudos que correspondem a verdades de La Palisse. Todos nós sabemos isso, todos nós observamos isso e o facto do estudo ser divulgado nesta altura só pode ser para beneficiar os seus autores.
Eis senão quando... ouvi a reacção do presidente da Associação dos Autarcas Sociais-democratas que basicamente diz que não, que não há qualquer aproveitamento eleitoral da situação. O que se passa é que "um presidente de câmara é eleito por quatro anos e que é ao fim deste tempo que se poderão «ver mais os efeitos do planeamento de tudo o que fez e das obras que lançou ao longo dos quatro anos»". Muito bem... podemos não acreditar no que diz mas a capacidade de arranjar argumentos quase verosímeis é grande.

O Ministério da Educação das Finanças

Há uns dias atrás tive necessidade de ir a uma repartição de finanças onde, durante o tempo que esperei para ser atendida, estive entretida a olhar para o ecrã de televisão ali instalado.
Entre as sucessivas chamadas dos números que constam nas senhas (os balcões vão do A ao J, obrigando-nos a um esforço constante de atenção) vão passando informações fiscais, com origem na Direcção Geral de Contribuições e Impostos (as datas de entrega dos vários modelos, os prazos de pagamento dos vários impostos, …).
Mas, além destas, temos outras informações. Foi assim que, na rubrica eco dicas, se falou da água como um bem essencial que devemos poupar; que nos apresentaram o Cabo da Roca e Cacela Velha, como locais turísticos a visitar; e que nos ensinaram que, quando nos dirigimos a alguém que reconhecemos, cumprimentamos e não comprimentamos essa pessoa.
O tempo perdido nestas repartições já não é perdido. Ora digam lá se isto não é serviço público.
Mas nem todos estão satisfeitos. Ao meu lado uma senhora dizia-me: não era melhor terem o programa da D. Fátima Lopes?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dados cruéis

De vez em quando algo nos faz lembrar que, para um número sempre demasiado grande de crianças, todos os dias são dias mais-que-imperfeitos.

"Rasga o Passado"

Já aqui disse que não gosto especialmente de fado. Reconheço, no entanto, a importância de algumas vozes e Amália era, de facto, especial. Ouvi hoje na rádio, a propósito da passagem de 10 anos, sobre a sua morte, um fado que não conhecia e que resolvi deixar aqui (apesar das imagens não terem grande interesse). O poema, de Álvaro Duarte Simões, é muito bonito.


Isto continua!

Desta vez a Presidência da República apressou-se nos esclarecimentos. Embora possamos questionar se o Presidente deve responder ou não a provocações, penso que o fez bem. E a orquestra (ou será a banda?) continua a tocar...

Ó freguesa, não quer levar duas caixas?

Os polícias estavam a alguma distância do túnel de acesso à estação. A mulher vendia a fruta (exposta em duas caixas) agachada, para não entrar no campo de visão dos agentes. O seu marido, debruçado no muro, controlava a cena.

domingo, 4 de outubro de 2009

O quadro da gripe

O regresso às aulas deste ano teve um “frisson” especial devido às ameaças da gripe A.
Nas reuniões de apresentação aos pais foram feitas várias recomendações que vão no sentido dos ensinamentos das várias campanhas a que temos assistido.
Quanto ao comportamento das crianças na escola pede-se-lhes, para além de desinfectarem as mãos sempre que entram na sala (pelo menos enquanto houver o líquido), que não levem qualquer brinquedo de casa, que limpem as mesas com álcool, sempre que deixem a sala onde se encontrem e mudem para outra, e que não partilhem quaisquer materiais entre si.
Mas há ainda outra coisa. Lembram-se do terror que sentíamos quando tínhamos que ir ao quadro? O medo de errarmos as contas e mostrarmos as nossas fragilidades, sobretudo estando nós de costas voltadas e, por isso, sem podermos sequer contar com a ajuda das expressões na cara do professor ou dos colegas fazia-nos tremer sempre que éramos chamados. Pois agora, como só há um marcador por sala, e não havendo verba para comprar um marcador para cada aluno, estão suspensas as idas ao quadro. Se, por exemplo, a limpeza das mesas motiva alguns protestos, esta medida não foi ainda contestada.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um presidente também chora...

Numa altura em que a cara de enfado do nosso presidente está ainda na nossa memória foi bom ver a emoção estampada no rosto de Lula da Silva.

Parabéns Brasil!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Uma fraca voz?

Jane Birkin não agrada a todos. A sua voz não tem, de facto, a força que ajuda, em muitos casos, a transmitir sentimentos através das canções. Mas, na realidade, a aparente fragilidade da sua voz esconde uma enorme intensidade de emoções, presentes nos poemas e na forma de cantar, que nada impõe.
No final do ano passado foi lançado mais um trabalho seu, “Enfants d'hiver”. Todos os textos são seus. Este é o único em inglês...


Onde está aqui a fraqueza?

Vem isto a propósito do concerto de dia 8 no Centro Cultural de Belém. Eu já tenho bilhete!

Nunca é tarde para mudar

A senhora tinha, à vontade, mais de 80 anos.
De cabelo arranjado e bem vestida sentava-se muito direita com a carteira pousada no colo.
Nas suas mãos um pequeno livro.
Ia sentada à minha frente. Mas não consegui ver os seus olhos, que nunca se afastaram daquelas páginas, que parecia ler sofregamente. O título do livro: "Como a ação do espírito pode mudar sua vida".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Música, Música, Música

Porque hoje é o dia da música deixo um tema de um dos meus autores preferidos que é, ao mesmo tempo, uma das canções favoritas das minhas filhas.

No comboio descendente... de S. Bento a Belém?



Este poema de Fernando Pessoa, num ritmo repetitivo, dirigido a leitores mais infantis, pode ser, afinal, um retrato mais sério da nossa realidade.

É também uma óptima banda sonora para fazer referência aos Caminhos de Ferro Vale da Fumaça onde os amantes dos comboios podem encontrar informações interessantes e belas fotografias...

Very, very early english

Sócrates está muito orgulhoso por ter conseguido implementar o projecto de generalização do ensino do Inglês no 1º Ciclo do Ensino Básico . Pois vejam então isto:

É bom saber que os bebés portugueses já poderão, a partir de agora, aprender a dizer ah, eh, buh, bah, gah e outras coisas igualmente fundamentais, em inglês.